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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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e no judaísmo sejam relacionados aos devas 
do hinduísmo, conhecidos como “os reluzentes”, e aos deuses de muitas 
outras religiões. Dionísio reconheceu explicitamente os deuses protetores do 
Egito e da Babilônia como angélicos (p. 58-59).
Os deuses das religiões politeístas são assimilados no monoteísmo 
como seres tratados como anjos. Se os muitos deuses são reconhecidos como 
submetidos a um Deus supremo, podem ser aceitos como intermediários 
divinos e como forças divinas. A diferença entre monoteísmo e politeísmo, 
à primeira vista tão rígida, é abrandada e modificada pelo reconhecimento 
dos anjos.
MATTHEW: Isso é muito interessante. Certamente mostra uma profunda 
atitude ecumênica por parte de Dionísio, e um verdadeiro assombro se a 
aceitação dos seres celestiais como deuses pudesse ser também aplicada aos 
seres celestiais como deusas, uma abertura às divindades femininas, além 
das masculinas.
Em Coríntios (ICor 8,5), há uma declaração um tanto incomum e ines­
perada de São Paulo, que confirma o que você disse: “É verdade que existem 
aqueles que são chamados deuses, tanto no Céu como na terra, e, neste 
sentido, há muitos deuses e muitos senhores. Contudo, para nós existe um 
só Deus: o Pai. Dele tudo procede, e para ele é que existimos. E há um só 
Senhor, Jesus Cristo, por quem tudo existe e por meio do qual também nós 
existimos”.
UionísiOj o Areof agita 71
Essa passagem é muito semelhante àquelas do Cristo Cósmico em todo 
o Novo Testamento, acerca de Cristo ter poder sobre os anjos, arcanjos, tro­
nos e dominações. São Paulo cria um imenso espaço para forças e poderes 
invisíveis, mas também determina não haver necessidade de ficarmos in­
quietos em relação a esses poderes, porque o Cristo, representando Deus, o 
criador, tem poder sobre todos eles. Parte da boa notícia é que o cosmo no 
qual estamos imersos é essencialmente um lugar amistoso, porque Deus, o 
criador, e o Cristo dão a última palavra sobre o que esses deuses ou anjos 
devem se ocupar em fazer.
É impressionante que Dionísio diga nessa passagem que existem seres 
tentando imitar Deus, os quais julgam ser merecedores do mesmo nome 
divino. Ele também usa o termo “divinização”. O que o Ocidente chama de 
nossa santificação o Oriente chama de nossa divinização: tem a ver com a 
natureza de Cristo, a natureza de Deus, em todos nós. É uma pena os teólo­
gos ocidentais raramente usarem o termo ou, mesmo, o conceito. Mestre 
Eckhart, porém, é uma exceção a essa regra.
Anjos na natureza
A plenitude do infinito poder de Deus preenche todas as coisas 
em medida rítmica harmoniosa [...] Dele advêm os poderes das 
ordens angélicas, semelhantes aos de Deus; a partir dele, os an­
jos exercem sua condição imutável e todas as suas perpétuas 
atividades intelectuais e imortais; sua própria estabilidade e in­
terminável aspiração para o bem eles recebem daquele poder 
infinitamente bom que lhes concede seu poder, seu ser, sua 
aspiração perpétua do Ser, e o poder de aspirar àquele poder 
incessante.
