CARPEAUX, Otto Maria - História da literatura ocidental (volume único)
2903 pág.

CARPEAUX, Otto Maria - História da literatura ocidental (volume único)


DisciplinaHistoria da Literatura Ocidental25 materiais87 seguidores
Pré-visualização50 páginas
www.princexml.com
Prince - Personal Edition
This document was created with Prince, a great way of getting web content onto paper.
 AVISO 
Esta obra está em domínio público. E o projeto gráfico utilizado pela editora foi feito pela 
gráfica do Senado Federal, que o cedeu sem custos para a Leya. 
A disponibilização gratuita deste e-book pelo Livros de humanas só foi possível porque 
usuários do site acreditaram na idéia do compartilhamento e participaram da compra 
coletiva. Portanto, a comercialização ou qualquer ganho motivado pelo compartilhamento 
desta cópia é reprovável. Divulgue, espalhe, compartilhe livremente. O conhecimento não 
pode e não deve ser apenas para os que podem pagar. 
Para visualizar nosso acervo na área de ciências humanas e participar de novas 
liberações de livros na internet, acesse:
www.livrosdehumanas.org
Ficha Técnica
© Senado Federal, 2010
Editor da obra: Joaquim Campelo Marques
Projeto gráfico de miolo: Achilles Milan Neto
Diretor editorial: Pascoal Soto
Coordenação editorial: Tainã Bispo
Produção editorial: Fernanda Ohosaku
Projeto gráfico de capa e box: João Baptista da Costa Aguiar
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Carpeaux, Otto Maria, 1900-1978.
História da literatura ocidental, volume I, volume II, volume III e volume IV /
Otto Maria Carpeaux. -- São Paulo : Leya, 2011.
1. Literatura - História e crítica I. Título.
11-11240 CDD-809
Índices para catálogo sistemático:
1. Literatura : História e crítica 809
A Editora LeYa agradece ao Senado Federal
a cessão dos direitos desta obra.
2011
Todos os direitos desta edição reservados a
TEXTO EDITORES LTDA.
[Uma editora do Grupo Leya]
Rua Desembargador Paulo Passaláqua, 86
01248-010 \u2013 Pacaembu \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil
www.leya.com.br
Otto Maria Carpeaux
YViena (Áustria), 1900 \u2020 Rio de Janeiro (Brasil), 1978
HISTÓRIA DA LITERATURA
OCIDENTAL
VOLUME I
Uma dedicatória
E STE livro do austríaco Otto Maria Karpfen (dito Carpeaux, em\u201crebatismo\u201d no Brasil, no princípio da década de 1940) foi escrito em pou-
co mais de ano e meio. Mereceu ele sua primeira edição em 1959, nas
Edições O Cruzeiro, pelas mãos de Herberto Sales.
A segunda edição foi lançada pela Editorial Alhambra, de curta ex-
istência \u2013 como a de tantos outros sonhos editoriais \u2013, que tive a alegria e
a honra de criar. Ao doar-me em 1977 os direitos de editar sua obra
notável, o Autor, meu amigo, lavrou de próprio punho dedicatória carin-
hosa, com votos de bom êxito, que acima se reproduz.
Brasília, 19 de maio de 2007
JOAQUIM CAMPELO MARQUES
Vice-presidente do Conselho Editorial do Senado Federal
7/2903
A
AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA
História da literatura ocidental:
a obra monumental de Otto Maria Carpeaux
RONALDO COSTA FERNANDES1
E stava eu no escritório de Antônio Houaiss, na Rua São José, onde ofilólogo dirigia a Enciclopédia Mirador Internacional. Acabara de chegar,
acomodara-me muito timidamente numa cadeira, com medo de aquilo res-
ultar em visita desabrida. Eis que irrompe escritório adentro um septua-
genário, gravata vermelha de seda e camisa de listas espaçadas também
vermelhas. O senhor tinha nas mãos maço de papéis. Dirigiu-se a Houaiss
com intimidade de velhos amigos. Não me lembro se o chamou pelo pré-
nome ou pelo sobrenome. O certo é que disse:
\u2013 Isto aqui não corresponde à verdade. O que está dito aqui sobre
Farmácia está incorreto.
E ambos começaram a discutir sobre a História da Farmácia, até que
Houaiss sentenciou:
\u2013 O que você decidir está feito.
