DERMATOSES INFLAMATÓRIAS
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DERMATOSES INFLAMATÓRIAS

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1 Geovanna Mourão Pantoja 
DERMATOSES INFLAMATÓRIAS 
ECZEMAS 
Os eczemas ou dermatites eczematosas referem-se a um grupo de dermatoses inflamatórias 
que cursam com prurido, cuja classificação se baseia nos achados clínicos e que possuem etiologia 
variada e polimorfismo das lesões. 
Os eczemas classificam-se em: 
\u2022 Dermatite atópica (eczema atópico). 
\u2022 Eczema de contato. 
\u2022 Eczema numular. 
\u2022 Eczema de estase. 
\u2022 Eczeema disidrótico (pompholyx). 
\u2022 Líquen simples crônico 
 Dermatite Atópica 
A DA tem caráter crônico e recidivante, clinicamente caracterizada por prurido intenso, de 
distribuição clínica peculiar e varia conforme idade do paciente. A DA é uma doença caracteristica 
da infância; cerca de 85% dos pacientes apresentam as manifestações clinicas iniciais nos primeiros 
5 anos de vida e apenas 2% dos casos novos ocorrem acima dos 45 anos de idade. Cerca de 40% dos 
pacientes com DA mantém os sintomas ao longo da vida adulta. Além de sua importância clinica, a 
dermatite atópica é considerada fator predisponente ao aparecimento de asma, presente em até 70% 
dos indivíduos com DA grave. 
Tem etiopatogenia é multifatorial. Há alterações na pele, em que há maior perda transdermica 
de água; no sangue periférico há \u2191 IgE + eosinófilos circulantes. Os queratinócitos participam 
ativamente da deflagração do processo inflamatório na DA por meio da produção de citocinas e 
quimiocinas. Essas moléculas são liberadas como consequência do trauma fisico ou da inflamação de 
base. Os queratinócitos são fonte de TNF-alfa e de GM·CSF, que exerce um papel fundamental para 
a sobrevivência dos monócitos e células de Langerhans. Na DA, há aumento da produção de GM-
CSF, e os queratinócitos, quando estimulados com IFN-alfa e TNF-alfa, produzem níveis elevados 
de Rantes (CCLS), o qual, por sua vez, promove a quimiotaxia de eosinófilos. 
Somado a isso, é relatado que os atopicos tem maior quantidade de Staphylococcus aureus na 
pele que a poulação geral, bem como muitos apresentam alergia a alimentos (ovos, leite, amendoim, 
soja, trigo, peixe e nozes) e alérgenos aéreos. A influência dos fatores emocionais no 
desencadeamento da dermatite atópica é incontestável, com grande perda da qualidade de vida do 
atópico e de sua familia. Na DA, a condição da pele mostra correlação com ansiedade, tensão, estresse 
interpessoal, depressão, frustração e agressão. Cerca de 40 a 70% dos doentes de DA citam o fator 
 
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emocional como um desencadeante da crise. Ainda, alterações do sono, ocasionadas pelo prurido 
noturno, geram ruptura da dinâmica familiar e escolar. 
\uf0e0Quadro clínico 
O prurido e a xerose cutânea são clássicos nos pacientes. Hanifin e Rajka, em 1980, 
estabeleceram critérios para o diagnóstico da DA. Esses autores dividem os critérios em duas 
categorias: maiores e menores. De acordo com essa classificação, são necessários três ou mais 
critérios maiores e ao menos três critérios menores. 
 
As apresentações clínicas variam conforme a idade: 
- Fase do lactente: as lesões iniciam-se a partir de 2 meses de vida; caracterizam-se por 
xerose, eritema, vesiculas e pápulas (fase exsudativa), seguidas de crostas e descamação. As áreas 
mais afetadas são: face (poupando o maciço centrofacial), couro cabeludo, pescoço, tronco e 
superficies extensoras dos membros. 
- Fase infantil: há prevalência de eritema, exsudação, vesiculação nas fases agudas e a 
liquenificação nas fases crônicas. Formas numulares ou liquenoides podem surgir. A topografia típica 
são as áreas de flexuras (especialmente os cavos antecubitais e popliteos), as nádegas e a raiz posterior 
das coxas. 
- Adolescente e adulto: predominam lesões em diversas fases do eczema em flexuras, couro 
cabeludo, pescoço, tronco superior; dermatite de mãos e pés, lesões palpebrais e nos punhos e 
tornozelos e eczema mamilar também podem estar presentes. Alguns padentes inidam a DA apenas 
na idade adulta. Além do quadro eczematoso, podem surgir infecções bacterianas (piodermites), que 
 
