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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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para permitir que a realidade, a beleza e a graça sobressaiam.
A união entre participação e revelação traz de volta um pouco daquele 
caráter dinâmico. Tudo o que é verdadeiramente revelador é empolgante. 
Desperta.
Dionísio, o Areopogita
Os diferentes tipos de anjos
Os nove coros de anjos, de acordo com a classificaçao de Dionísio:
PRIMEIRA ORDEM 
Serafins 
Querubins 
Tronos
SEGUNDA ORDEM 
Dominações 
Virtudes 
Potestades
TERCEIRA ORDEM 
Principados
Arcanjos
Anjos
isento diurno para o 0çr
Empíreo
As esferas celestiais associadas às ordens angelicais na classificação de Dionísio.
A primeira ordem
Os estudiosos hebreus nos dizem que o nome sagrado serafins 
quer dizer “aqueles que acendem ou aquecem”, e que queru­
bins denota abundância de conhecimento ou uma torrente de
56 A FÍSICA DOS ANJOS
sabedoria. É justo, portanto, que essa primeira hierarquia ce­
lestial seja administrada pelas naturezas mais transcendentais, 
já que ocupa o lugar de maior exaltação entre todas as outras, 
estando imediatamente presente com Deus; e, por causa de sua 
proximidade, para essa ordem são mostradas as primeiras re­
velações e perfeições de Deus antes das demais. Por esse moti­
vo são chamados “os incandescentes”, “caudais de sabedoria”, 
“tronos”, para ilustrar sua natureza divina.
O nome serafins claramente indica sua eterna e incessante 
rotação em torno dos princípios divinos, seu calor e vivacida­
de, a exuberância de sua atividade intensa, perpétua e incansá­
vel, e sua assimilação elevatória e energética daqueles que se 
econtram embaixo, incendiando-os e inflamando-os com o 
próprio calor, e purificando-os completamente com uma cha­
ma ardente e que a tudo consome; e pelo poder categórico, 
inextinguível, imutável, radiante e iluminador, dissipam e des­
troem as sombras da escuridão.
O nome querubins denota seu poder, seu conhecimento e 
sua contemplação em Deus, sua receptividade do mais elevado 
dom de luz, sua contemplação da beleza de Deus em sua pri­
meira manifestação, e mostra que eles estão repletos de parti­
cipação na sabedoria divina e a servem generosamente, desde 
sua própria fonte de sabedoria, àqueles que se encontram abai­
xo deles.
O nome dos tronos mais gloriosos e exaltados revela que 
cada um deles está isento e livre de qualquer base ou coisa 
terrena, e que sua escalada supraterrestre sobreleva os pontos 
mais íngremes. Pois estes não pertencem ao mais baixo, mas 
reinam no poder mais pleno, inflexível e perfeitamente estabe­
lecidos no mais alto, recebem a imanência divina acima de 
toda paixão e matéria e manifestam Deus, estando solicitamen­
te abertos às participações divinas [...]4
Portanto, a primeira ordem dos anjos sagrados detém, aci­
ma de todas as outras, a característica do fogo, a profusa parti­
Diorttsío, o Areo-p agita 57
cipação da sabedoria divina e a posse do mais alto conheci­
mento das iluminações divinas; e a características dos tronos, 
os quais simbolizam a abertura para o acolhimento de Deus.5
A seguncfa ordan
Creio que o nome dado às dominações sagradas refere-se a certa 
elevação sem barreiras quanto ao que está acima, a uma liberda­
de em relação a tudo o que há na terra e a toda inclinação inte­
rior à servidão da discórdia, uma superioridade livre da tirania 
cruel, uma libertação do servilismo degradante e de tudo o que 
é vulgar: pois são impassíveis a qualquer contradição. São au­
tênticas dignitárias, sempre aspirando à dignidade e à fonte da 
dignidade, e providencialmente moldam a si mesmas e àqueles 
que estão abaixo delas, tanto quanto possível, à semelhança da 
verdadeira dignidade. Elas não se voltam para as sombras fúteis, 
mas se entregam totalmente à verdadeira autoridade, sempre em 
harmonia com a fonte de dignidade típica de Deus.
