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Transcrição GO – Hemorragias na Gestação Por Carol Ferreira As informações entre aspas foram retiradas de outras fontes As hemorragias podem ocorrer no 1º, 2º e 3º trimestre da gestação. Todo sangramento durante a gravidez é anormal, mas nem todo o sangramento na gravidez significa o fim da gestação. É preciso analisar os fatores que causam mais comumente o sangramento naquele estágio da gestação para poder ajudar à grávida. HEMORRAGIAS NO 1º TRIMESTRE DA GESTAÇÃO É a fase da gestação onde mais ocorrem sangramentos. Causas: Abortamento Gravidez ectópica Doença trofoblástica gestacional (MOLA) Doenças de colo do útero (cervicite, câncer de colo uterino) Dilaceração da parede vaginal (pacientes em uso de progesterona, e o aplicador do creme vaginal fere a mucosa vaginal) Perfuração uterina (mais comum no 3º trimestre, mas pode ocorrer no 1º) Abortamento Causa mais comum de sangramento no início da gestação. Aborto: qualquer feto que saia por via vaginal com peso < 500g é considerado aborto. Geralmente isso da em torno de 20/22 semanas e o aborto mede menos que 27 cm, segundo a OMS/FIGO. Lembrar que se o peso for maior que 500g é considerado feto morto e precisa ser feito o atestado de óbito. O aborto pode ser espontâneo ou provocado. Para saber pergunta-se da paciente, mas por conta da ilegalidade a paciente geralmente não conta. Normalmente, restos de comprimidos são encontrados no canal vaginal. Causas do aborto Causas ovulares: ovo cego, patologia das vilosidades coriônicas, patologias do cordão umbilical, patologias das membranas e gemelaridade. Ovo cego – o saco gestacional é formado, mas não há embrião. Até 6 semanas, pode-se não visualizar embrião, mas se passar desse tempo pode-se confirmar o ovo cego. Patologias das vilosidades coriônicas – às vezes pode haver uma inflamação no local da implantação (vilosite), o que impede a implantação do saco gestacional. Patologias do cordão – o cordão umbilical é o meio de comunicação do embrião com a mãe através da placenta, às vezes pode ter algum trombo ou malformação no cordão e isso faz com que o feto morra, já que não está recebendo nutrientes e sangue. Patologia das membranas – infecção na membrana. Gemelaridade – ocorre involução de algum embrião. A conduta é deixar o próprio corpo reabsorver e ir acompanhando. Causas uterinas: endométrio atrófico, malformações uterinas, miomas e incompetência istmo cervical. Endométrio atrófico – curetagens profundas fazem com que a parede do endométrio fique muito fina. Malformações uterinas – útero reverso (retrovertido) dificulta o crescimento do feto, por causa da limitação da distensão. Geralmente, causa parto prematuro. Miomas – os miomas que crescem para dentro da cavidade uterina competem por espaço com o feto, dificultando assim o crescimento do mesmo. Incompetência istmo cervical – o colo do útero tem que ser forte o suficiente para aguentar o peso do feto. Quando há incompetência do orifício interno, o útero é incapaz de reter o concepto, fazendo com que haja nascimento prematuro. Ocorre mais em pacientes que já fizeram muitas curetagens, possuem muito trauma no colo do útero e as fibras ficam fracas. Pode ocorrer também mesmo em pacientes que nunca fizeram curetagem e em gemelaridade por conta do peso. Nesses casos, pode-se fazer cerclagem (sutura em forma de bolsa). Causas maternas: insuficiência lútea, infecciosas (TORCH), fatores genéticos, causas endócrinas, trauma, uso de drogas e anticorpos antifosfolípides. Insuficiência lútea – o corpo lúteo produz progesterona até que haja a formação da placenta. Sem a progesterona o embrião não sobrevive. Nesses casos, pode-se ofertar progesterona exógena, através de óvulos ou cremes via vaginal. Doenças infecciosas – por exemplo, Zika durante 6 ou 7 semanas de gestação, tem provocado óbito dos conceptos. TORCH = toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes. Fatores genéticos – alterações cromossômicas incompatíveis com a gestação. Causas endócrinas – diabetes, hipotireoidismo. Sempre fazer uma boa anamnese antes, para poder controlar essas afecções. Trauma Uso de drogas – álcool, tabaco, cafeína. Esses fatores não estão associados diretamente com o número maior de aborto, mas ainda assim, não se deve usar. A cafeína tem sido associada à maior incidência de autismo. Anticorpos antifosfolípides – é uma das últimas causas a se pensar, depois de ter feito toda a investigação, realiza-se a pesquisa desses anticorpos. “Síndrome Antifosfolípides (SAF) é uma trombofilia adquirida que acarreta, às suas portadoras, baixos índices de sucesso na gestação (20%), na ausência de terapêutica adequada.” Formas clínicas O aborto é dividido em duas categorias: evitável e inevitável. No aborto inevitável é feita a assistência à mulher, para que ela se recupere da melhor forma possível e depois ver uma maneira de ela engravidar no futuro. No evitável, tenta-se tratar as causas que pode gerar o aborto. Aborto inevitável pode ainda ser classificado como: aborto em evolução (está acontecendo naquela hora), aborto completo (abortou, acabou e saiu tudo), aborto incompleto (ainda tem restos ovulares, muito comum), aborto infectado (infecção causada pela permanência dos restos ovulares) e aborto retido (o coração do feto parou de bater e o feto continua dentro do útero). No caso de aborto retido o feto pode ficar dentro por no máximo 5 semanas, esperando que ocorra a expulsão naturalmente, mas isso também depende da paciente, se ela tem condições de aguentar a situação. Caso não haja a expulsão natural, realiza-se curetagem ou até mesmo uso de citotec, lembrando que a curetagem pode trazer complicações. No aborto habitual, sempre se lembrar de investigar SAF, doenças endócrinas e alterações cromossômicas (pedir cariótipo). Quadro resumido sobre característica de abortamentos Tipo e quant. de sangramento Dor Colo Tamanho útero Febre Evitável VIVO e pequeno NÃO Fechado Compatível Ausente Em evolução Vermelho vivo e mod/grande Intensa Dilatado Menor Ausente Incompleto Quant. grande Intensa Dilatado Menor Ausente Completo Quant. discreta Ausente Fechado Pequeno Ausente Infectado Ausente _ _ _ Presente Retido Óbito embrionário/fetal intrauterino > 28 dias Quando se fala em tamanho, refere-se ao que se espera de acordo com a idade gestacional. Diagnóstico Exame clínico Exame físico (toque vaginal) Beta HCG +, no aborto o Beta HCG diminui USG – ausência de BCF (batimentos cardíacos fetais) Tratamento Aborto evitável Repouso relativo Proscrever coito Antiespasmódico Hormônio – progesterona ( Progestan, 200mg, via vaginal) Uterolítico – responsável por prolongar a gestação, no entanto há controversas em relação ao seu uso. Aborto inevitável Tipos de esvaziamento Ocitocina Aspiração a vácuo – AMIU (aspiração manual intrauterina) é melhor que a curetagem Curetagem Laminárias (algas) – usado na Europa, assemelha-se a um galho de árvore, é inserido no colo uterino e ajuda na dilatação do colo sem lesar as fibras, em seguida realiza-se a curetagem. Para dilatar a laminária deve ser hidratada. Prostaglandinas (misoprostol) Curetagem – sempre tomar cuidado pa ra não lesionar o endométrio ou perfurar. A lesão do endométrio pode causar aderências uterinas. Aborto infectado Principais agentes Cocos anaeróbicos E. coli Bacterióides Clostridium perfringes (welchii) – causa bastante sepse Classificação Clínica Grau I – infecção limitada à cavidade uterina Grau II – infecção pélvica Grau III – infecção generalizada Conduta Antibióticoterapia Ocitocina – pois o útero infectado é amolecido, e não consegue contrair de forma eficaz Manutenção do estado geral da paciente Esvaziamento + curetagem com muito cuidado para não lesar o útero Histerectomia se não for possível