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TEORIAS DA APRENDIZAGEM

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de um tipo específico de aprendizagem, que é chamada de aprendizagem social 
(por imitação, de comportamentos, que facilita a socialização), mas também uma 
aprendizagem mais humana, que envolve não apenas os processos mentais ou 
os estímulos gerados pelo meio, nem tão somente a interação do sujeito com o 
objeto de seu interesse, mas passa a levar em consideração também as relações 
estabelecidas pelo sujeito durante o seu processo de aprender, colocando em foco 
a relação de sala de aula, ou, mais especificamente, a relação professor–aluno.
É dentro desse variado conjunto de teorias que as teorias da aprendizagem 
vão sendo formuladas ao longo dos tempos. Passemos agora às teorias de fato.
Teorias da aprendizagem
Uma vez apresentados os conjuntos de teorias, iremos apresentar as teorias 
da aprendizagem que consideramos mais importantes para aqueles que vão lidar, 
de alguma maneira, com o cotidiano da Educação. Apresentamos abaixo os 
teóricos e as teorias mais discutidas sobre aprendizagem. 
 Teoria Construtivista de Jean Piaget.
 Teoria Sócio-histórico-cultural de Lev Vygotsky.
 Henri Wallon e a Psicogênese da pessoa completa.
Teorias da Aprendizagem
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 Maria Montessori e a aprendizagem exploratória.
 Emília Ferreiro e a aprendizagem da leitura e da escrita.
 Cèlestin Freinet e a aprendizagem natural.
 Teoria Libertadora de Paulo Freire.
 Madalena Freire e a aprendizagem profissional.
 Jerome Bruner e a aprendizagem em espiral.
 David Ausubel e a aprendizagem significativa.
 Howard Gardner e a teoria das múltiplas inteligências.
 Philippe Perrenoud e a teoria das competências.
Além dessas teorias, é necessário também que discutamos outras questões 
bastante relevantes para compreendermos o processo de aprendizagem. Por isso, 
precisamos conhecer as práticas pedagógicas, resgatando suas bases na História 
da Educação, discutir os modelos didáticos e ainda analisar a formação dos 
professores. Dessa forma, fica mais fácil percebermos que a aprendizagem não 
é um processo individual, ou seja, que dependa somente do esforço de quem 
aprende, mas sim um processo coletivo, que envolve tanto as ações do educando 
quanto as ações do educador.
Educação e aprendizagem
Mas, o que a história das práticas pedagógicas, a formação do professor 
e a didática têm a ver com aprendizagem? Essa é uma pergunta muito comum, 
principalmente nos cursos de Licenciatura. Acontece que para podermos viabilizar 
a aprendizagem dos alunos por meio de qualquer uma das teorias, devemos antes 
compreender historicamente os usos que essa teoria teve. Mais que isso, devemos 
também saber o que nós desejamos com o uso de tal teoria como suporte na sala 
de aula. Para tanto, devemos dispor de conhecimentos como os da Didática, que 
nos auxiliam a planejar nossas aulas, traçando nossos objetivos e métodos a partir 
de qualquer teoria.
Dessa maneira, como professores, podemos dispor de diferentes recursos 
teóricos, metodologias e conhecimentos gerais que facilitam tanto o trabalho do 
professor, como a aprendizagem do aluno, que pode experimentar o conteúdo a 
ser aprendido de maneiras diferentes.
É claro que ao falarmos de aprendizagem e do ato de aprender não podemos 
deixar de fora a responsabilidade de pais e professores. Os pais, no que diz respeito 
à aprendizagem escolar da criança, devem auxiliar na resolução de atividades, no 
acompanhamento das atividades realizadas pela criança e na estimulação para 
que a criança seja capaz de superar suas dificuldades. O professor, por sua vez, 
precisa ter claro seus objetivos, conteúdos e métodos para o desenvolvimento de 
uma aula clara e organizada, o que facilita a compreensão da matéria pelos alunos, 
em especial quando falamos da Educação Infantil. Além disso, o professor, 
para garantir uma boa aprendizagem, pode também lançar mão de atividades 
A aprendizagem e o processo de aprender
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que envolvam os conhecimentos prévios dos alunos e a revisão da matéria para 
uma melhor compreensão e fixação dos conteúdos apresentados. Já a escola, 
precisa manter o currículo das disciplinas atualizado, bem como a organização 
e acessibilidade para os alunos, dando atenção aos que possuem necessidades 
educativas especiais.
