Resumo de Direito Civil II
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Resumo de Direito Civil II


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1. Conceitos iniciais: fatos, atos e negócios jurídicos; Do ato jurídico em sentido estrito (stricto sensu); O negócio jurídico e suas teorias conceituais; A declaração de vontade: Receptícia e não-receptícia, Expressa e tácita e O silêncio.
Fato: tudo aquilo que ocorre e altera a realidade. Uma chuva, uma morte, um espirro, uma caminhada, o decurso de tempo, todos estes são fatos. Nesta matéria, distinguimos entre os fatos aqueles com consequências jurídicas, isto é: que adquirem, modificam ou extinguem direitos. Um espirro, por exemplo, é um fato não jurídico na maioria dos casos; mas um espirro proposital com a intenção de transmitir doença respiratória gera consequências jurídicas.
FATOS NATURAIS OU JURÍDICOS STRICTO SENSU: são alheios à vontade humana, ou a vontade humana concorre de forma indireta para sua ocorrência. Os fatos naturais são classificados em ordinários e extraordinários.
a) Fatos Naturais Ordinários (esperados): o nascimento, a morte, a maioridade e etc.
b) Fatos Naturais Extraordinários (imprevisíveis, aleatórios): o terremoto, os raios, as tempestades, e todos os demais atos que se enquadram na categoria de caso fortuito ou força maior. As tempestades, o terremoto, as chuvas, etc, por si só não geram efeitos jurídicos, somente o serão se gerarem consequências jurídicas.
FATOS HUMANOS OU JURÍDICOS LATO SENSU (JURIGENOS): são ações humanas que criam, modificam, transferem ou extinguem direitos, dividem-se em atos jurídicos lícitos e ilícitos.
Teorias: O Código Civil de 2002 adotou a teoria dualista para a classificação dos atos jurídicos. Para a corrente unitária não existe qualquer diferença entre ato e negócio jurídico, enquanto a dualista entende que são distintos. Pensamento unitarista: Código Civil francês, no italiano e no brasileiro de 1916. Dualismo: Códigos português e brasileiro de 2002. 
Betti classifica os fatos jurídicos em atos jurídicos, em que há valoração da consciência e vontade humanas, e fatos jurídicos em sentido estrito, sem valoração da consciência e vontade humanas. Os atos jurídicos, por sua vez, classificam-se em atos jurídicos em sentido estrito e negócio jurídico.
Os atos jurídicos em sentido estrito podem ser lícitos ou ilícitos. Os atos lícitos podem ser subdivididos em duas categorias essenciais: a) a dos atos materiais; b) a das participações. Os atos materiais resultam sempre de uma atuação de vontade, de um comportamento do homem, por exemplo, a tomada de posse e a derelição (abandono da coisa). Já as participações, além de um ato de vontade (como todo ato jurídico), caracterizam-se pela existência de uma declaração \u2013 para ciência de intenção ou de fatos \u2013 sem intenção negocial. 
As participações se diferenciam das declarações de vontade dos negócios jurídicos \u201cporque estas consubstanciam manifestações de um intento, enquanto as participações consistem em simples comunicação\u201d. Como exemplos, podem ser citadas as interpelações, notificações, intimações, oposições e denúncias. 
ATOS JURÍDICOS LÍCITOS: São aqueles atos emanados de uma vontade humana, praticados em conformidade com o ordenamento jurídico e que produzem os efeitos almejados pelo agente.
Classificação dos Atos Lícitos: Os atos lícitos se dividem em: Ato jurídico em sentido estrito, ato-fato jurídico e negócio jurídico:
a) Ato jurídico em sentido estrito ou meramente lícito: o efeito da manifestação da vontade está predeterminado em lei. Bastando a mera intenção. É sempre unilateral. É vontade aderente, vontade humana que busca os efeitos previstos na norma. O elemento básico desta categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento.
b) Ato-fato jurídico: No ato-fato jurídico, apesar de existir conduta volitiva, não se leva em consideração o que a vontade, a consciência ou intenção humana, mas sim a consequência do fato resultante. O agente não tinha a intenção de alcançar aquele efeito jurídico, contudo, o ordenamento sanciona aquele ato pela consequência que ele produziu. Nestes casos o elemento volitivo pouco importa, ou seja, não é relevante que o ato-fato jurídico tenha sido praticado por um incapaz, por exemplo.
c) Negócio jurídico: Consiste na declaração de vontade voltada a obtenção de um efeito jurídico, capaz de criar uma reação jurídica, não sendo, apenas um ato livre de vontade.