resolver com as outras condutas acima CASO CLÍNICO 1 Paciente 36 anos, foi ao OS com sangramento de moderada intensidade. Idade gestacionalde 10 semanas. Sem febre e com dor. Exame físico: corada, lúcida, estável, com muita dor na barriga. Exame das mamas e abdômen sem alterações. Toque vaginal: útero aumentado, incompatível com 10 semanas, compatível com 8 semanas. Sangramento moderado, com dor a mobilização de colo e com dilatação de 1 polpa digital. HPP: nega mioma, nunca teve aborto. O que fazer? Solicita-se Beta HCG, neste caso é positivo, mas ela não tem o Beta HCG anterior. Pede-se ultrassom, confirmando 10 semanas com BCF ausente. Hipótese diagnóstica – aborto incompleto inevitável Conduta – pode-se usar Misoprostol para tentar expelir o aborto ou fazer AMIU. Até 12 semanas é possível esvaziar com AMIU Obs: Tentei por o máximo de informações que pude ouvir. Gestação ectópica Por algum motivo o ovo se implanta no local errado. O ovo se implanta fora do útero de 0.3 a 1% de todas as gestações. Geralmente, a gestação ectópica ocorre por alteração na motilidade da tuba, já que a tuba possui cílios que ajudam na movimentação do blastocisto para o útero. Se a movimentação for lenta, quando chegar o momento da implantação o blastocisto vai fazer no local que ele tiver. Locais de implantação Cavidade abdominal (1,3%) Ovários (0,2%) Cérvice (0.2%) Paramétrios (1,6%) Trompas (97,7%) – principalmente, na região ampular da trompa. Etiologia Doença inflamatória pélvica – altera a motilidade Endometriose - altera a motilidade. TTO de endometriose, principalmente em jovens é o bloqueio menstrual, com anticoncepcional, pois isso evita a lesão do útero causada pela implantação do endométrio num local diferente do útero. E garante o futuro reprodutor da paciente. Se for uma paciente mais velha, com laqueadura, podem-se realizar outros TTOS. Cirurgias prévias – aderências, que podem pegar a trompa e impedir que o ovo vá para o local certo. Hipertransmigrações – prolongação do trânsito do ovo. A mulher ovula no ovário direito, por exemplo, e o óvulo migra e é fecundado na trompa esquerda. DIU – altera a motilidade da trompa. Quadro Clínico Atraso menstrual Dor abdominal Sangramento (sinal de Arias-Stella) – sinal ou reação de Arias-Stella é reação do endométrio por estímulo da gravidez, mas como o ovo não se implanta no útero essa reação não se mantém e a paciente sangra. “Segundo a literatura que eu pesquisei esse sinal não é patognomônico.” Assintomática – às vezes não apresenta sintoma algum e quando se realiza uma USG é descoberto a gravidez ectópica. Sinais de choque e de abdômen agudo – principalmente quando a trompa rompe. Lembrar que gravidez abdominal pode ocorrer até o final, mas é perigosa, porque pode lesionar órgãos. Sinal de Proust – dor à palpação no fundo de saco de Douglas Abortamento ou Prenhez Tubária Nesses casos, a trompa pode romper, ou o embrião pode involuir, no caso de involução deve-se acompanhar ou dependendo da evolução retirar. Pode ocorrer hemorragia intraperitonial Dor hipogástrica, náuseas e vômitos Paciente pode se encontrar num estado subfebril e com distensão abdominal Leucocitose moderada (10 a 12 mil/mm²) Discreta hemorragia interna Amenorreia No caso da ruptura tubária a dor é violenta (em punhalada), paciente pode entrar em estado de choque hipovolêmico. Apresentar palidez, sudorese e hipotensão, além de ter o abdômen bem doloroso. Prenhez abdominal É uma gravidez de risco, mas pode ir a termo. Pode gerar complicações, como hemorragia intestinal (perfuração intestinal), oclusão intestinal (por compressão) e peritonite (infecção do saco ovular). Paciente pode referir dor abdominal recorrente. No abdômen o feto procura se implantar em locais de maior vascularização, por exemplo, epiplon, fígado e baço. Nesses casos, se a gravidez vier a termo, não se retira a placenta. Diagnóstico de