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Violência de Gênero, Linguagem e Direito

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VIOLÊNCIA DE GÊNERO, 
LINGUAGEM E DIREITO
Análise de Discurso Crítica
em Processos na Lei Maria da Penha
 
VIOLÊNCIA
DE GÊNERO,
LINGUAGEM
E DIREITO
ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA
EM PROCESSOS NA LEI MARIA DA PENHA
©2013 Lúcia Freitas; Veralúcia Pinheiro
Direitos desta edição adquiridos pela Paco Editorial. Nenhuma parte desta obra 
pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar, 
em qualquer forma ou meio, seja eletrônico, de fotocópia, gravação, etc., sem a 
permissão da editora e/ou autor.
F884 Freitas, Lúcia; Pinheiro, Veralúcia.
Violência de Gênero, Linguagem e Direito: Análise de Discurso Crítica em 
Processos na Lei Maria da Penha /Lúcia Freitas; Veralúcia Pinheiro.
Jundiaí, Paco Editorial: 2013.
164 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-8148-134-0
1. Lei Maria da Penha 2. Violência Contra a Mulher 3. Análise de Discurso 
4. Feminismo. I. Lúcia Freitas II. Veralúcia Pinheiro.
CDD: 340
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Foi feito Depósito Legal
Índices para catálogo sistemático:
Direito 340
Processo Social 303
Sociolinguística 306.44
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AgrAdecimentos
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tec-
nológico - CNPq, pelo financiamento da pesquisa.
À Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação – PrP da UEG, 
pelo apoio institucional.
À Diretora da UEG Unidade de Jaraguá, Professora Iraí Cor-
deiro Guerra Silva, pelo apoio ao projeto.
À professora Carmen Rosa Caldas-Coulthard e ao Professor 
Osmar Domingos de Barros pela colaboração acadêmica.
A Wilma Pimentel de Moraes Carvalho, Rafaela Calixto de 
Oliveira, Ângela Márcia da Cruz Arruda Chaves, Maria Eduarda 
Sussekind Rocha Vieira de Freitas e Paulo Afonso Hernandez, pelo 
apoio logístico e colaboração.
Às médicas, médicos, agentes de saúde, operadoras e operado-
res do Direito da cidade de Jaraguá, pelas entrevistas concedidas.
À juíza de direito, presidenta do Fórum da Comarca de Jara-
guá-GO, Mariana de Azevedo Lima, pela autorização de acesso aos 
processos da Lei Maria da Penha.
Prefácio
No momento em que escrevo este texto, discuto com minhas 
colegas da Universidade Federal de Santa Catariana um caso recen-
temente ocorrido com uma aluna de Pós-Graduação do curso de 
Pedagogia que foi agredida por seu namorado, professor e chefe do 
Departamento de Ciências Humanas da Faculdade de Educação, e 
ironicamente, membro de um Comitê de Ética da mesma institui-
ção. Ela relata: 
“Na noite de quinta-feira (15/11/2012), entre 18h e 22h da 
noite, no apartamento dele, fui agredida. Levei um soco no olho 
esquerdo sem motivo”. 
Ainda menciona seu medo em relatar o ocorrido devido à sua 
relação de inferioridade com o professor: ela uma aluna, ele um 
acadêmico renomado. Depois de alguma hesitação, no entanto, 
a aluna vai à Delegacia de Mulheres para registrar o Boletim de 
Ocorrência da agressão sofrida. Lá, foi recebida por um agente que 
lhe disse que deveria aprender a se defender sozinha. Em outra de-
legacia, onde também foi dar queixa, o policial que a atendeu, nem 
tinha conhecimento da “Lei Maria da Penha”. 
Ao denunciar seu caso para suas e seus colegas estudiosas/os 
das relações de gênero da UFSC, a aluna, que também é jornalista, 
expressa sua indignação ao dizer: “Comprovei que mulheres fra-
gilizadas são muito maltratadas pelo sistema e, por isso, sentem-se 
intimidadas e relutam em seguir com a denúncia”. 
Outros dados salientam ainda mais a imensidade do problema da 
violência de gênero no Brasil: números do Anuário das Mulheres Bra-
sileiras 2011, divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e 
