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08/05/2018 1 1 Profa Me. Carla Dato Nutrição Ciência e Profissão 2018 UNICEP São Carlos O termo “comportamento” é definido como: a maneira de se comportar ou de se conduzir, condutas, procedimentos e conjunto de ações observáveis de um indivíduo. Pode ser entendido, também, como um conjunto de reações do indivíduo diante das interações do meio onde se está envolvido sob determinadas circunstâncias. Comportamento 08/05/2018 2 O comportamento alimentar pode ser considerado um conjunto de cognições e afetos que regem as ações e condutas alimentares. Comportamento alimentar Estado fisiológico Psicológico Ambiente externo Para os comportamentos alimentares, uma série de regras pode ter se estabelecido desde muito cedo, por razões variadas, as quais terão de ser compreendidas; Uma regra comum é a mentalidade de dieta; Deve-se considerar, também, que uma série de fatores determina as escolhas alimentares, criando comportamentos e hábito; Comportamento alimentar 08/05/2018 3 O comportamento alimentar envolve métodos, reações, maneiras de proceder com o alimento; Como, com o quê, com quem, onde e quando comemos) que podem ser sintetizados como as ações em relação ao ato de se alimentar; Atitude e comportamento alimentar Definição de alguns conceitos em Nutrição Comportamental 08/05/2018 4 Embora o ato de ingerir o alimento não deixe de ser uma ação, o consumo implica uma análise alimentar ou nutricional, ou um aspecto “pós-deglutição”, ou seja, a preocupação com o alimento com relação ao metabolismo, digestão, absorção, armazenamento; O comportamento é um aspecto mais relacionado à “pré-deglutição”, ou seja, à cultura, à sociedade e sua experiência com o alimento e também ao ato de comer em si; Como podemos classificar as razões de comermos o que comemos, as situações em que comemos e o que pensamos e sentimos com relação ao alimento? A atitude alimentar é, a melhor expressão para englobar a relação do indivíduo com os alimentos e sua dieta. 08/05/2018 5 Afetivo – sentimentos, humor e emoções Cognitivo- crenças e conhecimento sobre o objetivo ( influenciado por vários fatores) Volitivo- Diz respeito a vontade Atitude é um construto que tem três componentes: O grande interesse em estudar atitudes está no fato de que elas permitem compreender e predizer os comportamentos; Assim, se uma atitude for favorável ou desfavorável a algo, pode-se aceitar ou rejeitar este objeto; 08/05/2018 6 Sentimentos não são escolhidos, controlados ou cessados, eles simplesmente emergem. Nossos pensamentos, por outro lado, também emergem, mas podemos escolher controlá-los, direcioná-los ou adicionar outros. Já os comportamentos podem ser escolhidos (embora sejam muitas vezes impulsivos) e dependem dos sentimentos e cognições. A atitude alimentar (é definida) como “crenças, pensamentos, sentimentos, comportamentos e relacionamento com os alimentos”. O comportamento alimentar está inserido nas atitudes, portanto, a relação com o alimento não pode ser denominada “comportamento”. As crenças, pensamentos e sentimentos, por não envolverem uma ação, são, por definição, atitudes alimentares. 08/05/2018 7 Ilustração da definição de comportamento inserida nas atitudes alimentares As atitudes são influenciadas por fatores ambientais, ou seja, por cultura, família, religião, sociedade etc., bem como por fatores internos, que envolvem sentimentos, pensamentos, crenças, tabus; 08/05/2018 8 TABUS - representam dogmas religiosos, ou seja, restrições vinculadas a fatores de ordem religiosa; CRENÇAS - supostas ações nocivas de alimentos, as quais são passadas de geração a geração e tornam-se "verdades" culturalmente aceitas; PRECONCEITOS – são decorrentes de impressões causadas pelas características organolépticas dos alimentos; Crenças, Tabus e Preconceitos Alimentares: Se queremos, portanto, promover mudança de comportamento alimentar, é preciso entender que o comportamento está relacionado ao quê uma pessoa conhece e acredita sobre alimentação e nutrição, e aquilo que sente sobre a comida; O alimento não está somente situado em uma esfera fisiológica, é preciso considerar o entorno e também o indivíduo em sua totalidade; 08/05/2018 9 Quando queremos mudar comportamentos alimentares, devemos estar preocupados com os pensamentos dos indivíduos e acessar suas percepções; Porque aquilo que eles