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ENADE COMENTADO 2007 
Enfermagem 
Chanceler
Dom Dadeus Grings
Reitor
Joaquim Clotet
Vice-Reitor
Evilázio Teixeira
Conselho Editorial
Ana Maria Lisboa de Mello
Elaine Turk Faria
Érico João Hammes
Gilberto Keller de Andrade
Helenita Rosa Franco
Jane Rita Caetano da Silveira
Jerônimo Carlos Santos Braga
Jorge Campos da Costa
Jorge Luis Nicolas Audy – Presidente
José Antônio Poli de Figueiredo
Jurandir Malerba
Lauro Kopper Filho
Luciano Klöckner
Maria Lúcia Tiellet Nunes
Marília Costa Morosini
Marlise Araújo dos Santos
Renato Tetelbom Stein
René Ernaini Gertz
Ruth Maria Chittó Gauer
EDIPUCRS
Jerônimo Carlos Santos Braga – Diretor
Jorge Campos da Costa – Editor-chefe
Beatriz Sebben Ojeda 
Andréia da Silva Gustavo 
Beatriz Regina Lara dos Santos 
Marion Creutzberg 
Valéria Lamb Corbellini 
(Organizadores) 
 
 
 
 
 
 
ENADE COMENTADO 2007 
Enfermagem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
2010 
© EDIPUCRS, 2010
CAPA Vinícius de Almeida Xavier
DIAGRAMAÇÃO Gabriela Viale Pereira
REVISÃO Rafael Saraiva
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS.
EDIPUCRS – Editora Universitária da PUCRS
Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 33
Caixa Postal 1429 – CEP 90619-900 
Porto Alegre – RS – Brasil
Fone/fax: (51) 3320 3711
e-mail: edipucrs@pucrs.br - www.pucrs.br/edipucrs
E56 ENADE comentado 2007 : enfermagem [recurso eletrônico] / 
 organizadores, Beatriz Sebben Ojeda ... [et al.]. – Dados 
 eletrônicos. – Porto Alegre : EDIPUCRS, 2010.
 103 p.
 Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader
 Modo de Acesso:
 <http://www.pucrs.br/edipucrs/enade/enfermagem2007.pdf>
 ISBN 978-85-7430-984-2 (on-line)
 1. Ensino Superior – Brasil – Avaliação. 2. Exame 
 Nacional de Desempenho de Estudantes. 3. Enfermagem – 
 Ensino Superior. I. Ojeda, Beatriz Sebben.
 CDD 378.81
Questões retiradas da prova do ENADE 2007 da área de Enfermagem
SUMÁRIO 
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................7
 
COMPONENTE ESPECÍFICO 
 
QUESTÃO 11 ............................................................................................................ 10
Beatriz Sebben Ojeda e Olga Rosaria Eidt 
QUESTÃO 12 ............................................................................................................ 14
Karin Viegas e Marion Creutzberg 
QUESTÃO 13 ............................................................................................................ 17
Fátima Rejane Ayres Florentino e Simone Travi Canabarro 
QUESTÃO 14 - ANULADA ........................................................................................ 20
 
QUESTÃO 15 ............................................................................................................ 21
Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo e Valéria Lamb Corbellini 
QUESTÃO 16 ............................................................................................................ 23
Janete de Souza Urbanetto e Karin Viegas 
QUESTÃO 17 ............................................................................................................ 25
Karin Viegas e Karen Ruschel 
QUESTÃO 18 ............................................................................................................ 28
Karen Ruschel e Isabel Cristina Kern Soares 
QUESTÃO 19 ............................................................................................................ 30
Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi Canabarro 
QUESTÃO 20 ............................................................................................................ 32
Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi Canabarro 
QUESTÃO 21 ............................................................................................................ 36
Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi Canabarro 
QUESTÃO 22 ............................................................................................................ 40
Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi Canabarro 
QUESTÃO 23 - ANULADA ........................................................................................ 44
 
QUESTÃO 24 ............................................................................................................ 46
Beatriz Regina Lara dos Santos e Olga Rosaria Eidt 
QUESTÃO 25 ............................................................................................................ 49
Karen Ruschel e Fátima Rejane Ayres Florentino 
QUESTÃO 26 ............................................................................................................ 54
Beatriz Sebben Ojeda e Vera Beatriz Delgado 
QUESTÃO 27 ............................................................................................................ 56
Beatriz Regina Lara dos Santos e Vera Beatriz Delgado 
QUESTÃO 28 ............................................................................................................ 59
Karen Ruschel e Beatriz Regina Lara dos Santos 
QUESTÃO 29 - ANULADA ........................................................................................ 62
 
QUESTÃO 30 ............................................................................................................ 63
Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo e Fátima Rejane Ayres Florentino 
QUESTÃO 31 ............................................................................................................ 67
Fátima Rejane Ayres Florentino e Isabel Cristina Kern Soares 
QUESTÃO 32 ............................................................................................................ 69
Andréia da Silva Gustavo e Valéria Lamb Corbellini 
QUESTÃO 33 ............................................................................................................ 73
Karin Viegas e Maria Cristina Lore Schilling 
QUESTÃO 34 ............................................................................................................ 76
Beatriz Sebben Ojeda e Vera Beatriz Delgado 
QUESTÃO 35 ............................................................................................................ 79
Andréia da Silva Gustavo e Maria Cristina Lore Schilling 
QUESTÃO 36 - ANULADA ........................................................................................ 83
 
QUESTÃO 37 - DISCURSIVA ................................................................................... 84
Maria Cristina Lore Schilling e Janete de Souza Urbanetto 
QUESTÃO 38 - DISCURSIVA ................................................................................... 89
Olga Rosaria Eidt e Marion Creutzberg 
QUESTÃO 39 - DISCURSIVA ................................................................................... 94
Heloisa Reckziegel Bello, Simone Travi Canabarro e Marisa Reginatto Vieira 
QUESTÃO 40 - DISCURSIVA ................................................................................... 98
Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo e Isabel Cristina Kern Soares 
 
LISTA DE CONTRIBUINTES .................................................................................. 102
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 7 
APRESENTAÇÃO 
A formação dos(as) profissionais da Saúde, em nível de Graduação, está 
amparada pela Lei nº 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases, que fundamenta a 
Educação Superior no Brasil, e nas Políticas de Saúde vigentes. Considerando os 
desafios de formar profissionais/cidadãos com competências e habilidadespara 
dar conta da complexa realidade da saúde, nacional e mundial, a criação do 
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES, Lei nº 
10.861/2004 propõe parâmetros essenciais para a avaliação da Educação 
Superior. O SINAES preconiza uma formação que atenda a princípios de 
qualidade e relevância voltados para as necessidades de desenvolvimento do 
país. Assim, a avaliação permanente de todos os processos formativos precisa 
estar incorporada no cotidiano das instituições de ensino, aproximando-a da 
realidade social de cada área. 
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE – constitui-
se em uma das etapas de avaliação do SINAES. Seu propósito é avaliar o 
desempenho dos estudantes, identificando se as condições de ensino, o 
conhecimento, as competências e as habilidades pretendidas e a metodologia 
utilizada estão em conformidade com os princípios e orientações das Diretrizes 
Curriculares do Curso em avaliação. As Diretrizes Curriculares da Área da Saúde 
orientam para a formação de um novo profissional/cidadão, alinhando-a aos 
princípios do Sistema Único de Saúde – SUS, para atender às demandas da 
saúde, na sociedade contemporânea. Para isso, e também conforme as referidas 
diretrizes, é necessária a formação generalista com o desenvolvimento de 
competências comuns às profissões, bem como as específicas de cada uma 
delas para que a saúde seja atendida de maneira integral. Portanto, a premissa 
da interdisciplinaridade como forma de ser, de fazer, de conhecer e de conviver, 
precisa estar incorporada na concepção dos profissionais, a qual também está 
subjacente na avaliação da qualidade dos cursos nessa área. 
O ENADE Comentado, do Curso de Graduação em Enfermagem, da 
Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia – FAENFI – tem como 
propósito discutir, com a comunidade acadêmica da Faculdade, as questões que 
compuseram o ENADE 2007, promovendo e ampliando debates relativos às 
8 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
práticas e ao cenário da Saúde no qual se insere a Enfermagem. Ao mesmo 
tempo como instrumento de avaliação, oportuniza reflexões acerca do processo 
pedagógico desenvolvido ao longo do Curso. 
A prova do ENADE/2007 do Curso de Enfermagem é composta por 40 
questões assim constituídas: 10 questões de formação geral, 30 questões de 
conteúdo específico, sendo 26 com respostas objetivas e 4 questões discursivas. 
Também integra a Prova do ENADE um questionário no qual o estudante refere 
sua percepção acerca do curso e estrutura do mesmo, no contexto da 
Universidade. 
Nesta publicação são apresentadas e discutidas as 30 questões 
específicas da área da Enfermagem do ENADE 2007. As discussões estão 
fundamentadas em publicações e nas políticas de saúde vigentes, devidamente 
referenciadas para que o leitor possa ampliar a reflexão acerca das temáticas 
abordadas pelas questões. As referências foram inseridas conforme as 
orientações de Vancouver, comumente utilizadas na documentação em Saúde. 
Ressaltamos que a realização deste e-book só foi possível pelo 
envolvimento do corpo docente do Curso de Enfermagem. Agradecemos de 
maneira muito especial a toda equipe da FAENFI que assumiu com 
responsabilidade e competência a elaboração do presente e-book. 
Nosso agradecimento à Prof.ª Dr. Solange Medina Ketzer, Pró-Reitora de 
Graduação/PUCRS, extensivo à sua equipe pelo apoio e estímulos permanentes. 
Esta publicação eletrônica – ENADE Comentado 2007: Enfermagem – 
FAENFI – insere-se na coleção da EDIPUCRS. Almejamos que o referido material 
possa ser um instrumento de consulta para estudantes, docentes e profissionais 
de saúde, bem como de revisão e reformulação de metodologias de ensino e de 
aprendizagem. 
 
Beatriz Sebben Ojeda 
Diretora da Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia – FAENFI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPONENTE ESPECÍFICO 
 
10 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 11 
Considere o gráfico, a tabela e as afirmações abaixo: 
 
No período, o percentual da população com acesso a rede geral de 
abastecimento de água 
I. melhorou em todas as regiões do país. O acesso da população a esse 
serviço, traduz-se na redução da incidência de doenças de transmissão 
hídrica e, conseqüentemente, em menor número de óbitos no componente 
tardio do CMI, que diminuiu de uma maneira geral em todo o país. 
II. aumentou 7% e 18%, respectivamente, nas regiões Norte e Sudeste. Na 
região Sudeste, o CMI passou de 57,7 para 22,2. Os dados sugerem que o 
acesso da população a esse serviço é um dos fatores que pode ser 
associado à queda do Coeficiente de Mortalidade Infantil. 
III. foi semelhante nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, porém a queda da 
mortalidade infantil foi mais acentuada na região Nordeste. Os dados 
indicam que o acesso da população a esse serviço não interfere na 
mortalidade infantil. 
IV. foi menor na região Sul e maior nas regiões Norte e Nordeste, comparado 
com as outras regiões. Os dados revelam que o CMI está diretamente 
relacionado com o acesso da população a esse serviço, porque o 
Coeficiente decresceu nas três regiões. 
Com relação aos dados apresentados, está correto APENAS o que se afirma em 
(A) IV. 
(B) III e IV. 
(C) II. 
(D) I e II. 
(E) I. 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 11 
Gabarito: D 
Autoras: Beatriz Sebben Ojeda e Olga Rosaria Eidt 
Comentário: 
O Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI) é um dos mais sensíveis 
indicadores de saúde e, talvez o mais utilizado dentre os coeficientes de 
mortalidade. A redução da mortalidade infantil, apesar do seu declínio observado 
é ainda um grande desafio no País para os gestores, profissionais de saúde e a 
sociedade como um todo. A organização da assistência à criança no primeiro ano 
de vida requer uma rede de assistência integral, qualificada e humanizada em 
benefício da criança e da família brasileira. “A redução média anual da Taxa de 
Mortalidade Infantil (TMI) no País foi de 4,8% ao ano, entre 1990 e 2007” 1:9. 
A questão 11- ENADE 2007 em pauta relaciona “a população com acesso 
à rede geral de abastecimento de água por região do Brasil, no período de 1980, 
1991 e 2000, com o Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI) por mil nascidos 
vivos por região, nos mesmos períodos”. 
As afirmativas I e II estão corretas. Ambas afirmam, conforme apresenta o 
gráfico, que o acesso a rede geral de abastecimento de água melhorou em todas 
as regiões do país. A afirmativa I também aborda, que o acesso da população a 
esse serviço se traduz na redução da incidência de doenças de transmissão 
hídrica e, consequentemente, em menor número de óbitos no componente tardio 
do CMI, o qual diminuiu de uma maneira geral em todo o país. 
Segundo do Ministério da Saúde, o componente tardio do CMI, refere-se ao 
período pós-neonatal que está relacionado aos óbitos em crianças de 28 dias até 
um ano de idade e está fortemente ligado a fatores ambientais – causas externas, 
cujas condições socioeconômicas desempenham importante papel. A Agenda de 
Compromissos para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade 
Infantil e que orienta para atividades de todos os profissionais que cuidam da 
criança, indica que o cuidado integral requer a “responsabilidade de disponibilizar 
a atenção necessária em todos os níveis: da promoção à saúde ao nível mais 
complexo de assistência, do lócus próprio da atenção à saúde aos demais setores 
que têm interface estreita e fundamental com a saúde como moradia, água 
tratada [...]”. 2:43 
12 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
Também na Afirmativa II, segundo dados da Tabela, a região Sudeste 
reduziu o CMI 57,7para 22,2, sugerindo que o acesso da população a rede geral 
de abastecimento de água é um dos fatores que pode ser associado à queda do 
CMI. Em relação a esta afirmativa, conforme Pesquisa Nacional de Saneamento 
Básico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abastecimento 
de água é uma questão essencial para as populações. A ausência de 
abastecimento ou o fornecimento inadequado traz grandes riscos à saúde pública, 
e daí a necessidade de universalização destes serviços. Embora se identifique a 
ampliação do abastecimento de água para a população em nível Nacional, 
constata-se que ela se dá de forma desigual, o que compromete a saúde da 
população daquelas regiões menos favorecidas3. Nesse sentido, o Ministério da 
Saúde destaca que no período 1990 a 2007 projetos intersetoriais foram 
estratégias importantes que contribuíram para a redução da TMI1. 
As Afirmativas III e IV estão incorretas. A Afirmativa III refere que o 
percentual da população com acesso a rede geral de abastecimento de água foi 
semelhante nas regiões Centro-Oeste (de 40% em 1980 para 73% em 2000 que 
corresponde a um acréscimo de 33%) e Nordeste (de 32% em 1980 para 65% em 
2000, correspondendo a um acréscimo de 33%) o que está correto. Também 
afirma que a queda da mortalidade infantil foi mais acentuada na região Nordeste 
(de 97,1 em 1980 para 45,2 em 2000, correspondendo a 53,4% de redução), do 
que na Região Centro-Oeste (de 47,9 em 1980 a 23,3 em 2000, correspondendo 
a 51,3% de redução), o que também está correto. Entretanto, a afirmativa que diz: 
“os dados indicam que o acesso da população a esse serviço não interfere na 
mortalidade infantil” não corresponde ao que informa a Pesquisa Nacional de 
Saneamento Básico, que o abastecimento de água é uma questão essencial para 
as populações. A ausência de abastecimento ou o fornecimento inadequado traz 
grandes riscos à saúde pública3. 
Em uma análise mais detalhada observa-se que o CMI no Nordeste 
permanece a mais elevada, entre as cinco grandes regiões brasileiras, como já 
ocorria anteriormente na década de 80 e 90. Porém, pode-se inferir que o acesso 
à rede geral de abastecimento de água foi um fator contributivo ao decréscimo da 
mortalidade infantil, pois o percentual de redução desse coeficiente, numa leitura 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 13 
retrospectiva, mostra que vem acontecendo gradativamente, como também nas 
outras regiões. 
A Afirmativa IV aborda que o percentual da população com acesso a rede 
geral de abastecimento de água foi menor na região Sul e maior nas regiões 
Norte e Nordeste comparado com as outras regiões. Tal afirmativa não está 
correta, pois o menor acesso a rede geral de abastecimento de água em nível 
Nacional foi a região Norte (de 40% em 1980 a 47% em 2000, correspondendo a 
um acréscimo de apenas 7%) e não da Região Sul (de 49% em 1980 a 79% em 
2000, correspondendo um acréscimo de 30%). Em relação à segunda parte da 
afirmativa IV: “os dados revelam que o CMI está diretamente relacionado com o 
acesso da população a esse serviço, porque o Coeficiente decresceu nas três 
regiões” também está incorreta, pois o acesso ao abastecimento de água é um 
dos indicativos para a redução da MI, mas não o único. Salienta-se que o 
abastecimento de água nas três regiões foi desigual (o acréscimo de 30% na 
Região Sul; 33% na Região Nordeste; e 7% na Região Norte) e que o percentual 
de redução do CMI nas três regiões foi expressivo (55,4% na Região Sul; 53,4% 
na Região Nordeste; e 49,3% na Região Norte) o que indica a influência de outros 
fatores para a diminuição desse coeficiente, principalmente, considerando a 
reduzida ampliação do abastecimento de água ocorrida na Região Norte. 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância e Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas. Manual de Vigilância do óbito Infantil e Fetal. 
Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas Estratégicas. Agenda de Compromissos para a saúde 
integral da criança e redução da mortalidade infantil. Brasília: Ministério da 
Saúde; 2005. 
3. Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística-IBGE. Departamento de População e Indicadores 
Sociais. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000. Rio de Janeiro, 2002. 
Disponível em: 
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pnsb/pnsb.pdf 
14 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 12 
O gráfico apresenta a relação da variação do volume do parênquima pulmonar, 
segundo a variação da pressão transpulmonar, em dois grupos de pacientes, 
conforme descrito na legenda. 
 
Considerando o gráfico e a atual Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, é 
correto afirmar que a alteração funcional e a porta de entrada da atenção à saúde 
do grupo de idosos são, respectivamente, 
(A) elasticidade pulmonar diminuída e serviços especializados de média 
complexidade. 
(B) fragilidade e serviços especializados de alta complexidade. 
(C) fibrose pulmonar e atenção básica/Saúde da Família. 
(D) atelectasia pulmonar e serviços especializados de alta complexidade. 
(E) complacência pulmonar aumentada e atenção básica/Saúde da Família. 
 
Gabarito: E 
Autoras: Karin Viegas e Marion Creutzberg 
Comentário: 
Os pulmões são os principais órgãos do sistema respiratório e sofrem 
mudanças significativas com o envelhecimento. Com a idade, as paredes dos 
alvéolos tornam-se mais finas, o número de capilares diminui, os ductos dos 
alvéolos tornam-se estocados, causando um alargamento e o rompimento dos 
alvéolos. Essas mudanças na estrutura alveolar diminuem a área de superfície de 
troca gasosa, embora o número de alvéolos permaneça relativamente o mesmo. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 15 
Outra alteração são as cartilagens costais, que ficam enrijecidas e diminuem a 
complacência, sendo necessária a utilização da musculatura acessória (músculos 
do maxilar e pescoço e intercostais). A musculatura intercostal também se torna 
enfraquecida, aumentando o esforço respiratório. O idoso expira de forma 
incompleta e o volume residual aumenta. Esse aumento causa diminuição na 
capacidade vital. Como apenas uma parte dos pulmões é ventilada, a troca de 
gases para a circulação é mal feita, diminuindo a oxigenação do sangue 
circulante. Com a idade os quimiorreceptores sofrem mudanças, não reagindo 
adequadamente com os níveis de O2 e pH. Desse modo, as pessoas idosas são 
mais vulneráveis a doenças que afetam a respiração, como pneumonias e 
enfisemas1,2. 
Os elementos essenciais para determinar a capacidade pulmonar total 
(CPT), são a força muscular, a complacência do parênquima pulmonar e a 
complacência da parede torácica. Quando existe fraqueza dos músculos, o 
equilíbrio entre a força muscular e a distensão do sistema dá-se abaixo do 
volume, reduzindo a pressão de retração elástica máxima. Quando houver maior 
resistência elástica do parênquima pulmonar, isto é, diminuição da complacência, 
o equilíbrio será atingido antes do volume pulmonar previsto, diminuindo a CPT, 
mas com alta pressão de retração elástica máxima2. 
Na resolução desta questão o conhecimento acerca de alterações 
funcionais que ocorrem no envelhecimento, de antemão, auxiliaria o respondente 
a descartar as alternativas B, C e D, pois estas se referem a doenças e/ou sinais 
de patologias respiratórias. Assim, quanto à alteração funcional, poderiam ser 
consideradas corretas as alternativas A e E. É, portanto, o conhecimento da 
Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, que, num segundo momento, levaria 
à definiçãoda resposta correta. 
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa3 estabelece dois eixos 
orientadores para as ações de saúde em todos os níveis de atenção: a) a 
promoção da saúde e da integração social; b) o enfrentamento de fragilidades. 
A situação descrita na questão 12 refere-se, como dito, a alterações do 
envelhecimento que devem ser acompanhadas na Atenção Básica, na 
perspectiva da manutenção da independência para a realização das atividades da 
vida diária e autonomia. O desafio é, a despeito das alterações e possíveis 
16 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
limitações delas decorrentes, que se possa buscar a máxima independência e 
autonomia, com qualidade de vida. Esse é o paradigma de saúde proposto pela 
Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. 
A Atenção Básica constitui acesso preferencial dos idosos ao sistema de 
saúde e a finalidade desta deve ser a de buscar a maior resolutividade possível 
nesse nível de atenção. Ações dirigidas aos idosos individualmente, bem como à 
coletividade na comunidade e as atividades de grupo de idosos são recursos 
bastante apropriados para atuação com esse grupo etário. 
A capacitação das equipes de saúde da família e a implementação do uso 
de instrumentos de avaliação para acompanhamento da saúde da pessoa idosa e 
a detecção de fragilidades é fundamental. A criação da Caderneta de Saúde da 
Pessoa Idosa é um instrumento valioso que pode auxiliar na identificação das 
pessoas idosas frágeis ou em risco de fragilização. 
Referências 
1. Barreto SSM. Volumes pulmonares. J Pneumol. 2002; 28 Supl: 83-94. 
2. Roach S. Introdução à Enfermagem Gerontológica. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan; 2003. 
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: 
Ministério da Saúde; 2006. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 17 
QUESTÃO 13 
Foi prescrita para uma criança 320 miligramas de Vancomicina® via intravenosa, 
de 12/12 horas. Cada frasco-ampola contém 0,5 grama. Quais são os cuidados 
de enfermagem que devem ser considerados para garantir a administração 
segura dessa droga? 
(A) Reconstituir o medicamento em 5 mL de SF a 0,9%, aspirar 3,2 mL, rediluí-lo 
em 50 mL de SG a 5%, infundi-lo a 50 mL/h. Não associá-lo com 
aminoglicosídeo. 
(B) Reconstituir o medicamento em 5 mL de água destilada, aspirar 3,2 mL, 
rediluí-lo em 80 mL de SF a 0,9%, infundi-lo a 40 mL/h. Associá-lo com anti-
histamínico. 
(C) Reconstituir o medicamento em 9 mL de SF a 0,9%, aspirar 6,4 mL, rediluí-lo 
em 50 mL de SF a 0,9%, infundi-lo a 25 mL/h. Associá-lo com penicilina. 
(D) Reconstituir o medicamento em 10 mL de água destilada, aspirar 6,4 mL, 
rediluí-lo em 100 ml de SG a 5%, infundi-lo a 100 mL/h. Não associá-lo com 
aminoglicosídeo. 
(E) Reconstituir o medicamento em 10 mL de água destilada, aspirar 3,2 mL, 
rediluí-lo em 100 mL de SG a 5%, infundi-lo a 150 mL/h. Não associá-lo com 
Anfotericina-B. 
 
