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TEORIAS DA APRENDIZAGEM

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tem um sentido exclusivamente técnico, em que 
os papéis são bem definidos: o professor administra e executa as condições de 
transmissão da matéria e o aluno recebe, aprende e fixa as informações.
Aprender é uma questão de modificação de desempenho. O ensino é um 
processo de condicionamento por meio do uso de reforço das respostas que se 
quer obter. Os componentes da aprendizagem, da motivação, da retenção, da 
transparência, decorrem da aplicação do comportamento operante. Segundo 
Skinner, o comportamento aprendido é uma resposta a estímulos externos, 
controlados por meio de reforços que ocorrem com a resposta ou após a mesma. 
Dessa forma, passeando pela história recente do nosso país, percebemos 
sua riqueza e também a enorme influência que ela exerceu e ainda exerce sobre os 
modelos educacionais produzidos ao longo dos anos.
Teorias da Aprendizagem
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1. Por que recorremos à História da Educação para pensar sobre as práticas pedagógicas?
2. O que faz com que, em determinado momento histórico, uma prática pedagógica seja substituída 
por outra nos parâmetros educacionais do governo?
3. No Brasil, até hoje, tivemos dois períodos ditatoriais: um em 1937 e outro em 1964. De que 
maneira a ditadura interfere no processo educacional e nas práticas pedagógicas?
4. Com base neste capítulo, pesquise os principais movimentos educacionais do século passado e 
produzam um painel com datas, nomes e fatos históricos que marcaram a educação do nosso país.
Para entendermos um pouco melhor a história recente do nosso país ligada à Educação, indico 
a leitura do livro: GHIRALDELLI JR. P. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. 
(Coleção Magistério 2.º grau. Série formação do professor).
A escola e as práticas 
pedagógicas renovadas
A transição de um modelo tradicional 
para um modelo renovado de educação
Q uando nos referimos ao modelo renovado de educação, a primeira questão que se coloca é: porque esse modelo pedagógico é chamado de renovado? Para responder a essa questão, precisamos resgatar a idéia 
da Pedagogia Tradicional.
A Pedagogia Tradicional, substituta do modelo jesuítico de educação, esteve 
fortemente presente nas escolas brasileiras até a década de 1920 quando, a partir de 
movimentos em prol da ampliação do acesso à educação básica, começou a ser discutida 
enquanto modelo válido ou não para a educação de todas as camadas sociais.
A idéia de renovação está contida nesses movimentos que tinham como 
propósito renovar o ensino a partir da inserção de novas práticas pedagógicas, 
baseadas no modelo europeu. Mas por que o modelo europeu?
Se nos lembrarmos da história do nosso país, encontraremos informações 
sobre a saída dos filhos das famílias relacionas às grandes oligarquias que eram 
enviados à Europa, principalmente para Portugal e Inglaterra, para darem 
continuidade aos estudos que não tinham como ser concluídos no Brasil, uma vez 
que o número de universidades existentes ainda era muito pequeno e as próprias 
universidades possuíam poucos recursos para bem atender aos seus alunos.
Por esse motivo, na década de 1920, ao retornarem ao Brasil, após terem 
concluído seus estudos no exterior, vários intelectuais se reuniram para discutir 
a situação da educação brasileira, tendo como referência o modelo educacional 
conhecido por eles quando de suas estadas em países chamados desenvolvidos.
Na mesma época, a política liberal estabelecia metas para o progresso do país, 
o que motivou ainda mais aqueles intelectuais a se organizarem em torno de grupos 
de debates para discutir, junto aos representantes do governo, as modificações 
necessárias ao modelo educacional que ajudariam a retirar o país do status de 
subdesenvolvido, levando-o mais rapidamente ao progresso e ao desenvolvimento.
