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Antonio Octávio Cintra - Sistema de Governo no Brasil (2)

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eleitoral dos parlamentares. O sistema elei- 
toral brasileiro permite a eleição de deputa- 
dos com diferentes padrões espaciais de vo- 
 
52. AMES, 2001. 
 
 
tação. Segundo a lei, dentro do estado, o 
deputado pode ser votado em todas as re- 
giões e municípios. Na prática, porém, dão- 
se perfis diversos. Barry Ames elaborou uma 
taxonomia desses perfis, combinando duas 
dimensões: se o deputado é majoritário num 
município, ou ao contrário comparte-lhe os 
votos com outros deputados, e se a sua vota- 
ção se concentra em municípios contíguos 
ou é espalhada. Como na primeira dimen- 
são temos duas categorias - o deputado é 
dominante, ou não, em municípios-chave 
para sua votação - e na segunda, também, 
duas - o deputado tem votação concentrada 
ou espalhada -, da combinação delas resul- 
tam quatro perfis: 
a) deputado com votação espalhada e com- 
partilhada com outros em municípios- 
chave, 
a) com votação espalhada, mas majoritário 
em municípios-chave, 
a) com votação concentrada em alguns 
municípios contíguos, compartidos com 
outros deputados, ou, finalmente, 
a) com votação concentrada e majoritário 
nos municípios. 52 
 
Podemos representar numa tabela 2 x 2 
os quatro perfis, preechendo as celas com as 
porcentagens, sobre o total de deputados da 
Legislatura começada em 1999, dos eleitos 
em cada modalidade de perfil (dados da elei- 
ção de 98). 
Alguns dos perfis de votação provavel- 
mente fazem os deputados mais dependen- 
tes do Executivo estadual do que outros. Si- 
milarmente, alguns devem dar-lhes maior 
certeza do que outros sobre qual é o seu elei- 
torado, a quem devem prestar contas e cujos 
77 
 20. 
TABELA 1. A votação dos deputados federais: padrão geográfico. Eleição de 1998. 
A votação do deputado é 
concentrada em reduto 
A votação do deputado é 
espalhada 
 ° deputado é majoritário 
(dominante) 
16 35 
 ° deputado não é majoritário 
(Não-dominante) 
31 18 
Fonte: Nelson Rojas de Carvalho. E no início eram as bases: geografia política do voto e 
comportamento legislativo no Brasil. Rio: Revan, 2003. 
pleitos precisam atender, e portanto devem 
influenciar-lhes diferentemente o comporta- 
mento parlamentar no que respeita ao apoio 
ou não à agenda legislativa do governador 
do Estado." 
53. CARVALHO, 2003. No capítulo "A Câmara dos Deputados na Nova República: a visão da Ciência Política", 
neste livro, discutimos a contribuição desse autor. 
78 
 
Sugestões de leitura 
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n.2. Reforma Política: agora vai? Rio de Janeiro: Konrad Adenauer Stiftung, 2005. 
 
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