Gabarito: D 
Autoras: Fátima Rejane Ayres Florentino e Simone Travi Canabarro 
Comentário: 
A enfermagem tem a responsabilidade da administração de medicamentos 
prescritos pelo médico, estar alerta, conhecer a ação das substâncias, das 
dosagens seguras e das possíveis respostas do paciente pediátrico é 
imprescindível na prática diária da (o) enfermeira (o). 
Entende-se que a administração de medicamentos em crianças é um dos 
aspectos mais desafiadores e críticos da enfermagem pediátrica, uma vez que, 
sua administração necessita focalizar-se nas considerações de desenvolvimento 
relacionadas à idade e peso, porque os efeitos farmacocinéticos e 
farmacodinâmicos das drogas são menos previsíveis nas crianças, e em particular 
nos recém-nascidos pré-termos e lactentes1. Frente ao exposto considera-se de 
suma importância salientar os cuidados de enfermagem antes e após a 
administração da Vancomicina® que engloba: o preparo da solução e estabilidade 
18 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
da mesma, a sua reconstituição, a sua concentração em miligramas, a dosagem a 
ser administrada compatibilidade com outras soluções a sua ação nefrotóxica e 
sua administração com outros fármacos aminoglicosídeos, bem como no que se 
refere à inspeção do medicamento antes de administrar e rigoroso controle do 
gotejo da mesma. 
Preparo da solução e estabilidade: adicionar 10 ml de água estéril para 
injeção no frasco-ampola. O frasco ampola assim reconstituído fornece uma 
solução de 50 mg/ml. Após reconstituição, se obtém a solução de Vancomicina® 
500mg/10ml. Nesse caso, para obtermos 320 mg aplica-se a regra de 3, sendo 
que em 10ml da solução tem-se 500 mg , logo, em 6,4 ml ter-se-á 320 mg. O 
restante da solução pode ser armazenada em geladeira por 14 dias sem perda 
significante da potência. 
Compatibilidade com soluções intravenosas: é necessária a diluição 
posterior dos 6,4 ml com pelo menos 100 ml de diluente (soro glicosado 5% ou 
soro fisiológico 0,9%)2. A dose desejada, diluída dessa maneira, é administrada 
por infusão intravenosa intermitente por um período de pelo menos 60 minutos, 
ou seja, 100 ml/hora ou 100 microgotas por minutos. 
Ação nefrotóxica e sua administração com outros aminoglicosídeos: a 
administração da Vancomicina® com aminoglicosídeos está contraindicada, pois a 
mesma possui ação nefrotóxica, podendo potenciar esse efeito, uma vez que, os 
aminoglicosídeos apresentam propriedades nefrotóxicas2. Exemplos de 
aminoglicosídeos: amicacina (Amicilon®), anfotericina B (Anforicin®), entre outros. 
Portanto, faz-se necessário o controle de diurese rigoroso. O volume de diurese 
esperado para crianças menores de 1 ano de idade é de 2m/K/h e maiores de 1 
ano é de 1 ml/K/h3. 
Inspeção do medicamento antes de administrar e controle do gotejo: a 
solução parenteral deve ser inspecionada visualmente para a existência de 
partículas e descoloração da solução antes da administração, quando o recipiente 
permitir. 
A administração de Vancomicina® (glicopeptídeo tricíclico) deve ser 
exclusivamente endovenosa e lenta, uma vez que, se aplicada em gotejamento 
rápido leva a hipotensão e choque. Por esse motivo, não deve ser infundida num 
período inferior a 60 minutos2. Sua rediluição não deve ser inferior ao volume de 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 19 
100ml. Com isso, conclui-se que cada dose deve ser administrada numa 
velocidade de até10 mg/min ou num período de pelo menos 60 minutos. É 
contraindicada a via intramuscular por ser irritante para os tecidos, podendo 
causar necrose.2 
Referências 
1. Bowden VR, Greenberg, CS. Procedimentos de enfermagem pediátrica. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005. 
2. Ministério da Saúde (Brasil), Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA). Bulário Eletrônico da ANVISA; [lançado em 17 de maio de 2005; 
acesso em 22 de set. de 2009] Disponível em: 
http://www.anvisa.gov.br/bularioeletronico/ 
3. Florentino FRA, Bergmann MA. Atendimento no trauma pediátrico. In: Estran 
NVB. Sala de emergência: emergências clínicas e traumáticas. Porto Alegre: 
UFRGS; 2003. p. 143 -165. 
20 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 14 
Mário, 40 anos, compareceu ao Pronto Socorro com queixa de cefaléia intensa e 
fotofobia. Na avaliação inicial, o enfermeiro mediu a pressão arterial utilizando um 
manguito com largura que correspondia a 40% da circunferência de seu braço e 
bolsa inflável de comprimento que envolvia 90% do braço. Durante a deflação do 
manguito o enfermeiro auscultou o primeiro som (Fase I de Korotkoff) no valor de 
138 mmHg na escala do manômetro, porém os sons persistiram até o zero, com 
abafamento no valor de 88 mmHg. Considerando as circunstâncias descritase as 
observações realizadas, qual o registro correto relacionado com os valores da 
pressão arterial? 
(A) PA = 135/85 mmHg. 
(B) PA = 138/88 mmHg (manguito estreito em relação à circunferência do 
braço). 
(C) PA = 135/0 mmHg. 
(D) PA = 135/85/0 mmHg (manguito estreito em relação à circunferência do 
braço). 
(E) PA = 138/88/0 mmHg. 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 21 
QUESTÃO 15 
Ana, 55 anos, após herniorrafia inguinal, ficou cerca de 12 horas sem urinar e 
começou a apresentar eliminação freqüente de pequena quantidade de urina, 
além de bexiga palpável e sensação de desconforto em abdome inferior. 
Considerando esse quadro clínico, a enfermeira da unidade cirúrgica prescreve: 
I. Favorecer a micção, permitindo a paciente urinar sentada. 
II. Estimular a micção por meio do barulho, visão da água corrente e irrigação 
do períneo com água morna. 
III. Realizar cateterização vesical de alívio. 
IV. Manter uso contínuo de fralda. 
 
No caso de Ana, a prescrição contida no item 
(A) I é contraindicada no 1º pós-operatório. 
(B) II não se aplica a esse quadro clínico. 
(C) III deve ser precedida das prescrições contidas nos itens I e II. 
(D) III deve ser realizada apenas por prescrição médica. 
(E) IV deve ser precedida da prescrição contida no item I. 
 
Gabarito: C 
Autoras: Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo e Valéria Lamb Corbellini 
Comentário: 
A questão aborda os cuidados no pós-operatórios de herniorrafia inguinal e 
indicação de sondagem vesical de alívio. 
As hérnias inguinais são devidas ao enfraquecimento da musculatura 
abdominal por malformação congênita, lesão traumática, envelhecimento ou ainda 
aumento da pressão intra-abdominal. A escolha do tratamento depende do tipo de 
hérnia. A herniorrafia é o tratamento indicado para hérnia inguinal em pacientes 
adultos, podendo ser realizada com anestesia geral ou raquidiana. Em casos 
simples a cirurgia pode ser laparoscópica.1 Em relação à indicação de sondagem 
de alívio a mesma deverá ser realizada, pelo enfermeiro, após as medidas de 
estimulo à micção, por meio de técnicas não invasivas, não obterem resultados 
efetivos.1,2 
As opções apresentadas na questão são: 
22 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
I. Favorecer a micção, permitindo a paciente urinar sentada. 
Esse item ESTÁ CORRETO. Após a cirurgia, pode haver retenção urinária 
por edema ou efeito anestésico. Caso seja necessário favorecer a micção, o 
paciente deve ser orientado a urinar sentado, para não pressionar o abdome.1,2 
II. Estimular a micção por meio do barulho, visão da água corrente e 
irrigação do períneo com água morna. 
Esse item ESTÁ CORRETO. Mesmo não ficando claro na questão o motivo 
da retenção, normalmente, as intervenções de enfermagem preconizadas para 
esta situação envolve o estimulo da diurese antes de proceder a cateterização 
vesical.1,2 
III. Realizar cateterização vesical de alívio. 
Esse item ESTÁ CORRETO. Se os procedimentos não invasivos, descritos 
nos itens I e II, não tiverem resultados efetivos, a enfermeira deverá realizar a 
cateterização vesical de alívio. Salienta-se que esse procedimento técnico 
somente deverá ser realizado, com prescrição médica ou por protocolos 
assistenciais previamente definidos pela Instituição. 
IV. Manter uso contínuo de fralda. 
Esse item NÃO ESTÁ CORRETO, pois não é indicado o uso de fraldas 
nessa paciente, por se tratar de uma situação temporária, decorrente do pós- 
-operatório. 
Portanto, a resposta C é a correta, porque a realização da cateterização 
vesical de alívio deve ser precedida da prescrição de medidas não invasivas que 
estimulem a micção. 
Referências 
1. Smeltzer SC. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 10ª. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 
2. Nettina SM. Prática de enfermagem, 8ª. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2007. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 23 
QUESTÃO 16 
Considere os fragmentos do discurso de um paciente: "... a caminho do centro 
cirúrgico, a maca atravessa corredores gelados, porém o frio dentro de mim não 
tem a ver com a temperatura do dia. Entre o apartamento e a mesa de operação 
tenho um longo caminho... Luto contra cada instante, tenho que chegar intacto à 
mesa. Preciso vencer alguns metros de corredores. Conto a possibilidade de vida 
por metros. Não sinto dor, indisposição, náuseas, eu poderia ter caminhado, ir 
batendo um papo...". 
(Brandão apud Jouclas et al, 1998, p. 46) 
 
Essa narrativa revela a assistência em grande parte dos hospitais no país. Mas, 
existem iniciativas no âmbito da assistência humanizada que preconizam: 
I. Práticas mais flexíveis que atendam às necessidades dos pacientes, 
possibilitando, por exemplo, que caminhem até o centro cirúrgico. 
II. Valorização da dimensão subjetiva da assistência, como o conforto, o 
acolhimento e a escuta empática, possibilitando, por exemplo, várias opções 
de transporte. 
III. Priorização do cuidado interativo, da energia criativa, emocional e intuitiva, 
envolvendo, por exemplo, a inclusão da família no acompanhamento até a 
sala cirúrgica, desconsiderando aspectos técnicos e científicos. 
IV. Articulação do cuidado técnico e científico, constituído pela enfermagem, 
com o cuidado ético e relacional efetivo, explicando ao paciente os motivos 
da obrigatoriedade desse tipo de transporte. 
 
Considerando a assistência humanizada, está correto APENAS o que se afirma 
em 
(A) I e II. 
(B) I e III. 
(C) II e III. 
(D) II e IV. 
(E) III e IV. 
 
Gabarito: A 
Autoras: Janete de Souza Urbanetto e Karin Viegas 
Comentário: 
A questão acima remete a refletir acerca de atuais temáticas no âmbito da 
saúde: a humanização do atendimento, a segurança do paciente e a ação 
unilateral das equipes de saúde. 
24 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
Com base em referenciais focados na técnica e no procedimento, as 
equipes de saúde realizaram, por longa data, um cuidado que excluía totalmente 
o paciente e sua família da tomada de decisão referente à condução do cuidado e 
a terapêutica. 
O procedimento cirúrgico é um bom exemplo. O zelo pela assepsia e 
segurança acabou por projetar protocolos de preparo pré-operatório regrado por 
horários e técnicas. O uso de medicamentos sedativos foi, talvez, o grande 
motivador para a obrigatoriedade do transporte do paciente em macas/camas. 
Contrapondo a isso, a Política Nacional de Humanização1 implica em 
mudança na cultura de atenção aos usuários, estimulando a sua participação e de 
sua família como protagonistas no sistema de saúde. 
Estudo realizado2 ressalta a importância de mudanças, por levantar 
questionamentos a respeito da necessidade de inovação dos conceitos sobre 
assistência cirúrgica e implantar uma assistência cirúrgica humanizada, deixando 
de buscar as características relacionadas a problemas burocráticos, estruturais e 
técnicos, mas sim a uma questão que envolva atitudes, comportamentos, valores 
e ética moral e profissional. 
Dessa forma, considerando a realização de uma avaliação criteriosa das 
condições do paciente, que garantam sua segurança quanto à exposição e queda 
ao solo, principalmente, a opção A demonstra essa preocupação com a mudança 
de cultura que valoriza a participação do paciente na adequação dos cuidados em 
ambiente hospitalar. 
Somente a integração das necessidades técnicas, sociais, interesses e 
desejos de cada um dos componentes poderão tornar real a humanização da 
atenção à saúde das pessoas, nesse caso, oportunizando uma ambientação e 
chagada ao bloco cirúrgico de forma mais natural possível. 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização: documento 
base para Gestores e trabalhadoresdo SUS. Brasília: Ministério da Saúde; 2008 
Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_gestores_trabalhadores
_sus_4ed.pdf. 
2. Bedin E, Ribeiro LBM, Barreto RASS – Humanização da assistência de 
enfermagem em centro cirúrgico. Revista Eletrônica de Enfermagem, 
2007(1):118–27. Disponível em http://www.fen.ufg.br 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 25 
QUESTÃO 17 
Na reunião da Liga de Diabetes, a discussão deste mês foi sobre o caso de 
Paulo, de 18 anos. Ele apresenta diabetes mellitus tipo 1 e faz tratamento com o 
esquema insulina NPH insulina ultra-rápida pré-prandial. Foi orientado a realizar 
automonitorização da glicemia antes de cada refeição e ajustar a dose da insulina 
ultra-rápida, conforme o valor da glicemia observado. Em consulta de retorno, os 
resultados dos exames e as informações de Paulo indicaram que os objetivos do 
tratamento foram alcançados, porém ele se queixou que está "cansado da rigidez 
no controle da glicemia e de tantas picadas diárias". Frente ao relato, os alunos 
de graduação em enfermagem sugeriram as seguintes intervenções: 
I. Confrontar o resultado da hemoglobina glicada com os resultados da 
glicemia pré-prandial a fim de certificar-se da adesão de Paulo ao controle 
orientado. 
II. Substituir a automonitorização da glicemia por testes de glicosúria antes das 
refeições. 
III. Manter a automonitorização domiciliar das glicemias como uma parte 
fundamental no tratamento. 
IV. Analisar, conjuntamente com Paulo, seu esquema de alimentação, 
exercícios e medicação, visando a estabelecer uma forma alternativa de 
automonitorização domiciliar das glicemias. 
 
Estão corretas APENAS as intervenções 
(A) I e II. 
(B) I e III. 
(C) II e III. 
(D) II e IV. 
(E) III e IV. 
 
Gabarito: E 
Autoras: Karin Viegas e Karen Ruschel 
Comentários: 
O Diabetes mellitus (DM) é uma síndrome metabólica em que a 
hiperglicemia é um achado comum, causado por uma secreção inadequada de 
26 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
insulina, por alterações em sua ação ou por uma combinação de ambos os 
mecanismos.1,2 
O DM1 resulta da destruição das células beta pancreáticas, 
correspondendo de 5% a 10% do total dos casos e, ocorre frequentemente em 
crianças e adolescentes, podendo também ocorrer em adultos. Na maioria dos 
casos a forma autoimune é a causa da destruição das células beta pancreáticas. 
Os marcadores de autoimunidade são os autoanticorpos (anti-insulina, anti-
descarboxilase do ácido glutâmico e anti-tirosina-fosfatase). Esses anticorpos 
podem estar presentes muito tempo antes do diagnóstico e em até 90% dos 
indivíduos quando a hiperglicemia é detectada. O DM1 idiopático caracteriza-se 
pela ausência de marcadores de autoimunidade contra células beta e não 
associado com haplótipos do sistema antígeno leucocitário humano (HLA). Os 
indivíduos com essa forma são a minoria, mas podem desenvolver a cetoacidose 
e apresentam graus variados de deficiência de insulina.2 
O tratamento do diabetes inclui algumas estratégias modificáveis, tais 
como mudança do estilo de vida, controle do peso, aumento da atividade física e 
reorganização dos hábitos alimentares. Os pacientes diabéticos mantidos em 
condições de controle clínico e metabólico apresentam retardo no aparecimento 
e/ou na progressão de complicações crônicas.3,4 
A monitorização da glicemia é considerada a base do tratamento da 
diabetes. Os consensos recomendam a determinação da glicemia como método 
de escolha para avaliar o controle glicêmico, sendo a determinação da glicosúria 
recomendada apenas se o outro método não for possível. A automonitorização 
facilita a vigilância frequente da glicemia, que pode ser feita pelo próprio doente, 
permitindo que o paciente e os profissionais de saúde avaliem diretamente o 
efeito da terapêutica, da dieta e da atividade física, fazendo os ajustes 
necessários, inclusive da medicação, para alcançar o melhor controle glicêmico 
possível.3,5 
A insulina é a mais efetiva medicação hipoglicemiante conhecida e pode 
reduzir a hemoglobina glicada (Hb) A1c aos níveis de controle desejáveis a partir 
de quaisquer níveis de HbA1c iniciais, e é sempre necessária no tratamento do 
DM1, devendo ser instituída assim que o diagnóstico for feito. O objetivo do 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 27 
tratamento é manter uma glicemia plasmática de jejum abaixo de 110 mg/dl e em 
140 mg/dl duas horas pós-prandial.1,4 
As recomendações nutricionais para os pacientes diabéticos seguem com 
o objetivo de atingir os índices glicêmicos recomendados e evitar a hipoglicemia. 
Há evidências de que a quantidade de carboidratos ingeridos em uma refeição é 
mais importante do que o seu tipo ou fonte. A contagem dos carboidratos em 
cada refeição, flexibilizando o tratamento, reduz os problemas habituais de 
irregularidade alimentar, principalmente nos indivíduos mais jovens.1,5 
A Hemoglobina Glicada tem importante papel na avaliação do controle do 
diabetes, sendo capaz de identificar se o controle glicêmico foi eficaz, ou não, 
num período anterior há 60-90 dias. Dos tipos de hemoglobina glicada existentes, 
o tipo A1c é o mais facilmente medido e com a menor probabilidade de ser 
influenciado pelo que o paciente ingeriu no dia anterior. Recomenda-se fazer o 
controle duas vezes ao ano.1,4 
Referências 
1. The Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes 
Mellitus. Report of Expert Committee on the Diagnosis and Classification of 
Diabetes Mellitus. Follw-up report on the diagnosis of diabetes mellitus. Diabetes 
Care. 2003;26(11):3.160-3.167. 
2. Kuhl C. Insulin secretion and insulin resistance in pregnancy and GDM: 
implications for diagnosis and management. Diabetes. 1991;40 Suppl 2:18-24. 
3. Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento e acompanhamento do 
Diabetes Mellitus: diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. Rio de Janeiro: 
SBD; 2007. 
4. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diabetes: consenso. Novo Guideline para 
o Diabetes Tipo 2. 2007;14(2):22-23. 
5. Sociedade Brasileira de Diabetes. Atualização brasileira sobre diabetes. 
Rio de Janeiro: Diagraphic; 2005. 140 p. 
28 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 18 
Sara, 42 anos, foi submetida à craniotomia para clipagem de aneurisma cerebelar 
esquerdo. Após a cirurgia, os sinais vitais estavam estáveis e ela se recuperava 
bem da anestesia geral. No quarto dia, Sara apresentou um quadro de cefaléia, 
confusão e perda de força em mão direita. Seu nível de consciência deteriorou de 
forma acentuada e ela foi intubada e encaminhada à unidade de cuidados 
intensivos. No momento encontra-se em ventilação mecânica, em jejum, SNG 
aberta, sonda vesical e cateter central. Dentre as intervenções de enfermagem, 
qual é a indicada para Sara? 
(A) Promover aspiração endotraqueal em horários fixos. 
(B) Manter a cabeceira elevada a 30° e alinhamento mento-esternal. 
(C) Fechar SNG, se apresentar desequilíbrio hidroeletrolítico. 
(D) Manter decúbito lateral com flexão de quadril superior a 90°. 
(E) Realizar limpeza da incisão cirúrgica com clorexidina. 
 
