A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
8 pág.
Farmacocinética

Pré-visualização | Página 1 de 4

Bianca Louvain Farmacologia I | P á g i n a 1 
 
 
 
Quatro propriedades farmacocinéticas determinam o início, a intensidade e a duração da ação do 
fármaco: 
• Absorção – primeiro processo a ocorrer, a absorção permite a entrada do fármaco (direta ou 
indiretamente) no plasma; 
• Distribuição – segundo a ocorrer, o fármaco pode, então, reversivelmente, sair da circulação 
sanguínea e distribuir-se nos líquidos intersticial e intracelular; 
• Biotransformação – terceiro a ocorrer, o fármaco pode ser biotransformado no fígado ou em 
outros tecidos; 
• Eliminação – finalmente, o fármaco e seus metabólitos são eliminados do organismo na urina, na 
bile ou nas fezes. 
 
É uma estrutura semipermeável, responsável pelo transporte e seleção de substâncias que entram e 
saem da célula. É formada por uma bicamada de fosfolipídios. Os fosfolipídios apresentam uma porção 
polar e outra apolar. A porção polar é hidrofílica e volta-se para o exterior. A porção apolar é 
hidrofóbica e voltada para o interior da membrana. 
Para que um fármaco chegue à corrente sanguínea, ele 
tem que atravessar a membrana plasmática da célula, que 
representa uma barreira à distribuição do fármaco, seja 
ela uma única camada de células (epitélio intestinal), ou 
de várias camadas de células e proteínas extracelulares 
associadas (pele). 
 
• Difusão simples/passiva – ocorre predominantemente do sangue para os 
tecidos. A maioria dos fármacos é absorvida por esse mecanismo. Os fármacos 
hidrossolúveis atravessam as membranas celulares através de canais ou 
poros aquosos, e os lipossolúveis movem-se facilmente através da maioria das 
membranas biológicas, devido à sua solubilidade na bicamada lipídica. 
• Difusão facilitada – alguns fármacos podem entrar na célula por meio de 
proteínas transportadoras transmembrana (extrusoras/carreadoras), que 
facilitam a passagem de moléculas grandes. Essas proteínas transportadoras 
sofrem alterações conformacionais, permitindo a passagem de fármacos ou 
moléculas endógenas para o interior da célula, movendo-os de áreas de alta 
concentração para áreas de baixa concentração. Ocorre, predominantemente, 
do tecido para o sangue. Quando um determinado fármaco está em 
concentrações elevadas essas proteínas são capazes de transportar esse 
fármaco de volta para a matriz extracelular. 
• Transporte ativo – Ele é capaz de mover fármacos contra um gradiente de 
concentração – ou seja, de uma região com baixa concentração de fármaco 
para outra com concentração mais elevada. Esse processo é saturável. Os 
sistemas de transporte ativo são seletivos e podem ser inibidos 
competitivamente por outras substâncias cotransportadas. 
• Endocitose e exocitose – usados para transportar fármacos 
excepcionalmente grandes através da membrana celular. A endocitose 
envolve moléculas do fármaco pela membrana e seu transporte para o 
interior da célula pela compressão da vesícula cheia de fármaco. A exocitose é 
o inverso da endocitose. Ex: a norepinefrina é armazenada em vesículas 
intracelulares, no terminal nervoso, e liberada por exocitose. 
Bianca Louvain Farmacologia I | P á g i n a 2 
 
