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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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também não o seriam? 
Todas as estrelas podem ter atividade mental, vida e inteligência associadas a 
elas. E era nisso exatamente que as pessoas acreditavam no passado - que as 
estrelas são as moradas das inteligências, e essas inteligências são anjos.
Introdução 29
MATTHEW: Fico surpreso ao ouvi-lo dizer isso. Você está se arriscando. 
Nunca o ouvi falar sobre o Sol e as estrelas dessa maneira antes. Mas idéias 
como essa teriam muitas implicações em termos de devoção. Por exemplo, 
precisamos estabelecer nossos ciclos de oração no contexto desse universo 
vasto, vivo, complexo e maravilhoso. Hoje, temos a eletrônica para fazer isso. 
Para tirar a adoração das mãos de pequenos livros e colocá-la novamente na 
cosmologia. Então os anjos estarão presentes na devoção mais uma vez.
O anjo que tem algo a ver com a incrível inteligência do Sol tem de 
estar lá. Em nossa adoração, devemos estar verdadeiramente alertas para o 
senso de admiração - e admiração incluir terror. O universo é nosso lar, e 
tudo sobre o que estamos falando é nosso lar. Esse é o templo de Deus; é o 
lar de Deus.
Os anjos geralmente são vistos como seres de luz refletindo a lumino­
sidade do ser divino. Sei que você ficou surpreso ao ler a afirmação de Tomás 
de Aquino de que os anjos se movem de um lugar a outro sem lapso de 
tempo. Você disse que isso o fazia lembrar o pensamento de Einstein sobre 
a luz. E quanto à idéia de ver os anjos como fótons, portadores de luz?
RUPERT: Quando Aquino discute a respeito de como os anjos mudam 
de lugar para lugar, esse pensamento tem um extraordinário paralelo com as 
teorias quântica e da relatividade. Os anjos são quantizados; ou você encon­
tra um anjo íntegro ou não encontra nenhum; eles se movem como unidades 
de ação. Você só pode detectar a presença deles por meio da ação; são quan- 
tum de ação. E, apesar de acreditarmos que o tempo continua enquanto eles 
se movem de um lugar para outro, do ponto de vista dos anjos esse movi­
mento é instantâneo, o tempo não passa. É justamente como a descrição de 
Einstein a respeito do movimento de um fóton de luz. Apesar de nós, como 
observadores externos, podermos medir a velocidade da luz, do ponto de 
vista da luz em si, o tempo não passa enquanto ele se move. Não fica mais 
velho. Temos luz há 15 bilhões de anos, aproximadamente, desde o Big 
Bang, na forma de radiação cósmica de fundo em microondas. Depois de 
todo esse tempo, ela ainda existe, e ainda é forte.
Assim, a física moderna guarda paralelos notáveis com as doutrinas 
tradicionais sobre anjos, e eu acredito que a correspondência exista porque 
os mesmos problemas estão sendo considerados. Como algo sem massa, sem
30 A FÍSICA DOS ANJOS
corpo, sem capacidade de ação se move? Os anjos, de acordo com Aquino, 
não têm massa, não têm corpo. E o mesmo acontece com os fótons: eles não 
têm massa, e você só pode detectá-los por meio de suas ações.
MATTHEW: Isso quer dizer que os fótons são imortais?
RUPERT: Sim, enquanto eles estiverem se movendo à velocidade da luz, 
de um lugar para outro. Mas, quando agem, são extintos por meio de sua 
ação, por isso, nesse sentido, eles chegam a um fim; passam sua energia 
enquanto agem. Isso, acredito eu, os torna diferentes dos anjos.
Apesar de existirem paralelos entre a física moderna e as idéias medie­
vais sobre os anjos, o aspecto da ciência moderna que mais suscita perguntas 
interessantes é a teoria da evolução. Na Idade Média, a natureza era tida 
como estática: o cosmo, a terra e as formas de vida existentes sobre ela não 
eram vistos como corpos em desenvolvimento.
Na biologia, a idéia de evolução foi inicialmente proposta, em termos 
científicos, em 1858, por Darwin e Wallace. Na física, a idéia da evolução 
cósmica tornou-se ortodoxa no final dos anos 1960, como consequência da 
teoria do Big Bang sobre a origem do universo. Agora, vemos tudo como 
evolucionário na natureza. Isso significa que existe uma criatividade contí­
nua em todos os seus domínios. Seria tudo isso uma questão fortuita, como 
os materialistas acreditam? Ou será que existem inteligências orientadoras 
trabalhando no processo evolucionário?