Gabarito: B 
Autoras: Karen Ruschel e Isabel Cristina Kern Soares 
Comentário: 
A etiologia dos aneurismas é incerta, entretanto, provavelmente é 
resultante de uma combinação de fatores degenerativos e congênitos. O 
aneurisma é uma consequência da debilidade da parede arterial, formando uma 
dilatação de formato sacular e arredondada sobre a parede da artéria.1 
A principal complicação decorrente do aneurisma é o sangramento por 
ruptura (hemorragia subaracnoide-HSA) ou crescimento suficiente para exercer 
uma pressão sobre as estruturas cerebrais. Dos indivíduos que sobrevivem ao 
sangramentoinicial, 35-40% sangram novamente caso permaneçam sem 
tratamento, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 42%. Alguns 
fatores contribuem para a ruptura do aneurisma, são eles: tabagismo, hipertensão 
arterial, esforço físico e sexo feminino. As chances também aumentam com a 
idade.2,3 
A clipagem cirúrgica é considerada principalmente quando o aneurisma 
está em uma área acessível e tem mais do que 4mm de diâmetro. Depois do 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 29 
clampeamento o paciente deve ser mantido em um ambiente de cuidados críticos. 
A maior causa de morbimortalidade em pacientes com HSA é o vasoespasmo que 
diminui o fluxo sanguíneo cerebral, privando o tecido de oxigênio, em geral ocorre 
3 a 12 dias depois de uma HSA. Devemos sempre suspeitar quando um paciente 
apresentar queda do nível de consciência e/ou novo déficit focal nos primeiros 15 
dias após a HSA.2,4 
A terapia dos “três Hs” é o padrão para prevenção e tratamento do 
vasoespasmo, associado ao uso da nimodipina (bloqueador do canal de cálcio). 
Ela objetiva a expansão hipervolêmica, hemodiluição e hipertensão induzida nos 
pacientes pós-operatórios.1,2 
O controle da Pressão Intracraniana (PIC) deve ser intensificado. A 
cabeceira deve ser mantida elevada sem flexão do pescoço ou flexão do quadril 
maior que 900 e sem rotação acentuada da cabeça. Se o paciente estiver em 
ventilação mecânica invasiva e a aspiração endotraqueal for necessária, deverá 
ser feita com a maior rapidez para que não ocorra dessaturação. O balanço 
hídrico deve ser equilibrado, evitando-se a desidratação, bem como a hiper-
hidratação, o controle da agitação psicomotora com sedativos quando necessário 
também é indicado.3-5 
Referências 
1. Sutherland GR, Auer RN. Primary intracerebral haemorrhage. J Clin 
Neurosci. 2006;13(5):511-517. 
2. Xi G, Keep RF, Hoff JT. Mechanisms of brain injury after intracerebral 
haemorrhage. Lancet Neurol 2006; 5(1):53-63. 
3. Calil AM, Paranhos WY. O enfermeiro e as situações de emergência. São 
Paulo: Atheneu; 2007. 
4. Morton PG, Fontaine DK, Hudak CM, Gallo BM. Cuidados críticos de 
enfermagem–uma abordagem holística. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 
2007. 
5. Cintra EA, Nishide VM, Nunes, WA. Assistência de Enfermagem ao 
Paciente Gravemente Enfermo. São Paulo: Atheneu; 2001. 
30 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 19 
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher apresenta objetivos, 
metas, ações e estratégias para atingir os princípios de humanização e de 
qualidade da atenção. Dentre outros, pode-se citar: "a capacitação técnica dos 
profissionais de saúde e funcionários dos serviços envolvidos nas ações de saúde 
para uso da tecnologia adequada, acolhimento humanizado e práticas educativas 
voltadas à usuária e à comunidade" (Brasil, 2004). É relevante para essa 
capacitação considerar que: 
I. a redução da morbi-mortalidade pelo câncer de mama requer do enfermeiro 
domínio da técnica do exame clínico e conhecimentos para incentivar a 
realização do auto-exame pelas mulheres; ação de eficácia cientificamente 
comprovada na prevenção primária da doença. 
II. a vulnerabilidade para o câncer de colo de útero pode ser representada pela 
falta de conhecimento, portanto, não basta ao enfermeiro incrementar a 
oferta de colpocitologia oncótica na rede básica, é preciso sensibilizar e 
mobilizar a população feminina para a prática do autocuidado e do sexo 
seguro. 
III. a assistência em planejamento familiar demanda fornecimento de 
anticoncepcionais e acompanhamento das usuárias, além de promoção de 
ações de educação em saúde e aconselhamento sobre concepção e 
anticoncepção, visando à escolha livre e informada das opções disponíveis 
tanto para os homens quanto para as mulheres. 
IV. a redução da vulnerabilidade aos agravos à saúde sexual e reprodutiva das 
adolescentes requer desenvolvimento de ações educativas que abordem a 
sexualidade na perspectiva de gênero, classe e diferença social, de modo 
que a informação resulte em comportamento adolescente socialmente 
desejável. 
 
Está correto APENAS o que se afirma em 
(A) I e II. 
(B) I e IV. 
(C) II e III. 
(D) II e IV. 
(E) III e IV. 
 
Gabarito: C 
Autoras: Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi 
Canabarro 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 31 
Comentário: 
As afirmativas II e III estão corretas tendo em vista situações de 
vulnerabilidade crescente que a mulher é exposta ao longo do seu ciclo vital, 
traduzindo a necessidade de abordagem humanizada e de inclusão no processo 
de educação para a saúde. Dados epidemiológicos demonstram a falta da 
efetividade das estratégias de ações protetoras da Saúde da Mulher. Na Política 
Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher são oferecidos subsídios 
norteadores para o desenvolvimento de ações estratégicas, visando capacitar a 
equipe técnica (profissionais de saúde) para contribuir na redução da 
morbimortalidade por câncer na população feminina e incentivo ao planejamento 
familiar, para homens e mulheres, adultos e adolescentes, no âmbito da atenção 
integral à saúde1. 
A afirmativa I está incorreta, pois o autoexame de mamas não tem eficácia 
cientificamente comprovada na prevenção do câncer de mamas.1,2 
A afirmativa IV está incorreta, pois há consideração discriminativa referente 
a condição de classe e diferença social, influenciando nas práticas educativas1. 
Portanto, a assertiva correta é a C por não incluir as afirmativas I e IV. 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas Estratégicas. Política nacional de atenção integral à 
saúde da mulher: princípios e diretrizes / Ministério da Saúde, Secretaria de 
Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: 
Ministério da Saúde; 2004.82 p.: il. 
2. Junior R.F. et al. Conhecimento e prática do autoexame da mama. Rev. 
Assc. Méd. Bras.,v.52, n.5; 2006, p. 337-141. 
32 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 20 
Paula, 16 anos, iniciou o atendimento pré-natal na Unidade Básica de Saúde 
(UBS) após teste de gravidez positivo. Depois de algum tempo, a agente 
comunitária, responsável pela área em que se situa a residência de Paula, 
procurou a enfermeira da UBS dizendo que a adolescente "não havia realizado 
nenhum dos exames solicitados; tinha tentado interromper a gestação e, apesar 
de não estar passando bem, não procurou o hospital por medo de ser presa." A 
enfermeira, então, decidiu realizar visita domiciliar, encontrando a gestante 
descorada, sem perdas vaginais, com epistaxe e sangramento gengival, ambos 
de moderada intensidade. Para a assistência à adolescente, a enfermeira 
corretamente suspeita de 
(A) ameaça de abortamento, o que requer guia da UBS para o encaminhamento 
de Paula a ambulatório médico especializado de referência na área da 
saúde da mulher. 
(B) infecção polimicrobiana associada a abortamento infectado, o que requer 
utilização do sistema regional de urgência e emergência para o 
encaminhamento de Paula a hospital de média complexidade. 
(C) processo inflamatório decorrente de abortamento completo, o que requer o 
acompanhamento de Paula pela UBS e pelo serviço de referência para 
educação em saúde de adolescentes. 
(D) processo infeccioso decorrente de abortamento incompleto e inevitável, o 
que requer guia da UBS para o encaminhamento de Paula a hospital de 
referência para procedimentos de baixa complexidade. 
(E) distúrbio de coagulação associado a abortamento retido, o que requer 
utilização do sistema regional de urgência e emergência para o 
encaminhamento de Paula a hospital de média complexidade. 
 
Gabarito: E 
Autoras: HeloisaReckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi 
Canabarro 
Comentário: 
A assertiva A está incorreta, pois mediante a sintomatologia apresentada 
por Paula o quadro não é de ameaça de abortamento. Se fosse o caso, não 
necessitaria de internação hospitalar, mas sim de atendimento ambulatorial 
especializado e repouso domiciliar. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 33 
A assertiva B está incorreta, pois os sintomas manifestados por Paula não 
condizem com abortamento infectado, pois, nesse caso, as manifestações 
clínicas mais frequentes seriam: elevação da temperatura, sangramento genital 
com odor fétido acompanhado de dores abdominais ou eliminação de pus através 
do colo uterino. Se fosse o caso, necessitaria encaminhamento para serviço de 
média complexidade. 
A assertiva C está incorreta, pois os sintomas manifestados por Paula não 
condizem com o quadro de abortamento completo, visto que Paula nega perdas 
vaginais; se fosse o caso seria encaminhada para serviço de média 
complexidade. 
A assertiva D está incorreta, pois Paula nega perdas vaginais o que 
caracterizaria o abortamento em curso. No caso de abortamento 
incompleto/inevitável, Paula necessitaria de atendimento em serviço de média 
complexidade. 
Comentário referente a assertiva correta 
Os sintomas observados pela enfermeira durante a visita domiciliar estão 
descritos na literatura da área da saúde, como sugestivos de complicações de 
abortamento retido ou abortamento infectado/séptico (provocado). Os mesmos 
devem ser atendidos em ambiente hospitalar em caráter de emergência. 
ABORTAMENTO RETIDO 
Em geral, o abortamento retido cursa com regressão dos sintomas e sinais 
da gestação, o colo uterino encontra-se fechado e não há perda sanguínea. O 
exame de ultrassom revela ausência de sinais de vitalidade ou a presença de 
saco gestacional sem embrião (ovo anembrionado). Pode ocorrer o abortamento 
retido sem os sinais de ameaça. Pode ser tratado utilizando-se o misoprostol ou, 
quando o tamanho uterino corresponder à gestação com menos de 12 semanas, 
pode-se empregar a técnica de aspiração manual intrauterina (AMIU).1 
ABORTAMENTO INFECTADO 
Com muita frequência, está associado a manipulações da cavidade uterina 
pelo uso de técnicas inadequadas e inseguras. Essas infecções são 
polimicrobianas e provocadas, geralmente, por bactérias da flora vaginal. São 
34 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
casos graves e devem ser tratados, independentemente da vitalidade do feto. As 
manifestações clínicas mais frequentes são: elevação da temperatura, 
sangramento genital com odor fétido acompanhado de dores abdominais ou 
eliminação de pus através do colo uterino. Na manipulação dos órgãos pélvicos, 
pelo toque vaginal, a mulher pode referir bastante dor, e deve-se sempre pensar 
na possibilidade de perfuração uterina. Os seguintes exames podem ser 
necessários para melhor avaliação da mulher, bem como para seu seguimento: 
hemograma com contagem de plaquetas; urina tipoI; coagulograma; hemocultura; 
cultura da secreção vaginal e do material endometrial,também para anaeróbios; 
raios-x do abdome; ultrassonografia pélvica ou de abdometotal; e tomografia, 
principalmente para definir coleções intracavitárias. No tratamento, é fundamental 
o restabelecimento das condições vitais com soluções parenterais ou com 
sangue, principalmente se a hemoglobina for inferior a 8g%. Iniciar 
antibioticoterapia, junto com as medidas de suporte, dando preferência aos 
quimioterápicos de largo espectro. Pode ser utilizado um anaerobicida 
(metronidazol 500mg-1g, IV, a cada 6 horas, por 7-10 dias, ou clindamicina 600-
900mg, IV, a cada 6-8 horas, por 7-10 dias), associado com um aminoglicosídeo 
(gentamicina 1,5mg/Kg, dose IV ou IM, a cada 8 horas, por 7-10 dias, ou 
amicacina 15mg/Kg/dia, IV ou IM, a cada 6-8 horas, por 7-10 dias). O 
esvaziamento uterino, naqueles úteros com tamanho compatível com gestação de 
até 12 semanas, deve ser realizado, preferencialmente, por aspiração manual 
intrauterina (AMIU), por apresentar menores taxas de complicações, reduzida 
necessidade de dilatação cervical e promover a aspiração do material infectado. 
Na realização desse procedimento, atentar para o fato de que a perda do vácuo 
pode significar perfuração uterina prévia. Na impossibilidade do uso da AMIU, 
pode-se empregar a curetagem uterina; em ambas, o esvaziamento uterino deve 
ser feito sob infusão de ocitocina. Nos casos mais graves, acompanhados de 
peritonite e que demoram a dar resposta satisfatória, deve-se proceder a 
laparotomia exploradora e, se necessário, realizar retirada de órgãos pélvicos. A 
persistência de febre após os cuidados iniciais pode traduzir abscessos pélvicos 
ou tromboflebite. Nesse caso, indica-se a utilização da heparina.1 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 35 
ABORTAMENTO COMPLETO 
Geralmente, ocorre em gestações com menos de oito semanas. A perda 
sanguínea e as dores diminuem ou cessam após a expulsão do material ovular. O 
colo uterino (orifício interno) pode estar aberto e o tamanho uterino mostra-se 
menor que o esperado para a idade gestacional. No exame de ultrassom, 
encontra-se cavidade uterina vazia ou com imagens sugestivas de coágulos. A 
conduta, nesse caso, é de observação, com atenção ao sangramento e/ou à 
infecção uterina. Quando persiste o sangramento, ou a mulher deseja interromper 
a perda sanguínea, deve ser realizada aspiração manual intrauterina (AMIU) e, na 
falta dessa, a curetagem uterina. 
ABORTAMENTO INEVITÁVEL/INCOMPLETO 
O sangramento é maior que na ameaça de abortamento, que diminui com a 
saída de coágulos ou de restos ovulares, as dores costumam ser de maior 
intensidade que na ameaça e o orifício cervical interno encontra-se aberto. O 
exame de ultrassom confirma a hipótese diagnóstica, embora não seja 
imprescindível. 
Em gestações com menos de 12 semanas, pelo tamanho uterino, indica-se 
a AMIU, por ser mais segura e permitir o esvaziamento mais rápido. Quando não 
for possível empregar essa técnica, realiza-se a curetagem uterina. Em úteros 
compatíveis com gestação superior a 12 semanas, emprega-se o misoprostol na 
dose de 200mcg de 12 em 12 horas, via vaginal, em ciclos de 48 horas de 
tratamento, com três a cinco dias de intervalo, podendo ser associado à indução 
com ocitocina. Após a expulsão, estando o útero compatível com gestação com 
menos de 12 semanas, faz-se a AMIU ou realiza-se a curetagem uterina. 
Também é importante avaliar a perda sanguínea e, se extremamente necessário, 
far-se-á transfusão sanguínea. 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. 
Atenção Humanizada ao Abortamento: norma técnica/Ministério da Saúde, 
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas 
Estratégicas – Brasília: Ministério da Saúde; 2005. 
36 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 21 
Joana, terceira filha de mãe fumante crônica, nasceu de parto cesariana, com 
idade gestacional de 36 semanas, pesando 1800 gramas e com insuficiência 
respiratória moderada. Segundo a Norma de Atenção Humanizada do Recém-
Nascido (RN) de baixo peso: Método Mãe-Canguru (Portaria 693/2002), qual é a 
conduta correta da enfermeira no seu plano de assistência? 
(A) Garantir a aplicação do método, após decisão consensual entre mãe, 
familiares e profissionais de saúde; e capacitar a família para reconhecer 
situações de risco do RN, nos primeiros 15 dias. 
(B) Ensinar à mãe e à família os cuidados com o RN e assegurar à puérpera 
visita irrestrita no berçário; iniciar a segunda etapa do programa, casoa 
criança atinja ganho ponderal de 10 gramas/dia. 
(C) Incentivar contato pele a pele entre a mãe e a criança, imediatamente após o 
parto, orientando a colocação do RN sobre o tórax da mãe para incentivar o 
aleitamento materno e estreitar o vínculo afetivo. 
(D) Orientar a mãe e a família sobre as condições de saúde do RN, estimular 
livre e precoce acesso dos pais à Unidade Neonatal e propiciar o contato tátil 
sempre que possível, acompanhado pela equipe nos primeiros cinco dias. 
(E) Iniciar as medidas para estímulo à amamentação, os cuidados com as 
mamas, a ordenha manual e a armanezagem e administração do leite ao 
RN. 
 
Gabarito: D 
Autoras: Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi 
Canabarro 
Comentário: 
A assertiva correta é a letra D, pois nela constam de forma adequada 
orientações pertinentes que serão dadas à família durante o período de 
adapatção a uma nova condição. 
O "Método Canguru" é um tipo de assistência neonatal que implica o 
contato pele a pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo peso, de 
forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, 
permitindo, dessa forma, uma maior participação dos pais no cuidado ao seu 
recém-nascido. A posição canguru consiste em manter o recém-nascido de baixo 
peso, ligeiramente vestido, em decúbito prono, na posição vertical, contra o peito 
do adulto. Só serão considerados como "Método Canguru" aquelas unidades que 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 37 
permitam o contato precoce, realizado de maneira orientada, por livre escolha da 
família, de forma crescente, segura e acompanhado de suporte assistencial por 
uma equipe de saúde adequadamente treinada.1 
Considerando a enfermeira como membro da equipe de saúde que 
participa da implementação do cuidado ao recém-nascido de baixo peso, em uma 
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), no Método Canguru seu plano de 
assistência deve atender etapas que estão descritas em: 
http://dtr2001.saude.gov.br/PORTARIA. 
Na primeira etapa do Método Canguru, além da assertiva correta 
contextualizada na questão 21, são cuidados especiais a serem seguidos: 
Nessa etapa, deverão ser iniciadas as medidas para estímulo à 
amamentação. Dessa forma, devem ser ensinados os cuidados com as mamas, a 
ordenha manual e a respectiva armazenagem do leite. Deve ser implantada a 
coparticipação da mãe no estímulo à sucção e na administração do leite 
ordenhado, além dos adequados cuidados de higienização. 
Nas situações que as condições clínicas da criança permitirem, deverá ser 
iniciado o contato pele a pele direto, entre mãe e criança, progredindo até a 
colocação do recém-nascido sobre o tórax da mãe ou do pai. 
Na equipe multiprofissional que assiste o recém-nascido observa-se a 
recomendação de cobertura de assistência do enfermeiro nas 24 horas. 
Salienta-se que a e segunda etapa do Método Canguru será em enfermaria 
conjunta e a terceira etapa prevê o acompanhamento ambulatorial. 
No Manual de Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: 
Método Canguru, revisado em 2009, destaca-se o compromisso das equipes de 
saúde na notificação de nascimento de bebês de baixo peso para a rede básica 
de saúde e ESF, assim como promover encontros que permitam ampliar a rede 
de apoio ao bebê e sua família2 o que representa um avanço na humanização da 
assistência. 
A assertiva A está incorreta, pois conforme descrito na Portaria 693/00 
são necessários os primeiros cinco dias após o parto para prestar todos esses 
ensinamentos à mãe e à família. Portanto, deve ser assegurado à puérpera a 
permanência na unidade hospitalar, pelo menos durante esse período, 
propiciando-a todo o suporte assistencial necessário. 
38 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
A assertiva B está incorreta quando relaciona o início da segunda etapa 
do método ao ganho ponderal de 10g/dia; na Portaria, entre os critérios para a 
implantação dessa etapa, a criança deve ter tido um ganho de peso médio de 
15g/dia. 
A assertiva C está incorreta, pois a implantação do Método deve ser de 
forma crescente, respeitando as condições clínicas de um recém-nascido de 
baixo peso; no caso do filho de Joana, além do baixo peso e idade gestacional 
precoce ainda apresenta insuficiência respiratória, necessitando, portanto, de 
assistência imediata (logo após o parto). As etapas de implantação terão início tão 
logo o quadro clínico seja estável. 
A assertiva E está incorreta, pois considerando o quadro clínico descrito 
acima, a enfermeira corretamente deve priorizar no seu plano de assistência: 
orientar a mãe e a família sobre condições de saúde do RN, estimular livre e 
precoce acesso dos pais à Unidade Neonatal e propiciar o contato tátil sempre 
que possível, acompanhado pela equipe nos primeiros cinco dias. No entanto, o 
início das medidas de estimulação, amamentação e demais cuidados, visando a 
oferta de leite materno ao RN, representam igual importância sendo inclusive 
descritas na 1ª Etapa do Método1. 
OBSERVAÇÃO: 
NO TEXTO ORIGINAL DA PROVA, na alternativa E a palavra 
armazenagem está ortograficamente incorreta: armanezagem. 
Na Portaria n°693 Artigo 1º, refere-se ao “Método Canguru” e não como 
consta na questão 21 “Mãe-Canguru”. 
A portaria encontrada que normatiza e orienta a implantação do Método 
Canguru é a de nº693 de 5 de julho de 2000, e não de 2002. 
Referências 
1. Portaria nº 693 de 5 de julho de 2000. Dispõe sobre a norma para a 
implantação do Método Canguru, destinado a promover a atenção 
humanizada ao recém-nascido de baixo peso. Diário Oficial da União, 5 de 
julho de 2000. 
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Área de Saúde 
da Criança. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: Método 
Canguru/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Área Técnica da 
Saúde da Criança. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 238 p. (Série A. Normas e 
Manuais Técnicos; n. 145) 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 39 
Instruções:
(A) as duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. 
 As questões de números 22 e 23 contêm duas afirmações. 
Assinale, no Cartão-Resposta, a alternativa correta de acordo 
com a seguinte chave: 
(B) as duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. 
(C) a primeira afirmação é verdadeira e a segunda afirmação é falsa. 
(D) a primeira afirmação é falsa e a segunda afirmação é verdadeira. 
(E) as duas afirmações são falsas. 
40 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 22 
A enfermeira Tulipa orienta os auxiliares de enfermagem que prestam assistência 
às gestantes de alto risco a verificar a pressão sangüínea braquial em posição 
sentada, considerando que a pressão é mais baixa quando a gestante está 
deitada 
PORQUE 
na posição supina ocorre aumento do débito cardíaco, do fluxo sangüíneo útero-
placentário, do fluxo sangüíneo renal e da excreção de água e sódio pela urina. 
 
