Avaliação Mediadora Jussara hoffman
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Avaliação Mediadora Jussara hoffman


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HOFFMAN, Jussara. Avaliação Mediadora, Uma prática em construção da pré-escola à universidade.
Há a questão da melhoria da qualidade de ensino e da avaliação classificatória. Superar a pratica tradicional hoje em dia é uma tarefa difícil de pensar na avaliação classificatória como garantia na melhoria de qualidade do ensino.
As escolas demonstram medo quando tratam de inovações da avaliação, pois essas mudanças acabam gerando as principais criticadas da sociedade em relação à educação (medo de uma avaliação fraca). A realidade atual das nossas escolas não pode ser considerada como competente, uma vez que não atende adequadamente os alunos que recebe. Em muitas escolas públicas ocorrem sempre os mesmos casos: Muitas turmas, sala superlotada, e ao final de cada ciclo muita \u201cevasão e retenção\u201d.
A autora cita o acesso a todas as crianças no ensino fundamental e critica a reprovação por meio de avaliação classificatória, pois para ela o professor exige critérios rígidos de aprovação. A crítica é ao ensino e as condições sócio educacionais da rede pública como um todo. O educador deve ter o comprometimento de manter o aluno na escola, favorecendo o acesso ao saber, dando continuidade aos estudos. É necessário perceber que a educação é um direito da criança e ela precisa reivindicar uma escola com qualidade.
Pensando de forma saudosista (tradicional), o ensino nos leva a uma concepção elitista, ou seja, que nega as diferença dos alunos e tenta sistematizar a educação. Não podemos negar o modo multicultural do o \u201cviver\u201d dos alunos, pois limitaremos a nossa ação pedagógica.
Hoje uma boa escola entende que deve trabalhar pelos alunos, encaminhando-os para o desenvolvimento e trabalhando por uma educação igualitária, acolhendo a todos em sua realidade concreta. A inovação a respeito da aplicação de provas e atribuição de notas é a maior expectativa dos educadores que sentem sua pratica (tradicional) pouco coerente com a realidade dos alunos.
A sociedade reage de forma negativa às mudanças de paradigmas e ao fim do sistema tradicional de avaliação, porque todos estão acostumados a esse modelo de ensino (a mudança gera insegurança). O projeto de \u201cProgressão Continuada\u201d surgiu devido aos altos índices de evasão e retenção de alunos. O objetivo não foi extinguir a avaliação, ao contrário, o professor deve sim avaliar o rendimento e desenvolvimento escolar de seus alunos, mas não com a finalidade de reprová-lo.
A proposta de progressão tira o compromisso de aplicar avaliações apenas pela obrigação de ter uma nota no fim do bimestre, isso trás um grande choque para os professores que utilizam a avaliação como ferramenta de autoridade (intimidam o aluno a partir da nota), pois eles sentem que perdem parte de sua autoridade em sala, já que o aluno sabe que não vai \u201crepetir de ano\u201d.
Para professores tradicionais as provas e notas são \u201credes de segurança\u201d para o trabalho docente, e essa ideologia já está impregnada no sistema de ensino. Se esse paradigma de qualidade escolar a partir de notas classificatórias não mudar nunca nos focaremos no verdadeiro objetivo da escola, que é \u201ceducar\u201d.
O sucesso do aluno na escola tradicional representa o seu desenvolvimento máximo possível? Não, pois há várias contradições nesse modelo de avaliação, e o maior exemplo disso é quando alunos tachados de \u201cruins\u201d tornam-se excelentes profissionais, enquanto outros alunos \u201cexcelentes\u201d não conseguem se encaixar na sociedade e no mercado de trabalho.
O que a autora pretende nos mostrar é que o sucesso alcançado por alguns alunos em escolas tradicionais tem a ver a \u201cmemorização\u201d, estudar apenas para passar nos exames, depois a maior parte do aprendizado acaba sendo esquecido. Essa memorização não agrega significado algum ao longo da vida do aluno, por isso é descartada.
