Tutoria - Pediatria
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Tutoria - Pediatria


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Letícia Ataíde \u2013 UEPA - Med 2017.2
Problema 1
1) Compreender a atenção ao RN na sala de parto.
Os cuidados iniciais constituem- se em elemento de fundamental importância para o bem-estar do RN.
Antes da atenção propriamente na sala de parto, é necessário um preparo, que inclui necessariamente:
1. Realização de anamnese materna identificar condições perinatais que estão associadas a risco de reanimação neonatal. 
2. Disponibilidade do material para atendimento preparo da sala de parto:
Temperatura ambiente de 23-26ºC.
Campos estéreis preaquecidos.
UCI preaquecida (fonte de calor radiante).
Material de aspiração de orofaringe/narinas: pera de sucção, mangueira de látex conectada a fonte de vácuo, sonda de aspiração n.º (6, 8, 10, 12).
Material para clampeamento de cordão: cord clamp, tesoura.
Material para identificação do neonato: pulseiras de identificação.
Material para reanimação neonatal (deve estar sempre preparado, mesmo que o parto esteja transcorrendo de forma tranquila e não haja sinais de sofrimento fetal pré-parto): máscara orofacial, balão autoinflável ligado à fonte de oxigênio, laringoscópio, tubos orotraqueais (n.º 2.5, 3.0, 3.5), medicações já preparadas nas seringas (adrenalina, soro fisiológico), cateteres venosos.
3. Presença de equipe treinada em reanimação neonatal é fundamental que haja pelo menos um profissional de saúde capaz de realizar os passos iniciais e a ventilação com pressão positiva (VPP) por meio de máscara facial, durante todo parto. A única responsabilidade desse profissional deve ser o atendimento ao RN. 
Dentro dessa equipe, deve haver pelo menos um médico apto a intubar e indicar massagem cardíaca e medicações precisa estar presente na sala de parto. Tal médico deve ser de preferência um pediatra.
- A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a presença do pediatra em todo nascimento -
Para um cuidado adequado é fundamental definir se o RN é de alto ou baixo risco + Avaliação imediata da vitalidade do concepto. Para isso, devem ser feitas as seguintes perguntas: 
- A gestação a termo? (IG de 34 a 37 semanas, os pré-termos tardios ou \u226542 semanas, os pós-termos),
- Tem respiração regular ou choro presente? 
- O tônus muscular está flexão? 
RN baixo risco ou de boa vitalidade risco deve responder SIM às três. Termo, chora ou respira, bom tônus, independente do aspecto do líquido amniótico, ele apresenta boa vitalidade e deve continuar junto de sua mãe depois do clampeamento do cordão umbilical. 
- Avaliação de risco ao nascer: (Manual MS)
	Perguntar:
	Observar :
	Gestação a termo? 
Líquido amniótico claro? 
Houve ruptura prematura de membranas? Há quanto tempo? 
A mãe teve ou tem febre? 
A mãe teve doenças durante a gravidez? (Torchs*, hipertensão, infecção urinária, diabetes, doença sistêmica grave) 
O RN necessitou de procedimentos de reanimação? 
	Cor 
Respiração 
Choro 
Vitalidade 
Anomalias congênitas 
Sinais de infecção intrauterina (Torchs* \u2013 microcefalia, petéquias, equimoses, catarata, hepatomegalia, esplenomegalia, etc.) 
Lesões graves decorrentes do parto 
	
	Determinar:
	