percebem como real (independentemente de ser verdadeiro ou não) influencia sua habilidade de seguir determinado comportamento alimentar; As atitudes não apenas modelam e informam o comer em geral, mas têm impacto nas cognições e comportamentos relacionados à regulação da ingestão alimentar, da aceitação de alimentos e gerenciamento do contexto alimentar; A atitude para com o alimento escolhido envolvem os fatores fisiológicos, emocionais e sociais; 08/05/2018 10 Quando se compreende a alimentação sob essa ótica, não se pode acreditar nem aceitar que as pessoas façam suas escolhas alimentares apenas pela contribuição nutricional ou energética. Para manter um bom estado nutricional, é fundamental estabelecer e manter atitudes alimentares positivas, confiantes, confortáveis e flexíveis. Todos os comportamentos humanos são resultado de interação de muitas variáveis (genética, ambiente, psique etc.) Uma das questões que se destaca nos impulsos e predisposições para comportamentos são os hábitos. Hábito é o comportamento que determinada pessoa aprende e repete frequentemente sem pensar como deve executá-lo, e é geralmente inconsciente. O hábito difere do instinto, que é um comportamento inato, não aprendido. Os comportamentos e os hábitos 08/05/2018 11 Muito do que fazemos diariamente não envolve decisões, e sim hábitos que nos permitem executar uma série de tarefas. Eles podem ser compreendidos como rotinas neurológicas para execução de tarefas, ou ferramentas de aprendizado. Nosso cérebro tenta converter atividades rotineiras em hábitos para “poupar” energia. Muito se fala de mudar “o hábito” das pessoas, mas como mudar algo que é inconsciente e feito de forma automática, sem pensar? Com base nesse entendimento, é preciso mudar o comportamento para que ele se torne um novo hábito. 08/05/2018 12 Os hábitos alimentares dependem muito do que sabemos ou acreditamos saber sobre alimentação. Isso é denominado “estímulo cognitivo” (crenças e conhecimento) e é moldado por experiências socioculturais e afetivas e integrado em nossos processos de aprendizado e condicionamento. Hábitos alimentares A capacidade de mudar hábitos e comportamentos está relacionada ao sucesso em várias áreas. Os humanos têm flexibilidade para mudar seus hábitos, mas mudar um comportamento e torná-lo flexível (não apenas habitual) demanda muita atenção, e mais energia enquanto a simples manutenção de um hábito pode não exigir esforço algum. 08/05/2018 13 O comportamento alimentar se relaciona diretamente ao controle da ingestão alimentar (como e de que forma se come), uma vez que é esse o sistema que conduz às escolhas; É necessário harmonizar informações do ambiente externo com as informações fisiológicas – como ação dos neurotransmissores e hormônios, taxa metabólica, estados do sistema gastrointestinal, tecidos de reserva, formação de metabólitos e receptores sensoriais; Fome, apetite e saciedade Fisiologia do Comportamento Alimentar Os comportamentos pré-ingestão são aqueles de busca, seleção, aquisição, preparação do alimento. Os sinais internos (metabólicos e neuroendócrinos) contribuem para o começo e o fim desse processo – que também é influenciado pelos determinantes psicossociais. Nos indivíduos saudáveis, todos esses fatores estariam harmonicamente integrados e resultariam em uma alimentação adequada 08/05/2018 14 Fome, apetite e saciedade são sensações fundamentais na regulação da fisiologia do comportamento alimentar. A fome- necessidade fisiológica de comer Há indivíduos que reconhecem a fome por sinais internos (do estado biológico) e aqueles que, para comer, dependem de outros sinais, às vezes mais ambientais (como “é hora da refeição”); ou seja, a “fome” nunca é emocional – não é um sinal reativo a uma emoção. 08/05/2018 15 O volume da ingestão alimentar é determinado, a princípio, pela integração do cérebro e mecanismos de retroalimentação (feedback) positivos e negativos gerados a partir da boca, estômago, intestino delgado, ilhotas pancreáticas, tecido adiposo e gônadas. Na boca, o feedback é regulado por estímulos do alimento (tipo de sacarídeos e ácidos graxos, por exemplo) e pela experiência anterior de ingestão desse alimento. No estômago, o feedback é regulado pelo volume e não por nutrientes. No intestino delgado, o controle do feedback é feito pelo estímulo de produtos pré-absortivos da digestão, como proteínas e seus subprodutos, dos monossacarídeos e dos ácidos graxos. Esses produtos pré-absortivos também vão estimular a participação das ilhotas pancreáticas no controle da ingestão, a partir da liberação de hormônios como glucagon e também insulina e amilina. 