 
pH – a maioria dos fármacos ou é um ácido fraco ou uma base fraca. Fármacos ácidos (HA) liberam um 
próton (H+), causando a formação de um ânion (A–): 
HA  H+ + A– 
As bases fracas (BH+) também podem liberar um H+. Contudo, a forma protonada dos fármacos 
básicos, em geral, é carregada, e a perda do próton produz a base (B) não ionizada: 
BH+  B + H+ 
Um fármaco atravessa a membrana mais facilmente se estiver não ionizado (Fig. 1.7). Assim, para os 
ácidos fracos, a forma HA não ionizada consegue permear através das membranas, mas o A– não 
consegue. Para a base fraca, a forma não ionizada, B, consegue penetrar através das membranas 
celulares, mas a BH+ protonada não consegue. 
A relação entre as duas formas (ionizada e não ionizada) é determinada pelo pH no local de absorção e 
pela força do ácido ou base, que é representada pela constante de ionização, o pKa. 
Os fármacos ácidos são melhores absorvidos em meio ácido e os fármacos básicos são 
melhores absorvidos em meio básico. Moléculas ionizadas são extremamente hidrofílicas, ou seja, 
não conseguem transitar através das membranas celulares que são lipofílicas. 
Na administração por via oral há dois sítios de absorção: estômago (ácido) e intestino (básico). 
Sendo assim, fármacos ácidos são mais facilmente absorvidos no estômago (mesmo com as diversas 
camadas que compõem o estômago) e o contrário ocorre no intestino, onde fármacos básicos serão 
preferencialmente absorvidos. 
 
* Coeficiente de partição (CPE) – calcula a solubilidade de um composto. Sendo assim, quanto 
maior o coeficiente de partição efetiva, maior a lipofilicidade da molécula e com mais facilidade ela 
atravessa a membrana plasmática, através da difusão simples. Um fármaco na forma ionizada e com 
baixo CPE terá dificuldade para passar pelas membranas da célula. 
Fluxo de sangue no local de absorção: Os intestinos recebem um fluxo de sangue muito maior do 
que o estômago, de modo que a absorção no intestino é favorecida ante a do estômago. 
Tempo de contato com a superfície de absorção: Se um fármaco se desloca muito rapidamente ao 
longo do TGI, como pode ocorrer em uma diarreia intensa, ele não é bem absorvido. Contudo, qualquer 
retardo no transporte do fármaco do estômago para o intestino reduz a sua velocidade de absorção. 
Obs: a presença de alimento no estômago dilui o fármaco e retarda o esvaziamento gástrico. Portanto, 
quando um fármaco é ingerido com o alimento, em geral, é absorvido mais lentamente. 
 
A biodisponibilidade é taxa de fármaco administrado que alcança a circulação sistêmica. 
Ex: se 100 mg de um fármaco são administrados por via oral, e 70 mg desse fármaco são absorvidos 
inalteradamente, a sua biodisponibilidade 70%. 
Conhecer a biodisponibilidade é importante para calcular a dosagem de fármaco para vias de 
administração não IV. 
Em contraste com a administração IV, que confere 100% de biodisponibilidade, a administração oral de 
um fármaco envolve frequentemente biotransformação de primeira passagem. A biotransformação, 
além das características físicas e químicas do fármaco, determina a velocidade e a extensão com que 
ele alcança a circulação sistêmica. 
Efeito de primeira passagem – quando um fármaco é absorvido a partir do TGI, primeiro ele entra 
na circulação portal antes de entrar na circulação sistêmica. Se o fármaco é rapidamente 
biotransformado no fígado ou na parede intestinal durante essa passagem inicial, a quantidade de 
fármaco inalterado que tem acesso à circulação sistêmica diminui. 
Fármacos com intensa biotransformação de primeira passagem devem ser administrados em dosagem 
suficiente para assegurar a quantidade necessária de fármaco ativo no local de ação desejado. 
Bianca Louvain Farmacologia I | P á g i n a 3 
 
Solubilidade do fármaco – fármacos muito hidrofílicos são pouco absorvidos, devido à sua 
impossibilidade de atravessar membranas celulares ricas em lipídeos. Da mesma forma, fármacos 
extremamente lipofílicos são também pouco absorvidos, pois são totalmente insolúveis nos líquidos 
aquosos do organismo (sangue) e, portanto, não têm acesso à superfície das células. Para que um 
fármaco seja bem absorvido, ele deve ser basicamente lipofílico, mas ter alguma solubilidade em 
soluções aquosas. Essa é uma das razões pelas quais vários fármacos são ácidos fracos ou bases fracas. 
 
O sangue tem uma matriz hidrossolúvel e, devido à hidrofilicidade sanguínea, nem todos os fármacos 
são transportados de forma livre, alguns precisam estar ligados a proteínas