A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
204 pág.
A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

Pré-visualização | Página 19 de 50

a ser exercido. Isso 
quer dizer que os anjos podem agir em situações corriqueiras e de caráter 
individual, como na tradição dos anjos da guarda, ou na escala das nações, 
dos continentes, dos planetas, dos sistemas solar e galáctico.
RUPERT: Nesse contexto, nossa compreensão moderna do cosmo como 
um sistema evolucionário implicaria assumir que todo o processo evolucio­
nário é governado pelos anjos. Isso iria muito além da idéia em voga na 
época de Aquino, de que, no princípio, Deus criou tudo com os anjos e que, 
a partir de então, os anjos governaram o que passou a existir. Agora, adota­
mos a idéia de um processo criativo construído ao longo da história do 
universo, e que continua até hoje.
São Tomás cfe Aquino 79
Temos também um senso de vastidão do cosmo muito mais abrangente, 
com bilhões de galáxias e trilhões de estrelas. Por isso, a afirmação “O bem 
total do universo consiste do inter-relacionamento das coisas, e nenhuma 
parte é completa e perfeita separada do todo” confere nova dimensão, em 
um contexto moderno, à esfera de ação, à atividade e ao poder dos anjos, 
ampliando-os imensamente.
MATTHEW: E dá nova relevância a essa maravilhosa afirmação sobre a 
interconectividade e o inter-relacionamento por todo o universo, a de que os 
anjos não estão sozinhos, organizando coisas ou envoltos em glória, mas que 
pertencem a uma comunidade maior. Existe um mundo único, total, um 
cosmo, uma comunidade da qual eles fazem parte.
Essa cosmologia ajuda a explicar por que os anjos eram ridicularizados 
na era das máquinas, quando o princípio do inter-relacionamento não era 
admitido. Agora, graças à idéia de um universo fundado no inter-relaciona­
mento de todas as coisas, existe um verdadeiro lugar para os anjos. E a 
consciência entre os anjos inclui não apenas desvelo e conhecimento, mas 
também o amor. Se os anjos estão por toda parte, então a vontade e a pre­
sença amorosa também estão.
Alegria e totalidade
Uma coisa pode ser útil [...] como uma parte em um todo; e é 
dessa maneira que os serviços prestados pelos anjos abençoados 
são úteis a eles; são uma parte de sua própria alegria, pois com­
partilhar com outros a própria plenitude é a verdadeira natureza 
do ser pleno.3
MATTHEW: Os anjos não são apenas abelhinhas ocupadas desempe­
nhando alguma tarefa no universo. Eles estão envolvidos nesse maravilhoso 
processo criativo de desvelamento do universo, desde a bola de fogo até a 
existência de um trilhão de galáxias em expansão. Então é possível imaginar 
como sua inteligência e criatividade são desafiadas no cumprimento desse
80 A FÍSICA DOS ANJOS
glorioso trabalho de ser instrumentos da providência para ajudar e socorrer 
na elucidação do universo em sua imensa complexidade e simplicidade.
E os anjos se regozijam por isso. Nós também nos alegramos em ex­
pressar ordem dentro do caos, fazendo com que a beleza e a glória das coisas 
realmente se expressem. Compartilhar a própria alegria é uma das maiores 
felicidades de viver.
RUPERT: O processo criativo na natureza é sempre de criação de novas 
formas', novos padrões que carregam uma totalidade inerente. O processo 
criativo implica saltos para novos níveis de síntese; ele não gera uma meia- 
galáxia, um meio-sol ou uma meia-idéia. Aqui existe uma conexão entre 
totalidade e plenitude, que é fonte da alegria.
MATTHEW: E é exatamente isso que Aquino exprime nessa passagem; 
ele fala sobre ser parte do todo. E, como parte do todo, o serviço prestado 
pelos anjos é útil para eles e os alegra. Cosmologia e comunhão caminham 
juntas. Trabalhamos para fazer parte de um todo.
Os anjos fazem parte do grande trabalho de desvelamento do universo. 
Sob esta perspectiva, podem levar os seres humanos a uma importante per­
gunta: somos parte do grande trabalho? Estamos conectados ao todo?
Os anjos e os Céus
O lugar dos anjos na escala do ser espiritual corresponde àquele 
