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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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Bang, uma explosão original do mais intenso calor concebível, ou 
usam frases como "a bola de fogo primordial”. A cosmogonia moderna come­
ça com esse calor ou fogo inconcebível, a partir do qual tudo passa a existir.
Na passagem sobre rios, rodas e carruagens, Dionísio fala sobre “rodas 
aladas, sempre se movendo adiante". Essa imagem nos dã uma combinação 
de movimento linear e movimento cíclico. Matematicamente, essa combina­
ção de movimento para diante e ciclos é representada em equações de ondas. 
A física de ondas, na qual quase toda a física moderna está fundamentada, é 
baseada na matemática da rotação - da roda. A onda senoidal é obtida quan­
do estiramos um modelo algébrico de rotação da roda.
MATTHEW: Os chakras são representados por rodas em rotação, e, no 
Ocidente e no Oriente, os chakras correspondem às esferas celestes. O pri­
meiro chakra é o chakra de fogo, que, como você salientou, é oscilante e 
vibratório. Mas ele também é a semente de Kundalini, o fogo que acende 
uma chama em todos os outros pontos de chakras.
Dionísio, o Artofagita 67
É significativa a maneira como as outras tradições celebram o fogo, e 
está claro que o fogo é muito importante para a visão de mundo de Dionísio. 
Ele fala sobre a recepção da “fonte de luz”, “o raio da divindade suprema” 
pelo o qual estamos misticamente tomados. Freqüentemente ele identifica a 
experiência da beleza com a experiência da luz.
Acredito que parte de sua preferência por essa imagem do fogo e da luz 
possa ter vindo do tempo em que ele viveu no deserto. Ele foi um monge do 
deserto sírio, por isso deve ter aprendido a conviver com o fogo e a luz dia­
riamente.
Ele fala da radiância divina, de recebermos a luz e da essência da divin­
dade como luz. Existe uma fonte de luz para tudo o que é iluminado. É 
óbvio que a palavra iluminação,isoladamente, não se restringe ao Ocidente 
ou ao Oriente Médio, mas também corresponde a uma idéia budista, o avan­
ço na direção da luz.
Ele diz que participamos do raio divino. Isso novamente me remete à 
tradição hebraica do shekinah, que é radiância: o fogo divino, a presença do 
fogo, Moisés experienciando Deus por meio da sarça ardente, e o fogo que 
acompanhou o povo de Israel na travessia do deserto. Dionísio diz que, nas 
Escrituras, “a Palavra de Deus prefere o símbolo do fogo sagrado acima de 
quase todos os outros [...] essa imagem do fogo demonstra a perfeita confor­
midade de Deus com as inteligências celestiais”.
Ele realmente relaciona ao fogo as ondas e os fótons quando diz que o 
fogo está “de alguma forma em tudo, e permeia todas as coisas sem se mis­
turar com elas”. É interessante que o fogo não se revele; é “livre de todas as 
coisas e, apesar de completamente brilhante, continua essencialmente es­
condido e desconhecido [...] irresistível e invisível”. Ele aquece, renova, ilu­
mina, transforma e compreende. “Parece não existir, mas, de repente, acende 
sua luz”. Penso em um fogo que parece se apagar e, colocado um pouco de 
papel sobre ele, volta à vida novamente. É por isso que ele diz que as pessoas 
sábias “têm retratado os seres celestiais sob a figura do fogo” - porque o fogo 
é uma das metáforas mais ricas para a própria divindade.
Poderíamos falar sobre o fogo em cada um dos chakras, pois existe um 
elemento fogo em todos eles: o fogo sexual no segundo chakra; o fogo zan­
gado, a paixão da ira, no terceiro chakra; o fogo do calor no coração que
68 A FÍSICA DOS ANJOS
Onda senoida! e sua relação matemática com o movimento circular. O ponto p se move ao 
redor do círculo a uma velocidade constante, representada pela velocidade angular w. O movi­
mento para cima e para baixo de A, traçado com a máxima rapidez, é chamado onda senoidal 
porque a equação que descreve esse movimento envolve o seno do ângulo w.
enternece — “o primeiro amor verdadeiro é comovente”, como Aquino diz; o 
fogo da garganta, a voz profética que fala abertamente; o fogo da intuição, 
da iluminação e da criatividade no terceiro olho. E o fogo do chakra supe­
rior, o chakra coronário, que se liga a todos os outros fogos no universo, 
incluindo os fogos angelicais, os seres celestiais.