Gravidez Ectópica Clínico na maioria das vezes Laboratorial – através do Beta HCG geralmente > 2500 (consegue ver o feto na USG) Ultrassonográfico – diagnóstico de certeza; tem ausência de saco gestacional intrauterino, pode ou não haver massa anexial, tem líquido no fundo de saco, pode haver um anel tubário. O diagnóstico de certeza é quando se consegue encontrar o embrião vivo fora do útero. “ Prof põe um exemplo de uma paciente que vai ao pronto socorro, com dor abdominal e entrando em choque. Não tem ultrassom, não tem nada. Nesses casos a conduta é pegar uma agulha comprida, colocar no fundo de saco e aspirar, se vier sangue pode realizar cirurgia porque é gravidez tubária, prof fala que é um sangue que não coagula.” “Culdocentese: é um procedimento médico no qual é extraído, com auxílio de uma agulha, fluido da escavação retouterina posterior à vagina. O fluido extraído pode ser utilizado para diagnosticar uma gravidez ectópica.” Tratamento Conservador – Beta HCG < 1500 mUI/ml. Espera-se que o embrião seja absorvido, se não tiver BCF. Neste caso, pode-se usar o metotrexixate, 50 mg IM. Só pode ser feito esse TTO se você puder acompanhar a paciente. Cirúrgico – Salpingostomia (abertura da trompa, tira o embrião e deixa aberta, para cicatrizar por 2ª intenção, mas algumas escolas suturam) e salpingectomia (retirada total da trompa). Fluxograma de Tratamento de Gestação Ectópica Fluoxograma feito de acordo com o apresentado em sala de aula. Prof disse que tem no Rezendinho. Prof diz que prefere fazer laparoscopia ao invés de metrotrexate. Também prefere fazer laparoscopia quando tem gestação de 10 semanas, pois o risco de rompimento é maior. Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) Mais conhecido como MOLA, é uma “expressão genérica que engloba um conjunto de alterações que se formam a partir do trofoblasto humano. Caracteriza-se pela proliferação anormal dos diferentes tipos de epitélio trofoblástico: citotrofoblasto, sinciciotrofoblasto e trofoblasto intermidiário”. Basicamente, é a formação de uma placenta com várias vesículas, como se fosse uma neoplasia, e pode ou não ter feto. Dificilmente, a que tem feto vai até final, pois como é uma neoplasia fica mais difícil deixar evoluir. Mola hidatiforme – é a forma mais comum Mola invasora – o tecido invade a estruturas adjacentes Coriocarcinoma – da metástase, precisa fazer quimio e radioterapia Mola hidatiforme completa: Tumor geralmente benigno, composto de tecido placentário Não tem embrião As vesículas são semelhantes a cachos de uvas Tem chance de 3% de virar coriocarcinoma Pode dar metástases a distância, inclusive cerebrais Tem sangramento vaginal e expele as vesículas O diagnóstico é clínico, o Beta HCG é incompatível com a idade gestacional, é muito elevado. No ultrassom é possível ver as vesículas, aumento do útero e ovários Tratamento: vácuo, curetagem, histerectomia ou quimioterapia Mola hidatiforme parcial Tem feto e tecido molar Ocorre quando 2 espermatozoides entram em 1 óvulo (não é gêmeos) Diagnóstico é ultrassonográfico, visualizasse o feto e a placenta cheia de vesículas Tratamento: vácuo, curetagem, histerectomia ou quimioterapia Prof fala que em algumas literaturas deixa evoluir sem tto, no entanto é perigoso, já que é uma neoplasia. Quadro clínico de Mola Hidatiforme Hipertensão no começo da gravidez Hiperemese gravídica Eliminação de vesículas Útero maior que a idade gestacional Útero em sanfona: a mulher elimina as vesículas, o útero diminui, depois as vesículas crescem novamente e o útero aumenta Exames complementares: Beta HCG (muito aumentado) e USG com aspecto de (flocos de neve) Às vezes pode haver sinais de metástase, que são: hematêmese, alterações cerebrais e pulmonares. Sinais de Mal Prognóstico Metástases hepáticas e cerebrais Beta HCG > 40.000 UI/ml DTG sem ter feito quimioterapia prévia e está se comportando de forma