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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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um padrão 
mais sutil,
RUPERT: O padrão claramente tem a ver com forma e ordem, e isso é algo 
que os campos dão à natureza. Os campos dão forma, ordem e padrão às coi­
sas. Podemos dizer que o aspecto padronizado do divino, refletido na nature­
za, corresponde ao princípio do Logos na Santíssima Trindade. Essa ação pa­
Dionísioj o Areopagíta 63
dronizada é como Dionísio entende a maneira com que os querubins se dão a 
conhecer: tem a ver com conhecimento, sabedoria e ordem. Os serafins têm 
que ver com. luz e candência, com energia. São, assim, os transmissores do 
aspecto dinâmico da Santíssima Trindade, do Espírito Santo, correspondendo 
ao vento, à respiração, à vida, à luz, ao movimento e à inspiração.
Na ciência moderna, temos campos, quê fornecem padrões; e energia, 
que provê realidade, movimento e ação. Dionísio vê os querubins como a face 
dos padrões e da sabedoria, e os serafins como a face do ardor e da incandes­
cência dos princípios fundamentais subjacentes ao mundo manifestado.
MATTHEW: É interessante que os serafins venham em primeiro lugar, o 
Eros, o fogo, a energia. Isso corresponde ao primeiro chakra. E também ve­
rificamos isso na primeira história do Gênesis: o princípio da ordenação se 
realiza depois de já haver energia fluindo, desordem. À luz do que você está 
falando, é interessante analisar novamente como ele descreve os serafins em 
termos de “sua eterna e incessante rotação [...] calor e vivacidade, a exube­
rância de sua atividade intensa, perpétua e incansável [...] inflamando [...] 
poder inextinguível, imutável, radiante e iluminador, dissipam e destroem 
as sombras da escuridão.”
Esta é uma descrição incrível da energia, não é? Mas é interessante que 
a sabedoria na tradição judaica não seja identificada apenas com o Logos; na 
verdade, é bem diferente dele. É Eros. Como diz o Livro da Sabedoria: “Isso 
é sabedoria, amar a vida”. Não apenas conhecê-la, mas amá-la.
A sabedoria concilia Logos e Eros, o padrão e a energia. Por si mesmo, 
Logos pode se tornar conhecimento, mas, juntos, creio que possam produzir 
sabedoria.
Há, portanto, uma fonte de luz para tudo o que é iluminado, ou 
seja, Deus, que por sua natureza é verdadeira e corretamente a 
essência da luz, e a causa de ser e da visão. Mas está disposto 
que, na imitação de Deus, cada uma das categorias mais altas de 
seres é a fonte contínua para aquela que a segue; desde que os
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raios divinos sejam passados através dela às outras. Por essa ra­
zão, os seres de todas as categorias angélicas consideram, natu­
ralmente, a ordem mais alta das inteligências celestiais como a 
fonte, depois de Deus, de todo o conhecimento sagrado e imita­
ção de Deus, porque, por meio delas, a luz do Deus supremo é 
concedida a todos e a nós. A partir dessa explicação, em imitação 
de Deus, eles atribuem todos os trabalhos sagrados a Deus como 
a causa suprema, mas às primeiras inteligências divinas como os 
primeiros reguladores e transmissores das energias divinas.
As ordens inferiores de seres celestiais também participam 
desses poderes ardentes, sábios e receptivos a Deus, mas em 
um nível mais baixo; e, voltando-se àqueles mais abaixo deles, 
tidos como merecedores da imitação primária de Deus, os ele­
va, tanto quanto possível, à semelhança de Deus [,..]8
Devemos perguntar, na primeira explicação das formas, por 
que a Palavra de Deus prefere o símbolo sagrado do fogo a qua­
se todos os outros. Pois você verá que ele é usado não apenas 
sob a figura de rodas de fogo, mas de criaturas de fogo, e de 
homens que cintilam como relâmpagos que empilham brasas 
vivas, e de irresistíveis rios de chamas. A Palavra também diz 
que os tronos são de fogo, e mostra, por meio do nome deles, 
que os próprios serafins mais exaltados estão ardendo em bra­
sas, designando-lhes qualidades e forças do fogo; e, por isso, de 
cima a baixo, dá maior preferência ao símbolo do fogo.