O nome das virtudes sagradas significa certa virilidade podero­
sa e inabalável jorrando em todas as suas energias análogas às de 
Deus; não ser fraco e frágil para a recepção das Iluminações divi­
nas a elas transmitidas; estrutura ascendente na plenitude de po­
der para uma assimilação com Deus; nunca se desprender da vida 
divina por causa de sua própria fragilidade, mas ascender firme­
mente à virtude quintessencial que é a fonte da virtude: moldar-se 
o máximo possível em virtude; voltar-se perfeitamente para a fon­
te da virtude e afluir providencialmente na direção daqueles que 
estão abaixo delas, enchendo-os copiosamente de virtude.
O nome das potestades sagradas, co-igual às dominações e 
às virtudes divinas, significa uma ordem bem organizada e ir­
restrita nas recepções divinas, e a regulação do poder intelec­
tual e supramundano que nunca rebaixa sua autoridade por 
força tirânica, mas é irresistivelmente impelido para a frente na
58 A FÍSICA DOS ANJOS
devida ordem para o Divino. Guiam caridosamente, tanto 
quanto possível, aqueles que estão abaixo delas para o poder 
supremo que é a fonte da potestade, que se manifesta depois à 
maneira dos anjos nos níveis bem ordenados de seu próprio 
poder peremptório.6
A terceira ordem
O nome dos principados celestiais se refere à sua magnificência 
e peremptoriedade, parecidas com as de Deus, em uma ordem 
que é santa e a mais adequada aos poderes principescos; ao fato 
de serem totalmente voltados para o Príncipe dos Príncipes, de 
guiarem os outros em modelos principescos e de serem forma­
dos, tanto quanto possível, à semelhança da fonte do principa­
do, revelando sua ordem quintessencial pela boa ordem dos po­
deres principescos.
O coro dos arcanjos sagrados está alocado na mesma tríplice 
ordem que os principados celestiais; pois, como já foi dito, 
existe uma hierarquia e uma ordem que os incluem e aos anjos. 
Mas, como cada hierarquia tem categorias principais, interme­
diárias e finais, a santa ordem dos arcanjos, por causa de sua 
posição intermediária, participa nos dois extremos, juntando- 
se aos principados mais sagrados e aos santos anjos [...]
Pois os anjos, como dissemos, ocupam e completam o coro 
mais baixo de todas as hierarquias das inteligências celestiais, 
uma vez que são os últimos dos seres celestiais dotados de na­
tureza angélica. E eles, de fato, são chamados por nós mais 
apropriadamente de anjos porque o seu coro está em contato 
mais direto com as coisas mundanas e manifestas.
Miguel é chamado Senhor do povo de Judá, e outros anjos 
sâo designados para outros povos [...] Há um governante de 
todos, e a ele os anjos que servem cada nação orientam seus 
seguidores [...] O faraó teve uma revelação através de visões
Dionísio, oAreopagita 53
pelo anjo que assistia aos egípcios, e o príncipe da Babilônia 
viveu a mesma experiência por seu próprio anjo, o poder vigi­
lante e supra-reinante da Providência. E, para essas nações, os 
servos do Deus verdadeiro foram apontados como líderes, ten­
do sido a interpretação das visões angélicas relevada por Deus 
por intermédio dos anjos aos homens santos próximos dos an­
jos, como Daniel e José [...]
Há uma Providência quintessencialmente estabelecida aci­
ma de todos os poderes visíveis e invisíveis, e todos os anjos 
que governam as diferentes nações elevam para essa Providên­
cia, seja por seu próprio princípio, até onde seu poder pode 
alcançar, aqueles que os seguem de boa vontade.7
MATTHEW: Vimos anteriormente que Dionísio contou um número as­
tronômico de anjos, mas também se empenhou em classificã-los, categorizá- 
los, colocá-los em grupos. Dionisio não foi o único a fazer isso. Santo Am- 
brósio tinha uma lista de nove tipos de anjos; São Jerônimo, sete; São 
Gregório, o Grande, nove; Santo Isidoro de Sevilha, nove. Moisés Maimôni- 
des, na Idade Média, tinha dez; São João Damasceno, nove; Dante tinha 
nove. São Tomás de Aquino seguia a classificação de Dionísio.
Parece que esses esforços para categorizar os anjos são, na verdade, es­