muito agressiva. Ás vezes em casos que a mola aparece depois de uma gestação (que não foi diagnosticada antes) Coriocarcinoma pós gestação à termo Tratamento: Quimioterapia com metrotrexate, dependendo da situação, realiza-se quimioterapia e é necassário ter uma segmento pós-molar rigoroso. Prognóstico: 81,5% temevolução benigna, 18,5 tem evolução maligna (sendo 16% coriodenoma e 2,5% coriorcarcinoma). Coriocarcinoma Forma agressiva Pode vir em qualquer gestação e a qualquer tempo Tem história patológica de gestação pregressa Útero aumentado e sangramento persistente Metástases Segmento pós-molar Exame clínico semanal - para ver volume uterino e ver se não está ocorrendo o efeito sanfona no útero USG – porque o útero e o ovário ficam grandes, como se a mulher tivesse feito tto de fertilidade. Raio X de tórax mensal (busca de metástases) Hormonal – hCG semanal (tem que diminuir e negativar, quando negativa por 3 semanas seguidas o hCG passa a ser feito mensalmente por 6 meses) Não pode engravidar durante o TTO Se depois de 6 meses hCG negativo, encerra-se o tto e pode engravidar Quimioterapia só se hCG não diminuir 3 semanas seguidas Lembrando que nessa fase, já foi feito o esvaziamento uterino. CASO CLÍNICO 2 Paciente 24 anos, foi levada a maternidade com sangramento vaginal de cor vermelho vivo com vesículas. Refere amenorreia. DUM: 9 semanas. Nega dor e febre. Útero compatível com 14 semanas e aumentado de tamanho. PA 160x120 mm/Hg. Hipótese diagnóstica: MOLA Conduta: Beta hCG e Ultrassom Tratamento: esvaziamento uterino e acompanhar com beta hCG semanal, se diminuir por 3 semanas seguidas, faz mensalmente por 6 meses. HEMORRAGIAS NA 2ª METADE DA GESTAÇÃO Principais causas Descolamento prematuro de placenta DPP Mais comuns Placenta prévia Rotura uterina Rotura do seio marginal Rotura Uterina – associada à fragilidade da musculatura uterina. Etiologia Espontânea – multiparidade, adenomiose, acretismo placentário (fixação placentária além de onde deveria), cicatrizes (cesária ou outras cirurgias), desproporção céfalopélvica (DCP), tumores, trauma e malformações. Traumatismo, por exemplo por arma branca Trabalho de parto mal conduzido – uso de muita ocitocina Diagnóstico Anel de Bandl-Frommel – útero fica semelhante a um 8. Quadro clínico Distensão do segmento Contrações vigorosas Dor hipogástrica lancinante Istmo – relevo que separa o colo e o corpo (Bandl). É isso que faz o útero ficar dividido como se fosse um 8 Ligamento redondo ficam tensos e desviados para frente (Frommel) Hemorragia – geralmente abdominal A paciente pode entrar em choque hipovolêmico, geralmente a dor vai ser súbita e forte e de repente ocorre modificação da estrutura abdominal. Tratamento: Laparotomia. Sempre ter cuidado com distúrbios de coagulação; ter reservas de bolsas de sangue preparadas. Prognóstico: depende do diagnóstico, se foi feito antes de ocorrer a rotura ou não e do tempo de realização do tratamento cirúrgico. Descolamento Prematuro da Placenta : é a separação da placenta normalmente inserida após a 2ª metade da gestação. Etiologia Fator mecânico - trauma Hipertensão Fator placentário – placenta insuficientemente aderida, placenta baixa Diagnóstico Dor abdominal forte e súbita – ocorre principalmente pela contração uterina e a força que o sangue exerce entra a parede do útero e a placenta Hipertonia uterina – útero endurecido Sofrimento fetal agudo (SFA) ou morte fetal – a placenta é por onde o feto se alimenta logo, se descolar acarretará sofrimento ou morte ao feto Hematoma retroplacentário – nem sempre é possível visualizar com USG SANGRAMENTO – o sangramento vaginal é pouco e desproporcional ao estado clínico e hemodinâmico da paciente, pois o sangue fica retido. Tratamento – se for uma área de descolamento pequeno, pode ser feito acompanhamento. Amniotomia – ajuda a diminuir a hipertonia (contratilidade uterina) e melhora