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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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o campo gravitacional está o campo eletromagnético, através do 
qual podemos nos ver um ao outro, e que também está repleto de ondas de 
rádio, transmissões de TV, raios cósmicos, raios ultravioletas e infraverme­
lhos, todos os tipos de radiações invisíveis, Estas também não interferem 
uma na outra. Só haverá interferência mútua se as ondas de rádio estiverem 
na mesma frequência. Mas todos os programas de rádio e TV no mundo 
podem coexistir, interpenetrando o mesmo espaço sem eliminar ou negar 
um ao outro. Mesmo que tomemos apenas os campos que a ciência ortodo­
xa reconhece atualmente - campos de matéria quântica, campos eletromag­
néticos e campos gravitacionais - todos eles se interpenetram. E, assim, a
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idéia de assemelhar anjos e campos nos permite entender como essas enti­
dades também podem se interpenetrar.
MATTHEW: O que eu gosto na palavra campo é o fato de ser um termo 
usado no dia-a-dia. A palavra campo remete a uma sensação de espaço. Pa­
rece um convite à brincadeira: podemos brincar no campo. Além disso, seres 
vivos crescem nos campos. Um campo é generativo; é um local de vida e 
atividade. Também diz respeito a ter os pés no chão. É matéria, é terra, é a 
vida borbulhando de cima a baixo. É uma deferência aos chakras inferiores. 
Acredito que os campos são uma metáfora maravilhosamente rica para tra­
zer os anjos para a terra, e ainda são tridimensionais. Então, quero exaltar a 
palavra campo em sua conotação não científica. Ela também nos exprime a 
idéia de algo cotidiano e de boas-vindas.
Também podemos redescobrir o significado da palavra receptivo. De 
certo modo, um campo é um espelho. Ele atrai a luz e a converte em vida, 
por meio da fotossíntese, e em alimento. Coisas maravilhosas vêm dos cam­
pos. Obviamente, todos os alimentos vêm dos campos. Pastagens, pomares, 
locais de brincadeira e jogos com bola. Gaia é um estádio. Ela convida as 
pessoas a brincar.
Ontem, aqui em Londres, estava observando jogadores de futebol chu­
tando a bola no Regent's Park, e me ocorreu que Gaia não é apenas terra - 
Gaia é essa criatura de duas pernas com a bola de borracha, jogando sobre 
a terra. Mas, para praticar esse jogo, é preciso ter campos. E o que são os 
relacionamentos, o que é um casamento senão um esforço para criar um 
campo? O que é um lar senão um campo? Crianças, trazer novos seres ao 
mundo e levar aqueles que morrem, e tudo o que se passa nesse ínterim. Isto 
é viver a vida nos campos, os campos da interconectividade.
RUPERT: Quando Faraday usou a palavra campo pela primeira vez na 
ciência, estava usando uma palavra comum que já continha em si todas essas 
implicações. O principal significado é campo agrícola, e isso dá origem ao 
sentido geral de campo como região de atividade, como “campo de batalha”, 
“campo de interesse” e “campo de visão”. Um campo é um lugar onde faze­
mos alguma coisa. Para abrir campos, em geral os primeiros agricultores ti­
veram de derrubar árvores para então plantarem nos espaços livres. Se parar­
mos de cultivar os campos, se abandonarmos a atividade agrícola, os campos
Dionísio, o Areopagita 49
voltarão a ser florestas, tanto como na Nova Inglaterra. Então, teremos um 
outro tipo de campo, o campo natural e auto-organizador da floresta.
Participação e revdaçao
Portanto, todas as coisas compartilham daquela providência 
que jorra da fonte divinizada superessencial nelas contida; 
para eles [seres celestiais] não seria assim, a menos que tives­
sem surgido por meio de sua participação no princípio essen­
cial de todas as coisas.
Todá as coisas inanimadas participam Dele por meio de sua 
existência; pois o “ser” de todas as coisas é a divindade acima 
do Ser propriamente dito, da vida verdadeira. As coisas vivas 
participam de Seu poder de dar a vida acima de toda vida; as 
coisas racionais participam de Sua perfeita e preeminente sabe­
doria acima de toda razão e intelecto.
