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2 - sociologia

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houvesse outro possível.
25 - http://cnec.lk/0616
Fig.6.9
Fig.6.8
 Movimentos e manifestações culturais
19Volume 2
 Tal era a pregação ideológica no mundo capitalista, enquanto o mundo socialista era acusado 
de pregação ideológica – como se apenas lá houvesse ideologia. Uma coisa é a ideologia enquanto 
ideias e valores que se servem para organizar as relações sociais (cultura). Outra é a ideologia que 
aliena as pessoas, que frustra suas possibilidades de realização enquanto seres humanos.
 Por numerosas razões, os jovens daquela época (1968) deram-se conta das manipulações 
ideológicas do Estado e rebelaram-se. É nesta época que as Ciências Sociais entram em crise (os 
chamados pós-) e são obrigadas a repensar seus paradigmas.
a) Hippies (http://cnec.lk/05wq )
 Os hippies podem ser entendidos como 
um dos primeiros movimentos a rejeitar a 
cultura ocidental hegemônica; dizer não ao 
consumismo; evitar as marcas e modas; preferir 
ou criar os estilos “alternativos” de vida; abrir 
mão de todos os valores tradicionais; reinventar 
as formas de sociabilidade.
 A opção era a experimentação. Provar tudo 
que era proibido: sexo, drogas, rock n roll. Roupas 
diferentes. Cortes e penteados diferentes. Os 
mais radicais deixariam de cortar os cabelos e de 
tomar banho – Seriam um germe dos movimentos ambientalistas de hoje?
 Um ponto que este movimento questionou foi a guerra como indústria. Isto é, os EUA 
perceberam que guerras eram um negócio lucrativo: o país lucrou milhões vendendo armas 
e, depois, fi nanciando a reconstrução da Europa. Tomando consciência dessa lucratividade, 
passaram a fazer guerra sob qualquer pretexto (comunismo, petróleo etc.). A guerra do Vietnã é 
apenas um dos episódios mais dramáticos. O negócio da guerra perdura até nossos dias (Iraque, 
Síria, Afeganistão entre outros). Em 1960, os chamados hippies perceberam esta indústria e 
passaram a dizer não à guerra (paz e amor; faça amor, não faça guerra).
b) Panteras negras (black panthers party) (http://cnec.lk/05wr)
 Dado o racismo aberto e segregacionismo da sociedade 
estadunidense, os negros criaram um partido extraparlamentar 
(os EUA têm um regime político de parlamento que possui 
apenas dois partidos) para defesa de seus direitos. Enquanto no 
Brasil a política social da mesma época pregava um suposto 
assimilacionismo – ver a seção sobre aculturação – os EUA e 
outros países de língua anglo-saxã pregavam a separação entre 
negros e brancos. O regime apartheid (afastamento) da África do 
Sul é apenas o caso mais divulgado de respaldo legal ao racismo.
 Um movimento gêmeo do Panteras negras, foi o Black power (= 
poder negro).
 Esses negros passaram a lutar por igualdade de direitos. 
Em termos culturais, houve um processo de valorização das 
particularidades dos negros – não alisar, raspar ou prender 
os cabelos por exemplo – contra a cultura hegemônica 
(branca), e desenvolvimento e divulgação de gêneros 
musicais particulares aos grupos de negros (jazz, soul entre 
outros). E houve, ao mesmo tempo, e talvez ambiguamente, 
um processo de rejeição do confi namento dos negros 
à sua cultura particular. Sobre este segundo processo, é 
preciso explicar que os negros perceberam que quando 
se afi rmava que eles deveriam “valorizar sua cultura”
Fig.6.10
Fig.6.11
Fig.6.12
Sociologia
20 1ª série do Ensino Médio
tratava-se tão somente de um racismo às avessas, uma estratégia velada de segregacionismo, de 
mantê-los no subdesenvolvimento e na pobreza, em suma, de preservar a desigualdade social e 
de direito. Neste sentido, o movimento político reivindica equiparação de direitos.
 Mais tarde, surgiram as ações afi rmativas. Estas ações visavam a afi rmar – no duplo sentido de 
valorizar e retirar a carga negativa – as particularidades dos negros. Por causa do segregacionismo, 
os negros tentavam parecer menos negros por imitação de hábitos dos brancos. O movimento 
político percebeu que esta atitude era de submissão. Notaram que era o mesmo que aceitar o 
caráter negativo ou inferior atribuído pelos brancos à cultura (sentido da antropologia) dos negros. 