Gabarito: C 
Autoras: Heloisa Reckziegel Bello, Marisa Reginatto Vieira e Simone Travi 
Canabarro 
Comentário: 
A primeira afirmação está correta porque a tomada da pressão arterial 
(PA) deve ser sempre na mesma posição, sentada ou decúbito lateral esquerdo 
(DLE) e nunca em posição supina (deitada de costas). 
Considera-se também que devido às alterações na medida da pressão 
arterial em diferentes posições, atualmente recomenda-se que a medida da 
pressão arterial em gestantes seja feita na posição sentada. A determinação da 
pressão diastólica deverá ser considerada na fase V de Korotkoff. Eventualmente, 
quando os batimentos arteriais permanecerem audíveis até o nível zero, deve-se 
utilizar a fase IV para registro dapressão arterial diastólica.1 
Quando a PA é verificada em gestantes, e torna-se necessária a medida na 
posição deitada, deve-se utilizar o decúbito lateral esquerdo, evitando a 
compressão dos grandes vasos abdominais, o que pode levar a desconforto e 
alterações dos valores. 
Os fisiologistas consideram que a PA de repouso equivale à pressão basal, 
e deve ser obtida após um período de suspensão de estímulos físicos, 
metabólicos, mentais e emocionais . 
Um repouso de cinco minutos na posição de medida é recomendado, além 
de orientar para não fumar, comer, e até mesmo falar.2 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 41 
A segunda afirmativa está incorreta. Correto seria o oposto do afirmado, 
ou seja, na posição supina acontece a diminuição do débito cardíaco, do fluxo 
sanguíneo útero-placentário, do fluxo sanguíneo renal e da excreção de água e 
sódio pela urina 
Pressão arterial = a pressão que o sangue exerce dentro das artérias. Há 
cinco fatores principais que normalmente conservam a pressão: 
1. A força de contração do coração 
2. A resistência periférica 
3. Volume do sangue circulante 
4. Viscosidade 
5. Elasticidade da parede dos vasos 
A pressão de um indivíduo varia de hora em hora e de dia para dia, sendo 
geralmente mais baixa durante o sono. Sofre geralmente elevações durante 
exercícios e emoções. 
A pressão arterial é mais baixa quando o indivíduo está deitado e mais alta 
quando o indivíduo está sentado ou de pé.3 
Débito cardíaco= quantidade de sangue que cada lado do coração 
bombeia por minuto. O débito cardíaco se altera com a atividade4. 
A medida da pressão arterial durante a gravidez deve ser feita em 
condições de repouso, com a paciente na posição sentada ou em decúbito lateral 
esquerdo, evitando assim, a compressão aortocava pelo útero aumentado5. 
A compressão aortocava reduz o retorno venoso para o ventrículo direito, 
reduzindo o débito cardíaco. Essa queda deve-se ao fato de estudos terem sido 
realizados com gestantes em decúbito dorsal horizontal. Os autores ainda relatam 
que estudos realizados com grávidas em decúbito lateral mostraram que tal 
queda não ocorre. 
O débito cardíaco é expresso pela fórmula DC= frequência cardíaca X 
volume sistólico. O incremento do débito cardíaco na gestação ocorre, tanto pelo 
aumento da frequência cardíaca como do volume sistólico. O volume sistólico 
está aumentado pelo maior retorno venoso para o coração, que é ocasionado 
pela elevação da volemia na gravidez. A frequência cardíaca sofre um acréscimo 
na ordem de 10-16 batimentos por minuto e pode estar relacionada ao incremento 
42 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
da força motriz condicionada pelo efeito inotrópico positivo dos estrógenos sobre 
a fibra muscular cardíaca6. 
O sistema cardiovascular se caracteriza na gravidez pela síndrome 
hipercinética, com alterações expressivas, principalmente no débito cardíaco. Os 
principais parâmetros a serem avaliados são: 
a) O débito cardíaco começa a aumentar no primeiro trimestre, atingindo 
sua sobrecarga em torno da 30ª a 32ª semana. Seu aumento se destina a garantir 
um incremento do fluxo uteroplacentário. Pode estar relacionado com o aumento 
do consumo de oxigênio e também a queda da resistência periférica. O volume 
eritrocitário também aumenta. Como o aumento da volemia é superior ao seu 
incremento, ocorre a hemodiluição, com a queda de hemoglobina no hematócrito. 
Portanto, a gravidez impõe sobrecarga crescente e inexorável para o sistema 
cardiorrespiratório materno cujo conhecimento é essencial na assistência à 
gestante. 
b) A pressão arterial sistêmica é produto do débito cardíaco pela 
resistência periférica. Na gestante, embora ocorra o aumento do débito cardíaco, 
determinado pelo incremento da volemia, a pressão arterial apresenta queda 
significativa, principalmente no segundo trimestre. Na gravidez normal, o sistema 
renine-angiotensina-aldosterona está ativado e mesmo com o aumento do débito 
cardíaco e da angiotensina II, há surpreendente queda da resistência vascular 
periférica. Esse fato ocorre em função, tanto da instalação do leito placentário, 
quanto da ação da progesterona e de prostaglandinas vasodilatadoras. 
Decorrente desse fato é frequente o encontro de níveis pressóricos baixos em 
gestantes. Essa situação se reverte com o simples decúbito lateral6. 
Modificações do Sistema Urinário no período gestacional 
Anatômicas= desde o início da gestação, o aumento do corpo uterino 
antevertido determina compressão dos ureteres ao nível do trígono vesical e 
maior irritabilidade do detrussor, causando polaciúria. Com o progresso da 
gestação, o útero atinge a cavidade abdominal, passando a comprimir os ureteres 
ao nível da linha inominada, resultando em dilatação dos cálices, bacinetes e 
ureteres. O lado direito é mais afetado devido à dextro-rotação do útero gravídico. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 43 
Funcionais = O aumento do fluxo plasmático renal aumenta a taxa de 
filtração glomerular, determinando clearences maiores em relação a mulher não 
gestante. Esse fato associado a hemodiluição, determina diminuição nas taxas de 
ureia, ácido úrico e creatinina. Durante a gestação normal ocorre uma retenção de 
sódio. Entre os fatores que auxiliam na retenção estão a aldosterona, o hormônio 
placentário, a prolactina, o cortisol e a postura ortostática e dorsal. Os fatores 
excretores do sódio são a progesterona, o aumento da filtração glomerular, o 
hormônio antidiurético e o decúbito lateral (principalmente o esquerdo). Essa 
posição facilita o retorno venoso, aumenta o fluxo renal, revertendo quadros de 
edema, além de melhorar o fluxo útero-placentário.6 
Portanto, considerando a revisão da literatura explanada acima, a 
afirmativa correta seria: na posição supina acontece a diminuição do débito 
cardíaco, do fluxo sanguíneo útero-placentário, do fluxo sanguíneo renal e da 
excreção de água e sódio pela urina. E essa posição deve ser evitada durante o 
período gestacional, inclusive para verificação da pressão arterial. 
Referências 
1. V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol 2007; 89(3): 
e24-e79. 
2. Araujo T L de, Arcuri, EAM. Influência de fatores anátomo-fisiológicos na 
medida indireta da pressão arterial: identificação do conhecimento dos 
enfermeiros. Rev Latino Am Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 6, n. 4, outubro 1998, 
p. 21-29. 
3. Veiga DA, Crossetti, MGO. Manual de técnicas de enfermagem. Porto 
Alegre: DC Luzzatto; 1991 p. 52. 
4. Macey,R.I. Fisiologia Humana. São Paulo: Edgard Blucher; 1979. 
5. Freitas,F. et al. Rotinas em Obstetrícia. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993. 
p. 145-146. 
6. Zugaib M e Sankovski M. O Pré-Natal. São Paulo: Atheneu; 1994. p. 55-59 
e p. 563. 
44 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 23 
Lucas, quatro anos, foi admitido no Pronto Socorro Pediátrico apresentando 
freqüência respiratória de 55 incursões por minuto, temperatura de 38,8 °C, tosse 
intermitente e queixa de dor torácica à direita agravada pela inspiração profunda e 
que irradia para o abdome. Dentre os cuidados, a enfermeira colocou a criança 
em decúbito lateral direito e instalou uma tenda com oxigênio fria 
PORQUE 
a imobilização do tórax afetado reduz o atrito pleural, minimizando o desconforto, 
e a umidificação hidrata as vias aéreas, criando uma atmosfera que impede a 
redução de temperatura. 
 
 
 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 45 
Instruções: 
Alice tem 28 anos e chegou ao Pronto Socorro com seu filho Mateus de um ano e 
três meses, com história de duas internações hospitalares por pneumonia. A 
criança freqüenta uma creche municipal e hádois dias apresenta diarréia, febre 
intermitente, bradipnéia, vômito e perda de peso. Foi encaminhada pela Unidade 
Básica de Saúde com tratamento do Plano C para desidratação, já tendo recebido 
uma dose de antitérmico e recebendo soro de re-hidratação oral 15 mL/kg/hora 
por sonda nasogástrica. Após alguns exames clínicos e laboratoriais, Alice foi 
informada de que Mateus está com tuberculose pulmonar. Ao ser esclarecida de 
que o diagnóstico havia sido confirmado pela identificação do Bacilo de Kock no 
lavado gástrico, Alice mostrou-se convencida de que Mateus contraiu tuberculose 
há uma semana, através do leite materno de uma conhecida que o amamentou 
uma única vez. Alice foi orientada sobre a fisiopatologia, o tratamento e a 
prevenção da doença de Mateus. 
Considere o caso para responder às questões de números 24 e 
25. 
46 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 24 
Considerando o pensamento do educador Paulo Freire, essa ação educativa teve 
qual abordagem e objetivo? 
(A) Biologicista, com informações a respeito do modo de transmissão da doença 
para corrigir a convicção de Alice em relação ao meio pelo qual Mateus foi 
infectado. 
(B) Dialógica, com a transformação dos saberes existentes, ajudando Alice a 
compreender por si mesma o modo de transmissão da tuberculose. 
(C) Higienista, com a instituição de medidas de precaução para interromper a 
cadeia de transmissão da doença na família e na comunidade. 
(D) Construtivista, com a demonstração à Alice de seu desconhecimento e a 
este atribuindo como uma das causas do adoecimento de Mateus, visando 
ao aprimoramento de sua conduta. 
(E) Paternalista, com a inclusão de Alice num programa de apoio econômico, 
garantindo seus direitos e a construção de sua cidadania. 
 
Gabarito: B 
Autoras: Beatriz Regina Lara dos Santos e Olga Rosaria Eidt 
Comentário: 
Paulo Freire, educador brasileiro, precursor da Educação Popular, propõe a 
humanização das relações e a libertação dos homens, destacando a educação 
solidária, dialogada, sem arrogância e supremacia do educador. Defende a 
educação, não como mera reposição de conteúdos, mas como a associação da 
teoria e do vivido, de modo que o educando seja o sujeito de seu próprio 
desenvolvimento, com liberdade e autonomia. Sua teoria se apoia em seis 
pressupostos: 
• Toda ação educativa deve, necessariamente, estar precedida de reflexão 
sobre o homem e de uma análise do meio de vida do educando; 
• A educação deve levar o educando a uma tomada de consciência e atitude 
crítica no sentido de haver mudança da realidade; 
• Através da integração do homem com o seu contexto, haverá a reflexão, o 
comprometimento, a construção de si mesmo e o ser sujeito; 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 47 
• À medida que o homem se integra às condições de seu contexto de vida, 
realiza reflexão e obtém respostas aos desafios que se apresentam, criando 
cultura; 
• O homem é criador de cultura, fazendo história, pois na medida em que ele 
cria e decide, as fases vão se formando e reformando; 
• É necessário que a educação permita que o homem chegue a ser sujeito, 
construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer relações de 
reciprocidade, fazer cultura e história;1 
• Dos pressupostos emergiram alguns conceitos, entre eles destacam-se o de 
problematização que supõe a ação transformadora, partindo de situações vividas 
e implica um retorno crítico a essas; e o de diálogo, entendido como condição 
básica para o conhecimento, pois acredita que o ato de conhecer se dá num 
processo social, sendo mediado pelo processo dialógico.1 
A educação em saúde pode e deve ser aplicada em qualquer ambiente 
onde são executadas as atividades e ações de cuidado, constituindo uma 
ferramenta de promoção da saúde. Os profissionais devem possuir uma visão 
integral das necessidades de saúde do sujeito. Paulo Freire afirmava que o ato de 
ensinar não é condizente com a transferência de conhecimentos, mas sim com a 
possibilidade de produção e construção deste pelo sujeito. Portanto, a Educação 
para a Saúde deve gerar possibilidades de conscientização, visando o 
desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade no cuidado da saúde e 
engendrando a transformação social, com vistas à qualidade de vida.2 
A assertiva A está incorreta, pois a abordagem Biologicista é condizente 
com o modelo de prática de Educação para a Saúde tradicional, historicamente 
hegemônico, focalizando a doença e a intervenção curativa, preconizando a 
mudança de atitudes e comportamentos individuais.3 
A assertiva B está correta, pois a educação dialógica, conforme Paulo 
Freire, é condição básica para a produção do conhecimento, visando o 
desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade dos sujeitos no cuidado da 
saúde, não pela imposição do saber técnico, mas sim pelo desenvolvimento da 
reflexão e compreensão da situação de saúde 3, a partir do mundo vivido. 
A assertiva C está incorreta, pois a abordagem Higienista refere-se ao 
discurso sanitário brasileiro do século XIX, o qual se alicerçou em torno da 
48 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
moralidade e disciplinamento higiênico, principalmente, nos hospitais, hospícios e 
escolas. 
A assertiva D está incorreta, pois o construtivismo pressupõe que 
nenhum sujeito é uma “tábua rasa”, ou seja, que todos possuem um 
conhecimento prévio. Quanto a culpabilização dos sujeitos, individualmente, pela 
ocorrência de agravos à saúde, referida nesta alternativa, é uma característica da 
abordagem biologicista e não da construtivista. 
A assertiva E está incorreta, pois na abordagem tradicional é que a 
comunicação entre profissionais e usuários se caracteriza pelo caráter informativo 
e atitude paternalista, na qual os primeiros explicitam hábitos e comportamentos 
que devem ser assumidos pelos usuários para manutenção da saúde. 
Referências 
1. Miranda KCL, Barroso, MGT. A contribuição de Paulo Freire à prática e 
educação crítica em enfermagem. Rev. Latino-Am. Enfermagem [on-line]. 2004, 
v. 12, n. 4, p. 631-635. 
2. Silva JLL. Educação em saúde e promoção da saúde: a caminhada dupla 
para a qualidade de vida do cliente. Informe-se em promoção da saúde, v.1, n.1, 
jul-dez 2006. p.3. 
3. Alves VS. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da 
Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. 
Interfase (Botucatu). 2005, v.9, n.16, p.39-52. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 49 
QUESTÃO 25 
Considere as ações a serem recomendadas pelas enfermeiras que atenderam 
Mateus no PS e na UBS: 
I. Puncionar veia periférica em Mateus para instalar a hidratação na fase de 
expansão, colocar coletor de urina, iniciar balanço hídrico e inserir a mãe 
como uma unidade de cuidado. 
II. Instalar cateter de oxigênio nasal FiO2 2 Litros/minuto, fazer controle da 
saturação de oxigênio, manter Mateus em quarto com pressão negativa e 
promover atividades para fortalecer vínculo mãe e criança. 
III. Notificar o caso à Vigilância Epidemiológica do município, identificar 
sintomáticos respiratórios entre os comunicantes adultos e verificar a 
situação vacinal das crianças da creche e da família de Mateus. 
IV. Realizar desinfecção da creche, manter o ambiente ventilado, restringir o 
uso dos brinquedos de pano e de pelúcia e realizar visita domiciliar 
supervisionando as condições de higiene e iluminação natural da casa de 
Mateus. 
 
Estão corretas APENAS as ações apresentadas em 
(A) I e III. 
(B) I e II. 
(C) II e III. 
(D) II e IV. 
(E) III e IV. 
 
Gabarito: A 
Autoras: Karen Ruschel e Fátima Rejane Ayres Florentino 
Comentário: 
Todos os anos, aproximadamente 2 milhões de crianças ao redor do 
mundo morrem dediarreia. No Brasil a diarreia infantil ainda é uma das principais 
causas de morte entre as crianças, principalmente por representar o principal fator 
associado à desidratação.1,2 
A desidratação caracteriza-se pela redução de líquido no espaço 
extracelular resultante da baixa oferta de líquidos ou perda hidroeletrolítica. Pode 
ser classificada de acordo com o nível sérico de sódio ou através dos sinais 
clínicos apresentados. Na desidratação moderada (Quadro 1) a perda de peso 
50 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
estimada é de 5-10% do peso corporal total, representando um déficit de 50-
100mL/Kg.3,4 
O tratamento a ser instituído deve considerar o grau de desidratação, o 
nível de sódio e a correção das perdas hidroelétrolíticas. 
 
Quadro 1. Classificação clínica do grau de desidratação em crianças 
 Leve Moderada Grave 
Estado Geral Irritada, com sede, 
dorme mal e pouco 
Mais agitada, muita 
sede, raramente dorme 
Deprimida, comatosa, 
não chora mais 
Boca Seca, lábios vermelhos, 
língua seca e saburrosa 
Muito seca, lábios às 
vezes cianóticos 
Lábios cianóticos 
Olhos Normais Fundos Muito fundos 
Lágrimas Presentes Ausentes Ausentes 
Fontanela Normal Deprimida Muito deprimida 
Pele Quente, seca, 
elasticidade normal 
Extremidades frias, 
elasticidade diminuída. 
Pele fria, acinzentada, 
elasticidade muito 
diminuída 
Pulsos Normais Finos Muito finos 
Enchimento 
capilar 
Normal (até 3s) Lentificado (3-10s) Muito lentificado (>10s) 
Perda de 
peso 
2,5 a 5% 5-10% >10% 
Déficit 
estimado 
25-50mL/Kg 50-100mL/Kg >100mL/Kg 
Fonte: Barbosa AP, Sztajnbok J, J Pediatria, 1999 
 
Com relação à tuberculose a estimativa de prevalência está em torno de 50 
milhões de infectados com o surgimento anual de 130.000 novos casos, o que a 
configura como uma doença grave, e que reflete o estágio de desenvolvimento 
social do país, onde os determinantes do estado de pobreza, e as limitações de 
organização do sistema de saúde inibem a queda das doenças marcadas pelo 
contexto social.5 
O aspecto positivo está na probabilidade de cura em aproximadamente 
100% dos casos quando os princípios do tratamento são seguidos 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 51 
adequadamente. A quimioterapia deve estar na dose correta, ser usada por 
tempo suficiente e quando possível sob supervisão. De acordo com o Ministério 
da Saúde esses são os meios para evitar a persistência bacteriana e o 
desenvolvimento de resistência às drogas, assegurando assim a cura do 
paciente. Em crianças, a tuberculose apresenta as manifestações clínicas mais 
variadas, entretanto há predomínio da localização pulmonar. O principal sinal na 
maioria dos casos é a febre, que geralmente apresenta-se moderada, persistente 
por mais de 15 dias e frequentemente vespertina. Ainda são comuns sinais de 
irritabilidade, tosse, perda de peso, sudorese noturna, às vezes profusa. A 
hemoptise é rara. Em geral, a suspeita de tuberculose é feita em casos de 
pneumonia que não apresentam melhora com o uso de antibióticos para germes 
comuns.5-7 
Fazer o diagnóstico e tratar o mais rápido possível a tuberculose é uma 
importante medida prática para salvar vidas e recuperar a saúde dos infectados. 
Antes da quimioterapia 50% dos doentes não tratados evoluíam ao óbito, 25% 
dos doentes tornavam-se crônicos e os demais, curavam-se espontaneamente. 
Hoje, o método de redução da tuberculose na sociedade é a busca de casos 
novos e o tratamento/acompanhamento intensivo.5,7 
A afirmativa I está correta, porque a necessidade de reposição por via 
endovenosa esta relacionada com a perda de líquidos do espaço intravascular. 
Essa fase é denominada de expansão e o principal objetivo do tratamento será 
fornecer líquido a esse espaço na tentativa de restabelecer o equilíbrio 
hidroelétrolítico. Para início da reidratação endovenosa é necessário a instalação 
de acesso venoso periférico e o acompanhamento do estado hídrico deve ser 
feito através do controle de diurese, monitoramento do peso diário e balanço 
hídrico. 2,8 
A monitorização da perfusão periférica, turgor, sinais vitais assim como os 
sinais de sobrecarga também devem constar no plano de cuidados. Quando 
indicado soluções criativas devem ser usadas para estimular a criança com a 
ingestão de líquidos como: jogos, copos coloridos, mamadeiras próprias, etc. Para 
os lactentes a amamentação deve ser incentivada.8,9 
52 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
É importante salientar que a desidratação é multifatorial o que reforça a 
necessidade da educação da família e da criança com vistas à prevenção de 
novos episódios, sempre envolvendo a mãe no processo de cuidado. 
A afirmativa II está incorreta, pois a criança não apresenta sinais de 
insuficiência/comprometimento respiratório que justifiquem a suplementação de 
oxigênio via cateter nasal. 
A afirmativa III está correta, porque dentre as ações do enfermeiro na 
atenção a tuberculose estão: identificação de sintomáticos respiratórios, inspeção 
vacinal das crianças comunicantes (BCG) e comunicação à Vigilância 
Epidemiológica que tem como objetivo o controle, a eliminação e a erradicação 
das doenças transmissíveis.5 
A tuberculose é uma doença que possui alta probabilidade social, uma vez 
que, tem fortes componentes sociais e econômicos. Pessoas com baixa renda, 
que vivem em comunidades urbanas densas, com precárias condições de 
habitação e famílias numerosas, têm probabilidade de se infectar, adoecer e 
morrer por tuberculose. Igualmente com alta probabilidade são as instituições 
fechadas, entre elas as creches.5 
Portanto, é importante fazer a busca entre contatos, que compreende todas 
as pessoas que coabitam com um paciente com tuberculose. Os comunicantes de 
doentes bacilíferos têm maior probabilidade de adoecer. Exames de baciloscopia 
de escarro, prova tuberculínica nos contatos e exame radiológico são condutas 
prioritárias. Um sistema de registro dos sintomáticos respiratórios deve ser 
implantado para avaliação dos parâmetros da demanda, assim como a aplicação 
da vacina BCG nas crianças quando indicado.7 
A afirmativa IV está incorreta, pois as crianças comunicantes já foram 
expostas ao bacilífero quando ele estava no ambiente. Realizar a desinfecção da 
creche, manter o ambiente ventilado e restringir o uso dos brinquedos de pano e 
de pelúcia são cuidados desnecessários uma vez que após o início do tratamento, 
se seguido adequadamente, o risco de contágio é mínimo. Uma das ações do 
enfermeiro é orientar pacientes e familiares quanto ao uso da medicação, 
esclarecendo dúvidas e desmistificando tabus e estigmas que permeiam a 
tuberculose. 7 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 53 
Referências 
1. Victora Parte inferior do formulário CG. Diarrhea mortality: what can the 
world learn from Brazil? J Pediatria 2009; 85(1): 3-5. 
2. Almeida FA , Sabatés AL. Enfermagem pediátrica: a criança, o adolescente 
e sua família no hospital. São Paulo: Manole; 2008. 
3. Evora PRB, Reis Cl, Ferez MA, Conte DA, Garcia LV. Distúrbios do 
equilíbrio hidroeletrolítico e do equilíbrio acidobásico – Uma revisão prática. 
Med, Ribeirão Preto 1999; 32: 451-69. 
4. Barbosa AP, Sztajnbok J. Distúrbios hidroelétrolíticos. J Pediatria 1999; 
75: 223-33. 
5. Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Centro de 
Referência Professor Hélio Fraga. Sociedade Brasileira de Pneumologia e 
Tisiologia. Controle da tuberculose: uma prposta de integração ensino-serviço. 
5ª.ed. – Rio de Janeiro: FUNASA/ CRPHF/ABT, 2002. 
6. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Plano Nacional do 
Controle da Tuberculose. Brasilia: MS/FUNASA; 1999. 
7. Brasil. Ministérioda saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Atenção Básica. Vigilância em Saúde: Dengue, Esquistossomose, 
Hanseníase, Malária, Tracoma e Tuberculose. 2ª. ed – Brasília: MS, 2008. 
8. Winkelstein W, Hockenberry, MJ. Wong fundamentos de enfermagem 
pediátrica. 7ª. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006. 
9. Ministério da Saúde. Secretaria Municipal de Saúde. Serviço de Saúde 
Comunitária do GHC. A Atenção à Saúde da Criança de Zero a Doze Anos de 
Idade. Porto Alegre: SMS, 2009. 
54 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 26 
No Pronto Socorro Municipal, a população que aguardava atendimento revoltou-
se ao perceber que um homem de 40 anos, casado e com quatro filhos, que 
estava na sala de espera, aproximadamente há 4 horas, faleceu antes de ser 
atendido. Este acontecimento foi noticiado pela mídia e mobilizou os 
trabalhadores e o gestor do Pronto Socorro a discutirem propostas de melhoria do 
atendimento. Considerando os princípios norteadores da Política Nacional de 
Humanização, estiveram em pauta as seguintes ações: 
I. Acolhimento da demanda por meio de critérios de avaliação de risco. 
II. Garantia do acesso referenciado aos demais níveis de assistência. 
III. Organização da fila de espera, considerando a idade do usuário. 
IV. Definição de protocolos clínicos adequados. 
 