pelo Dieese, mostram que quatro entre cada dez mulheres brasileiras 
já foram vitimas de violência doméstica (http://www.brasil.gov.br/so-
bre/saude/saude-da-mulher/violencia-contra-a-mulher).
Ainda, de acordo com o Mapa da Violência de 2012 publica-
do pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos e pela 
Faculdade Latino-Americana de Ciências Social, 70 mil casos de 
violência contra mulheres foram registrados no Brasil em 2011. 
Num ranking de 87 países onde as mulheres são mais assassinadas, 
o Brasil se coloca no sétimo lugar. 
O caso mencionado acima, ocorrido entre pessoas supostamente 
educadas, assim como os dados das agências, exemplificam a impor-
tância do presente livro Violência de Gênero, Linguagem e Direito: 
Análise de Discurso Crítica em Processos na Lei Maria da Penha, de 
autoria de Lúcia Freitas com a colaboração de Veralúcia Pinheiro. 
Nesta obra, as autoras conflagram 3 áreas de extrema importân-
cia para os estudos das Ciências Sociais: Discurso, Gênero e Direito. 
Resultado de uma extensa e elaborada pesquisa de campo, Lú-
cia e Veralúcia demonstram que a violência de gênero, ainda impul-
sionada por uma ideologia patriarcal onde a mulher é inferior ao 
homem, é um grande problema em nossa sociedade pós-moderna 
e precisa ser combatida de todas as formas. A obra salienta, de ma-
neira cuidadosa e competente, as interseções entre o fazer, o social, 
as ideologias e os discursos que materializam estas ideologias, prin-
cipalmente as de ordem jurídica.
Como prova o principal argumento que perpassa todo o li-
vro, é pelas estruturas discursivas que as práticas sociais são rea-
lizadas, já que o discurso constitui a realidade e é construído ao 
mesmo tempo por ela. 
Nas Ciências Sociais, muita relevância é dada a fatos e a teorias, 
mas pouco importância é dada à questão linguística e discursiva, 
que estrutura tudo o que é representado no nível do social. 
O principal arcabouço teórico adotado na argumentação do li-
vro provém dos novos estudos críticos do discurso, que pretendem, 
em essência, desconstruir discriminação, exclusão e relações assimé-
tricas. Para a Análise Crítica do Discurso ou Análise de Discurso 
Crítica, como denominam as autoras, a prática linguística é o princi-
pal meio pelo qual os processos sociais operam e não como um con-
junto isolado de significados ou formas textuais A diversidade social 
e institucional é estabelecida e perpetuada através da diversidade no 
uso linguístico, ou nas diferentes “maneiras de falar ou representar o 
mundo”. O enfoque crítico tenta não simplesmente descrever, mas 
também interpretar e explicar diferentes formas de comunicação em 
seus contextos sociais, já que para uma analista crítica do discurso, 
o código linguístico deve ser considerado como parte integrante do 
processo social. A própria análise já é considerada interpretação, pois 
a/o analista faz parte do processo interativo.
As relações de poder, como a violência de gênero, são codifi-
cadas pela linguagem, e causam seu efeito sobre a prática social. 
Como apontam as autoras, o relacionamento entre interação, pers-
pectiva e ideologia, são a principal preocupação da pesquisa que 
tenta abordar as ideologias do fazer legal e das práticas de agressão 
contra a mulher. 
Em suas análises das narrativas de violência, as autoras com-
provam que os textos analisados têm em sua forma discursiva claras 
implicações políticas e ideológicas, as quais refletem posições do/a 
produtor/a textual assim como da instituição legal a que julgam 
finalmente os/as atores/as sociais envolvidos.
O objetivo principal da análise crítica aqui apresentada é o de 
expor a discriminação e os abusos do poder nos discursos da lei 
para que as pessoas

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