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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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do tempo”.
E, por essa sucessão na mente angélica, nem tudo o que aconte­
ce no curso total do tempo pode lhe ser simultaneamente pre­
sente [...] As coisas que existem no presente têm uma natureza 
pela qual se assemelham às idéias existentes na mente de um 
anjo, assim que, por meio destas idéias, as coisas podem ser por 
ele conhecidas. Mas as coisas que estão para acontecer ainda 
não possuem essa natureza pela qual se assemelham às idéias 
existentes na mente de um anjo; portanto, não podem ser co­
nhecidas por ele.36
MATTHEW: Isso limita o conhecimento dos anjos a respeito dos proces­
sos evolucionários. Toma relativos seu conhecimento e seu poder.
RUPERT: E a idéia de que existe o tempo nas mentes angélicas também 
nos ajuda a ver como os anjos podem estar envolvidos na evolução. Se eles 
tivessem mentes eternas e platônicas, de maneira alguma poderiam estar 
envolvidos em um cosmo em desenvolvimento; mas, se souberem o que está 
acontecendo no mundo por meio da interação com as coisas que se encon­
tram sob sua esfera de influência, e se têm uma sucessão de compreensões, 
essa é a base para o desenvolvimento ou para evolução em suas mentes an­
São Tomás de Aquino 113
gélicas. E, por meio dessa consciência em desenvolvimento, desempenham 
um papel criativo no processo evolucionário.
MATTHEW: É uma idéia estimulante. Até mesmo os anjos evoluem. Em­
bora sejam seres espirituais, suas mentes se desenvolvem. Aquino diz: “as 
coisas que estão para acontecer ainda não possuem essa natureza pela qual 
se assemelham às idéias existentes na mente de um anjo; portanto, não po­
dem ser conhecidas por ele.”. Efetivamente, ele está dizendo que os anjos 
aprendem.
Os anjos foram criados antes do 
universo físico?
Os anjos foram criados antes do universo físico? Nesse ponto, 
os textos dos Pais da Igreja apresentam duas opiniões. Mas o 
parecer mais provável é que os anjos e as criaturas corpóreas 
tenham sido criados simultaneamente [...] parece improvável 
que Deus, cujos “trabalhos são perfeitos”, como lemos no Deu- 
teronômio, criasse os anjos por si próprios antes do resto da 
criação. Entretanto, o contrário não deveria ser considerado um 
erro. Os Pais Gregos sustentavam que os anjos foram criados 
antes do universo corpóreo [...] Se os anjos foram criados antes 
do universo dos corpos, então, no texto do Gênesis que diz “No 
princípio, Deus criou o céu e a terra”, as palavras “No princípio” 
deveriam ser interpretadas como “No Filho” ou “No princípio 
dos tempos”, mas não como “No princípio, antes que qualquer 
coisa existisse”, a menos que se referisse exclusivamente às coi­
sas corpóreas.37
RUPERT: Parece que Aquino acreditava que os anjos foram criados com 
o universo físico, porque toda a criação estava unida e se inter-relacionava 
(veja o texto na p. 78). Os anjos têm um papel a desempenhar em relação às 
coisas corpóreas, e não por si mesmos; portanto, eles não foram uma criação
114 A FÍSICA DOS ANJOS
isolada, anterior ao universo físico. Isso faz sentido para mim. As inteligên­
cias ou espíritos auxiliadores que organizam as coisas corpóreas surgiram 
com elas. Em um universo evolucionário, isso significaria que, conforme 
surgem coisas novas, com elas passam a existir os anjos que as guiam: novos 
anjos nasceriam à medida que galáxias aparecessem, conforme novas estre­
las, novas espécies de plantas e de animais e novas sociedades, humanas 
passassem a existir.
Temos, hoje, uma visão mais ampla da criação do que tinha Aquino, ou 
certamente do que tinha qualquer pessoa até a revolução cosmológica dos 
anos 1960. Isso nos daria uma visão muito mais abrangente da criação dos 
anjos. Novos anjos surgiriam conforme as coisas às quais eles se relacionam 
fossem, criadas, em um processo que se estende ao longo de mais de 15 bi­
lhões de anos de evolução cósmica, e que continua até hoje.