As crianças e adolescentes frequentam a escola por imposição, seja de pais ou do Estado, e a escola muitas vezes acaba sendo insignificante para as suas vidas, pois não trabalha com o que eles entendem, não faz sentido na \u201cvida real\u201d do aluno.
No construtivismo a aprendizagem alcançada pela criança se da a partir da convivência com o meio, e a escola da essa oportunidade. O termo tratamento de qualidade é interpretado, então, de diversas maneiras, uma na qualidade que se confunde com \u201cquantidade\u201d, e outra, na perspectiva mediadora, onde se busca desenvolver o máximo possível do aluno.
Sendo assim, o objetivo de uma escola que segue o paradigma construtivista é trabalhar por uma educação significativa, de qualidade, para todos os alunos do país, e não classificá-los e excluí-los, como ocorre no paradigma tradicional.
As charadas da avaliação (p.35 - 54)
A autora inicia o segundo capitulo com uma charada destinada a um grupo de professores, levantando as possíveis respostas. A saber, a charada é: \u201cUma pessoa mora no 18º andar de um prédio de apartamentos, todos os dias desce pelo elevador para ir ao seu local de trabalho, ao final do expediente, retornando para casa, vai pelo elevador até o 13º andar e sobe os demais andares pela escada. Isso se repete todos os dias. Você saberia dizer por quê?\u201d.
Na discussão surgiram várias respostas válidas e lógicas e, um ou dois professores descobrem qual está no livro. É interessante revelar a necessidade dos professores em descobrir a resposta correta e apresentar dúvidas sobre quem descobriu a charada.
Essa situação objetiva uma reflexão sobre a indagação: \u201cpor que o aluno não aprende?\u201d, sendo esta uma das questões mais complexas que a pratica avaliativa propões.
A forma tradicional procura respostas certas, uniformes, objetivas e precisas para perguntas, as quais podem ter várias respostas possíveis e lógicas, semelhantes à charada mencionada anteriormente. Essa situação pode ser comparada ao processo de aprendizagem, no que diz respeito a respostas muito diferentes dos alunos ou apenas um que acerta todas as questões da prova. Usam-se métodos convencionais na avaliação, deixando de refletir sobre como se constrói o conhecimento.
Embora atualmente muitos questionem o método tradicional de avaliação, denunciando suas incoerências, está difícil de acreditar em caminhos possíveis para essa prática que tenham significado. Daí surge à necessidade de se adotar a postura construtivista de educação.
Hoffman nos atenta ao fato de existirem outras razões para o aluno não aprender, e não exclusivamente a desatenção as explicações do professor. Essa situação leva muitos professores a pensarem em sua pratica avaliativa em sala de aula.
De forma tradicional, existem alunos que participam da aula, fazem todas as atividades, são atentos às explicações e alcançam resultados; outros faltam às aulas, não realizam as tarefas, são desatentos e não aprendem. Mas o que nos chama a atenção são situações que fogem da explicação tradicional: alunos agitados que não apresentam dificuldades sérias e alunos que fazem as atividades, são atentos as explicações, \u201ccomportados\u201d, e não aprendem. Para esta ultima situação a culpa é remetida ao professor ou ao aluno, encaminhando o educando a especialistas ou psicólogos.
A autora considera importante discutir os entendimentos sobre os fracassos de aprendizagem, pois as \u201cculpas\u201d sobre tais fracassos podem significar um dos maiores obstáculos a discussão entre professores sobre sua pratica avaliativa. Muitos professores consideram que qualquer assunto pode ser ensinado a qualquer aluno se for transmitido com competência (concepção beharovista) e ainda são responsáveis em elaborar técnicas para motivar o aluno pelo tema de estudo (influencia apriorista).
Nesse contexto o fracasso escolar se torna culpa do professor, pela sua incompetência em transmitir o conteúdo com eficiência e motivar os aluno a aprenderem, o que os torna inaptos a perceberem aquela experiência como foi apresentada.
Essas posturas conservadoras impedem o dialogo entre os professores, e entre professores, alunos e família, não havendo uma reflexão conjunta e o aprofundamento teórico para buscar superar e evoluir nessa situação.