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2 - sociologia

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populações urbanas (antropologia urbana ou da/na cidade), e os “primitivos” operacionalizaram 
uma seleção daquilo que lhes convinha, feitas as devidas “adaptações” e ainda existem e passam bem.
 Sobre a antropologia urbana, importa citar a Escola de Chicago, de 1930. Foi um grupo 
multidisciplinar de pesquisadores (sociólogos, economistas, demógrafos, geógrafos, historiadores, 
antropólogos, cientistas políticos, estatísticos, psicólogos, arquitetos) que compõe os primeiros 
estudos sociais e culturais em metrópoles, cujos temas são: migrações, gangues, guetos, máfi as, 
trânsito, homossexualidade, prostituição, ecologia humana, criminologia.
 A partir de 1968, ondas de mudança nas Ciências Sociais ocasionaram grandes movimentos 
intelectuais: o giro linguístico e os pós-modernismos. Claude Lévi-Strauss71 (1908-2009) 
introduziu, entre 1940 e 1950, inovações na teoria antropológica ao apresentar as teorias 
da linguística e da psicanálise. Essas inovações são chamadas de Antropologia Estrutural. 
Após 1968, as críticas ao modelo da linguística e da psicanálise as Ciências Sociais entraram 
em crise. Todos os paradigmas sociais são questionados e temas antes renegados, como, 
gênero, feminismo, homossexualidade, movimentos sociais, ecologia, exigem espaço 
na academia. Houve mesmo quem propusesse descartar o conceito de cultura. Esse 
primeiro choque chamou-se, na época, de pós-modernidade e daí adveio todos os pós-: 
pós-estruturalismo, pós-marxismo, pós-feminismo, pós-colonialismo, pós-humano. E também 
os neo-: neopositivismo, neoliberalismo, neoconservadorismo. De fato, essa discussão não 
tem consenso ainda hoje. A maioria das Ciências Sociais respondeu à crise dos paradigmas 
pela incorporação das mais variadas temáticas. É assim que se fala hoje em antropologia da 
política, da economia, da fi losofi a, do adestramento, do consumo, da homossexualidade, da 
etnometodologia, da etnomusicologia, da antropologia simétrica, da antropologia interpretativa, 
da antropologia do ciborgue, etc. Infelizmente, o assunto é muito extenso e complexo, além 
de fugir ao tema. Depois das críticas dos pós-modernistas, a antropologia passou a revisar e a 
rediscutir seu métodos de trabalho de campo, sua especifi cidade frente às ciências sociais e a 
avaliar e a incorporar as críticas.
Exercícios de sala
4 A “questão do outro” sempre foi a pergunta motivadora da Antropologia?
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69 - http://cnec.lk/0629 70 - http://cnec.lk/062e 71 - http://cnec.lk/05vs
Sociologia
36 1ª série do Ensino Médio
B) Antropologia brasileira
 No Brasil, os primeiros cursos de antropologia foram ministrados na USP. A universidade contou 
com uma missão francesa, da qual fazia parte o jovem Claude Lévi-Strauss e, posteriormente, 
Roger Bastide72.
 Muitos e importantes cientistas sociais brasileiros iniciaram suas carreiras como antropólogos. 
Florestan Fernandes73 (1920-1995) foi orientado por Bastide. De Recife, frutifi cou Gilberto Freyre74 
(1900-1987), que estudou diretamente com Boas, cuja obra repercutiu mundo afora.
 Anteriormente, comentou-se que as teorias raciológicas foram desmanteladas no Brasil 
por antropólogos e sociólogos. Além de G. Freyre, que produziu a primeira teoria propriamente 
cultural sobre as relações raciais, devemos citar Darcy Ribeiro75 (1922-1997), que foi “herdeiro” das 
teorias de Oliveira Vianna e pioneiro em romper com elas. Ver o documentário O povo brasileiro.