Até onde sei, uma das primeiras pessoas a explorar essa possibilidade 
foi Alfred Russel Wallace. Depois que ele e Darwin publicaram a teoria da 
evolução pela seleção natural, Darwin desenvolveu um materialismo som­
brio, que agora atravessa o pensamento neodarwinista, a doutrina ortodoxa 
da biologia acadêmica. Toda a evolução deve ter acontecido por acaso e por 
meio de leis da natureza inconscientes, sem qualquer sentido ou objetivo.
Em contrapartida, Wallace chegou à conclusão de que a evolução 
abrangia mais do que a seleção natural, e que era guiada por inteligências 
criativas que ele identificava com anjos. Sua idéia foi resumida no título de 
seu último livro, The world o f life: a manifestation o f Creative power, directive 
mind and ultimate purpose [O mundo da vida: uma manifestação do poder cria­
tivo, da mente diretiva e do propósito fin a l]6. Hoje, ouvimos muito a respeito 
de Darwin, mas pouco sobre Wallace. Fico fascinado em saber que esses
Introdução 31
conceitos tão diferentes de evolução foram expressos pelos dois fundadores 
da teoria evolucionária; eles mostram, que a evolução pode ser interpretada 
de maneiras bem distintas. Se o indivíduo for materialista, a criatividade 
evolucionária pode ser apenas uma questão de acaso. Mas, se ele acredita 
que há outras forças ou inteligências no universo, então existem outras fon­
tes possíveis de criatividade, quer ele as chame de anjos ou não.
Isso levanta um problema com o qual Aquino e outros pensadores me­
dievais não tinham de lidar, ou seja, o papel dos anjos na evolução. Por 
exemplo, à medida que novas galáxias aparecem, supõe-se que os anjos de­
signados para governar cada uma delas passem a existir junto com o surgi­
mento desses sistemas estelares, a menos que todos os anjos lá estejam espe­
rando para se manifestar no momento do Big Bang.
MATTHEW: E talvez os anjos sejam reciclados, como aqueles que pro­
tegiam os dinossauros; caso contrário, estariam sem trabalho há 60 milhões 
de anos.
RUPERT: Essas são questões inconcebíveis na Idade Média. Nossa cos­
mologia evolucionária tem muito mais espaço para os anjos.
MATTHEW: Sim. Eu tenho a forte sensação de que, à medida que a cos­
mologia viva voltar, os anjos voltarão, porque eles fazem parte de qualquer 
cosmologia sensata. Talvez os anjos tragam para nossa cultura um pouco da 
imaginação que estamos precisando.
Em meu livro A vinda do cristo cósmico7, criei o termo “ecumenismo 
profundo”. Para mim, ecumenismo profundo vai além do relacionamento 
formal entre as religiões do mundo em termos de doutrina e estudos teoló­
gicos; significa participar mais efetivamente em suas tradições místicas e 
realizar orações e rituais juntos.
Todas as tradições religiosas que conhecemos têm algo para dizer sobre 
anjos, espíritos outros que não seres humanos. Buck Ghosthorse, um pro­
fessor espiritual lakota, certa vez me disse: “O que vocês, cristãos, chamam 
de anjos, nós, índios, chamamos de espíritos”. Este é um consenso a partir 
do qual todas as tradições religiosas podem caminhar juntas atualmente, 
em ecumenismo profundo. Os anjos não são rotulados budistas, muçulma­
nos, hindus, luteranos, anglicanos e católicos romanos; eles estão acima 
das denominações.
3 2 A FÍSICA DOS ANJOS
Claramente, os anjos serão parte do movimento de ecumenismo pro­
fundo. Estamos vivendo em um momento histórico em que nós, enquanto 
espécie, temos de perguntar: o que temos em comum? Os limites entre cul­
turas e religiões estão se desfazendo. Isso toma importante travarmos uma 
séria discussão a respeito de nossa tradição de anjos no Ocidente, não por 
jingoísmo, mas para conhecermos nossa própria tradição bem o suficiente 
para que, quando encontrarmos