A visão dos Pais Gregos é como a visão convencional na ciência, ou seja, 
ambas são platônicas. As leis da natureza são vistas como verdades matemá­
ticas eternas existentes além do espaço e do tempo. Já existiam no instante 
do Big Bang. Não passaram a existir com a evolução do universo, mas pre­
cederam-no; elas existiam desde o princípio. Acho que a idéia de Aquino de 
que os anjos passam a existir junto com os organismos aos quais estão asso­
ciados faz mais sentido. Da mesma forma, acredito que faz mais sentido 
pensar nas “leis da natureza” como hábitos em desenvolvimento do que 
como verdades eternas independentes do universo físico, como se estives­
sem em uma mente matemática transcendente.
MATTHEW: Se víssemos o universo como algo minúsculo em seu prin­
cipio, quantos anjos existiriam? Ah, não! Voltamos àquela questão de quan­
tos anjos poderiam dançar na cabeça de um alfinete.
Conforme o universo se expande em tamanho, isso significa que há 
mais trabalho para os anjos? Mais espaços, mais seres e mais sistemas com­
plexos que eles poderiam ajudar a governar?
Se a resposta for sim, pode jogar por terra grande parte da teoria de 
Aquino. Ele acreditava que os anjos eram criados e, depois, se decidiam pelo 
bem ou pelo mal, e pouca coisa mudou no reino angélico desde então, em 
termos da qualidade do trabalho que eles executam.
São Tomos áe Aquino 115
Talvez a nova pré-história seja tão singular que não combine com a 
idéia de que todos os anjos tenham sido criados de uma vez. Essa idéia, 
podemos dizer, também é um vestígio de um universo neoplatônico. Como 
você estava dizendo, conforme surgem novas galáxias e há mais trabalho a 
fazer, isso significa que novos anjos nascem ou são criados também?
RUPERT: Deve ser assim. A idéia atual de universo sustenta que, confor­
me ele se expande, resfria, e na medida em que ele resfria, novas formas de 
organização e de ordenação surgem dentro dele. No contexto da cosmologia 
evolucionária, novos anjos apareceriam o tempo todo. Isso significaria que 
a atividade criativa continuada de Deus incluiria a criação de novos anjos.
MATTHEW: E por que não?
RUPERT: H á tam bém a questão a respeito do que acon tece com os an jos 
qu and o eles estão ociosos. O s an jos que governavam os dinossauros n ão têm 
m u ito qu e fazer u ltim am ente.
MATTHEW: Obviamente eles se reciclam, ou são treinados para governar 
os seres humanos.
RUPERT: Ou talvez a evolução esteja ocorrendo em outros planetas do 
universo e eles sejam simplesmente realocados. Os anjos dos dinossauros 
podem ir instantaneamente para planetas onde os dinossauros estão come­
çando a existir, podendo lã executar um trabalho muito útil.
MATTHEW: Existem dinossauros em outros planetas? Pensei que as es­
pécies fossem um acontecimento único no universo, O que deu origem aos 
dinossauros foi uma sucessão muito singular de eventos ocorridos neste 
planeta. Seria muito difícil repeti-los.
RUPERT: Não se houver ressonância mórfica. Os trilhões de estrelas e 
trilhões de planetas podem se dividir em espécies. As estrelas já estão classi­
ficadas em diversas categorias distintas. Pode haver espécies de sistemas 
solares em toda parte do universo, e os planetas dentro deles também podem 
se dividir em espécies. Pode haver dezenas, centenas ou, mesmo, milhões de 
planetas divididos em espécies Marte, Júpiter ou espécie Terra. Se forem 
suficientemente parecidos, haveria ressonância mórfica entre eles. O proces­
so evolucionário na Terra ressonaria com os processos evolucionários em 
outros planetas da espécie Gaia.
116 A FÍSICA DOS ANJOS
A ascensão dos anjos para um estacío 
de graça e gíória
Temos de entender que a beatitude completa e perfeita pertence 
por natureza somente a Deus, para quem existir e ser feliz são a 
mesma e única coisa. Em todas as criaturas, natureza é uma 
coisa e alegria perfeita é outra - sendo esta alegria o fim último 
ao qual almeja a natureza.38 É da essência da beatitude ser acla­
mada

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