O leitor já deve ter percebido que o homem que adentrara o escritório
era Otto Maria Carpeaux. Eu acabara de ver, pela única vez, uma figura
quase lendária da cultura brasileira. E não deveria estranhar a cultura en-
ciclopédica de Carpeaux. Afinal, o vienense, nascido com o século (1900),
formara-se em Direito, mas com doutorado em Matemática, Física e Quím-
ica e, em 1925, doutorou-se também em Filosofia e Letras.
UMA VIDA AVENTUROSA E O OPERÁRIO DA CULTURA
Otto Maria Carpeaux teve uma vida atribulada politicamente antes de
chegar ao Brasil. Vivia em sua cidade natal e tinha alto cargo no governo
local. Com a anexação (Anschluss) da Áustria pela Alemanha nazista,
Carpeaux fugiu para a Antuérpia, Bélgica, em 1938. Ali, no mesmo ano,
trabalhou como jornalista e publicou o livro Dos Habsburgos a Hitler. Já
havia ele publicado alguns livros na Áustria, entre os quais O caminho
para Roma, Aventura e vitória do espírito, em 1934, e A missão europeia da
Áustria. Um panorama da política exterior, em 1935.
Atuando principalmente no final do segundo e terceiro quartéis do
século XX, Carpeaux não apenas trouxe em sua bagagem de exilado toda a
vasta cultura humanística europeia, mas também se aclimatou e esteve at-
ento à produção literária brasileira. Chegou ao Brasil em 1939, mas de-
morou a ingressar no meio literário, já que andou pelo Paraná e, depois,
por São Paulo. Foi Álvaro Lins, no Rio de Janeiro, quem lhe abriu2 as
portas da vida cultural brasileira a partir de uma carta de Carpeaux
comentando-lhe um artigo.
E aí começa a intensa produção na imprensa e em livros, no plano das
ideias e, principalmente, no da crítica literária. Em 1942, publica o livro
de ensaios A cinza do Purgatório, em que estuda longamente autores e as
ideias de alguns pensadores, além de escrever ensaios curtos sobre música.
Nesse mesmo ano, já está integrado no meio intelectual brasileiro, a
ponto de dirigir a Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia. Ainda
em 1942, naturaliza-se, latinizando à francesa \u2013 Carpeaux \u2013 o seu
sobrenome de origem (Karpfen). Até o final da vida, em fevereiro de 1978,
contribuiu de maneira superlativa para o alargamento de horizontes da
cultura e da crítica literária brasileiras.
A bibliografia de Carpeaux é significativamente extensa se levarmos
em conta os números de páginas escritas e incluir a História da literatura
ocidental e os inúmeros artigos de imprensa. Carpeaux, em 1955, publica
Pequena bibliografia da literatura brasileira. Era um ato de ousadia para
quem só estava pouco mais de uma década no Brasil e em contato com a
literatura do novo país em que passou a viver. Um ano antes de publicar a
10/2903
História da literatura ocidental, aparece Uma nova história da música (Rio,
Zahar, 1958). Mais tarde a bibliografia engordará com volumes como Liv-
ros na mesa (Rio, Livraria São José), A literatura alemã (São Paulo,
Cultrix, 1964), A batalha da América Latina e O Brasil no espelho do
mundo (ambos no Rio, pela Editora Civilização Brasileira, 1965). Em
1966, as Edições O Cruzeiro publicam o sétimo e último volume da
História da literatura ocidental. Em 1977, Carpeaux fez correções e ampli-
ou sua obra enciclopédica e, em 1978, começa a publicação da segunda
edição da História da literatura ocidental, pela Editorial Alhambra. Depois
de vários distúrbios cardíacos e outros problemas de saúde, Carpeaux fa-
lece em 3 de fevereiro de 1978. Seu último livro é póstumo: Alceu de
Amoroso Lima por Otto Maria Carpeaux (Rio, Graal), publicado no mesmo
ano.
Voltemos ao objeto desta introdução, ou seja, a História da literatura
brasileira. De janeiro de 1942 a novembro de 1945, Carpeaux escreve a
História da literatura ocidental. O livro, por diversas questões alheias à
vontade do autor, predominando a cautela pânica diante do volume de
perto de cinco mil laudas datilografadas por Dona Helena, mulher do
autor. As laudas eram beneditinamente divididas em quatro faces onde ela
datilografava em espaço dois o texto principal e as notas em espaço um a
fim de que o marido as revisasse. O livro só começa a vir a lume, pelas
Edições O Cruzeiro, em 1959. O escritor Herberto Sales, diretor das
Edições O Cruzeiro, chamou-a de monumental. Outra edição desta História