Assim, acredito que essa imagem do fogo mostra a perfeita 
conformidade de Deus com as inteligências celestiais, pois os 
profetas sagrados freqüentemente relacionam aquilo que é quin- 
tessencial e informe ao fogo, o qual (se posso dizer isso legiti­
mamente) guarda muitas semelhanças em relação às coisas visí­
veis para a realidade divina. O fogo sensato está, de alguma 
forma, em tudo, e permeia todas as coisas sem se misturar com 
elas, é livre de todas as coisas e, apesar de completamente bri­
lhante, continua essencialmente escondido e desconhecido 
quando não está em contato com qualquer substância na qual
Dionísioj o Areopagita
possa manifestar sua própria energia. É irresistível e invisível, 
tendo absoluto controle sobre todas as coisas, trazendo sob seu 
próprio poder todas as coisas nas quais subsiste. Tem um poder 
transformador e se doa, até certo ponto, a tudo o que está pró­
ximo dele. Aviva todas as coisas com seu calor revigorante e as 
ilumina com sua clareza resplandecente. É insuperável e puro, 
possui poder partitivo, mas é constante, edificante, penetrante, 
alto, não-limitado por qualquer torpeza servil, sempre em mo­
vimento, auto-estimulado, movimentando outras coisas. Com­
preende, mas é incompreensível, robusto, propagando misterio­
samente a si mesmo e mostrando sua majestade de acordo com 
a natureza da substância que o recebe, poderoso, pujante, invi­
sivelmente presente em todas as coisas. Quando não se pensa 
nele, parece não existir, mas, de repente, acende sua luz da ma­
neira que mais convém à sua natureza antagônica, como se pro­
curasse se mostrar, lançando-se irrefreavelmente para cima, sem 
diminuir seu desprendimento bendito.
Assim, podem ser encontradas muitas propriedades do fogo 
que simbolizem as atividades divinas por meio de imagens sen­
síveis. Sabendo disso, aqueles que conhecem as coisas de Deus 
têm retratado os seres celestiais sob a figura do fogo, procla­
mando assim sua semelhança com o Divino e a imitação dele, 
na medida de seu poder.9
Devemos agora considerar as representações dos seres celes­
tiais em relação a rios, rodas e carruagens. Os rios de chamas 
denotam aqueles canais divinos que os enchem com corrente­
zas superabundantes e eternamente fluentes e nutrem sua re­
vigorante proliferação.
As carruagens simbolizam a confraternidade daqueles da 
mesma ordem; as rodas aladas, movendo-se sempre adiante, 
nunca voltando atrás nem se desviando, denotam o poder de 
sua energia progressiva sobre um caminho justo e direto, no 
qual todas as suas revoluções intelectuais são supramundana- 
mente guiadas por esse curso reto e constante.10
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RUPERT: Essas são lindas passagens sobre a natureza primeira da luz e 
do fogo e sobre a importância da luz e do fogo como imagens divinas na 
Bíblia e na tradição. A mesma imagem surge sob diferentes formas. Na tra­
dição hindu, Shiva como criador e destruidor é retratado como Nataraja 
dançando em um círculo de fogo. A imagem do fogo como elemento unifi­
cador, transformador e também destruidor é primária, encontrada em todas 
as partes do mundo. Todos nós dependemos do Sol, que é fogo, e todas as 
culturas humanas dependem da domesticação do fogo. O uso do fogo é 
único para os seres humanos. O fogo tem desempenhado um papei central 
em nos fazer humanos, e fornece uma poderosa fonte de imagens para todas 
as pessoas em todas as partes.
Esse papel central do fogo é expresso de forma extraordinariamente 
clara e bonita nessas passagens. Os serafins, os flamejantes, vêm primeiro. 
E, na história da criação do Gênesis, o primeiro ato criativo de Deus é dizer 
“Faça-se a luz", e a separação entre luz e escuridão foi feita.
As imagens da luz e do fogo primordiais, para Dionísio, são análogas às 
de muitas culturas e, na verdade, às da própria ciência moderna. Quando as 
pessoas tentam descrever esse principal evento criativo, elas costumam usar 
o nome Big

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