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se manifestam por surgimento de pústulas, critema e cxsudação das lesões ceczematosas. lnfecçõcs 
virais também são frequentes, como o herpes simples (erupção variceliforme de Kaposi) e o poxvirus 
(molusco contagioso). Quadros graves podem se apresentar como eritrodermias. Envolvimento 
ocular, incluindo dermatite das pálpebras e blefarite 
crónica e culminando com ulceração de córnea, pode levar 
a um comprometimento grave. 
 
 
\uf0e0Diagnóstico 
Anamnese e quadro clínico. Não há marcadores laboratoriais que identifiquem a doença. 
\uf0e0Tratamento 
- Hidratação: visa à umectação do estrato córneo e à estabilização da função da barreira epidérmica. 
Os principais fatores agravantes para a xerose no atópico incluem: banhos quentes e prolongados, uso 
excessivo de sabonetes, cmolientcs inadequados, ar-condicionado, poluição aérea, baixa umidade do 
ar, fricção, medicações, estresse e produtos químicos. Recomendam-se banhos rápidos e mornos, 
evitando-se o uso de sabões com fragrâncias e corantes. A aplicação dos emolientes deve ser realizada 
logo após o banho, com a pele ainda úmida. 
 - Corticosteroides tópicos: é fundamental esclarecer o tipo de corticosteroide ideal para o local 
afetado, a frequência e a duração do tratamento. A região genital é o local de maior absorção da 
corticoterapia (200 vezes maior que o tronco e as extremidades), mas a face e as regiões flexuras 
também apresentam elevadas taxas de absorção; nesses locais, recomenda-se a utilização de 
corticosteroides de baixa ou média potência 
- imunomodulares tópicos (inibidores da calcineurina): o pimecrolimo pode ser indicado a partir dos 
3 meses de vida e com única apresentação cm creme a 1 %. O tacrolimo é indicado a partir dos 2 anos 
de idade, sendo veiculado cm pomadas a 0,03% (uso pediátrico) e 0,1% (uso cm maiores de 15 anos). 
Ambos devem ser aplicados duas vezes/dia. Por serem célula-seletivos, apresentam menores riscos 
 
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de efeitos colaterais com relação à corticoterapia, e podem ser utilizados com eficiência na face e em 
outros locais com elevada absorção de corticosteroides (genitais e mucosas). O pimecrolimo está 
indicado para tratamento das lesões leves a moderadas, enquanto o tacrolimo pode ser indicado 
também nas lesões graves. Devem ser aplicados ao primeiro sinal das lesões cutâneas. Os principais 
efeitos colaterais locais referidos foram ardor e prurido, reduzidos após os primeiros dias de 
aplicação. 
- Eliminar fatores desencadeantes 
- Imunossupressão sistêmica 
 Eczema de contato 
Eczema de contato ou dermatite eczematosa de contato é uma dermatose causada por agente 
ou substância exógena em contato com a pele ou mucosa. As lesões podem se apresentar clinicamente 
como eczema agudo, subagudo ou crônico. Os eczemas de contato classificam-se, segundo aspectos 
clínicos e etiopatogênicos, em dermatite de contato por irritação primária (DCIP) e dermatite de 
contato (DC) por sensibilização. 
A DCIP é uma resposta inflamatória da pele a vários estímulos externos. Resulta da ativação 
da imunidade inata mediante a injúria da pele, sem sensibilização prévia, com alterações da 
integridade da barreira cutânea, alterações celulares e liberação de mediadores pró-inflamatórios. 
Após a exposição ao irritante primário, há alteração da barreira epidérmica, com liberação de 
mediadores pró-inflamatórios, como IL-1 e TNF-alfa, e consequente estimulação de outras citocinas 
e quimiocinas por queratinócitos, fibroblastos e células endoteliais, presença de moléculas de adesão 
nas células endoteliais e recrutamento de leucócitos com perpetuação da inflamação. 
A DCIP é provocada, em geral,