Para Francisco Amaral é a declaração de vontade privada destinada a produzir efeitos que o agente pretende e o direito reconhece, tais como a constituição, modificação ou extinção de relações jurídicas, de modo vinculante, obrigatório para as partes intervenientes. Afirma, ainda, que o negócio jurídico é o meio de realização da autonomia privada, e o contrato é o seu símbolo. No negócio jurídico a manifestação da vontade tem finalidade negocial, que abrange a aquisição, conservação, modificação ou extinção de direitos. Dentre os negócios, distinguimos especialmente entre os unilaterais e os bilaterais, podendo também ser plurilaterais, variando o número de vontades das partes. No testamento, é suficiente a vontade unilateral do de cujus para a criação dos efeitos jurídicos, que é a geração do direito à herança para o herdeiro. Nota-se que mesmo que este renuncie à herança o testamento prossegue sendo unilateral, pois a renúncia ao direito só ocorre quando o direito já existe, e este é criado pela vontade do falecido. Já os negócios que dependem da vontade das duas partes são bilaterais, como o casamento e o contrato, que é a principal manifestação do negócio jurídico.
ATOS JURÍDICOS ILÍCITOS: Ao contrário dos lícitos, são aqueles atos humanos praticados em desacordo com o que prescreve o ordenamento jurídico, possuindo, efeitos negativos, tendo em vista que tais atos repercutem na esfera jurídica. O ordenamento jurídico impõe a eles efeitos jurídicos não desejados pelo agente, ou seja, o invés de direitos, acabam criando deveres, obrigações, como, por exemplo, a indenização por danos morais e materiais. O ilícito pode ser civil, penal ou administrativo, havendo independência (relativa, pois pode influir nas três órbitas) entre essas esferas. São atos jurídicos ilícitos aqueles que causem dano indenizável, sendo contrários ao ordenamento. Não é o caso de punir, portanto, como o faz o Direito Penal. Por isso mesmo os ilícitos civis são tão mais numerosos: o Direito Penal especifica tudo aquilo que é passível de punição, enquanto no Civil basta gerar dano que se prevê a possibilidade de indenização. Há ato ilícito civil em todos os casos em que, com ou sem intenção, alguém causa dano a outrem, transgredindo uma norma ou agindo contra o Direito.
Classificação dos atos ilícitos: O ato ilícito é muito importante para o direito civil, mas não porque possui um caráter punitivo, como no direito penal, mas pelo seu caráter de gerar indenização, já que o ato ilícito é capaz de gerar consequências a terceiros. (Artigo 186 e 935 CC)
O ilícito civil ocorre sempre que alguém, através da prática de um ato contrário ao ordenamento jurídico, causar dano a outrem, mesmo que exclusivamente moral, seja com ou sem intenção de produzi-lo. O ato ilícito admite duas formas de comportamento o dolo e a culpa. O ato ilícito é praticado com dolo sempre que o agente tiver intenção, vontade de produzir o resultado danoso, a agir de modo a efetivar seu intento.
O ato ilícito será praticado com culpa sempre que, mesmo sem intenção, o agente causar dano a outrem, tendo em vista ter agido com negligência (falta cuidado), imprudência (excesso de confiança) ou imperícia (falta de aptidão).
TEORIAS CONCEITUAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO: Etimologicamente, negócio significa atividade (não ócio). No Direito Romano indicava o contrato. O Direito Germânico alterou esta definição, estabelecendo os efeitos jurídicos relacionados ao acordo de vontades. No Negócio Jurídico os agentes criam os efeitos jurídicos segundo sua vontade. Já o Ato Jurídico somente desencadeia efeitos jurídicos
O negócio jurídico e suas teorias conceituais