08/05/2018 16 O tecido adiposo regula a ingestão alimentar por meio da liberação de diversas adipocinas como a leptina. A saciedade, por sua vez, é descrita como a sensação de plenitude gástrica, com a perda da sensação de fome depois da refeição e é associada a uma sensação de bem-estar. Além da fome fisiológica, temos a fome hedônica, ou apetite, que corresponde ao desejo de comer um alimento ou grupo de alimentos em particular, e do qual se espera ter satisfação e prazer. 08/05/2018 17 Algumas pessoas experimentam pensamentos, sentimentos e desejos frequentes sobre comida mesmo na ausência de déficit de energia de curto ou longo prazo; O apetite pode ser estimulado pela disponibilidade de alimentos palatáveis – portanto distinta da fome fisiológica – seleção de alimentos específicos; O apetite é muito sensível ao estresse e à qualidade gustativa dos alimentos, ou seja, à palatabilidade; Mesmo afirmando que o apetite está relacionado a atributos não biológicos, a ação dos alimentos sobre os órgãos sensoriais (cheiro, gosto) nos traz informações sobre o alimento em geral (origem, maturação, modo de cocção etc.) E também pode proporcionar emoções, como o prazer que sentimos com o cheiro ou o gosto de determinado alimento (a emoção também pode ser negativa, no caso do nojo). 08/05/2018 18 Evidências científicas comprovam o fato de que a intensidade do prazer produzido pelo mesmo alimento varia segundo o grau de nosso apetite. Assim, comer procura prazer: ou seja, quanto mais vontade, desejo e apetite se tem, maior o prazer. A homeostase nutricional, que diz respeito à relação entre ingestão, gasto e armazenamento de energia, é importante para o controle da ingestão alimentar; no entanto, é apenas um dentre muitos controles. Sabe-se que os controles nutricionais homeostáticos são inadequados para prevenir a hiperfagia e a obesidade quando há fácil acesso a alimentos altamente palatáveis (ricos em açúcar, sal e gordura). 08/05/2018 19 Todo mecanismo de controle da fome, apetite e saciedade e de alguma forma, do comportamento alimentar depende de um complexo sistema biopsicossocial que exige alto grau de integração entre as informações recebidas de dentro do corpo e do ambiente para funcionar de forma harmônica. Do ponto de vista psicossocial, fome, apetite e saciedade são influenciados pelo humor, por fatores de personalidade e elementos cognitivos e condicionantes que moldam as preferências e aversões. É importante considerar que o controle metabólico e o psicossocial devem ser sempre analisados em conjunto, e que um distúrbio em um componente afetará o outro. 08/05/2018 20 Assim, pode-se considerar que começamos a comer “porque temos fome” (a necessidade metabólica expressa por sinais biológicos e gastrointestinais); Depois “porque queremos comer” (provocado pelo desejo de comer, independentemente da necessidade de energia); E porque “é hora de comer” (porque nós obedecemos a hábitos da sociedade, família, grupo em que vivemos); ou só porque a comida está disponível na nossa frente. O consumo alimentar é determinado pelas escolhas alimentares dos indivíduos e constitui um processo complexo, que envolve fatores biológicos, socioculturais e psicológicos – e a interação desses fatores. Escolhas e determinantes de consumo 08/05/2018 21 A escolha alimentar compreende a seleção e consumo de alimentos e bebidas, considerando o que, como, quando, onde e com quem as pessoas comem, além de outros aspectos de seu comportamento alimentar. As escolhas alimentares são as responsáveis pelo consumo. Como nutricionistas, somos habilitados a avaliar o consumo alimentar e nutricional por meio de vários instrumentos, ou seja, avaliar o que as pessoas comem. Mas, normalmente não nos detemos em ampliar nossa compreensão do por que as pessoas comem o que comem, em que se baseiam suas escolhas, o que determina as escolhas feitas e quais são as influências para o comportamento. 