o fluxo para o feto Interrupção imediata da gravidez – em casos de descolamento grande Hemotransfusão, se necessário. Feto morto Manutenção do estado materno Amniotomia Aliviar a dor da paciente Conduzir o trabalho de parto (ideal que seja parto normal) Controlar possíveis distúrbios de coagulação Complicações Útero de Couvelaire – “O sangramento miometrial extensivo danifica a musculatura uterina. O sangue acumula-se entre a placenta deslocada e a parede uterina. O útero apresenta-se avermelhado, arroxeado, equimosado e sem contratilidade.” Discrasia sanguínea Insuficiência renal Síndrome de Sheehan – “se caracteriza pelo hipopituitarismo pós-parto secundário à necrose hipofisária decorrente de hipotensão ou choque em virtude de hemorragia maciça durante ou logo após o parto.” Placenta Prévia (PP) – placenta inserida em local inadequado. Geralmente se insere um pouco a frente do feto ou totalmente à frente. O parto normal nesses casos é perigoso, já que a placenta não pode sair antes do feto; a placenta pode descolar e pode haver sangramentos maiores. Classificação PP total PP parcial PP marginal Etiologia Multíparas tem maior chance (5:1) – pacientes multíparas já possuem muita cicatriz uterina e isso faz que a placenta procure outros lugares para se implantar. Curetagens anteriores Endometrite anterior Cesáreas anteriores Idade avançada (3,5 x mais chance) Diagnóstico Sangramento abundante (geralmente por movimentação do feto; o sangue é vermelho vivo) BCF sem sofrimento fetal agudo Tônus uterino normal – não tem sangue acumulado entre a placenta e o endométrio USG – excelente método diagnóstico, é possível ver que a placenta encontra-se logo a frente da cabeça do feto Tratamento: Até 37 semanas a conduta é expectante: Repouso Internação – se o sangramento for grande Uterolítico Corticoterapia Orientações – evitar esforços Após 37 semanas a conduta é interromper a gravidez Complicações Prematuridade – no caso de sangramento abundante que impossibilita realizar conduta expectante. Acretismo placentário – “é quando a placenta se fixa profundamente na parede uterina, ultrapassando o limite normal de fixação. Ela pode ser classificada em acreta (quando está inserida profundamente na decídua – camada interna do útero), increta (quando chega à musculatura uterina) ou percreta (quando ultrapassa a musculatura uterina podendo invadir até órgãos adjacentes, como a bexiga).” CASO CLÍNICO 3 Paciente 28 anos, foi a maternidade com sangramento. DUM: 31 semanas. Refere estar sangrando há 3 horas e o sangue é vermelho rutilante. HPP: multípara. Exame físico: abdômen flácido e sem dor. Hipótese diagnóstica: placenta prévia Conduta expectante, realizar acompanhamento até as 37 semanas de gestação. Quadro sobre diagnóstico diferencial entre a placenta prévia e o descolamento prematuro de placenta (Rezende) Sinais e sintomas Placenta Prévia DPP Hemorragia - Início insidioso - Evolui em episódios - Vermelho rutilante - Aumenta a metrossítole - Início súbito - Sangramento contínuo ou oculto - Vermlho escuro - Diminui ou cessa com a metrossístole Amniotomia Hemorrgia cessa Hemorragia não se altera Anemia Proporcional à perda aparente de sangue Mais grave que a perda aparente de sangue Dor Ausente Presente Palpação uterina Tônus normal Hipertonia Hipertensão arterial No geral ausente Presente, na maioria das vezes Concepto - No geral vivo, saudável - Apresentação anômala - Vitalidade comprometida - Por vezes óbito USG Fecha diagnóstico Pode ser normal Referências utilizadas para complementar ZUGAIB http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302002000200022 http://ranieralph.weebly.com/uploads/3/1/9/3/3193594/go_-_sangramento-_na-_primeira-_metade-_da-_gravidez.pdf http://www.cerclagem.com.br/page_16.html http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302008000500020 http://www.fetalmed.net/placenta-acreta/