Estão corretas APENAS as ações propostas em 
(A) I e IV. 
(B) I, II e III. 
(C) I, II e IV. 
(D) II, III e IV. 
(E) III e IV. 
 
Gabarito: C 
Autoras: Beatriz Sebben Ojeda e Vera Beatriz Delgado 
Comentário: 
A questão trata dos princípios norteadores da Política Nacional de 
Humanização (PNH) na qual a Humanização torna-se o eixo norteador das 
práticas da Atenção e Gestão em todas as instâncias do Sistema Único de Saúde 
(SUS)1. Portanto, deve ser entendida como uma política transversal em toda a 
rede do SUS, que orienta sobre os traduzindo “princípios e modos de operar no 
conjunto das relações entre profissionais e usuários”, com vistas a alcançar a 
“qualificação da atenção e da gestão em saúde no SUS”2:7. A questão centra-se 
nas diretrizes específicas para implementação do PNH na Urgência e 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 55 
Emergência, nos pronto-socorros, nos pronto-atendimentos, na Assistência Pré-
Hospitalar e outros. 
A Ação I, conforme consta nas diretrizes está correta, tendo em vista que o 
SUS trabalha com o acolhimento da demanda por meio de critérios de avaliação 
de risco. 
A Ação II também está correta. Conforme o PNH os serviços de Urgência e 
Emergência, nos Pronto-Socorros, Pronto-Atendimentos, Assistência Pré- 
-Hospitalar e outros deverão “comprometer-se com a referência e contra- 
-referência aumentando a resolução da urgência e emergência, provendo o 
acesso à estrutura hospitalar e a transferência segura conforme a necessidade 
dos usuários”2:14. 
A Ação III está incorreta. Com a implementação da PNH a proposta é 
reduzir as filas e o tempo de espera com ampliação do acesso e atendimento 
acolhedor e resolutivo baseados em critérios de risco. É propósito do SUS o 
reconhecimento da diversidade do povo brasileiro e a todos oferecer a mesma 
atenção à saúde, sem distinção de idade, etnia, origem, gênero e orientação 
sexual. 
A Ação IV está correta, pois conforme a PNH, os serviços deverão ter seus 
protocolos clínicos, garantindo a eliminação das intervenções desnecessárias, 
respeitando as diferenças e necessidades específicas de cada usuário. 
Portanto, ações I, II e IV estão corretas, correspondendo à alternativa C da 
questão. 
Referências 
1. BRASIL Ministério da Saúde. Legislação do SUS. Lei n.8.080/90. 
Disponível em: <http://www.saude.gov.br>. 
2. Brasil. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: Política Nacional de 
Humanização. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. (Série B. Textos Básicos de 
Saúde) 20 p.– Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf>. 
56 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 27 
O diretor do Distrito de Saúde "Salveiros", após avaliar o Sistema Único de 
Saúde, concluiu que este não está atendendo satisfatoriamente o princípio básico 
da integralidade e solicitou que os enfermeiros gerentes das unidades de saúde 
da região apresentassem propostas para reversão dessa situação. Foram 
apresentadas as seguintes propostas: 
I. A enfermeira do Pronto Socorro sugeriu que o PS tenha vacinas disponíveis 
para atender vítimas de acidentes evitando, com isso, que esses pacientes 
sejam encaminhados a outro serviço para receber esses cuidados 
profiláticos. 
II. A enfermeira do Hospital Geral sugeriu a implantação da consulta de 
enfermagem na alta hospitalar com protocolos próprios que garantam ao 
paciente orientações sobre os cuidados necessários e a prevenção de novos 
agravos no período de convalescença. 
III. A enfermeira da Unidade de Saúde da Família propôs a ampliação das 
equipes do PSF com a inclusão de profissionais das especialidades médicas 
mais procuradas pela população. 
IV. A enfermeira da Unidade Básica de Saúde propôs a anulação da delimitação 
da área de abrangência, de modo que os pacientes procedentes de qualquer 
parte do município, e até fora dele, pudessem se vincular a qualquer unidade 
de sua escolha. 
 
Estão corretamente articuladas com o conceito de integralidade do SUS APENAS 
as propostas 
(A) I e II porque reduzem a dicotomia entre as ações curativas e preventivas nos 
serviços de saúde. 
(B) III e IV porque oferecem mais serviços e a um maior número de pessoas. 
(C) I e III porque os usuários atendidos por médicos especialistas na rede básica 
necessitarão, cada vez menos, de Pronto Socorro. 
(D) III e IV porque prevêem o atendimento da população holisticamente. 
(E) I e II porque não falam dos direitos do cidadão brasileiro e sim da ampliação 
de serviços. 
 
Gabarito: A 
Autoras: Beatriz Regina Lara dos Santos e Vera Beatriz Delgado 
Comentário: 
As ações e serviços de saúde que integram o Sistema Único de Saúde 
(SUS) são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas na Constituição 
Federal e os princípios que constam na Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 57 
que dispõe sobre as condições para promoção, proteção e recuperação da saúde, 
a organização e o funcionamento dos serviços de saúde. O princípio da 
integralidade da assistência refere-se ao conjunto articulado e contínuo das ações 
e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso 
em todos os níveis de complexidade do sistema.1 
Atualmente, a questão da integralidade representa um dos maiores 
desafios nas práticas em saúde, pois não é apenas uma diretriz do SUS definida 
constitucionalmente, mas pode ser vista como uma imagem-objetivo, com vários 
sentidos: uma crítica a atitude médica fragmentária, a um sistema que privilegia a 
especialização e a segmentação; a dimensão das práticas, buscando 
compreender o conjunto das necessidades de ações e serviços de saúde que um 
paciente apresenta para além da atenção individual curativa, necessitando que 
sejam incorporadas ações de promoção e prevenção na atenção à saúde, assim 
como a articulação com ações curativas e reabilitadoras; o modo de organizar 
as práticas, criticando a separação entre práticas de saúde pública e práticas 
assistenciais, entre ações de saúde coletiva e atenção individual, entendendo a 
integralidade como horizontalização dos programas; o modo de organizar o 
processo de trabalho em saúde, buscando contínua ampliação da possibilidade 
de apreensão e satisfação das necessidades de um grupo populacional, 
articulando a atenção à demanda espontânea com a oferta programada de 
atenção à saúde, proporcionando ampliaçãoda eficiência; o acesso às técnicas 
de diagnóstico e tratamento necessárias a cada caso quando necessário, 
articulação a partir da atenção básica aos meios de diagnóstico e atenção 
especializada quando necessário, de ampliação de acesso ao sistema de saúde e 
de resolutividade da atenção; e articulação intra e intersetorial para a busca de 
soluções para problemas e busca de qualidade de vida.2 
Portanto, a questão da integralidade representa, hoje, o maior desafio nas 
práticas em saúde, não como questão institucional ou política, mas como desafio 
cultural, para romper com formas cristalizadas de se entenderem e realizarem 
ações técnicas, identificadas com formas especializadas de desempenho técnico 
e profissional, visando à cura.2 Ela A integralidade é uma “bandeira” de luta, um 
enunciado de certas características do sistema de saúde, de suas instituições e 
de suas práticas que são consideradas desejáveis. Ela tenta falar de um conjunto 
58 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
de valores pelos quais vale lutar, pois se relacionam a um ideal de uma sociedade 
mais justa e mais solidária.3 
Os itens I e II estão corretos, pois pressupõe a horizontalização do 
modo de organizar as práticas, evitando a separação entre ações de saúde 
pública e assistenciais, ou seja, intervenções de cura e de prevenção de agravos 
à saúde.2 
O item III esta incorreto, pois a Política Nacional de Atenção Básica 
determina consolidar e qualificar a estratégia de Saúde da Família como modelo 
de Atenção Básica, constituindo a porta de entrada preferencial do SUS e sendo o 
centro ordenador das redes de atenção à saúde do sistema. Para a implantação 
das equipes de Saúde da Família é necessária a existência de uma equipe 
multiprofissional composta no mínimo por médico, enfermeiro, auxiliar ou técnico 
de enfermagem e agentes comunitários de saúde.4 Portanto, nas equipes de 
Saúde da Família não está prevista a inclusão de profissionais das especialidades 
médicas, estes devem estar sediados nos serviços de referência. 
O item IV está incorreto, pois a Política Nacional de Atenção Básica tem 
como um de seus fundamentos possibilitar o acesso universal e contínuo a 
serviços de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de 
entrada preferencial do sistema de saúde, com território adscrito de forma a 
permitir o planejamento e a programação descentralizada, e em consonância com 
o princípio da equidade.4 
Compete às Secretarias Municipais de Saúde e ao Distrito Federal 
organizar, executar e gerenciar os serviços e ações de Atenção Básica, de forma 
universal, dentro do seu território, incluindo as unidades próprias e as cedidas 
pelo estado e pela União.4 
Referências 
1. Brasil. Presidência da república. LEI N° 8080, 19 DE SETEMBRO DE 1990. 
Brasília: Casa Civil; 1990. 
2. Brasil. Ministério da Saúde. Integralidade da Atenção à Saúde. Brasília: 
Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica; 2003. 
3. Pinheiro R, Mattos RA. Os sentidos da integralidade na atenção e no 
cuidado à saúde. Rio de Janeiro: ABRASCO; 2001. 
4. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: 
Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica; 2006. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 59 
QUESTÃO 28 
Após o cadastramento das famílias que compõem a área de abrangência de uma 
unidade de Saúde da Família, as equipes se reuniram para definir as estratégias 
de ação frente à problemática identificada: a elevada incidência de jovens 
usuários de drogas e de pessoas com transtorno mental e história de internação 
psiquiátrica. Diante dessa situação, a equipe decidiu realizar uma pesquisa para 
conhecer as dificuldades das famílias em cuidar dos indivíduos com transtorno 
mental. Do ponto de vista metodológico, o que deve ser considerado para a 
execução dessa pesquisa? 
(A) Considerar o sexo e a idade dos sujeitos como variáveis dependentes do 
estudo. 
(B) Enviar questionários às famílias para avaliar o grau de confiabilidade do 
teste de hipótese. 
(C) Implantar, antes da coleta de dados, um programa de capacitação das 
famílias para que se instrumentalizem quanto às formas de atenção. 
(D) Aplicar às pessoas com transtorno mental um teste que avalie o seu 
desempenho cognitivo e categorize o tipo de atenção requerida. 
(E) Elaborar um projeto justificando o problema, determinando objetivos e a 
trajetória metodológica. 
 
Gabarito: E 
Autoras: Karen Ruschel e Beatriz Regina Lara dos Santos 
Comentário: 
Nos últimos anos, a enfermagem tem aumentado o interesse em buscar 
evidências científicas destinadas a resolver problemas complexos da prática 
assistencial. Esse modelo tem sido denominado de prática baseada em evidência, 
no qual pesquisa e prática clínica não estão mais dissociadas, elas integram a 
experiência clínica individual à melhor evidência externa disponível oriunda da 
pesquisa sistemática.1 
A busca do conhecimento científico cada vez mais tem sido norteada por 
orientações metodológicas que têm por objetivo fornecer diretrizes para a 
execução e posterior análise de resultados.2 A análise rigorosa dos métodos 
pelos quais as informações científicas são obtidas é definida como a metodologia 
60 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
científica que, quando adequadamente aplicada, define o caminho possível para a 
busca da melhor evidência.2,3 
A metodologia científica embasa a elaboração dos projetos de pesquisa, 
fornece estrutura para a busca da melhor evidência, possibilita a reprodução dos 
resultados pelos próprios pesquisadores ou por outros grupos da comunidade.3,4 
Na pesquisa científica, tudo tem início com a formulação do problema de 
pesquisa, que se originou de uma leitura prévia, de uma dúvida no atendimento a 
um paciente ou a uma comunidade, ou de uma sugestão para um projeto. A 
objetividade e a simplicidade do problema são fatores de qualidade na elaboração 
da pesquisa. Em qualquer caso a metodologia deve ser direcionada para a 
obtenção da resposta.3,5 
A alternativa A está incorreta, porque a variável dependente é a variável 
que o pesquisador está interessado em compreender, explicar ou prever.6 
Conforme o enunciado da questão o interesse da equipe é “conhecer as 
dificuldades das famílias em cuidar dos indivíduos com transtorno mental”, 
portanto a variável dependente seria a dificuldade das famílias em cuidar dos 
indivíduos com transtorno mental. Sexo e idade dos sujeitos poderiam ser 
variáveis independentes desse estudo, visto que a causa presumida é a variável 
independente, enquanto o efeito presumido é denominado variável dependente.6 
A alternativa B está incorreta, pois a confiabilidade é o principal critério 
para a investigação da qualidade de um instrumento, ou seja, refere-se à 
consistência com que o instrumento mede o atributo e não ao teste de hipóteses 
estatísticas. No que se refere ao teste de hipóteses estatísticas, este proporciona 
critérios objetivos para decidir se uma hipótese é aceita ou rejeitada como 
verdadeira.6 Uma pesquisa com o objetivo de “conhecer as dificuldades das 
famílias em cuidar dos indivíduos com transtorno mental” não prevê teste de 
hipóteses estatísticas. 
A alternativa C está incorreta, pois a coleta de dados de um estudo 
prossegue de acordo com um plano preestabelecido, o qual contempla os 
procedimentos para recrutamento da amostra, a obtenção dos consentimentos 
necessários para realização da pesquisa e a capacitação dos pesquisadores para 
a coleta de dados.6 As famílias constituem os sujeitos do estudo, portanto não 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 61 
devem ser capacitadas em momento anterior a coleta de dados da pesquisa, poistal fato poderá interferir nos resultados obtidos. 
A alternativa D está incorreta, porque o objetivo desta pesquisa 
determina que o sujeitos do estudo são as famílias e não as pessoas com 
transtorno mental. 
A alternativa E está correta, porque todos os estudos partem de uma 
questão de pesquisa, a meta é encontrar uma questão relevante que possa ser 
desenvolvida em um plano de estudo factível e válido.4,5 Feita a pergunta, os 
objetivos do trabalho devem ser estabelecidos e a trajetória metodológica 
construída. Após a aprovação do projeto nas instâncias regulatórias pertinentes a 
coleta de dados/ intervenção na população em estudo deve ser iniciada. 
Referências 
1. Pereira AL, Bachion MM. Atualidades em revisão sistemática de 
literatura, critérios de força e grau de recomendação de evidência. Rev 
Gaúcha Enferm 2006 dez 27;(4):491-8. 
2. Reis FB, Lopes AD, Faloppa F, Ciconelli, RM. A importância da qualidade 
dos estudos para a busca da melhor evidência. Rev Bras Ortop 2008 
43;(6):209-16. 
3. Pearce N. A Short Introduction to Epidemiology. 2ª ed. Wellington: Centre 
for Public Health Research;2005. 
4. Amatuzzi MLL, Amatuzzi MM, Leme LEQ. Metodologia científica: o desenho 
da pesquisa Acta Ortop Brás 2003;11(1). 
5. Hulley SB, Cummings SR, Browner WS, Grady D, Hearst N, Newman TB. 
Delineando a pesquisa clínica: uma abordagem epidemiológica. 2ª. ed. Porto 
Alegre: Artmed; 2003. 
6. Polit DF, Cheryl TB, Hungler BP. Fundamentos de pesquisa em 
enfermagem: métodos, avaliação e utilização. 5ª. ed. Porto Alegre: Artmed; 2004. 
62 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 29 
João, dependente de drogas e contaminado pelo vírus HIV, é atendido pela 
enfermeira do ambulatório de saúde mental. Durante a consulta, revela que é 
enfermeiro da terapia intensiva da instituição e freqüentemente injeta metade da 
droga prescrita aos pacientes (opiácio) em si próprio. Considerando a situação 
descrita e os aspectos éticos e legais, preconiza-se que a enfermeira 
I. esteja comprometida com a assistência de enfermagem a João, sem 
discriminação de qualquer natureza, abstendo-se de revelar esses informes 
confidenciais a pessoas que não estejam obrigadas ao sigilo. 
II. assuma a assistência a João, cidadão pleno de direitos e deveres, e reflita 
que ele está sendo atendido como paciente e, como tal, independentemente 
de sua patologia, tem direito ao sigilo de suas informações e de seu 
diagnóstico. 
III. garanta a assistência a João e comunique o caso à diretoria de enfermagem, 
considerando que ele pode cometer danos à própria vida, à de terceiros e ao 
patrimônio da empresa, por integrar o quadro funcional do hospital. 
IV. comprometa-se com a assistência a João, mesmo sendo dilemática a 
situação, porém o denuncie ao Conselho Regional de Enfermagem, visando 
a cumprir os preceitos éticos e legais da profissão. 
 
Está correto APENAS o que se afirma em 
(A) III e IV. 
(B) II e IV. 
(C) II e III. 
(D) I e II. 
(E) I e III. 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 63 
QUESTÃO 30 
Reginaldo, 46 anos, portador de doença renal crônica, vai iniciar hemodiálise três 
vezes por semana enquanto aguarda a chamada para se submeter a transplante 
renal. Ele foi encaminhado para receber o esquema de vacinação contra hepatite 
B, na Unidade Básica de Saúde próxima de sua residência, onde recebeu a 
primeira dose de 2 mL de vacina por via intramuscular profunda. A segunda dose 
foi administrada após intervalo de 30 dias, tendo sido agendada a terceira dose 
para 180 dias após a primeira, data em que Reginaldo se encontrava internado no 
hospital devido a uma intercorrência gastrintestinal. Sessenta dias após a data 
agendada compareceu à UBS e solicitou o reinício do esquema de vacinação 
porque havia ultrapassado os prazos estipulados no calendário. Qual a conduta e 
a orientação corretas a serem oferecidas a Reginaldo? 
(A) Reiniciar o esquema de três doses conforme solicitado pelo cliente porque a 
interrupção do esquema anula os anticorpos anteriormente produzidos. 
(B) Dar continuidade ao esquema administrando a terceira dose e agendando a 
quarta dose, prevista para pacientes de grupos de risco, porque os pacientes 
nesta condição têm menor produção de anticorpos. 
(C) Reiniciar o esquema e acrescentar uma quarta dose, seis meses após a 
terceira, porque na repetição do esquema o organismo demora mais tempo 
para desenvolver a memória celular contra a hepatite. 
(D) Encerrar o esquema de vacinação administrando a terceira dose porque a 
ampliação do intervalo entre as doses supre a necessidade da quarta dose, 
se cumpridos os prazos iniciais. 
(E) Substituir a vacinação por imunoglobulina específica uma vez que o 
esquema não pode ser reiniciado nem completado porque o paciente não é 
mais virgem da estimulação pelo antígeno. 
 