08/05/2018 22 Os comportamentos dependerão daquilo que conhecemos, acreditamos, sentimos e pensamos sobre determinado objeto, no nosso caso, o alimento. A comida é, ao mesmo tempo, fornecedora de energia, fonte de prazer e recompensa e um vínculo social; portanto, as escolhas refletem todas essas características. Determinar é indicar, fixar com precisão, demarcar, delimitar, resolver, decidir, prescrever, estabelecer, ordenar, decretar, ser causa de. E determinantes da escolha alimentar podem ser definidos como fatores que vão afetar as escolhas alimentares por meio de efeitos nos pensamentos e sentimentos individuais. Determinantes da escolha alimentar 08/05/2018 23 Determinates relacionados aos alimentos e ao comedor Dentre os determinantes de escolha relacionados aos alimentos: O sabor obtido pelo conjunto das características sensoriais e responsável pelo prazer em comer E os aspectos nutricionais, com foco na saúde e na composição dos alimentos, são tidos como os principais fatores no processo de escolha alimentar, com importante papel na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis. 08/05/2018 24 O termo taste (traduzido como “sabor” para português) está relacionado apenas às sensações despertadas pelo paladar, que incluem o sabor doce, salgado, azedo e amargo. Porém é usado para indicar o complexo estímulo sensorial decorrente de olfato, paladar e tato, mas a contribuição do sistema visual e auditivo na identificação, escolha e apreciação da comida também é apontada. Embora o sabor tenha esse papel central, muitas pessoas têm medo do prazer em comer. Um estilo de vida saudável é comumente assumido como algo que não pode ser prazeroso, e uma alimentação prazerosa é, muitas vezes, tida como não saudável – associada ao “engordativo e proibido”. T al conceito pode fazer com que a ingestão desses alimentos cause ansiedade e culpa, que podem ser agravados pelo discurso de saúde pública que ressalta o “prazerdisciplinado” com práticas moderadas e restritas. 08/05/2018 25 A comida é, portanto, associada a sentimentos ambivalentes: prazer e culpa. A culpa pode fazer alguém mudar o comportamento na tentativa de fazer diferente para não sentir mais esse sentimento “ruim”, mas também pode levar a sentimentos de impotência e perda de controle, causando prejuízo na qualidade de vida, afetando a autoestima, a saúde e o controle do peso corporal. Além da determinação do sabor, “ser saudável” tem se tornado um importante critério na escolha de alimentos, uma vez que os indivíduos têm se tornado mais conscientes sobre nutrição, saúde e qualidade dos alimentos. Nesse sentido, dois grupos de alimentos parecem ter destaque: os alimentos orgânicos e os produtos light 08/05/2018 26 Os alimentos orgânicos – cultivados sem agrotóxicos e com uso responsável dos recursos naturais – têm sido considerados mais saudáveis que alimentos convencionais, sendo que a preocupação com a saúde tem sido apontada como um importante determinante do consumo desses alimentos, seguidos de motivos ambientais e éticos. Os produtos light – com redução de pelo menos 25% de determinado nutriente ou das calorias – são frequentemente associados (mesmo que de forma errônea, em muitos casos) à saúde, à prevenção de doenças e ao controle do peso. 08/05/2018 27 O enfoque dado à saúde como determinante do consumo pode encobrir outros importantes determinantes, uma vez que a busca por uma alimentação saudável pode ser guiada, na verdade, não somente por questões de saúde, mas por questões com o peso, com o corpo e com o desejo de um corpo magro. Observa-se, atualmente, que a magreza é muitas vezes confundida com a saúde e que a busca pela saúde pode ser modulada por uma visão de alimentação saudável enviesada, que pode assumir um padrão rígido, perfeccionista e restritivo As características do ambiente – inclusive odor, sons, iluminação, conforto e condições de limpeza – influenciam na quantidade de alimentos ingeridos e no modo de consumo, sendo um ponto explorado por restaurantes e redes de fast-food, de acordo com a proposta do estabelecimento. Locais limpos, tranquilos e confortáveis ajudam a se concentrar no ato de comer e convidam a comer devagar, enquanto lugares agitados e pouco confortáveis estimulam um consumo rápido. 