RUPERT: Enquanto Dionísio fala sobre o fogo escondido em todas as 
coisas, a ciência fala sobre energia. Existe calor em todas as coisas, e é apenas 
no zero absoluto, no limite teórico, que essa energia vibratória termal cessa. 
Mas, mesmo assim, ainda existe a energia escondida que mantém unidos os 
elos químicos, e a energia que é combinada na matéria atômica e subatômi­
ca, que é ligada na matéria pelos campos.
Como disse o físico quântico David Bohm: "A matéria é luz congelada”. 
A energia da luz pode ficar presa na forma material, na natureza vibratória 
dos átomos e das partículas subatômicas. E a matéria pode emanar luz no­
vamente. No papel que se queima, por exemplo, a energia liberada veio 
originalmente do Sol, ficou presa nas folhas das árvores por meio da fotos- 
síntese e permaneceu escondida na madeira.
Os p rin cíp ios da term odinâm ica, anunciad os no século XIX, rep resen­
tam um notável insight u n iü can te da ciência. Eles m ostram que todas as
Dionísio, o Areopagita 69
formas de energia podem ser transformadas em outras, e que na essência de 
tudo está a energia. A forma mais visível e explícita de energia é o fogo, mas 
a energia está escondida em todas as coisas. A fonte primordial de toda essa 
energia, de acordo com a cosmologia moderna, é a bola de fogo original por 
meio da qual o universo nasceu.
MATTHEW: É interessante que um dos maiores pecados do espírito seja 
a inércia. O que é a inércia? Falta de energia, falta de fogo. E Hildegarda de 
Bingen diz: “Por que você vive sem paixão? Por que vive sem fogo?”. Em 
outras palavras, onde está o fogo?
Pentecostes, uma superação do espírito, remete novamente à imagem 
do fogo. O fogo que enternece, o fogo que inspira, o fogo que transforma. 
Como você diz, o fogo é um evento cotidiano porque a fotossíntese é literal­
mente o processo de converter luz em alimento. Por isso comemos fogo 
quando nos alimentamos.
Eu me lembro de quando meu cachorro morreu. Só de aproximar mi­
nha mão de seu corpo, soube que não era ele, porque o calor o havia deixa­
do. Vida e calor andam juntos.
Certa vez, orei em uma kiva com um índio hopi, e conversamos sobre 
orar com serpentes venenosas. Perguntei a ele: “Quando você captura uma 
cobra e começa a orar com ela, ela não hca nervosa? Ele disse: “Sim, mas eu 
canto para ela. A cobra é muito sensível ao frio e ao calor, sendo um réptil, 
e ela apreende o calor da canção e se acalma rapidamente”. A idéia de que 
música e zelo podem produzir calor é outra fonte geradora de fogo e de 
energia. Talvez seja potencialmente tão poderosa quanto a fotossíntese. Mas 
ainda não descobrimos como liberar nosso calor.
E Hildegarda diz: “Nenhum calor está perdido no universo”.
Anjos como deuses
Você descobrirá, além disso, que a Palavra de Deus não apenas 
chama de deuses esses seres celestiais acima de nós, mas tam­
bém confere esse mesmo nome aos homens santos que vivem 
entre nós, e àqueles homens que, no mais alto grau, amam a
70 A FÍSICA DOS ANJOS
Deus; ainda que o Deus primeiro e não-manifestado transcenda 
quintessencialmente todas as coisas, está entronizado acima de 
tudo, e por isso nenhum dos seres ou coisas que existem pode 
verdadeiramente afirmar ser totalmente como ele, exceto se 
aqueles seres intelectuais e racionais que estão totalmente vol­
tados para a união com Ele, dentro dos limites de seu poder, e 
que, elevando-se perpetuamente a si próprios com todos os seus 
poderes, na medida do possível, à radiância divina, na imitação 
de Deus (se for lícito assim dizer), sejam considerados merece­
dores desse mesmo nome divino.11
RUPERT: A idéia dos seres celestiais como deuses permite que os anjos 
no cristianismo, no islamismo

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