	- Peso e idade gestacional 
- Temperatura axilar 
- Frequência respiratória
Mesmo que a situação materna e do bebê apontem para baixo risco, é importante que a sala de parto esteja completamente preparada para eventuais necessidades.
- Passo a passo da sala de parto do neonato baixo risco:
1. Colocá-lo junto ao colo materno. Contato pele a pele.
2. Garantir normotermia (36,5 - 37,5ºC), mantendo também a temperatura ambiente na sala de parto entre 23-26ºC. secar o corpo e o segmento cefálico com compressas aquecidas. 
3. Deixar em contato pele a pele com a mãe, cobrindo-o com tecido de algodão seco e aquecido.
4. Cuidar para manter as vias aéreas pérvias, sem flexão ou hiperextensão do pescoço; verificando se não há excesso de secreção em boca e narinas.
5. Avaliar a FC (com estetoscópio no precórdio), tônus muscular e respiração/choro avaliação continuada da vitalidade. 
6. CLAMPEAR o cordão umbilical entre 1-3 minutos depois da sua extração da cavidade uterina. Este clampeamento tardio mostra benefícios em relação aos índices hematológicos entre 3-6 meses, muito embora possa elevar a necessidade de fototerapia por hiperbilirrubinemia indireta na primeira semana de vida.
7. Avaliação retrospectiva do boletim APGAR \u2192 prognóstico.
8. Iniciar a amamentação na primeira hora pós-parto. 
Estimular a amamentação na primeira hora pós-parto assegura que o RN receba o colostro, rico em fatores protetores. Esse contato pele-a-pele entre mãe e bebê ao nascimento favorece o início precoce da amamentação e aumenta a chance do aleitamento materno exclusivo ser bem sucedido nos primeiros meses de vida.
9. Exame físico completo.
Após o exame físico sumário do bebê estável e saudável, este deverá receber uma identificação constando o nome completo da mãe, data e hora do nascimento. Deverá, também, ser conduzido ao contato com a mãe o mais precocemente possível, iniciando o fortalecimento do vínculo mãe-bebê e treinamento do aleitamento materno já na primeira hora de vida
10. Identificar neonato com a pulseira.
11. Prescrição Médica Inicial:
\u2212 Alojamento conjunto;
\u2212 Aleitamento materno exclusivo e sob livre demanda;
\u2212 Vitamina K, 1 mg IM na lateral da coxa, para evitar a doença hemorrágica do neonato;
\u2212 Vacina de hepatite B. Obs.: BCG não é administrada para RN abaixo de 2,5kg. 
\u2212 Profilaxia da conjuntivite neonatal: povidona 2,5%, uma gota em cada olho. Outros: nitrato de prata 1% (geralmente) (método Credé), ou eritromicina 0,5% colírio ou tetraciclina 1% colírio.
Ainda dentro dos primeiros cuidados na sala de parto, estão incluídas as seguintes medidas:
\u2212 Medidas antropométricas (peso, comprimento e perímetro cefálico).
\u2212 Cálculo da idade gestacional pelo método Capurro ou New Ballard.
Após a realização dos cuidados de rotina na sala de parto o RN em boas condições clínicas deve ser encaminhado com a mãe ao alojamento conjunto.
Boletim de APGAR: 
É um escore de avaliação da vitalidade neonatal precoce, que atribui uma pontuação de 0 a 2 a cada um dos seguintes parâmetros: respiração, frequência cardíaca, tono, resposta reflexa e cor.
Um dos objetivos do boletim APGAR é identificar o RN deprimido, que possivelmente necessitou de manobras de reanimação. Entretanto, ele NÃO pode ser o fator que determinará o início das manobras de reanimação, nem as manobras a serem instituídas no decorrer do procedimento, até porque sua primeira aferição acontece apenas no primeiro minuto de vida (e a decisão das manobras de reanimação devem ser feitas ANTES do primeiro minuto de vida, o \u201cminuto de ouro\u201d). No entanto, sua aferição longitudinal permite avaliar a resposta do RN às manobras realizadas e a eficácia dessas manobras. Se o escore é inferior a 7 no 5º minuto, recomenda-se sua realização a cada 5 minutos, até 20 minutos de vida. 
É necessário que a documentação do escore de Apgar seja concomitante à dos procedimentos de reanimação executados, em formulário específico. 
Tabela de Apgar:
Método Capurro método para avaliar a idade gestacional através do exame físico somático e neurológico do recém-nascido, cujos achados apresentam correspondência com seu grau de maturidade.
O método é simples, fácil e difusamente empregado na prática clínica neonatal. Entretanto, vale ressaltar que ele não é um escore tão fidedigno quanto aquele que o originou, mas, na maioria das vezes, presta-se bem à avaliação geral do bebê a termo.
Como um dos parâmetros utilizados para classificação do risco ao nascer é a idade gestacional do RN, esse método torna-se útil quando não se sabe a DUM. O Capurro e baseia-se na observação de cinco características físicas e duas neurológicas para estimar a idade gestacional do RN. É bastante adequado para bebês com 29 semanas de gestação ou mais. Na determinação da 
idade gestacional para classificar o risco ao nascer, caso a DUM não