08/05/2018 28 A variedade dos alimentos também pode influenciar a escolha, uma vez que algumas pessoas têm um medo maior do novo (neofobia), enquanto outras se sentem atraídas por novos alimentos (neofilia). O preço dos alimentos também exerce inegável influência sobre a escolha alimentar, principalmente para pessoas com um menor poder aquisitivo. A comida pode ter significados diversos para uma pessoa, dependendo de fatores também variados. A associação que alguém faz com a comida muitas vezes pode ser irracional para o terapeuta nutricional; e para trabalhar de forma efetiva, será necessário entender as associações para determinar os mecanismos subjacentes e aceitá-los. 08/05/2018 29 A preferência pelo sabor doce e salgado e a rejeição a sabores azedos ou amargos teve um papel na evolução, pois o sabor doce é, presumivelmente, fonte de energia e ajudou a orientar a ingestão de alimentos nutritivos e prevenir a ingestão dos que pudessem ser venenosos. Mesmo assim, o gosto por doces é diferente entre as pessoas. O paladar e as preferências alimentares que levam ao prazer em comer começam a se formar durante a gestação e o aleitamento materno e sofrem influência de múltiplos fatores, como estágio de desenvolvimento, genes que influenciam a percepção do sabor, predisposição à reação neofóbica a novos alimentos e consequências do consumo de diversos alimentos. 08/05/2018 30 Comer é um processo não apenas fisiológico, mas também, no mínimo, sociocultural e afetivo, no qual nosso corpo faz uma interface com o mundo externo. Infelizmente mesmo entre nutricionistas é comum se pensar na alimentação exclusivamente como um processo cujo objetivo primário é satisfazer as necessidades de nutrientes do corpo, e que o gosto (e todas as outras coisas não fisiológicas) são apenas “acidentes” no caminho para manter o corpo nutrido. Determinantes psicossocioculturais Regra da nutricionista: “Colocou na boca e gostou cospe porque engorda”. ?????????????????????????????? O paradoxo de hoje “Nunca se falou tanto de nutrição, nunca se falou tanto de dieta e nunca teve tantos problemas de peso e tanto mal-estar com a comida!!” Sofhie Deram 08/05/2018 31 O Convivemos, hoje, com oferta e disponibilidade aumentadas de alimentos, e a “vida moderna” impõe, muitas vezes, horários prejudicados para as refeições, práticas alimentares inadequadas como: Comer em frente à TV, ao computador ou dentro do carro; Escolha por alimentos convenientes e práticos, como fast-foods; Os indivíduos têm se tornado mais conscientes sobre nutrição, saúde e a qualidade dos alimentos, e ser saudável tem se tornado um importante critério na compra de alimentos. Cuidado com o oportunismo da indústria! 08/05/2018 32 A mídia tem papel nesse ambiente ao divulgar alimentos “saborosos” e convenientes concentrando- se muitas vezes nas crianças e adolescentes e ditando padrões de consumo. Ao mesmo tempo, ela alimenta a cultura da magreza e perpetua mitos e crenças inadequados sobre alimentação e nutrição. Mídia e alimentação A mídia por meio dos meios de comunicação exerce uma enorme influência na formação dos hábitos alimentares; Mídia - informações e notícias dessas novas descobertas; Toda informação merece cautela; Busca incessante = Perda de Peso, Estética e Qualidade de vida Influência da mídia na formação de Hábitos Alimentares 08/05/2018 33 Existem dois aspectos que a Mídia proporciona Positivo e Negativo POSITIVO Através de informações cientificamente corretas, em relação a uma alimentação equilibrada que pode prevenir ou até mesmo curar determinadas doenças, sendo divulgada pela TV, rádio, jornais e revista para população leiga. Influência da Mídia na Formação de Hábitos Alimentares NEGATIVO Através de propagandas enganosas ou somente preocupadas com o consumo de mercado, que visam interesses industriais e políticos = hábitos alimentares não saudáveis. Influência da Mídia na Formação de Hábitos Alimentares 08/05/2018 34 Conjugando aspectos emocionais com sociais, a família tem um papel muito importante na definição de padrões e escolhas. A partir da definição de cultura e seu papel no comportamento do consumidor, fica clara sua influência sobre economia, disponibilidade, acesso e preço dos alimentos, mídia e, também, sobre as preferências alimentares dos indivíduos.. O primeiro contato do ser humano com a comida é o leite; Experiência que se expande para uma variedade de comidas e preparações, atitudes e rituais, deixando de ser apenas uma fonte de nutrição e prazer sensorial para ser uma marca social, uma experiência estética, uma entidade moral; E essas transformações são direcionadas pelas tradições específicas de cada cultura; 