Gabarito: B 
Autoras: Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo e Fátima Rejane Ayres Florentino 
Comentário: 
A hepatite B (HB) é uma infecção viral transmitida por via parenteral, ou 
sexual, em que ocorre necrose de hepatócitos, com potencial evolução para 
doença hepática crônica (cirrose) e desenvolvimento de carcinoma hepatocelular. 
Segundo Romão Jr. (2003), sua prevalência é de 3,2% entre pacientes 
submetidos à hemodiálise (HD) no Brasil, estando em declínio. Várias medidas 
64 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
foram responsáveis pela diminuição da prevalência de HB em HD, tais como: a 
vacinação regular, a segregação dos portadores em salas separadas e o estrito 
seguimento das medidas-padrão de isolamento. A vacinação para HB, a despeito 
da eficácia em adultos imunocompetentes, frequentemente produz títulos 
menores em renais crônicos sob tratamento substitutivo da função renal. A baixa 
resposta dos pacientes em diálise à vacinação para HB é um problema que 
necessita vigilância constante dos níveis de anticorpos contra o antígeno de 
superfície do vírus B (Anti-HBs), bem como um protocolo de revacinação. Estudos 
anteriores mostraram índice de soroconversão após a vacinação de 52,9%, 
sugerindo que disfunção do sistema imune se associa à falência renal.3 
Vários fatores podem contribuir para a baixa resposta imune do paciente 
renal crônico. Dentre eles estão a uremia, a diminuição na produção de 
eritropoietina (EPO), a desnutrição, a idade avançada, baixa densidade do 
TCR/CD3, a exposição a agentes inflamatórios e os tipos de alelos do antígeno 
leucocitário humano (HLA)3,4. 
A imunidade celular está comprometida, pois a resposta a antígenos 
cutâneos está reduzida. Observa-se linfopenia e hipoplasia do timo em renais 
crônicos, retardo da cicatrização de feridas cirúrgicas e diminuição da resposta 
inflamatória. Existe uma situação imunológica paradoxal durante a uremia, onde a 
resposta inflamatória sustentada contrasta com um sistema de defesa ineficaz. 4 
As alterações na imunidade são partes responsáveis pelo aumento da 
incidência de infecções que representam a segunda maior causa de mortalidade 
em pacientes em diálise.5 A probabilidade de indivíduos em HD desenvolverem 
títulos adequados de anticorpos por aplicação intramuscular (IM), com 40µg, no 
esquema de administração em 0,1 e 2 meses da vacina, foi de 66% aos 6 meses 
do início da vacinação. O esquema de vacinação contra HB preconizado pelo 
Advisory Committee in Immunization Practices (ACIP) do Center of Disease 
Control (CDC) para pacientes em HD é de 40 µg em 4 doses, nos intervalos de 
zero, 1, 2 e 6 meses, por via IM (Protection against viral hepatitis. 
Recommmendations of the Immunization Practices Advisory Committee (ACIP), 
mesma recomendação é sugerida pela RDC 154 , que recomenda que o doente 
renal crônico deve proceder a UBS para realização da imunização contra Hepatite 
B de acordocom o Programa Nacional de Imunizações do MS no prazo de 30 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 65 
dias após o início da terapia de substituição renal. Esquema, este, também 
indicado por Daugirdas (1996). 6, 7,8 
Após a vacinação IM, 44 a 83% dos pacientes em HD desenvolvem título 
de Anti-HBs acima de 10 UI/ml.8 
A alternativa A está incorreta, pois a interrupção do esquema vacinal não 
anula os anticorpos produzidos anteriormente.9 
A alternativa B é correta, pois os pacientes com insuficiência renal crônica 
têm uma resposta a vacina mais baixa (50 a 80%), sendo esta atribuída a baixa 
imunidade e desnutrição.9 
A alternativa C está incorreta, pois não se reinicia esquema de vacinação e 
o esquema vacinal é de três doses, com intervalo de um mês entre as doses, e 
reforço aos 6 meses após a primeira dose (esquema 0,1, e 6 meses).9 
A alternativa D está incorreta, pois não se encerra o esquema de vacina 
para imunodeprimidos antes de completar quatro doses.9 
A alternativa E está incorreta, pois a imunoglobulina humana anti-hepatite 
B (IGHAHB) é indicada para pessoas não vacinadas após a exposição ao vírus da 
hepatite B como: recém-nascido, cuja a mãe tem sorologia positiva PA HBsAG 
(antígeno de superfície do vírus da hepatite B); acidente com ferimento de 
membrana mucosa ou cutâneo por instrumento perfuro cortante contaminado com 
sangue positivo para HBsAG; contato sexual com pessoa que tem sorologia 
positiva para HBsAG; vítima de abuso sexual.9 
Referências 
1. Morsch C, Vicari A, Jacoby T, Barros E. O controle de infecções na unidade 
de diálise. In: Barros E, Manfro R, Thomé F, Gonçalves LF. Editores. Nefrologia 
Rotinas, diagnóstico e tratamento.3ª ed. Porto Alegre: Artmed, ;2006. p. 514-
526. 
2. Romäo JE Jr, Pinto SWL, Canziani ME, Praxedes JN, Santello JL, Moreira 
JCM. Censo SBN 2002: informações epidemiológicas das unidades de diálise do 
Brasil. J Bras Nefrol; 2003; 25:187-98. 
3. Stachowski J, Pollok M, Barth C, Maciejewski J, Baldamus CA. Non-
responsiveness to hepatitis B vaccination in haemodialysis patients: 
association with impaired TCR/CD3 antigen receptor expression regulating co-
stimulatory processes in antigen presentation and recognition. Nephrol Dial 
Transplant; 1994; 9:144-152. 
4. Campos H, Abbud Filho M, Legendre C, Kreis H. Infecções em transplante 
renal. In: Riella, MC. Princípios de Nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. 
4ª. ed. Rio de Janeiro Guanabara Koogan; 2003. p.974-987. 
66 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
5. Bandeira, MF. Conseqüências hematológicas da uremia. In: Riella, MC. 
Princípios de Nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. 4ª. ed. Rio de Janeiro 
Guanabara & Koogan; 2003. p.691-704. 
6. Protection against viral hepatitis. Recommendations of the Immunization 
Practices Advisory Committee (ACIP). MMWR Recomm Rep; 1990;39 (RR-
2):1-26. 
7. RDC 154. Brasília: Ministério da Saúde/ANVISA; 2005. 
8. Leehey D, Cannon JP, Lentino JR. Infections. In: Daugirdas JT, Blake P, Ing, 
TS. Handbook of dialysis. 4ª. ed. Philadelphia: Lippincott, Williams &Wilkins; 
2007.p. 542-574. 
9. Aranda, CMS. et al. Manual de procedimentos para vacinação. 4ªed. 
Brasília: Ministério da Saúde: Fundação Nacional de Saúde; 2001. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 67 
QUESTÃO 31 
Antonio de Pádua, 25 anos de idade, foi levado à Unidade Básica de Saúde por 
um colega. Antonio trabalha há 90 dias em uma construção civil, apresenta-se 
hoje com febre e exantema maculopapular, acompanhado de linfadenopatia 
retroauricular, não relata história de vacinação contra rubéola. Reside em 
alojamento da empresa com outros 10 trabalhadores, visitou a esposa e as filhas 
no município vizinho há 30 dias. O caso foi notificado como suspeita de rubéola. A 
enfermeira da UBS fez algumas considerações para orientar as medidas de 
controle e prevenção. Qual a alternativa que apresenta a justificativa e a decisão 
corretas? 
Justificativa Decisão 
A 
A maioria dos casos de rubéola são 
subclínicos, portanto, é pouco importante a 
busca de fonte de infecção e a observação 
dos contatos. O período de incubação da 
doença é de 14 dias. 
Colher sangue para sorologia dos colegas de 
alojamento após 14 dias do início do caso índice, 
independentemente da presença de sintomas. 
B 
A articulação entre os municípios é uma 
atribuição da esfera estadual. As medidas 
de controle dependem da intensidade dos 
sintomas apresentados. 
Elaborar e encaminhar proposta de intervenção 
específica para o caso ao serviço de vigilância 
epidemiológica estadual que solicitará ao 
município vizinho a execução das ações de 
proteção da família. 
C 
O Brasil tem como meta a eliminação da 
rubéola até o ano de 2010 e o Ministério 
da Saúde planeja a campanha de 
eliminação da rubéola para 2008. 
Aproveitar a oportunidade e realizar campanha 
educativa e vacinação indiscriminada com dupla 
viral independentemente do seu estado vacinal e 
da idade de todos os comunicantes. 
D 
O período de transmissibilidade da rubéola 
é de 5 a 7 dias antes e 7 dias após o início 
do exantema. O modo de transmissão é 
respiratório. 
Recomendar que Antonio evite contato com 
pessoas sem a doença por 7 dias para reduzir o 
risco de transmissão viral, e iniciar ações de 
vigilância descartando a possibilidade de a 
família ser a fonte de infecção. 
E 
A rubéola é benigna em homens. Acima 
de dois casos notificados considera-se a 
existência de um surto, o que implica 
maior risco de ocorrência da Síndrome da 
Rubéola Congênita. 
Recomendar a vacinação das filhas e da esposa 
em até 72 horas e aguardar a ocorrência de mais 
casos para desencadear a vacinação dos 
colegas de alojamento. 
 
Gabarito: D 
Autoras: Fátima Rejane Ayres Florentino e Isabel Cristina Kern Soares 
Comentários: 
A resposta é a letra D, pois o período de transmissibilidade, dessa doença 
é de cinco a sete dias antes do início do exantema, aproximadamente, e pelo 
68 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
menos de cinco a sete dias depois1, por isso da recomendação para que Sr. 
Antonio evitasse contato com pessoas por sete dias. 
A rubéola é uma doença exantemática aguda causada por vírus, muito 
contagioso, que se transmite com extrema facilidade. Seu agente infeccioso é o 
vírus que pertence ao gênero Rubirivus da família Togaviridae, tendo como 
reservatório o homem. Sua transmissibilidade é de pessoa a pessoa, por meio de 
contato direto com secreções da nasofaringe e de indivíduos infectados.2 Causa, 
normalmente, febre baixa e exantemas, começando no pescoço, que depois se 
alastra para o tronco, pernas e braços. Esses exantemas surgem com maior 
intensidade do segundo até o sexto dia. Pode ocorrer também dor no corpo, 
cefaleia, coriza e tosse. O período de incubação varia de 14 a 21 dias. A média é 
de 17 dias.1 
Ela pode ser assintomática, porém contagia pessoas suscetíveis. Os vírus 
são transmitidos de uma pessoa infectada para outra quando esta entra em 
contato direto com as gotículas de secreções que saem do nariz e da boca da 
pessoa infectada ao tossir, falar ou espirrar.1 
É uma doença de suscetibilidade universal. Quando há imunidade ativa 
esta pode ocorrer de duas maneiras: por infecção natural ou pela vacinação com 
a vacina tríplice viral que previne e dá imunidade contra outras duas doenças 
além da rubéola, que são o sarampo e caxumba; idade mínima para aplicação é 
de 12 meses e a idade máxima é de 11 anos completos. O local de administração 
é deltoide esquerdo pela via subcutânea na dosagem de 0,5 ml. Ou pela vacina 
dupla viral que dá imunidade contra a rubéola e o sarampo, sendo necessário ter 
a idade mínima para aplicação de 12 anos e idade máxima de 49 anos. É 
administrada uma dosagemde 0,5ml e nas campanhas. O local de administração 
é o mesmo da tríplice viral. 2 
Referências 
1. Brasil livre da rubéola [Internet]. Ministério da Saúde. Acesso em 
10/9/2009 às 12h22, disponível em 
http://www.brasillivredarubeola.com.br/rubeola.php#this. 
2. Aranda MS de S.; et al. Manual de procedimentos para vacinação. 4ª ed. 
Brasília: Ministério da Saúde: Fundação Nacional de Saúde; 2001. 303 p. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 69 
QUESTÃO 32 
Nadir, enfermeira auditora da Secretaria Municipal de Saúde de Castro Alves, 
analisou o consumo de hipoclorito de sódio 1% utilizado na desinfecção de artigos 
de inaloterapia das Unidades Básicas de Saúde e apresentou em reunião técnica 
o gráfico abaixo. 
 
Considerando o gráfico e que não houve mudança na quantidade de inalações 
realizadas no período de análise, é correto afirmar: 
(A) A média mensal de consumo foi inferior ao esperado, portanto, há risco de 
disseminação de microrganismos patogênicos entre os usuários do serviço. 
(B) Os dados não podem ser utilizados isoladamente, sendo necessário verificar 
a ocorrência de casos de doença respiratória nos usuários para estabelecer 
o grau de risco decorrente da provável baixa concentração do cloro. 
(C) A média mensal de consumo foi menor que o esperado, mas não oferece 
risco de infecção respiratória aos usuários das unidades, porque nelas não 
há circulação de microrganismos altamente patogênicos. 
(D) Os traçados das duas médias de consumo de hipoclorito se mantêm 
paralelos sugerindo que o padrão de desinfecção vem se mantendo sem o 
comprometimento da biossegurança. 
(E) O consumo médio mensal de hipoclorito está abaixo do esperado porque 
algumas unidades estariam utilizando concentrações de cloro menores, 
compensando com a imersão do material por mais tempo, sem oferecer, 
entretanto, risco aos usuários. 
 
Gabarito: A 
Autoras: Andréia da Silva Gustavo e Valéria Lamb Corbellini 
 
 
70 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
Comentário: 
Dentre os materiais mais utilizados em instituições de saúde, encontramos 
os dispositivos para macro e micronebulização terapêutica a base de oxigênio 
e/ou ar estéril medicinal, procedimento comumente denominado de inaloterapia 
e/ou oxigenoterapia. Estes artigos são confeccionados em material plástico termo- 
-sensível, sendo que, após o uso, são submetidos aos processos de limpeza e 
desinfecção com a utilização de hipoclorito de sódio a 1% que são formulações 
comercializadas na forma líquida. Devem ser utilizados nas seguintes 
concentrações e tempo de contato1,2: 
I. Desinfecção/Descontaminação de Superfícies – 10.000ppm ou 1% 
de Cloro ativo – 10 minutos de contato. 
II. Desinfecção de Lactários e utensílios de Serviço de Nutrição e 
dietética (SND) – 200ppm ou 0,02% Cloro ativo – 60 minutos. 
III. Desinfecção de Artigos de Inaloterapia e Oxigenoterapia não 
metálicos - 200ppm ou 0,02% a 0,5% de Cloro ativo - 60 minutos. Dispensando 
enxágue. 
IV. Desinfecção de Artigos Semicríticos – 10.000ppm ou 1% de Cloro 
ativo – 30 minutos2. 
As opções apresentadas na questão são: 
(A) A média mensal de consumo foi inferior ao esperado, portanto, há risco 
de disseminação de microrganismos patogênicos entre os usuários do serviço. 
Questão correta. Tendo em vista que não houve mudança na quantidade 
de inalações realizadas no período de análise, se esperaria o mesmo consumo 
mínimo mensal. Portanto, há risco de disseminação de microrganismos 
patogênicos entre os usuários do serviço, não havendo adequação no processo 
de desinfecção. 
(B) Os dados não podem ser utilizados isoladamente, sendo necessário 
verificar a ocorrência de casos de doença respiratória nos usuários para 
estabelecer o grau de risco decorrente da provável baixa concentração do cloro. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 71 
Questão Incorreta. Deve-se realizar desinfecção com a concentração 
adequada em todo o material utilizado em inaloterapia, independente da análise 
de ocorrência de casos de doença respiratória nos usuários. 
(C) A média mensal de consumo foi menor que o esperado, mas não 
oferece risco de infecção respiratória aos usuários das unidades, porque nelas 
não há circulação de microrganismos altamente patogênicos. 
Questão Incorreta. Os artigos hospitalares são definidos conforme o grau 
de risco de aquisição de infecções: críticos, semicríticos e não críticos. 2:12-13 
Artigos críticos são aqueles que entram em contato direto com tecidos ou tratos 
estéreis; semicríticos, os que entram em contato com a pele não íntegra e 
membranas mucosas; e não críticos aqueles que entram em contato com a pele 
íntegra. Essa classificação norteia a escolha do processo de desinfecção ou 
esterilização a ser utilizado. Portanto, os artigos críticos devem ser submetidos ao 
processo de esterilização, os semicríticos no mínimo à desinfecção e os não 
críticos, somente necessitam de desinfecção de médio ou baixo nível, quando 
reutilizados em pacientes. Conforme quadro abaixo os inaladores são 
classificados como artigos semicríticos, portanto deve-se realizar a desinfecção 
de forma adequada. 
 
FONTE: Brasil. Orientações Gerais para Central de Esterilização. Ministério da Saúde. Secretaria 
de Assistência à Saúde. Série A Normas e Manuais Técnicos, n. 108. Brasília, 2001. Disponível 
em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_gerais_central_esterilizacao_p1.pdf 
Acesso em: 20/9/09. 
72 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
(D) Os traçados das duas médias de consumo de hipoclorito se mantêm 
paralelos, sugerindo que o padrão de desinfecção vem se mantendo sem o 
comprometimento da biossegurança. 
Questão Incorreta. No momento em que se tem um consumo esperado de 
hipoclorito, tendo em vista o número de inaloterapias realizadas no serviço e a 
média mensal de consumo foi inferior, há inadequação no processo de 
desinfecção comprometendo a biossegurança. 
(E) O consumo médio mensal de hipoclorito está abaixo do esperado 
porque algumas unidades estariam utilizando concentrações de cloro menores, 
compensando com a imersão do material por mais tempo, sem oferecer, 
entretanto, risco aos usuários. 
Questão Incorreta. A concentração do hipoclorito e o tempo de contato é 
padrão conforme o material que deva ser submetido ao processo de desinfecção. 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. ANVISA. Disponível em: 
http://www.anvisa.gov.br/busca/busca.asp?palavrachave=hipoclorito+de+s%F3dio
+1%25+ Acesso em: 20/9/09. 
2. Brasil. Orientações Gerais para Central de Esterilização. Ministério da 
Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Série A Normas e Manuais 
Técnicos, n. 108. Brasília, 2001. Disponível em: 
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_gerais_central_esterilizac
ao_p1.pdf Acesso em: 20/9/09. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 73 
QUESTÃO 33 
O enfermeiro da unidade de clínica médica do Hospital Cotinha necessita realizar 
a previsão mensal dos materiais utilizados em sua unidade. Considerando que o 
consumo de equipos de soro nos últimos 3 meses foi de 330 unidades e o 
estoque de segurança de 20%, qual é a cota mensal adequada de equipos de 
soro para prover essa demanda? 
(A) 396 
(B) 300 
(C) 132 
(D) 110 
(E) 100 
 
Gabarito: C 
Autoras: Karin Viegas e Maria Cristina Lore Schilling 
Comentário: 
O aumento da competição no âmbito dos serviços de saúde, os preços 
definidos pelo mercado, a inclusão de novas tecnologias e a busca pelo maior 
controle das margens de comercialização dos serviços, apontam para a 
necessidade de um refinado gerenciamento de custos pelas instituições 
hospitalares.¹ 
A atuação do enfermeiro na administração de recursos materiaisconstitui 
uma conquista no cenário da saúde e implica tomada de decisão, destacando a 
importância de seu papel na dimensão técnico-administrativa inerente aos 
processos de cuidar e gerenciar. O enfermeiro, ao assumir o gerenciamento das 
unidades de atendimento e coordenar toda a atividade assistencial tem papel 
significativo no que se refere à determinação do material necessário à 
consecução da assistência, tanto nos aspectos quantitativos, como nos 
qualitativos, incluindo definição de especificação técnica, análise da qualidade dos 
materiais, participação no processo de compra, controle e avaliação.² 
Assim, a participação do enfermeiro no processo de previsão de materiais 
para as unidades de assistência constitui tarefa inerente à sua prática diária, 
sendo, portanto que o enfermeiro deve ter domínio do conhecimento acerca da 
administração de materiais. 
74 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
A previsão de materiais, ou seja, a quantidade a ser requisitada pelas 
unidades ao almoxarifado é determinada pelo perfil de consumo de cada unidade, 
estabelecendo-se uma cota de materiais que representa uma estimativa de 
gastos por um determinado período.³ Então, a estimativa do material a ser 
comprado depende do consumo mensal das unidades hospitalares, cujos valores 
são calculados com base aritmética do consumo, podendo ser estimada pela 
seguinte fórmula:² 
 
CM = CMM +ES 
onde: 
CM = cota mensal 
CMM = consumo médio mensal 
ES = estoque de segurança 
 
Para aplicação desta expressão matemática deve-se saber que o consumo 
médio mensal (CMM) é a média dos valores do material utilizado nos últimos 
meses, dividida pelo número de meses. A cota mensal baseada na média 
aritmética móvel é o método mais usado no meio hospitalar, pois permite prever o 
consumo para o próximo período, conforme o consumo médio do período 
anterior.² 
O período recomendado para se determinar o consumo médio é de no 
mínimo três meses e em algumas situações, igual a 12 meses.³ 
O estoque de segurança (ES) ou estoque mínimo é a quantidade de cada 
item que deve ser mantida como reserva para garantir a continuidade do 
atendimento, caso haja aumento brusco do consumo ou atraso no suprimento.² 
Para esse cálculo acrescenta-se 10 a 20% do CMM.² 
Assim, para responder à questão, utilizando-se a fórmula citada acima, 
temos: 
 
CM= x equipos 
CMM=110 equipos 
ES= 22 equipos (20% de 110) 
Então: CM= 110 + 22 
CM=132 equipos 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 75 
Para a resolução desta questão pode-se, ainda, optar pela aplicação de 
uma regra básica de três, em que:4,5 
Equipos de soro em 3 meses = 330 unidades 
Equipos de soro em 1 mês = 110 unidades 
Estoque de segurança (20%) em 1 mês= 22 unidades 
Cota mensal para promover a demanda = 110 unidades (1 mês) + 22 
unidades (estoque de segurança - 20%) 
Resposta: a cota mensal adequada de equipos de soro para prover 
essa demanda é de 132 unidades. 
Referências 
1. Silva SP, Augusto R. Gestão de custos. In: Couto RC, Pedrosa TMG. 
Hospital: acreditação e gestão em saúde. Rio de Janeiro: Guanabra Koogan; 
2007. 
2. Castilho V, Gonçalves VLM. Gerenciamento de recursos materiais. In: 
Kurcgant P, coordenadora. Gerenciamento em Enfermagem. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan; 2005. 
3. Castilho V, Leite MMJ. A administração de recursos materiais na 
enfermagem. In: Kurcgant P. Administração em enfermagem. São Paulo: EPU; 
1991. 
4. Filho OK, Fávaro S. Noções de lógica e matemática básica. Rio de 
Janeiro: Ciência Moderna; 2005. 
5. Iezzi G, Murakami C. Fundamentos da matemática elementar: conjuntos, 
funções. São Paulo: Atual; 2004. 
76 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 34 
Os usuários da Unidade Básica de Saúde de Linha Rosa chegam às 5 horas para 
serem atendidos pelo médico a partir das 8 horas da manhã. Formam uma fila em 
frente ao posto e quem chega primeiro tem mais chance de ser consultado. Os 
graduandos em enfermagem da Faculdade Nightingale, em estágio curricular na 
Linha Rosa, questionaram a organização do atendimento e sugeriram à equipe de 
saúde da Unidade que aplicasse os princípios da Política Nacional de 
Humanização (PNH). Como tais princípios eram desconhecidos, a gerente da 
Unidade solicitou aos graduandos que orientassem à equipe na implantação do 
PNH. Usando os princípios da educação permanente, as ações educativas a 
serem desenvolvidas devem priorizar a: 
(A) aprendizagem significativa, tendo em vista o conhecimento prévio dos 
trabalhadores da Linha Rosa referente à organização do serviço. 
(B) transmissão vertical do conhecimento por meio de aulas expositivas sobre 
os princípios básicos da PNH. 
(C) participação de integrantes de serviços humanizados, possibilitando a 
reprodução dessa experiência na Linha Rosa. 
(D) memorização dos princípios básicos da PNH para posterior implantação 
pelos trabalhadores da Linha Rosa. 
(E) explanação por especialistas que sintetize o conteúdo do PNH aos 
trabalhadores da Linha Rosa, agilizando o processo de implantação. 
 