O modelo pedagógico proposto pelo grupo de intelectuais que tinha em 
Anísio Teixeira, Lourenço Filho e Fernando de Azevedo seus líderes foi baseado 
no modelo da Escola Nova, que deu origem ao movimento escolanovista, ou 
seja, ao movimento que buscou renovar a educação a partir da substituição do 
modelo pedagógico tradicional, que tinha como centro do processo educacional o 
Teorias da Aprendizagem
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professor, pelo modelo pedagógico renovado, que passava a colocar como centro 
do processo ensino-aprendizagem o aluno e não mais o professor.
Falaremos agora sobre a Escola Nova e seus modelos pedagógicos.
A Pedagogia da Escola Nova
Surgiu como contraposição à Pedagogia Tradicional, ligada ao movimento 
da pedagogia ativa, onde a criança é percebida como um ser dotado de capacidades 
individuais, devendo ser respeitada a sua liberdade, a sua iniciativa, a sua autonomia 
e os seus interesses. Sendo a criança o sujeito do processo de aprendizagem, tem-
se a idéia de que o aluno aprende melhor o que faz por si mesmo.
A Pedagogia Renovada está dividida em: Pedagogia Renovada progressista, 
baseada na teoria educacional de John Dewey e Renovada não-diretiva, inspirada 
principalmente em Carl Rogers.
Pedagogia Renovada progressista
A Pedagogia Renovada progressista tem como finalidade adequar as 
necessidades individuais ao meio social. O conhecimento resulta da ação. Os 
conteúdos são estabelecidos em função de experiências, dando-se mais importância 
aos processos mentais e às habilidades cognitivas. O aluno é o centro do processo e o 
professor atua para desenvolver a sua inteligência, o seu caráter e a sua personalidade. 
As atividades são adequadas à natureza do aluno e à etapa de seu desenvolvimento. 
Há uma preocupação básica com o desenvolvimento mental do aluno. O professor 
é um auxiliar que incentiva, orienta e controla a aprendizagem no desenvolvimento 
da criança, proporcionando um relacionamento positivo entre professores e alunos. 
A motivação depende da estimulação do problema e das disposições e interesses do 
aluno, transformando o aprender em uma atividade de descoberta. A sua aplicação 
é muito reduzida na nossa sociedade por falta de condições e por se chocar com a 
prática tradicional que corrobora com as práticas sociais vigentes.
Pedagogia Renovada não-diretiva
A Pedagogia Renovada não-diretiva tem como proposta a formação de atitudes 
e está mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos. 
Procura adequar os indivíduos às socializações do ambiente. A transmissão 
dos conteúdos é secundária em relação à preocupação com a comunicação e o 
desenvolvimento das relações. O professor utiliza um estilo próprio para facilitar 
a aprendizagem dos alunos. Sua função é a de ajudar os alunos a se organizarem 
por meio de técnicas de sensibilidade, onde os sentidos são expostos sem ameaça. 
Propõem uma pedagogia centrada no aluno, visando à formação da sua personalidade, 
uma vez que o professor é um especialista em relações humanas. 
A escola e as práticas pedagógicas renovadas
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A motivação é um ato interno, ou seja, o aluno aprende aquilo que percebe 
que é capaz de aprender. Ele só retém aquilo que está relacionado com o seu eu. 
Essa Pedagogia foi inspirada nas teorias de Carl Rogers, psicólogo clínico. Suas 
idéias influenciam educadores, orientadores educacionais e psicólogos escolares 
voltados para o aconselhamento.
O olhar sobre as crianças
Ao colocar a criança como centro do processo educacional, a Escola Nova 
cria alguns impasses para os educadores brasileiros. O primeiro deles é: como 
colocar a criança no centro do processo educacional, se não se conhece, até então, 
o fato de que as crianças têm lógicas próprias, diferenciadas dos adultos? Além 
dessa questão, outras como “quem é a criança?” e “como a criança pensa?” foram 
demonstrando a necessidade de interlocução entre a educação e outros campos do 
conhecimento como a Psicologia e a Sociologia.
Assim, foi principalmente na Psicologia que se buscaram as respostas para 
as questões sobre a criança,