08/05/2018 35 O paladar e as preferências alimentares começam, portanto, a se formar no biológico, mas, ao longo da vida, sofrem influência de diversos outros fatores. Estes incluem: o meio, a cultura, experiências prévias, habilidade para desenvolver preferências alimentares baseadas nas associações com contextos, acesso, disponibilidade, exposições repetidas aos alimentos, situações envolvidas no consumo, crenças e tradições culinárias, regras de alimentação da família e do grupo e informações damídia. A comida é carregada de subjetividade e conceitos de identidade: alimentos podem ser atribuídos a certos grupos sociais e culturais e rejeitados por outros. Assim, “o desgosto pela comida de outra cultura reafirma a distância de um indivíduo à cultura do outro”. 08/05/2018 36 É evidente que a atitude e comportamento alimentar se colocam como fundamentais para as escolhas alimentares, ou até como determinantes da escolha pela nossa comida. Portanto, quando comemos (e queremos trabalhar com o “comedor”) temos que tratar de prazer, saúde, significados e códigos simbólicos, as relações proporcionadas pela alimentação, questões emocionais, de identidade cultural e social e tomada de decisões. As mudanças de comportamento que se pretende propor, não se restringem ao consumo de alimentos, “mas tem influência sobre toda uma constelação de significados ligados ao comer, ao corpo e ao viver”. Temos o desafio de mudar comportamentos sem perder os significados da alimentação e a capacidade crítica. 08/05/2018 37 Pedro Escudero foi um médico argentino que influenciou todo o campo científico da Nutrição na América Latina. Criou o Instituto Nacional de Nutrição em 1926, a Escola Nacional de Dietistas em 1933 e o curso de médicos "dietólogos" da Universidade de Buenos Aires. Muitos dos primeiros médicos que se dedicaram ao estudo da Nutrição no Brasil e também as primeiras Dietistas/Nutricionistas estudaram nos cursos por ele promovidos. 08/05/2018 38 Quantidade Qualidade Harmonia Adequação LEIS DA ALIMENTAÇÃO (ESCUDERO, 1938): “A quantidade de alimentos deve ser suficiente para cobrir as exigências energéticas do organismo e manter o equilíbrio do seu balanço” . Lei da Quantidade: 08/05/2018 39 Existem dois conceitos nesta lei: A energia fornecida deve ser suficiente para o desempenho das atividades orgânicas Balanço de nutrientes deve ser adequado, quando se permite a manutenção da saúde • Equilibrado: se as perdas são iguais à ingestão; • Positivo: quando se elimina menos do que se ingeriu; • Negativo: quando o que se elimina é superior ao ingerido. Lei da Quantidade: O regime alimentar deve ser completo em sua composição, para oferecer ao organismo, que é uma unidade indivisível, todas as substâncias que o integram. O plano alimentar completo inclui todos os nutrientes, que devem ser ingeridos diariamente. Lei da Qualidade 08/05/2018 40 A alimentação completa inclui, implicitamente, todos os nutrientes que devem ser ingeridos diariamente nas quantidades recomendadas para cada um deles. A alimentação é considerada carente quando a alimentação não oferece um ou mais nutrientes necessários, ou se apresenta em quantidade abaixo do mínimo recomendado Lei da Qualidade A quantidade dos diversos nutrientes que integram a alimentação deve guardar entre si uma relação proporcional. Lei da Harmonia 08/05/2018 41 O nosso organismo aproveita corretamente os nutrientes quando estes se encontram em proporções adequadas. Assim, é importante haver um equilíbrio entre eles, pois as substâncias não agem isoladamente, mas em conjunto. Por exemplo: A relação entre a ingestão de carboidratos, proteínas e gorduras. Lei da Harmonia A finalidade da alimentação deve estar subordinada à adequação ao organismo: • adequação da alimentação ao organismo sadio ou enfermo • adequação ao momento biológico do indivíduo; • adequação ao hábito alimentar do indivíduo; • adequação à situação econômica; • adequação à aceitação da alimentação pelo indivíduo. Lei da Adequação 08/05/2018 42 A alimentação saudável deve ser quantitativamente suficiente, qualitativamente completa, além de harmoniosa em seus componentes e adequada à sua finalidade e ao organismo a que se destina. União das Leis Nutrientes Energéticos: CHO, PTN, LIP Nutrientes Construtores: PTN, água e minerais Nutrientes Reguladores: Minerais, Vitaminas, água e fibras Alimentação Equilibrada