Gabarito: A 
Autoras: Beatriz Sebben Ojeda e Vera Beatriz Delgado 
Comentário: 
Conforme orienta a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, 
o conceito de educação permanente está relacionado ao trabalho, às práticas de 
formação e ao desenvolvimento profissional. Ou seja, “propõe que os processos 
de educação dos trabalhadores da saúde se façam a partir da problematização do 
processo de trabalho e considera que as necessidades de formação e 
desenvolvimento dos trabalhadores sejam pautadas pelas necessidades de saúde 
das pessoas e populações”.1:20 No âmbito da educação permanente, o ensinar e o 
aprender tornam-se inerentes ao cotidiano das organizações e do trabalho a 
aprendizagem no trabalho, em que o aprender e o ensinar se incorporam ao 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 77 
cotidiano das organizações e ao trabalho. Nessa perspectiva as unidades de 
saúde precisam promover a cultura de uma gestão participativa aos seus 
trabalhadores e usuários que se concretiza por meio de um processo de 
educação permanente. 
A Alternativa A está correta porque, como propõe a Política Nacional, a 
Educação Permanente se baseia na aprendizagem significativa e na possibilidade 
de transformação das práticas profissionais. ”Ela é feita a partir dos problemas 
enfrentados na realidade e leva em consideração os conhecimentos e as 
experiências que as pessoas já têm”.1:20 Os processos de educação permanente 
em saúde propõem a transformação das práticas profissionais e da organização 
do trabalho. 
A Alternativa B está incorreta porque propõe “transmissão vertical do 
conhecimento por meio de aulas expositivas” na lógica de um “modelo de 
transmissão escolar”, com a expectativa de que os conhecimentos adquiridos 
sejam aplicados na prática, o que não garante o alcance de tal resultado. Essa 
modalidade de ensino não garante a aproximação do conhecimento com os 
problemas práticos ou com os comportamentos presentes da realidade do cenário 
de prática dos trabalhadores. Como abordado anteriormente essa estratégia se 
distancia dos princípios da educação permanente que propõe que a educação se 
dá no cotidiano trabalho, na reflexão permanente daquela realidade em busca da 
solução dos problemas e das mudanças. 
A Alternativa C está incorreta porque considerando que a educação 
permanente busca a transformação daquela realidade todo o processo de 
educação permanente proposto para a linha Rosa deverá estar voltado às 
necessidades dos profissionais e da comunidade, bem como deverá ser 
construído coletivamente, buscando alternativas para solução de problemas e o 
envolvimento da equipe e dos gestores daqueleserviço. 
Conforme já discutido na Alternativa B e C, as Alternativas D e E também 
estão incorretas, pois propõem um modelo de educação centrado na “transmissão 
vertical do conhecimento”, com a expectativa de que os conhecimentos adquiridos 
sejam aplicados na prática o que não garante o alcance de tal resultado, tendo 
em vista que essa construção não possibilitou a participação dos atores 
78 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
envolvidos, identificando necessidades desejos e interesses individuais e 
coletivos. 
Conforme descreve a Política Nacional de Educação Permanente, seus 
critérios de educação estão pautados no próprio contexto social, sanitário e do 
serviço, a partir dos problemas da prática na vida cotidiana das organizações; na 
reflexão e participação voltada para a construção coletiva de soluções de 
problemas uma vez que eles não existem sem sujeitos ativos que os criam; na 
orientação para o desenvolvimento e a mudança institucional das equipes e dos 
grupos sociais, o que supõe orientar para a transformação das práticas coletivas; 
na estratégia de envolver múltiplos atores, como os trabalhadores dos serviços, 
os grupos comunitários e os tomadores de decisão político-técnicos do sistema1. 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente 
em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde 2009 Série B. Textos Básicos de Saúde 
Série Pactos pela Saúde 2006, v. 9, p.59. Disponível em: 
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/volume9.pdf. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 79 
QUESTÃO 35 
O Centro Dia de Convivência de Idosos Vida Feliz com capacidade para atender 
20 idosos, em cada período, teve aumento de procura por parte dos familiares de 
idosos que apresentam seqüelas de acidente vascular encefálico (AVE). A equipe 
de saúde do Vida Feliz reuniu-se para planejar as ações necessárias para acolher 
esta demanda e optou por utilizar como instrumento a metodologia do 
Planejamento Estratégico Situacional (PES). Considerando o PES, está 
corretamente correlacionado o momento com a respectiva ação a ser 
implementada pela equipe em: 
 Momento Ação 
 
A 
Reflexivo refletir sobre a dificuldade dos cuidadores 
Ativo propor a intervenção nas seqüelas do AVE 
Estratégico possibilitar o estabelecimento de um plano de ação 
Tático-operacional implementar as ações que foram propostas 
 
 
B 
Explicativo explicar a realidade do aumento da demanda 
Normativo conceber um plano de ação para intervir nas seqüelas do AVE 
Estratégico estabelecer o plano de ação 
Tático-operacional implementar as ações que foram propostas 
 
 
C 
Explicativo explicar a realidade do aumento da demanda 
Reflexivo refletir sobre a dificuldade dos cuidadores 
Ativo propor a intervenção nas seqüelas do AVE 
Estratégico possibilitar o estabelecimento de um plano de ação 
 
 
D 
Ativo propor a intervenção nas seqüelas do AVE 
Normativo conceber um plano de ação para intervir nas seqüelas do AVE 
Estratégico possibilitar o estabelecimento de um plano de ação 
Ação implementar as estratégias propostas 
 
 
E 
Reflexivo refletir sobre a dificuldade dos cuidadores 
Normativo conceber um plano de ação para intervir nas seqüelas do AVE 
Estratégico possibilitar o estabelecimento de um plano de ação 
Ativo propor a intervenção nas seqüelas de AVE 
 
Gabarito: B 
Autoras: Andréia da Silva Gustavo e Maria Cristina Lore Schilling 
Comentário: 
O principal objetivo da prestação de serviços de saúde é a resolução das 
necessidades e problemas da população, com o melhor aproveitamento da 
infraestrutura e dos recursos humanos.¹ Para tanto, o planejamento constitui uma 
das ferramentas essenciais, cujo referencial teórico aponta diferentes 
abordagens. 
80 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
O planejamento permeia as práticas de trabalho em três situações: como 
instrumento ou atividade dos processos de gestão das organizações, 
considerando as articulações necessárias para o desencadeamento dos 
processos de trabalho nessas organizações; como impulsionador de práticas 
sociais transformadoras, a partir do estabelecimento de novas relações sociais; e 
como método de ação governamental, no que se refere à produção de políticas.² 
Na esfera da saúde o Planejamento Estratégico Situacional (PES) surge a 
partir da necessidade do reconhecimento da pluralidade de atores sociais em 
conflito numa realidade complexa e dinâmica.³ 
Matus e Testa, como idealizadores dessa metodologia, entendem o 
planejamento como uma ferramenta que possibilita o exercício da 
governabilidade, considerando-se a projeção para o futuro e o poder dos atores 
sociais envolvidos na situação. 4,5 
A área da saúde está inserida em um cenário dinâmico, no qual as 
situações de agravo e as necessidades modificam-se constantemente, 
aumentando a complexidade na resolução de problemas, bem como os desafios 
dos atores envolvidos. 
O PES é um método que foca o processamento dos problemas atuais e 
dos problemas potenciais (ameaças e oportunidades) em diferentes esferas. E 
processar problemas implica explicar a origem e o desenvolvimento de um 
problema; estabelecer planos para atacar as causas do problema; analisar a 
viabilidade política e/ou viabilizar sua execução; e atacar o problema na prática, o 
que significa ter uma visão real dos problemas locais.³ 
Assim, quando colocado em prática, o PES é desdobrado em quatro 
momentos, que se inter-relacionam: o explicativo, o normativo, o estratégico e o 
tático-operacional.³ 
O momento explicativo propõe-se a explicar a realidade, mediante a 
seleção de problemas relevantes, buscando-se a compreensão mais ampla 
acerca da ocorrência do problema com vistas ao desenvolvimento de um plano de 
ação para resolvê-lo.³,4,5 Essa etapa implica o estabelecimento de prioridades, por 
meio da tomada de decisão, a partir da análise das opções disponíveis para 
solução do problema.³ 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 81 
Nesse momento os atores envolvidos, precisam lançar mão de 
conhecimentos e ferramentas que auxiliam no processo, tais como: domínio do 
processo de avaliação de estrutura, processo e resultado, conhecimento dos 
recursos epidemiológicos, do sistema de referência e contrarreferência, e do fluxo 
dos usuários.³ 
O segundo momento do PES, denominado normativo, refere-se à 
identificação das pessoas implicadas no problema e dos recursos disponíveis 
para o processo de solução. Nessa etapa faz-se a projeção de cenários em que 
são mapeadas as variáveis, considerando-se as melhores e as piores 
possibilidades. Avalia-se a relação entre os poderes advindos da instância 
política, do conhecimento técnico sobre o problema, da capacidade organizativa 
dos envolvidos, e dos recursos financeiros para a viabilização das operações.³ 
Assim, nesse momento, avaliam-se as possibilidades de solução, definem- 
-se as metas e prazos das operações, bem como os responsáveis pelo 
desdobramento das ações para a solução do problema. 
O terceiro momento é o estratégico, o qual permeia todos os momentos da 
elaboração e execução do plano. Consiste na construção da viabilidade, por meio 
da identificação de atores favoráveis à execução do plano e como estes dispõem 
dos recursos para sua viabilização. É um momento caracterizado pela negociação 
política, que tem como pilar a análise das intenções, do poder e dos recursos dos 
atores envolvidos.4 
O quarto momento consiste no tático-operacional, que representa a 
implementação das ações propostas. É essencial, nesse momento, adequar a 
execução do plano à realidade em que se está inserido, para tornar factível a 
operação. Isto significa que aimplementação das ações é parte do plano e não 
uma ação isolada ou posterior. Essa etapa pressupõe constante reavaliação, para 
ajustes das ações, considerando o contexto em que ocorre, o comportamento dos 
atores envolvidos e os recursos disponíveis para a solução do problema.³ 
Analisando-se a questão da prova que traz a situação do Centro Dia de 
Convivência de Idosos Vida Feliz, a resposta B apresenta os quatro momentos do 
PES. 
O momento explicativo, cuja ação é: explicar a realidade do aumento da 
demanda está relacionado ao contexto no qual ocorre o problema. Nesta etapa os 
82 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
gestores deverão tentar entender o problema a partir de uma análise situacional. 
Para tanto, deverão conhecer o contexto de saúde local, as características da 
comunidade, os hábitos de saúde e condições econômicas da população que 
busca o “Centro Vida Feliz, a fim de estabelecerem as causas do aumento da 
demanda de pacientes portadores de AVE”. 
O momento normativo corresponde à ação: conceber um plano de ação 
para intervir nas sequelas do AVE. A partir da análise situacional, é estimada a 
necessidade de recursos humanos e físicos para a concepção do plano. 
Considerando a demanda aumentada de pacientes com sequelas de AVE, 
buscando o serviço, a estratégia seria estabelecer intervenções para minimizar as 
sequelas desse agravo. 
O momento estratégico é representado pela ação: estabelecer o plano de 
ação. Nesse momento, busca-se identificar a viabilidade ou construir a viabilidade 
do plano de ação, por meio do gerenciamento do conflito e negociação. 
O momento tático-operacional corresponde à ação: implementar as ações 
que foram propostas, o que significa colocar em prática a ação que trará a 
solução para o problema, considerando as características do cenário e sua 
viabilidade, mediante avaliação constante das ações. 
Assim, percebe-se o PES como um método de permanente exercício de 
diálogo e reflexão sobre os problemas que incidem em uma realidade, visando a 
qualificação do gerenciamento dos processos em saúde. 
Referências 
1. Martínez GDP. Aplicações da epidemiologia e avaliação econômica dos 
resultados na gestão hospitalar. In: Malagón-Londoño G,Moreira, RG, Laverde 
GP. Administração hospitalar. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000. 
2. Mehry EE. Razão e planejamento. São Paulo: HUCITEC; 1994. 
3. Ciampone MH, Melleiro MM. O planejamento e o processo decisório como 
instrumentos do processo de trabalho gerencial. In: Kurcgant P, coordenadora. 
Gerenciamento em Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005. 
4. Matus C. Política, planejamento e governo. Brasília: IPEA; 1996. 
5. Testa M. Pensamento estratégico e lógica de programação: o caso da 
saúde. São Paulo: HUCITEC; 1995. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 83 
QUESTÃO 36 
A indústria automobilística Aston-Brasil, com 3000 funcionários, produz veículos 
automotores em quantidade para suprir o mercado crescente e com qualidade 
para diferenciá-lo de seus competidores. No último trimestre, apresentou alto 
índice de acidente de trabalho, acarretando preocupação à administração da 
indústria. A assistência à saúde dos trabalhadores sempre foi provida por uma 
equipe multiprofissional de saúde, que atua no ambulatório da indústria, cada 
profissional atendendo de forma independente em um consultório, sem 
interferências de uma área no trabalho da outra. O enfermeiro Nero foi designado, 
pela administração, para avaliar a situação. Solicitou à equipe uma reunião para 
propor a articulação das ações de saúde para os trabalhadores da indústria e a 
integração dos profissionais na construção de planos de ações preventivas em 
saúde, o que gerou muitos conflitos na equipe. A administração se dividiu 
discutindo duas propostas: a primeira, proibir Nero de reunir a equipe 
multiprofissional, pois cada profissional realiza de forma adequada seu trabalho 
individualmente, e a segunda, estimular Nero a realizar novas reuniões, 
entendendo que a manifestação de conflitos é saudável no trabalho em equipe. 
Quais teorias de administração embasam, respectivamente, as propostas 
discutidas? 
(A) das Relações Humanas e Científica. 
(B) dos Sistemas e Clássica. 
(C) Clássica e Científica. 
(D) Estruturalista e das Relações Humanas. 
(E) Científica e Estruturalista. 
 
84 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 37 - DISCURSIVA 
O município Esperança recebeu da Secretaria de Estado da Saúde o Hospital 
Casa, que possui 150 leitos ativos para atendimento de média complexidade, com 
a proposição de ser submetido ao processo de Acreditação Hospitalar da 
Organização Nacional de Acreditação (ONA), ligada ao Ministério da Saúde. A 
enfermeira Florence Néri, gerente do Serviço de Enfermagem (SE), reuniu-se com 
a equipe de enfermagem do hospital com a finalidade de estabelecer padrões de 
qualidade para as unidades do SE. Para se adequarem aos parâmetros da 
Acreditação Hospitalar, deverão estabelecer no Hospital Casa padrões 
específicos para o serviço. 
 
Apresente para o SE dois padrões de qualidade referentes a estrutura, dois 
referentes a processo e dois referentes a resultado. 
(valor: 10,0 pontos) 
 
Padrão de resposta: 
 
O graduando deverá descrever dois padrões referentes a estruturas/dois 
referentes a processo/e dois referentes a resultado, dentre os abaixo 
relacionados: (valor: 10,0 pontos) 
Estrutura: 
• O SE tem responsável técnico habilitado. 
• Existe supervisão contínua e sistematizada por profissional habilitado, nas 
diferentes áreas. 
• A chefia do serviço de Enfermagem coordena a seleção e dimensionamento da 
equipe de Enfermagem. 
• Número de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem são adequados 
às necessidades de serviço. 
• A escala da equipe de enfermagem assegura a cobertura da assistência 
prestada e a disponibilidade de pessoal nas 24 horas em atividades 
descontinuadas. 
• Há registros em prontuário dos procedimentos relativos à assistência de 
enfermagem, prescrição médica e à controles pertinentes. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 85 
• Os registros de Enfermagem no prontuário do cliente/paciente são completos, 
legíveis e assinados. 
Processo: 
• O(s) manual(is) de normas, rotinas e procedimentos do SE são 
documentado(s), atualizado(s) e disponível(is). 
• Os Programas de Educação Permanente e Treinamento continuado são 
realizados. 
• Existem grupos de trabalho para a melhoria de processos, integração 
institucional, análise crítica dos casos atendidos, melhoria da técnica, controle de 
problemas, minimização de riscos e efeitos indesejáveis. 
• Existem procedimentos voltados para a continuidade de cuidados ao 
cliente/paciente e o seguimento de casos. 
Resultado: 
• Avaliação de procedimentos de Enfermagem e de seus resultados. 
• Os Indicadores epidemiológicos são utilizados no planejamento e na definição 
do modelo assistencial. 
• É realizada a comparação de resultados com referenciais adequados e análise 
do impacto gerado junto à comunidade. 
• Existem sistemas de aferição da satisfação dos clientes internos e externos. 
 
Autoras: Maria Cristina Lore Schilling e Janete de Souza Urbanetto 
Comentário: 
A área da saúde tem adotado modelos de gestão voltados para a 
qualidade, considerando as constantes modificações no cenário e os desafios na 
gestão dos serviços de saúde. 
A implementação de programas, visando garantir a qualidade é uma 
necessidade na busca da eficiência e um dever ético e moral com os usuários e 
trabalhadores, pois toda instituição cuja missão essencial é assistir o ser humano, 
deve preocupar-se com a melhoria constante do atendimento.¹No Brasil, a intensificação dos movimentos para a implantação de sistemas 
de qualidade na saúde se deu a partir da década de 90, por meio de um convênio 
firmado entre a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Federação 
86 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
Latino-Americana de Hospitais para a produção de um manual de Padrões para 
Acreditação para a América Latina. Em 2001, foi criada pelo Ministério da Saúde 
a Organização Nacional de Acreditação (ONA), como instituição competente e 
autorizada a operacionalizar o desenvolvimento da acreditação hospitalar no 
Brasil. O instrumento utilizado para o programa Brasileiro de Acreditação 
Hospitalar (PBAH) é o Manual das Organizações Prestadoras de Serviços 
Hospitalares, o qual define e descreve os padrões de qualidade para os diversos 
setores de um hospital. Os padrões são estruturados em três níveis crescentes de 
complexidade, os quais devem ser atendidos plenamente.² 
O Nível 1 corresponde à estrutura e contempla o atendimento aos 
requisitos básicos da qualidade na assistência prestada ao cliente, nas 
especialidades e nos serviços da organização de saúde a ser avaliada, com os 
recursos humanos compatíveis com a complexidade, a qualificação adequada 
(habilitação) dos profissionais e responsável técnico com habilitação 
correspondente para as áreas de atuação profissional.² 
O Nível 2 corresponde à processo e contempla evidências de adoção do 
planejamento na organização da assistência, referentes à documentação, corpo 
funcional (força de trabalho), treinamento, controle, estatísticas básicas para a 
tomada de decisão clínica e gerencial e práticas de auditoria interna.² 
O Nível 3 corresponde à resultado e contém evidências de políticas 
institucionais de melhoria contínua em termos de: estrutura, novas tecnologias, 
atualização técnico-profissional, ações assistenciais e procedimentos médico- 
-sanitários, evidências objetivas de utilização da tecnologia de informação, 
disseminação global e sistêmica de rotinas padronizadas e avaliadas com foco na 
busca da excelência.³ 
Conforme o Manual das Organizações de Serviços Hospitalares, a equipe 
de enfermagem é responsável pela assistência contínua ao paciente nas 24 
horas, desde a internação até a alta e que compreende: previsão, organização e 
administração de recursos para prestação de cuidados aos pacientes, de modo 
sistematizado, respeitando os preceitos éticos e legais da profissão.³ 
Assim, respondendo à questão da prova, apresenta-se os padrões de 
qualidade referentes à estrutura, a processo e a resultado, aplicados ao serviço 
de enfermagem. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 87 
No que se refere à estrutura o manual apresenta os seguintes itens de 
orientação:³ 
- Responsabilidade técnica conforme legislação. 
- Corpo de Enfermagem, habilitado e/ou capacitado, dimensionado 
adequadamente às necessidades do serviço. 
- Supervisão contínua e esquematizada por profissional habilitado, nas 
diferentes áreas. 
- Chefia do serviço coordena a seleção e dimensionamento da equipe de 
Enfermagem. 
- Escala assegura a cobertura da assistência prestada e a disponibilidade 
do pessoal nas 24 horas em atividades descontinuadas. 
- Condições operacionais e de infraestrutura que atendem aos requisitos de 
segurança para o cliente (interno e externo). 
- Procedimentos voltados para a continuidade de cuidados ao paciente. 
- Registros de enfermagem no prontuário, completos, legíveis e assinados, 
que comprovem a realização da terapêutica medicamentosa, resultados de 
intervenções da enfermagem, orientações e cuidados prestados. 
- Identificação, gerenciamento e controle de riscos sanitários, ambientais, 
ocupacionais e relacionados à responsabilidade civil, infecções e biossegurança. 
No que se refere a processo o manual apresenta os seguintes itens de 
orientação:³ 
- Identificação, definição, padronização e documentação dos processos. 
- Identificação de fornecedores e clientes e sua interação sistêmica. 
- Estabelecimento dos procedimentos. 
- Documentação (procedimentos e registros) atualizada, disponível e 
aplicada. 
- Definição de indicadores para os processos identificados. 
- Medição e avaliação dos resultados de processos. 
- Programa de educação e treinamento continuado com evidências de 
melhoria e impacto nos processos. 
- Grupos de trabalho para a melhoria de processos e interação institucional. 
No que se refere a resultado o manual apresenta os seguintes itens de 
orientação:² 
88 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
- Desenvolvimento de um sistema de indicadores de desempenho, 
focalizando as perspectivas básicas, com informações íntegras a atualizadas, 
incluindo referenciais externos pertinentes. 
- Estabelecimento de uma relação causa e efeito entre os indicadores, que 
permitam uma análise crítica do desempenho e a tomada de decisão. 
- Análise de tendência com apresentação de um conjunto de, pelo menos 
três resultados consecutivos. 
- Identificação de oportunidades de melhoria de desempenho pelo 
processo contínuo de comparação com outras práticas organizacionais, com 
resultados positivos. 
- Desenvolvimento de sistemas de planejamento e melhoria contínua em 
termos de estrutura, novas tecnologias, atualização técnico-profissional e 
procedimentos. 
O processo de avaliação é voluntário e coordenado pela ONA, por 
intermédio de instituições acreditadoras. Essas têm a responsabilidade de 
proceder a avaliação e à certificação da qualidade. Ao final do processo de 
avaliação, a organização hospitalar receberá a certificação de nível 1, como 
Acreditado, de nível 2, como Acreditado Pleno ou de nível 3, como Acreditado 
com Excelência.² 
Referências 
1. Tronchin DMR, Melleiro MM, Takahashi RT. A qualidade e a avaliação dos 
serviços de saúde e de enfermagem. In: Kurcgant P, coordenadora. 
Gerenciamento em Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005. 
2. Pedrosa TMG, Couto RC. Gestão hospitalar com garantia da qualidade II - 
usando as normas de acreditação. In: Couto RC, Pedrosa TMG. Hospital: 
acreditação e gestão em saúde. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007. 
3. Organização Nacional de Acreditação. Manual Brasileiro de Acreditação - 
Manual das Organizações Prestadoras dos Serviços de Saúde. Brasília; 2006. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 89 
QUESTÃO 38 - DISCURSIVA 
Na reunião do conselho gestor da Unidade de Saúde da Família São Leopoldo de 
um município de pequeno porte um representante dos usuários trouxe a seguinte 
situação para discussão: 
 
"Meu vizinho usa cadeiras de rodas há 10 anos. Pensava que boa parte de seus 
problemas estavam resolvidos uma vez que, após muita luta, a prefeitura arrumou 
transporte especial para deficientes físicos. Assim ele não dependeria tanto da 
ajuda de seu filho para algumas atividades. Porém, tentou colher sangue na UBS 
e quase não conseguiu por dois motivos: 
− os horários do transporte são poucos e não compatíveis com o horário da 
coleta de sangue. Ele chegou atrasado 30 minutos, o que se repetirá todas as 
vezes que ele e outros deficientes estiverem nessa situação; e 
− a porta da sala de coleta é muito estreita e a cadeira não passou. Só 
conseguiu colher o sangue porque a auxiliar de enfermagem foi muito 
atenciosa e colheu o sangue fora do horário e no corredor, recomendando 
que da próxima vez ele chegue mais cedo. Ele agradece muito a auxilia,r mas 
gostaria de uma solução mais definitiva para este e outros casos 
semelhantes." 
 