dos corpos celestes no mundo corpóreo; assim Dionísio os cha­
ma de mentes celestes.4 Isaías fala sobre um exército de maravi­
lhas celestiais como os Céus, as estrelas e os anjos.5
RUPERT: Aqui, Aquino deixa explícita a conexão dos anjos com os Céus, 
a natureza celeste dos anjos. Nos últimos anos, boa parte da literatura e das 
discussões a respeito dos anjos tem abordado os anjos da guarda, que nos 
ajudam e nos guiam. Mas esses guardiões dos seres humanos são uma pe­
quena parte da inteligência criativa no cosmo, se levarmos em conta o papel 
dos anjos nas galáxias, nas estrelas e no processo inteiro de evolução cós-
Sao Tomás de Aquino 81
mica. Se folhearmos os livros mais recentes a respeito dos anjos auxiliadores, 
poderemos facilmente esquecer que estamos lidando com ordens de seres de 
vasto campo de ação e importância cosmológica.
MATTHEW: Sim , faz parte da arrogância hum ana pensar que o ú nico 
trabalho dos an jo s é sentar em nossos om bros ou guiar nossos filhos.
As pessoas que pensam a religião de modo dualista geralmente consi­
deram o Céu um outro lugar para onde se vai após a morte. Mas o que está 
sendo integrado aqui é o mistério e a vastidão do próprio universo; os anjos 
têm um papel de governança neste vasto templo onde vivemos, o templo do 
espírito, que é o universo propriamente dito.
RUPERT: A própria ciência moderna está baseada na idéia de que o uni­
verso é governado por princípios invisíveis, as leis da natureza. Estas leis são 
essencialmente intelectuais porque as equações matemáticas são coisas que 
existem no pensamento. Elas não são coisas físicas que encontramos no 
mundo. Não podemos olhar por um microscópio de elétrons e ver a equação 
de Schrõdinger entre as moléculas, ou olhar por um telescópio e ver as equa­
ções de Einstein escritas no céu. São princípios governantes invisíveis. No 
entanto, são concebidos sob um senso extremamente limitado e não criati­
vo, como equações matemáticas abstratas, e não como pensamento vivo com 
poder criativo. Presume-se que a criatividade faça parte do processo evolu­
cionário por conta do acaso.
MATTHEW: Essas leis são essencialmente incorpóreas, n ão são?
RUPERT: Completamente. A idéia de que o universo é governado por 
uma inteligência incorpórea é a visão moderna padrão; acontece que temos 
desenvolvido uma versão extremamente árida, limitada e estreita dela.
MATTHEW: Sem amor e sem alegria.
RUPERT: Sim. Na medida em que as pessoas acreditam que as equações 
matemáticas são a verdade mais pura, isso torna-se uma forma de idolatria. 
Tratam modelos matemáticos artificiais como a realidade suprema.
Em um universo em desenvolvimento, parece-me que a idéia de inteli­
gências criativas através do cosmo faz muito mais sentido do que uma cole­
ção de equações matemáticas abstratas espaço e tempo afora, onde a criati­
vidade propriamente dita é apenas uma questão de acaso.
SZ A FÍSICA DOS ANJOS
Intuição angélica
É por isso que os anjos são chamados de seres intelectuais, seres 
que compreendem, pois, mesmo em nosso caso, dizemos que 
vemos intelectualmente as coisas que compreendemos de forma 
imediata, damos o nome de compreensão à nossa capacidade 
habitual latente de intuir os primeiros princípios [...] Se nossas 
almas humanas fossem dotadas da abundância angélica de luz 
intelectual, assim que intuíssemos os primeiros princípios en­
tenderíamos todas as suas consequências; saberíamos intuitiva­
mente tudo o que o raciocínio pode deles deduzir [...]6 Nós, 
humanos, temos uma luz intelectual diminuta em nossas almas, 
mas essa luz manifesta-se em sua máxima potência em um anjo, 
que, como disse Dionísio, é um espelho puro e brilhante.7
MATTHEW: Aquino está dizendo que os anjos são especialistas em intui­
ção; eles vêem as coisas diretamente, com uma compreensão pura que o fi­
lósofo identifica com a luz. Esta pode ser uma das razões pelas quais os anjos 
são tão associados à luz; é a luz do conhecimento

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.