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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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MATTHEW: Espelhos naturais. Talvez o primeiro espelho contivesse uma 
pequena quantidade de água ao redor. Isso é bom.
RUPERT: Continuando com. a idéia de hierarquia, algo importante a res­
peito da organização das holarquias naturais é que elas podem ser pensadas 
como níveis de organização por campos. Chamo esses campos de mórficos, 
os campos que determinam a forma e a organização do sistema. Podemos 
pensar em uma galáxia como tendo seu campo; em um sistema solar como 
tendo seu campo; e em um planeta como tendo seu campo. Os níveis de 
organização inclusiva também são níveis de campos inclusivos. Mesmo sem 
minha teoria a respeito dos campos mórficos, ainda temos a idéia de um 
campo gravitacional galáctico, do campo gravitacional solar que abrange 
todo o sistema solar e faz os planetas girarem ao redor do Sol, e do campo 
gravitacional da Terra mantendo-nos a todos na Terra e fazendo a Lua mo­
ver-se na sua órbita. Também existem os campos magnéticos da galáxia, do 
Sol e da Terra, e seus campos elétricos relacionados. Mesmo se apoiássemos 
as concepções limitadas sobre campos até então disponibilizadas pela ciên­
cia, perceberíamos a existência de hierarquias aninhadas de campos, ou uma 
holarquia de campos.
Dionísio, o Areof agita 45
O mesmo acontece com os campos eletromagnéticos no interior de um 
cristal: dentro do campo do cristal estão os campos moleculares; dentro 
destes, os campos atômicos, os campos dos elétrons e o núcleo atômico. 
Esses não são apenas campos eletromagnéticos, mas campos de matéria 
quântica.
A concepção moderna de campos tem substituído, de várias maneiras, 
a concepção tradicional das almas como entidades organizadoras invisíveis. 
Até o século XVII, mesmo a eletricidade e o magnetismo eram descritos em 
termos de almas, estendendo-se invisivelmente além do corpo magnética ou 
eletricamente carregado e capaz de atuar a distância.
Os campos são uma forma contemporânea de pensar a respeito dos 
princípios organizadores invisíveis da natureza. Historicamente, esses prin­
cípios organizadores invisíveis eram vistos como almas. A alma do universo, 
o anima mundi, tem sido substituída pelo campo gravitacional. A alma mag­
nética tem sido trocada pelo campo magnético, e a alma elétrica, pelo campo 
elétrico. As almas vegetativas de plantas e animais, as almas organizadoras 
do crescimento do embrião e do corpo têm sido trocadas na moderna bio­
logia desenvolvimentista pelos campos morfogenéticos. A alma animal pode 
ser substituída pelos campos do instinto e do comportamento, e nossa ativi­
dade mental pode ser entendida em termos de campos mentais.
MATTHEW: Deixando de lado a idéia de que a alma está no corpo, vamos 
simplesmente dizer que o corpo está na alma. A que distância, quão próximos 
do horizonte nossos campos de alma podem vagar? Em outras palavras, nos­
sos pensamentos, nossas esperanças, nossos sonhos, nossas paixões, nosso 
conhecimento? De alguma maneira, tudo sobre o que estamos falando está 
encapsulado em nosso campo de alma. Só podemos falar sobre o que sabemos 
ou sobre o que imaginamos que sabemos, e assim nossos campos, ou seja, 
nossas almas, estão crescendo de varias maneiras, conforme alcançamos os 
perímetros do universo. Então, podemos dizer que há um despertar do cam­
po humano. Estamos renunciando à pequenez da alma circunscrita à glându­
la pineal ou ao córtex cerebral que a Era Moderna dispensou a ela enquanto 
dinâmica “encapsuladora”, a consciência de tudo que podemos saber.
RUPERT: Eu con cord o . Acredito que nosso conhecimento não se disten­
de de nosso cérebro para incluir aquilo que percebemos, aquilo que experi-
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m entam os e aquilo sabem os. N ossos cam p os m entais são m uito m ais vastos 
que nosso cérebro e, con form e nossas co n cep çõ es se am pliam e se esten ­
dem , con form e nosso senso do cosm o se alarga, nossos cam pos se to m am 
cósm icos p o r extensão.