Fica claro, por conseguinte, que essas naturezas que estão ao 
redor do Ente Supremo participaram Dele de várias maneiras. 
Assim, as categorias sagradas dos seres celestiais estão presentes 
e participam do princípio divino em um grau que ultrapassa 
todas aquelas coisas que simplesmente existem, as criaturas vi­
vas irracionais e os seres humanos racionais. Por modelarem 
eles mesmos de modo compreensível a imitação de Deus, por 
assemelharem-se de forma sobremundana à divindade suprema, 
e por desejarem compor a aparência intelectual Dele, [os seres 
celestiaisl naturalmente têm uma profusa comunhão com Ele; 
e, com a atividade incessante que eles eternamente elevam ao 
máximo, até quanto for permitido, por meio do ardor de seu 
inabalável amor divino, recebem a radiância básica de modo 
puro e não-material, adaptando-se a isso no decurso de uma 
vida completamente intelectual.
Assim, consequentemente, são eles que participam em pri­
meiro lugar e das mais variadas formas na Divindade, e revelam
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primeiramente, e de várias maneiras, os mistérios divinos. As­
sim, eles, acima de tudo, são preeminentemente merecedores do 
nome anjo porque primeiro recebem a luz divina, e por meio 
deles são transmitidas a nós as revelações que estão acima de 
nós [...]
Agora, se alguém disser que Deus tem se mostrado sem inter­
mediário a certos homens santos, deixa-o saber, sem dúvida, a 
partir das Escrituras Sagradas, posto que homem algum jamais 
viu, nem verá, o Ser oculto de Deus; mas Deus tem se mostrado, 
de acordo com as revelações que Lhe convêm, a seus servos fiéis 
em visões sagradas apropriadas à índole do vidente.
A teologia divina, na plenitude de sua sabedoria, acertada- 
mente emprega o nome teofania para a contemplação de Deus e 
mostra a semelhança divina, idealizada em si mesma como uma 
semelhança na forma daquele que não tem forma, através da 
edificação daqueles que contemplam o Divino; tanto quanto 
através Dele uma luz divina é emitida sobre os videntes, e eles 
são iniciados em uma participação das coisas divinas.
De acordo com essas visões divinas, nossos veneráveis ante­
passados foram instruídos pela mediação das forças celestiais. 
Não está dito nas Escrituras que a lei sagrada foi dada a Moisés 
pelo próprio Deus para nos ensinar que nela se espelha a lei 
divina e sagrada? Além disso, a teologia sabiamente ensina que 
ela nos foi comunicada pelos anjos, como se a autoridade da lei 
divina decretasse que os segundos deveriam ser guiados até a 
majestade divina pelos primeiros [...] Dentro de cada hierarquia 
existem categorias e poderes principais, intermediários e finais, 
e os mais altos são instrutores e guias dos mais baixos no cami­
nho para a aproximação, iluminação e união divinas.
Entendo que os anjos também foram primeiramente inicia­
dos nos mistérios divinos de Jesus em seu amor pelo homem, e 
por meio deles o dom desse conhecimento nos foi outorgado: 
pois o divino Gabriel anunciou a Zacarias, o alto sacerdote, que 
um filho seu nasceria pela graça divina, quando ele não mais
Dionísio, o Ar eo-p agita 51
tinha esperança de tê-lo, e que seria um profeta daquele Jesus 
que manifestaria a união das naturezas humanas e divinas por 
meio dos preceitos da boa lei para a salvação do mundo; e reve­
lou a Maria como dela nasceria o mistério divino da inefável 
Encarnação de Deus.
Outro anjo ensinou a José que a divina promessa feita a seu 
antepassado Davi seria perfeitamente cumprida. Outro levou 
aos pastores as boas novas, bem como àqueles purificados pelo 
desprendimento silencioso de outros tantos, e com ele uma 
multidão de anjos emitiu nosso hino de adoração frequente­
mente cantado a todos os habitantes da Terra.3
MATTHEW: A participação é um dos conceitos importantes no trabalho 
de Dionísio, e eu acho que ainda é uma palavra importante; na verdade, ela 
certamente faz parte do pensamento do novo paradigma, indo