É desse poder contínuo que os homens, os animais, as plan­
tas e a natureza toda do universo são preenchidos; ele dispõe 
as naturezas unificadas para a harmonia e a comunhão mútuas, 
e concede a cada criatura individual o poder de ser conforme 
sua própria razão ou forma particular, diferente dos outros, e
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não misturada com eles. E guia com propriedade as leis do 
universo e as atividades a elas relacionadas; e conserva as vidas 
imortais dos anjos invioladas; e mantém as substâncias celes­
tes, brilhantes e estreladas inalteradas em suas próprias ordens; 
e brinda com a eternidade a força que se manifesta e que dis­
tingue os ciclos do tempo em seu princípio e que os une em 
seu termo; e torna os poderes do fogo inextinguíveis e o fluxo 
da água inexaurível. Estabelece um limite para o ar fluido, fixa 
a Terra sobre o vácuo e mantém seu esforço imperecível e vivi­
ficante. Preserva a harmonia mútua dos elementos que, embo­
ra misturados, são inconfundíveis, além de inseparáveis, e cria 
rapidamente o elo que une alma e corpo. Acelera as forças de 
crescimento e nutrição nas plantas, sustenta os poderes essen­
ciais do todo, protege a estabilidade do universo da dissolução 
e concede, inclusive, a própria dedicação ao conferir tal capa­
cidade àqueles que estão sendo divinizados. Em suma, não 
existe uma única coisa em todo o universo que escape do abra­
ço onipotente e da proteção do poder divino. Pois aquilo que 
não tem poder algum não tem existência, nem qualidades, nem 
qualquer lugar no universo.12
O nome “ventos”, dado aos anjos, denota suas rápidas ações 
e sua quase imediata interpenetrabilidade a tudo; e um poder 
de transmissão por todos os reinos, alcançando de cima a bai­
xo, das profundezas às alturas; e o poder que eleva as segundas 
naturezas para uma altura acima da delas, e conduz a primeira 
a uma elevação participativa e providencial da mais baixa.
Mas, talvez, devamos dizer que o nome ventos, aplicado ao 
espírito etéreo, significa a semelhança divina nos seres celes­
tiais. Pois essa figura é uma imagem e uma forma autênticas de 
energia divina, correspondentes às forças geradoras e dinâmi­
cas da Natureza; um avanço rápido e irresistível; o mistério 
desconhecido e invisível para nós; a origem dos princípios e 
dos fins, pois ele diz: “Não sabes de onde eles vêm nem para 
onde eles vão”. As Escrituras também os descrevem como uma
Dionísio, o Arcopagita 73
nuvem, mostrando com isso que essas inteligências sagradas 
são preenchidas de modo supramundano com a luz oculta, re­
cebendo essa primeira revelação sem glorificação excessiva, e 
transmitindo-a com brilho abundante para as ordens mais bai­
xas como uma iluminação proporcional e secundária; e mostran­
do, além disso, que eles possuem poderes criadores, vitalizan- 
tes, crescentes e perfeitos em virtude de seus jorros inteligíveis, 
como aguaceiros agitando o útero receptivo da terra com chu­
vas fertilizantes para labores de vitalização [...]13
Vamos passar para o desdobramento sagrado do simbolismo 
que descreve as inteligências celestiais em semelhança às 
bestas. A forma de um leão deve ser vista como representando 
seu poder de soberania, sua força e sua irredutibilidade, e o 
esforço intenso e ascendente com todos os seus poderes na 
direção daquela unidade divina mais escondida, inefável e mis­
teriosa [...]
A figura do boi significa força, vigor e a abertura do sulco 
intelectual à recepção das chuvas fertilizantes; e os chifres sig­
nificam a proteção e o poder inconquistável. A forma da águia 
significa realeza, alta elevação, rapidez de voo e avidez por to­
mar o alimento que renova sua força, sua discrição, sua facili­
dade de movimento e sua habilidade, com forte intensidade de 
visão que tem o poder de fitar sem impedimentos, diretamente 
e sem covardia, acima do esplendor total e brilhante da res- 
plandescência do Sol divino.
O simbolismo dos cavalos representa a obediência e a afabi­
lidade. Os cavalos brancos reluzentes denotam a verdade clara e 
aquilo que é perfeitamente assimilado para a luz divina; os ne­
gros, aquilo que é oculto e secreto; os rubros, poder e energia; o 
malhados em branco e o preto, aquele poder que atravessa tudo 
e une os extremos, ligando providencialmente e com poder per­
feito o mais alto ao mais baixo e o mais baixo ao mais alto.
Se não tivéssemos de pensar na duração de nosso discurso, 
poderíamos melhor descrever as relações simbólicas das já
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mencionadas características particulares dos animais e todas as 
suas formas corporais com os poderes das inteligências celes­
tiais conforme similitudes dessemelhantes: por exemplo, sua 
fúria irada representa um poder intelectual de resistência do 
qual a raiva é o reflexo final e mais tênue; seu desejo simboliza 
o amor divino. Em suma, podemos

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