Na m edida em qu e co n ceb em os os an jos com o holarqu icam ente orga­
nizados, talvez possam os vê-los com o associados a cam pos de an jos. O s 
p róprios an jos poderiam ser pensados com o um a m anifestação singular da 
atividade desses cam pos, assim com o os fótons são u m m eio particu lar de se 
pensar a atividade, a energia, carregada nos cam pos eletrom agnéticos,
Então , os seres angélicos, assim com o os seres qu ânticos, podem ter um 
aspecto duplo, u m aspecto repartido qu e tenha relação co m a região de ati­
vidade na qual eles atuam , e m anifestações com o qu an ta de atividade.
MATTHEW: D e algum a form a estam os falando sobre fóton e cam po se 
u nin d o na luz. Luz angelical.
RUPERT: E o papel tradicional deles é o de in tercon ectores, de m ensa­
geiros. O próp rio nom e an jo deriva desse significado de “m ensageiro”. E n ­
tão, são coisas que se con ectam ; e conectar-se é o que os cam pos fazem.
MATTHEW: E , co m o m ensageiros, é op ortu no que este jam retornando 
em nosso tem po, já que estam os redescobrind o o co n ceito de universo re­
con h ecid o com o interconectiv idade.
Q u and o o u niverso passou a ser co n ceb id o com o desconectad o ou iso­
lado, os an jos tiveram de sair de férias. U m a vez que sua p rin cip al tarefa é 
con ectar e in terconectar, não havia m u ito o que eles pu dessem fazer dentro 
da engrenagem do m u ndo.
E u gosto da idéia de an jo com o conector. Reza a tradição que alguns se 
co n ectam em term os de co n h ecim en to e orientação, alguns em term os de 
cura, alguns em term os de defesa e alguns em term os de insp iração. Então 
faz sen tid o , no m om en to em que estam os redescobrind o a in tercon ectiv id a­
de, que esses an jo s, que p arecem co n ectar u m pólo da relação a outro, ve­
n h am a en co n trar u m a grande oferta de em pregos. D everíam os pendu rar 
u m aviso: PRECISA-SE DE ANJOS. Existe m u ito trabalho para os an jos em u m 
período de in terconectiv id ad e.
RUPERT: E é claro que a in terconectiv id ad e dentro de u m cam po não é 
u m processo u nilateral. Se eu tiver u m grande ím ã co m u m cam po m agné-
Dionísio, o Areopacjita 47
tico forte e colocar um ímã menor próximo dele, o campo do ímã maior 
tanto influenciará quanto será influenciado pelo campo do ímã menor. Se eu 
mover o ímã menor, ele afetará o campo todo.
MATTHEW: Agora temos uma boa analogia para a hierarquia ou holar- 
quia salutar. Existe uma influência mútua, em que o grande ímã não está 
apenas dizendo ao pequeno o que fazer, mas há intercâmbio.
RUPERT: A gravidade, mesmo de acordo com Newton, age sob esse prin­
cípio. Toda matéria atrai qualquer outra matéria no universo. Acreditamos 
que exista uma conexão mútua, e não apenas uma influência unilateral. 
Seguindo Einstein, agora entendemos essa interconectividade mútua como 
diretamente mediada por campos gravitacionais, todos contidos dentro do 
campo gravitacional do universo, o campo universal.
Na medida em que, como seres diretamente mediados por mensageiros 
ou conexões invisíveis - ou anjos - , pensamos sobre quaisquer coisas que 
nos afetem; então, algo do que nos está sucedendo e do que está acontecen­
do ao mundo será transportado através do campo angélico para níveis mais 
inclusivos de organização, para campos mais inclusivos de consciência.
MATTHEW: A imagem, dos campos é muito mais profícua para mim do 
que a imagem básica que temos de uma escada. Um campo é tridimensional.
RUPERT: Os anjos atuam em campos de atividade, coordenando e co­
nectando. Os corpos materiais são mutuamente exclusivos - não é possível 
ter duas bolas de bilhar no mesmo lugar ao mesmo tempo mas os campos 
podem se interpenetrar. Por exemplo, a sala onde estamos está preenchida 
pelo campo gravitacional da Terra, e por isso não estamos flutuando. Inter­
penetrando