 Da virada do século XIX para o século XX, da virada do século XIX, para o século XX, alhuns 
personagens eruditos estudaram e exerceram em algum momento um tipo de refl exão sobre a 
sociedade brasileira, pautada no conceito de cultura. Dentre eles, podemos citar Ruy Barbosa, 
Euclides da Cunha, Francisco José de Oliveira Vianna, Raymundo Nina Rodrigues.
 Há numerosos intelectuais brasileiros reconhecidos internacionalmente que atuaram como 
antropólogos: Manuela Carneiro da Cunha76 – direitos indígenas; Gilberto Velho77 (1945-2012) 
– antropologia urbana; Roberto Cardoso de Oliveira78 (1928-2006) – confl itos interétnicos; 
Eduardo Viveiros de Castro79 – indigenismo.
 Vale ressaltar, fi nalmente, que a Antropologia brasileira sempre esteve muito associada aos 
estudos das sociedades ameríndias (etnologia). Inclusive o governo brasileiro eventualmente 
empregou antropólogos para estudos estratégicos dessas populações. Ao redor da fi gura de 
Eduardo Viveiros de Castro, reúne-se uma vertente antropológica contemporânea genuinamente 
brasileira e reconhecida no exterior, chamada perspectivismo.
 A Antropologia no Brasil reúne miríades de adeptos e os mais variados temas e problemas. 
Nasceu, como vimos, do racismo científi co. Abordou, em seguida, as populações nativas. Uma 
outra ramifi cação provém dos estudos das comunidades, campesinas ou urbanas, vilarejos e 
costumes regionais. Durante a ditadura, a Antropologia agregou temas de estudos urbanos, 
política, trabalho, classes sociais, bairros populares, religiões (com ênfase no sincretismo 
do cristianismo com as religiões de matriz africana), mulheres e feminismos, relações raciais 
(racismo e antirracismo), movimentos sociais, homossexualidade. Em nossos dias, seguindo as 
tendências científi cas internacionais – temas da “moda” –, a Antropologia trata as modernas 
técnicas de coleta de dados, críticas pós-modernas, temas específi cos, história da Antropologia 
e epistemologia.
 Diversas vezes, antropólogos de outros países radicaram-se no Brasil para estudar, 
majoritariamente, os nativos. Curt Nimuendaju80 (inglês) e Roger Bastide (francês) são os mais 
conhecidos. Lévi-Strauss também estudou os Bororo, na década de 1930, no estado de São 
Paulo. Pierre Clastres81 pesquisou sobre os Guayaki no Mato Grosso, em 1950/60. Ingleses e 
estadunidenses estudaram vilas e comunidades ribeirinhas entre 1930/50. Durante as ditaduras 
na América Latina, diversos cientistas sociais estrangeiros exilaram-se no Brasil, e cientistas 
sociais brasileiros, nos demais países. Atualmente, há intenso intercâmbio de cientistas sociais 
entre diversos países, e inclusive há vários cientistas sociais estrangeiros radicados no Brasil.
72 - http://cnec.lk/061h 73 - http://cnec.lk/05vd 74 - http://cnec.lk/05vh 75 - http://cnec.lk/05v9 
76 - http://cnec.lk/0617 77 - http://cnec.lk/060w 78 - http://cnec.lk/061g 79 - http://cnec.lk/060l 
80 - http://cnec.lk/060k 81 - http://cnec.lk/061c 
Ciência dos homens e ciência da diferença
37Volume 2
Exercícios de sala
5 A Antropologia no Brasil copiou apenas os temas e os problemas da Antropologia europeia?
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Exercícios propostos
6 A postura comum a todos os grupos humanos 
de considerar seus valores como os melhores 
em relação aos demais e de utilizá-los para 
fazer comparações com os outros pode ser 
defi nida como uma atitude de utilizar seus 
próprios padrões culturais como referência. 
Isso equivale ao conceito de
a) racismo.
b) antropocentrismo.
c) preconceito.
d) etnocentrismo.
e) ideologia.
7 Os Bambara (grupo que vive no Mali) 
consideram a velhice uma conquista. Para 
eles, o envelhecimento é concebido como 
um processo de

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