Por isso afi rmar-se negro seria subverter a carga negativa e ir contra a cultura dominante. Na seção 
anticolonialismo, viu-se que o subalterno entendeu que o primeiro passo para descolonizar-se 
era eliminar de sua mente os valores do colonizador.
c) Tropicalismo (http://cnec.lk/05ws) 
 Este termo congrega movimentos artísticos do 
Brasil dos fi nais dos anos 1960 e da década de 1970. 
Obviamente, tratam-se de refl exos dos movimento de 
contracultura do exterior. Mas o movimento ganhou 
características particulares no Brasil por conta, em 
grande parte, do contexto da ditadura militar. Nesse 
sentido, dizer “não” à cultura hegemônica (a dos EUA) 
era afi rmar-se habitante dos trópicos.
 Grossa parcela do movimento expressou-se na MPB, 
além de outras artes. É conhecida a crítica ferrenha 
à ditadura presente nas letras de músicas. O que os agentes perceberam, como nos outros 
movimentos citados, foi que o Brasil “prostituía-se” aos EUA, quer dizer, celebravam-se grandes 
pactos com este país e, dessa forma, permitia-se a penetração da cultura massifi cada produzida 
nos EUA em nosso país.
 Podemos dizer que as tendências musicais 
internacionais, o rock, por exemplo, estavam 
sendo ressignifi cadas. Isto é, os artistas brasileiros 
apropriavam-se dos produtos musicais internacionais 
e retrabalhavam-nos. Agregava-se uma “brasilidade” 
a tais produtos. Foi nesta época que o francês foi 
substituído pelo inglês nas escolas – foi substituído 
por conta da hegemonia dos EUA. O evento Rock in 
Rio é fruto deste movimento.
 Houve, é claro, movimentos negros e hippies no 
Brasil. Eles também tiveram adequações ao contexto 
social brasileiro. Isso não signifi ca que foram cópias 
dos movimentos do exterior. Inspiraram-se neles, 
mas havia problemas sociais brasileiros específi cos 
que demandavam respostas específi cas. Em certa 
medida, alguns movimentos sociais brasileiros são 
anteriores a movimentos similares em outros países.
d) Tribos urbanas de jovens (http://cnec.lk/05wt)
 A Antropologia generalizou o termo “tribo” como grupos mais ou menos homogêneos, isto 
é, que compartilham alguns valores e, geralmente, vivem em um mesmo lugar. A antropologia 
social clássica chamava de “tribo” qualquer agrupamento de pessoas que compartilhava língua 
e costumes e vivia no mesmo lugar. Desta forma, Evans-Pritchard chamava os Nuer de tribo 
africana nilota – grupo de pessoas com costumes similares, que habitavam a região do rio Nilo.
Fig.6.13
Fig.6.14
 Movimentos e manifestações culturais
21Volume 2
 O termo foi substituído nos anos 1950 
por etnia. Supostamente, o termo “etnia” 
seria mais neutro do que “tribo” além de 
ser um termo importado do grego clássico. 
Mas, no fundo, ele preserva as mesmas 
conotações: grupo de pessoas vivendo 
em um mesmo lugar e compartilhando a 
mesma cultura.
 Quando os antropólogos passaram 
a se debruçarem sobre os problemas das 
grandes metrópoles (notadamente em 
Chicago, a partir de 1930), eles perceberam 
que as pessoas moradoras de bairros 
mais afastados dos centros (comumente, 
o centro das metrópoles é comercial e 
fi nanceiro) tinham hábitos particulares. Por 
razões históricas e sociais óbvias, grupos 
de imigrantes costumavam morar nos 
mesmos bairros, em que hábitos e dialetos 
eram preservados. Pessoas pobres acabam indo para bairros em que seu poder aquisitivo 
permite viver e ali desenvolvem atividades peculiares, tanto pela questão aquisitiva como pelo 
fator geográfi co – a distância do centro não permite acesso fácil aos bens culturais da classe 
dominante, por isso desenvolvem-se, no bairro, atividades culturais e de lazer características.
 Alguns termos especiais foram cunhados para estes bairros, seus hábitos e suas

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