Concluímos, assim, que o processo de aprender não está relacionado apenas 
com as “capacidades” intelectuais de cada aprendiz, mas, de uma forma mais ampla, 
o processo de aprender envolve, para além das nossas habilidades cognitivas, as 
relações estabelecidas entre professores e alunos e, conseqüentemente, a relação que 
se constrói em torno do ensino e da aprendizagem. Isso significa que, mesmo um 
aluno considerado inteligente pode apresentar dificuldades se a relação que estabelece 
com a matéria, a partir do professor e de sua didática não for bem construída. 
Com o intuito de auxiliá-los em seus estudos, apresento abaixo algumas questões que podem 
servir de base para uma melhor compreensão sobre a aprendizagem e seus processos.
Individual
1. O que significa dizer que um aluno aprendeu a matéria?
2. Por que dizemos que o construtivismo faz parte do conjunto das teorias interacionistas de 
aprendizagem?
3. De que maneira pais e professores podem auxiliar o processo de aprendizagem das crianças? 
Por quê?
Teorias da Aprendizagem
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Em grupo
1. Discutam qual a importância de conhecer as teorias da aprendizagem para os profissionais 
ligados à educação. 
2. Se possível, criem um debate sobre a seguinte questão: é possível medirmos a aprendizagem? 
Uma boa dica de filme para aprofundar as discussões sobre o tema da aprendizagem é o filme 
Mentes que brilham (Little man Tate – Jodie Foster – EUA, 1991), ou ainda o filme Meu pé esquerdo 
(My left foot – Jim Sheridan – Irlanda, 1989), nos quais são enfatizadas questões como a aprendizagem 
de crianças portadoras de altas habilidades intelectuais (superdotados) e a importância do estímulo 
para o ato de aprender.
N esta aula, será abordado o desenvolvimento das práticas pedagógicas que estiveram presentes nas escolas brasileiras e que ainda hoje exercem grande influência sobre o trabalho dos nossos professores. Para tanto, 
exploraremos os conhecimentos produzidos por uma outra área de grande 
importância para qualquer disciplina: a História.
É com base na História da Educação que vamos procurar apresentar alguns 
aspectos relevantes para que possamos compreender em que momento surgem 
em nossas escolas idéias e ideais como os da Educação Renovada ou Escola Nova 
(que apresentam o construtivismo como prática pedagógica), ou ainda como os da 
Pedagogia Libertadora de Paulo Freire. 
Cabe ressaltar que as práticas pedagógicas dizem respeito a um conjunto 
pedagógico que envolve, para além da didática, ou seja, do método de ensino a ser 
utilizado, uma concepção filosófica da Educação e uma teoria da aprendizagem 
que corresponda a tal filosofia.
A prática pedagógica, segundo Luckesi (1994, p. 21), “[...] está articulada com 
uma pedagogia, que nada mais é que uma concepção filosófica da educação”.
Um pouco de História da Educação
Como já foi dito antes, tomaremos como base a História da Educação para 
ilustrar os caminhos percorridos pela Educação e suas práticas ao longo do século 
XX. Tal incursão no tempo nos permite compreender a escola que temos hoje, 
além de desejar também refrescar nossa memória sobre os acontecimentos da 
nossa história recente da Educação no Brasil.
Começaremos então pela década de 1920, uma vez que até esse momento era 
a Educação Religiosa o grande parâmetro para as práticas de ensino e Educação 
que, aos poucos, vão sendo substituídas por práticas de ensino laico (desvinculadas 
da religião), mas ainda tendo como base a rigidez e a centralização do processo no 
professor. Tal prática recebe o nome de Pedagogia Tradicional e é por meio dela e 
de alguns fatos históricos que