Um representante dos trabalhadores explicou que: "este não era um problema do 
Conselho. O número de cadeirantes é muito pequeno na área e afinal o cliente já 
havia sidoatendido. Além disso, os exames são feitos em um laboratório regional 
e o horário de coleta é definido pelo serviço encarregado de recolher o material 
em várias unidades." 
 
Outro usuário discorda afirmando que: "o Conselho tem sim muito a ver com isso, 
porque foi criado no SUS para atender as reclamações da população. Não 
podemos abrir mão dessa vitória, antes não tínhamos Conselho agora temos!" 
 
a) Tendo como base as competências de um conselho gestor, a afirmação "... 
este não era um problema do Conselho" é correta? Justifique sua resposta. 
(valor: 5,0 pontos) 
90 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
b) Apresente uma proposta de encaminhamento que a enfermeira da UBS 
poderia adotar para atender a solicitação de "uma solução mais definitiva 
para este e outros casos semelhantes". Justifique sua proposta, tomando 
como referência as atuais políticas públicas de saúde e alicerçando-se em 
um dos conceitos a seguir: 
• intersetorialidade 
• acessibilidade 
(valor: 5,0 pontos) 
 
Padrão de resposta: 
 
O graduando deverá apresentar além da resposta (2 pontos) uma das 
seguintes justificativas (3 pontos): 
 
a) Resposta e Justificativa (valor: 5,0 pontos) 
Resposta: Não 
Justificativa: 
É competência do Conselho Gestor: 
• Acompanhar, avaliar e fiscalizar os serviços e as ações de saúde prestadas à 
população. 
• Propor e aprovar medidas para aperfeiçoar o planejamento, a organização, a 
avaliação e o controle das ações e dos serviços de saúde. 
• Examinar proposta, denúncias e queixas, encaminhadas por qualquer pessoa 
ou entidades e a elas responder. 
• Definir estratégias de ação, visando à integração do trabalho da Unidade aos 
planos locais, regionais, municipal e estadual de saúde, assim como a planos, 
programas e projetos intersetoriais. 
 
O graduando deverá apresentar uma proposta (3 pontos) e uma justificativa 
(2 pontos) dentre as relacionadas abaixo. 
 
b) Proposta e Justificativa (valor: 5,0 pontos) 
Propostas: 
• Procurar o serviço municipal de transporte especial e discutir a possibilidade de 
horários ou percursos alternativos de transporte. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 91 
• Buscar parcerias no município para efetivar a adequação da área física da 
UBS. 
• Identificar recursos da comunidade que são alternativos para transporte 
solidário. 
 
Justificativa: 
• um dos princípios da promoção da saúde é a intersetorialidade entendida como 
a articulação de saberes e experiências no planejamento, na realização e na 
avaliação de ações, com o objetivo de alcançar resultados integrados em 
situações complexas, visando um efeito sinérgico no desenvolvimento social. 
• o setor saúde de forma isolada não tem competência para solucionar muitos 
dos problemas apresentados pela comunidade por não dispor de instrumentos 
próprios para isso. 
 
Propostas: 
• adaptação da área física: identificar os locais de acesso possíveis para os 
cadeirantes e pessoas com outras deficiências de locomoção que possam ser 
adaptados às atividades necessárias para os diferentes tipos de atividades que 
esses usuários precisam. 
• adaptação das rotinas da UBS - flexibilizar os horários de atendimento no setor 
de coleta. 
• adaptação das rotinas da UBS - discutir a questão com o laboratório regional. 
• sensibilizar funcionários da UBS para a questão do acesso de deficientes na 
UBS. 
• adequação da área física à legislação pertinente: avaliar com a equipe e os 
usuários da UBS a planta física da Unidade, identificar as dificuldades de acesso 
de pessoas com diferentes tipos de deficiência e procurando meios de 
encaminhamento de reforma do prédio. 
 
Justificativa: 
• independente do número de cadeirantes na região os serviços que atendem ao 
público devem permitir o acesso de qualquer cidadão. É um direito de todo o 
cidadão. 
• propiciar a autonomia do indivíduo. 
92 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
• os serviços de saúde ainda não estão estruturados para atender às 
necessidades de pessoas com deficiência, a legislação pertinente ainda não é 
bem conhecida pelos trabalhadores da saúde. 
 
Autoras: Olga Rosaria Eidt e Marion Creutzberg 
Comentário: 
O Conselho Gestor é uma das expressões da participação social previstas 
na Lei 8.080/90 e é composto por representantes da comunidade e por 
profissionais da equipe de saúde (composição tripartide). Suas competências 
incluem planejar, avaliar e controlar a efetiva execução das políticas e das ações 
de saúde, na sua área de abrangência, com base nos princípios da 
universalidade, da integralidade e da equidade. Portanto, a afirmação do 
conselheiro de que "... este não era um problema do Conselho", não é correta, 
pois a possibilidade universal de acesso à atenção integral à saúde foi 
desconsiderada e reforçada a exclusão desse cidadão1. 
Um dos aspectos para a garantia da universalidade é a acessibilidade aos 
serviços de saúde. Nesse caso, a acessibilidade por meio do transporte foi 
conquistada, mas identifica-se, no relato, que a área física não está adequada à 
legislação da acessibilidade. Portanto, há necessidade de que o Conselho Gestor, 
por meio de suas competências, busque a solução do problema junto ao 
município, para a adequação por meio de reforma. Independente de tal ação, o 
estudo da área física pela equipe é indicado, para a identificação de locais que 
garantam – ou que possam ser adaptados – à prestação dos serviços de saúde a 
cadeirantes ou a pessoas com outras dificuldades de locomoção2. 
Já a dificuldade relacionada ao horário do transporte significa um embate 
adicional em prol da população que depende dos veículos que permitem a 
acessibilidade e envolvem outro setor público – o dos transportes. Nesse caso, 
ações intersetoriais, previstas na Lei Orgânica da Saúde, são imprescindíveis. A 
intersetorialidade tem por finalidade a implementação de políticas e programas de 
interesse da saúde, mas cuja execução é de responsabilidade de outras áreas 
não compreendidas pelo SUS e, nesse caso, incluiria a discussão de horários ou 
percursos alternativos. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 93 
Também cabe nessa situação, na perspectiva do conceito de saúde da 8ª 
Conferência, a parceria entre Conselho Gestor, equipe de saúde e a comunidade, 
a identificação recursos para transporte solidário. 
Referências 
1. Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as 
condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o 
funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. 
2. Brasil. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas 
gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas 
portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. 
94 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 39 − DISCURSIVA 
Lídia, uma estudante do ensino médio, engravidou sem ter planejado. O pai do 
bebê, Tiago, tem 20 anos, não estuda e não tem residência fixa, pois foi colocado 
para fora de casa quando seu pai descobriu que usava drogas. Os pais de Lídia 
estão respaldando-a financeiramente e, por não aceitarem a situação, pediram à 
jovem que fosse morar em uma pensão. Apesar de o namoro continuar e de 
Tiago estar procurando um emprego, dizendo-se "limpo" das drogas, ele não 
assume a paternidade, afirmando que Lídia "nunca foi muito confiável". Os 
resultados dos exames laboratoriais de Lídia no primeiro trimestre da gestação 
mostraram VDRL e FTA-abs positivos, além de colpocitologia oncótica com 
microbiologia sugestiva de Chlamydia sp. 
a) Apresente três ações destinadas a monitorar o tratamento docasal. 
(valor: 5,0 pontos) 
 
b) Lídia poderá amamentar o bebê? Fundamente sua resposta. 
(valor: 5,0 pontos) 
 
Padrão de resposta: 
 
O graduando deverá apresentar: 
 
a) Ações destinadas a monitorar o tratamento do casal e a prevenir a 
transmissão vertical. (valor: 5,0 pontos) 
• Enfatizar a adesão ao tratamento. 
• Orientar para que concluam o tratamento (mesmo sem os sintomas ou se os 
sintomas ou sinais tiverem desaparecido). 
• Informar quanto à necessidade de interromper as relações sexuais até a 
conclusão do tratamento e o desaparecimento dos sintomas. 
• Oferecer preservativos, orientando sobre as técnicas de uso. 
• Encorajar Lídia a comunicar a (os) seus/suas últimos/as parceiro/as sexuais 
para que possam ser atendidos e tratados. 
• Fornecer à Lídia cartões de convocação para os últimos parceiros (as) 
devidamente preenchidos. 
• Acompanhar resultados dos exames de controle de cura. 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 95 
• Após a cura, usar preservativo em todas as relações sexuais. 
• Realizar o controle de cura mensal por meio do VDRL, considerando resposta 
adequada ao tratamento o declínio dos títulos (duas titulações em até 6 meses). 
• Após o parto, manter o acompanhamento semestralmente em caso de 
persistência da positividade, em títulos baixos. 
• Avaliar o tratamento realizado, tratamento do parceiro e a presença de 
coinfecção pelo HIV ou outras DST para a definição de condutas durante a 
gestação. 
• Reiniciar tratamento se houver elevação de títulos em quatro ou mais vezes 
(ex.: de 1:2 para 1:8), mesmo na ausência de sinais ou sintomas específicos de 
sífilis. 
• Reiniciar o tratamento em caso de interrupção do tratamento ou em caso de 
um intervalo maior do que sete dias entre as séries. 
• Assegurar a realização de, no mínimo, seis consultas com atenção integral 
qualificada. 
• Documentar os resultados das sorologias e tratamento da sífilis na carteira da 
gestante. 
• Orientar o(s) parceiro(s) sobre a importância de não se candidatar (em) à 
doação de sangue. 
• Na admissão para parto realizar o VDRL independentemente dos resultados 
dos exames realizados no pré-natal. 
 
b) Resposta e Justificativa (valor: 5,0 pontos) 
Resposta: Sim. 
Justificativa: Não há transmissão da sífilis por meio do leite materno. 
 
Autoras: Heloisa Reckziegel Bello, Simone Travi Canabarro e Marisa Reginatto 
Vieira 
Comentário: 
a) Três ações destinadas a monitorar o tratamento do casal: 
1. Inclusão no Programa Pré-Natal 
96 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
O diagnóstico de sífilis na gestação requer intervenção imediata para que 
se reduza ao máximo a possibilidade de transmissão vertical.1 
Para o diagnóstico pré-natal da infecção materna, o rastreamento 
sorológico é obrigatório para todas as gestantes. As reações sorológicas 
utilizadas são o VDRL e FTA-abs, que são testes com base em antígenos 
lipídicos e treponêmicos, sendo a combinação dos dois resultados o melhor 
método para a detecção dos vários estágios da doença em gestantes tratadas e 
não tratadas. No caso de Lídia, ambos os exames foram positivos, confirmando a 
presença da doença.2 
A adesão ao tratamento e ao pré-natal para prevenção da evolução da 
doença e possibilidade de monitorização nas consultas subsequentes. 
A sífilis congênita é um agravo de notificação compulsória, sendo 
considerada como verdadeiro evento marcador da qualidade de assistência à 
saúde materno-fetal, em razão da efetiva redução do risco de transmissão 
transplacentária, sua relativa simplicidade diagnóstica e o fácil manejo 
clínico/terapêutico. 
Notificação compulsória preconizada, segundo a portaria n°33, de 14 de 
julho de 2005 inclui Sífilis em gestante na lista de agravos de notificação 
compulsória. (anexo VIII).3 
Outras DST’s – Elas podem ocorrer em qualquer momento do período 
gestacional. Atenção especial deve ser dirigida ao parceiro sexual, para 
tratamento imediato ou encaminhamento para o SAE (serviço atenção 
especializada), sempre que houver indicação. 
Casos diagnosticados e tratados durante a gestação devem ser 
reavaliados no puerpério para verificar a necessidade de rastreamento. 
É necessário considerar a associação entre DST e a infecção pelo HIV.1 
2. Monitorização durante consultas subsequentes 
A realização do VDRL no início do terceiro trimestre permite que o 
tratamento materno seja instituído e finalizado até 30 dias antes do parto, 
intervalo mínimo necessário para que o recém-nascido seja considerado tratado 
intraútero. 
3. Adesão do parceiro ao tratamento 
O(s) parceiro(s) deve(m) sempre ser testado(s) e tratado(s). 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 97 
b) Lídia poderá amamentar o bebê? 
Lídia poderá amamentar o bebê, pois não há transmissão da sífilis por 
meio do leite materno, geralmente é adquirida por contato sexual, através de 
sangue (transfusão) ou transplacentária (em qualquer idade gestacional). 
Referências 
1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas Estratégicas Área técnica de saúde da mulher. Manual 
Técnico Pré-Natal e Puerpério: atenção humanizada e qualificada. Brasília, DF: 
2006. 
2. Barros, SMO. Enfermagem Obstétrica e Ginecológica: guia para a prática 
assistencial. 2ª ed. São Paulo: ROCA, 2009. 
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa 
Nacional de DST e AIDS. Manual de Controle das Doenças Sexualmente 
Transmissíveis. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, 
Programa Nacional de DST e AIDS. Brasília: Ministério da Saúde. 2005. 
98 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
QUESTÃO 40 - DISCURSIVA 
João, 23 anos, é motociclista e trabalha realizando entregas rápidas de 
documentos. Hoje, quando conduzia sua motocicleta teve uma colisão e foi 
ejetado do veículo em que viajava a 70 Km/hora. No momento dessa ocorrência, 
ele usava capacete. Estava lúcido na cena, mas o nível de consciência declinou 
até a chegada no hospital. O serviço de Atendimento Pré-hospitalar transportou 
João até o hospital e na chegada ele já se encontrava com colar cervical, em 
prancha longa, com acesso venoso recebendo solução salina isotônica e 3 L/min 
de oxigênio por cateter nasal. Na avaliação primária da vítima, seguindo a ordem 
de prioridades conhecida como ABCDE, a enfermeira do Pronto Socorro 
identificou: 
FR = 30 movimentos respiratórios/min; 
PA = 96/58 mmHg; 
FC = 130 batimentos/min; 
Escore da Escala de Coma de Glasgow = 9. 
Observou, também, tiragem, presença de restos alimentares na boca da vítima e 
cianose de extremidades. 
Diante desta situação, cite três condutas prioritárias que devem ser realizadas 
imediatamente pelo enfermeiro. 
(valor: 10,0 pontos) 
 
Padrão de resposta: 
 
O graduando deverá apresentar pelo menos três das seguintes condutas: 
(valor: 10,0 pontos) 
• Assegurar via aérea pérvia (aspiração de secreções da cavidade oral, 
manobras de abertura de vias aéreas). 
• Solicitar imediata avaliação médica. 
• Elevar aporte de O2 (máscara facial com 10 a 12 L/min). 
• Avaliar e se necessário ajustar a reposição volêmica realizada (volume 
infundido, velocidade da infusão, permiabilidade do acesso venosa, manter duas 
veias de grosso calibre). 
• Monitorização cardíaca. 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 99 
Autoras: Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo e Isabel Cristina Kern Soares 
Comentário: 
Abordagem das vias aéreas (aspiração de secreções, manter a 
permeabilidade das vias aéreas) 
Controle da respiração e ventilação (ventilação com máscara, 10L/min) 
Circulação com controle de hemorragia (controle rigoroso de pulso, corda pele, enchimento capilar, pressão arterial, sinais de sudorese). 
O traumatizado deve ser considerado um paciente potencialmente grave, 
por isso, o seu atendimento deve ser imediato considerando-se o ABCDE do 
atendimento ao trauma. O paciente do caso descrito acima sofreu uma ejeção do 
veículo em que estava, o que aumenta significativamente o padrão das lesões, 
expondo o paciente a um maior risco de morte pela associação de um grande 
número de mecanismos dessas lesões.1 
A - Abordagem das vias aéreas, com imobilização de coluna cervical 
(o paciente em questão apresentava colar cervical): a avaliação inicial deve 
identificar rapidamente sinais sugestivos de obstrução de vias aéreas, através da 
inspeção da cavidade oral e observação de alguns sinais que possam indicar 
hipoxemia/hipóxia e obstrução de vias aéreas. Na presença de sinais de 
obstrução deve-se proceder a aspiração das vias aéreas e cavidade oral. O 
paciente acima já chegou com colar cervical o que indica que manobras de 
aberturas das vias aéreas já foram realizadas. O paciente, conforme o caso 
descrito acima apresentava tiragem, presença de restos alimentares na boca e 
cianose de extremidades, indicando quadro de hipoxemia. Deve-se proceder ao 
exame da integridade da coluna cervical, através do exame físico, neurológico e 
sinais sugestivos de lesão nessa estrutura, pois alterações do nível de 
consciência podem sugerir trauma cervical.1,2 
Na chegada do paciente a emergência deve ser solicitada a presença da 
avaliação médica para dar continuidade ao cuidado, mas não faz parte do ABCDE 
do atendimento: 
B - Controle da respiração e ventilação: devemos manter a 
permeabilidade das vias aéreas, realizando aspiração de secreções desse 
100 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
paciente e ventilar, com máscara e ambú com reservatório, com O2 10L/min, pois 
o mesmo também apresenta Glasgow 9 (queda da PO2 ou lesão cervical).1 
C - Circulação com controles de hemorragia: o paciente em questão 
pode estar apresentando hipovolemia, o que pode justificar a PA = 96/58 mmHg 
do paciente em questão. Devemos avaliar nesse caso: pulso, cor da pele, 
enchimento capilar, pressão arterial, sinais de sudorese.1 
Se necessário e de acordo com a prescrição médica o volume pode ser 
administrado, como foi exposto acima outros indicativos de hipotensão devem ser 
verificados. Frente à possibilidade de reposição volêmica questões relativas ao 
acesso devem ser verificadas como: permeabilidade do acesso, calibre do 
acesso, e necessidade de colocação de um outro acesso. 
A monitorização cardíaca não faz parte da ABCDE do atendimento, mas 
pode ser entendida como parte da avaliação circulatória do paciente, visto que 
este encontra-se numa unidade de emergência. 
Seguindo a ordem de prioridade do atendimento conhecida como o 
ABCDE, os próximos cuidados envolvem: 
D - Avaliação do estado neurológico: uma rápida avaliação do padrão 
neurológico deve determinar o nível de consciência e a reatividade pupilar do 
traumatizado. A escala de coma de Glasgow pode ser usada na cena do acidente 
e em uma avaliação secundária. Na avaliação inicial usamos o método proposto 
pelo ATLS: A-Alerta, V-Resposta ao estímulo verbal, D-Responde a estímulo 
doloroso, I-Inconsciente.1 
E - Exposição do paciente com controle de hipotermia: o paciente 
traumatizado deve ser completamente despido de suas vestes para facilitar o 
exame completo e a determinação de lesões que podem representar risco de 
morte. A proteção do paciente contra hipotermia é de suma importância, pois 
cerca de 43% dos pacientes desenvolvem este tipo de alteração durante a fase 
de atendimento inicial, com redução de 1ºC a 3ºC, comprometendo o tratamento 
por aumentar a perda de calor.1 
A avaliação primária, realizada nesse primeiro momento, não exclui que 
seja feita uma avaliação secundária após uma maior estabilização do quadro do 
paciente, envolvendo história de saúde, exame físico completo, etc.2 
 
 
ENADE Comentado 2007: Enfermagem 101 
Referências 
1. Acidente automobilístico. Disponível em 
http://www.bombeirosemergencia.com.br/acidentransito.htm acesso em 11/9/2009 
às 20h18. 
2. Enfermagem de emergência. Série incrivelmente fácil. edo Lippincott, W & 
Wilkins Rio de Janeiro:Guanabara Koogan; 2008. 
3. Bergeron, JD, Bizjak, G; Krause, G, Baudour, C. Primeiros Socorros. 2ª ed. 
São Paulo: Atheneu, 2007. 
 
102 Beatriz Sebben Ojeda et al. (Orgs.) 
LISTA DE CONTRIBUINTES 
Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo 
Andréia da Silva Gustavo 
Beatriz Regina Lara dos Santos 
Beatriz Sebben Ojeda 
Fátima Rejane Ayres Florentino 
Heloisa Reckziegel Bello 
Isabel Cristina Kern Soares 
Janete de Souza Urbanetto 
Karen Ruschel 
Karin Viegas 
Maria Cristina Lore Schilling 
Marion Creutzberg 
Marisa Reginatto Vieira 
Olga Rosaria Eidt 
Simone Travi Canabarro 
Valéria Lamb Corbellini 
Vera Beatriz Delgado

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