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UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas Introdução à Pedagogia Professor Dr. César Aparecido Nunes Isabela Mallis Martinho de Araujo RA: 236927 LIBÂNEO, José Carlos. A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor. In: Organização e gestão da escola – Teoria e prática. 6ª edição. São Paulo: Heccus Editora, 2015. SÍNTESE José Carlos Libâneo possui pós-doutorado em educação e é um dos principais teóricos progressistas da área. É muito reconhecido por suas reflexões sobre didática e prática de ensino e sobre sua perspectiva crítico-social dos conteúdos. Destacou-se ao publicar o livro Democratização da Escola Pública – A Revisão Crítico-Social dos Conteúdos no qual defendeu o ensino voltado para que as classes sociais menos favorecidas tivessem uma educação com foco na formação de uma consciência crítica que formasse alunos capazes de transformar a sociedade. Durante a sua trajetória, Libâneo escreveu o livro Organização e gestão da escola – Teoria e prática cujo primeiro capítulo é objeto dessa síntese. No geral, a obra destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e local de trabalho do professor. Foi escrita para ajudar o educador a conhecer a estrutura e a organização das escolas e suas condições para o exercício profissional. Em uma primeira parte, o autor mostra duas faces da escola: a escola como produtora de desigualdade social e a escola como meio indispensável para desenvolver conhecimento e capacidade para enfrentar situações adversas da vida. Os trechos abaixo refletem, respectivamente, as duas perspectivas diferentes da educação e mostram a visão de Libâneo quanto ao papel da escola como indicadora da situação socioeconômica: “Esse estudo está publicado pelo Instituto de Inovação Educacional, intitula-se ‘Da Escola para o Mundo do Trabalho: uma Passagem Incerta’, e nele se conclui que a escola não vai ao encontro das expectativas dos alunos. Há uma entrevista muito interessante de um jovem na altura dos 18 anos e metalúrgico de profissão que, apesar de não ter concluído a escolaridade obrigatória, consegue descrever a escola através de uma curiosa metáfora: uma corrida de obstáculos ao longo da qual as pernas vão ficando cansadas, e que quando se sente que a marcha continua e não temos pernas para ela, o melhor é desistir.” CARVALHO, Angelina. A escola é reprodutora de desigualdades sociais. Entrevista concedida a Ricardo Jorge Costa. A Página da Educação, Portugal, nº 131. Fevereiro, 2004. “O Cieja surgiu com a proposta de atender alunos excluídos da educação: Estudantes que haviam sido expulsos de outras escolas, alunos que simplesmente não encontravam vagas, pessoas com deficiência sem escolas adaptadas, meninos e meninas que cumpriam medidas socioeducativas e dependentes químicos encontravam um lugar onde seriam bem-vindos. Êda defende que a escola seja aberta para todos e alerta ‘quanto mais fechada, mais os problemas ficam presos dentro dela’”. Disponível em: <portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2011/10/14/a-historia-de- uma-educadora-e-de-uma-escola-pautada-na-realidade/> Considerando o papel da escola no desenvolvimento do aluno e considerando seu engajamento social, desenvolve-se o conceito de cultura organizacional – “há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola, para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas” (p.35) – que é introduzido partindo de uma perspectiva sociocrítica da educação. Nessa ideia a escola é vista como uma comunidade de aprendizagem na qual todos os funcionários realizam suas funções com o intuito das mesmas servirem como práticas educativas. A partir da perspectiva da cultura organizacional, o autor dedica parte do capítulo para compreender a participação do professor na organização da escola. Libâneo defende que a formação do educador não pode se restringir a formação técnica levando em conta apenas suas qualificações. O educador deve aprender aliando prática e conhecimento científico, adaptando os conteúdos de sua formação ao ambiente escolar no qual está inserido e assim desenvolvendo competências que o tornarão capaz de lidar com a organização escolar. É papel do professor conhecer as condições sociais, organizacionais, administrativas e pedagógico-didáticas da escola. Desse modo estará apto para aprimorar, alterar ou criar condições pela sua iniciativa ou pela iniciativa de sua equipe – a importância do trabalho em equipe para aprendizagem recíproca também é ressaltada pelo autor. Os conceitos foram muito bem aplicados no projeto abaixo: “Nós construímos isso com a participação de várias pessoas que estão no dia a dia das escolas. O projeto nasce na expectativa de contribuir com uma educação de qualidade nos municípios”, explica Bárbara Pimpão, coordenadora do projeto, no Centro Marista de Defesa da Infância. Ela conta que o projeto trabalha com uma metodologia aberta, que prevê a adaptação ao território e contexto de cada escola. No último semestre, 15 escolas de sete cidade de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso participaram do Territoriar. Inicialmente, o projeto convida a comunidade escolar a mergulhar em conceitos e práticas para avaliar as possibilidades de ressignificação do espaço. A equipe do comitê multidisciplinar participa de formações que abordam arquitetura escolar, territórios educativos, projetos pedagógicos nos espaços educativos, legislações, currículo e também a concepção de família e criança.” Disponível em: <porvir.org/projeto-transforma- ambiente-escolar-participacao-da-comunidade/> Para encerrar o capítulo, Libâneo descreve um cenário repleto de modificações curriculares e organizacionais com frequente desvalorização dos professores e propõe modos de lidar com tais mudanças. Ele acredita que para enfrentar a situação, é preciso que o professor alie ação e reflexão e utilize os conhecimentos teóricos formulados sistematicamente. Uma das funções dos dirigentes das escolas é ajudar os professores a encontrar suas respectivas identidades e direcionar uma reflexão sobre a prática. Espera-se que o educador seja um profissional crítico-reflexivo. Pedagogos especialistas e professores devem encarar juntos a gestão escolar e os projetos pedagógicos, sendo assim obterão uma organização preocupada com a formação continuada e com a discussão conjunta dos problemas da escola. BIBLIOGRAFIA https://www.escavador.com/sobre/1469620/jose-carlos-libaneo http://blogdoregisilva.blogspot.com/2015/11/resumo-critico-do-texto-o-sistema- de.html https://www.apagina.pt/?aba=7&cat=131&doc=9903&mid=2 https://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2011/10/14/a-historia-de-uma- educadora-e-de-uma-escola-pautada-na-realidade/ http://porvir.org/projeto-transforma-ambiente-escolar-participacao-da- comunidade/