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Anatomia_da_pelve

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ANATOMIA DA PELVE 
 
 
Djanira Aparecida da Luz Veronez1 
Michele Patrícia Müller Mansur Vieira2 
 
INTRODUÇÃO 
 
A pelve é subdividida em pelves maior e menor. A pelve maior, superior à abertura 
superior da pelve, protege as vísceras abdominais inferiores (íleo e colo sigmoide). A 
pelve menor oferece a estrutura óssea para os compartimentos da cavidade pélvica 
e do períneo, separados pelo diafragma da pelve. O períneo refere-se à região que 
inclui o ânus e os órgãos genitais externos, se estendendo do cóccix até o púbis e 
abaixo do diafragma pélvico. 
O quadril une a coluna vertebral aos dois fêmures. Contém funções primárias e 
secundárias. 
• Funções primárias: sustenta o peso do corpo nas posições sentadas e de pé; 
oferece fixação para os fortes músculos da locomoção e postura; 
 
1 Biomédica. Doutora em Ciências Médicas área de concentração Neurociências pela Universidade 
Estadual de Campinas. Professora do departamento de anatomia da Universidade Federal do 
Paraná. 
2 Tecnóloga em Radiologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Mestre em Saúde 
Pública pela University of Essex; Professora do Curso Técnico em Radiologia do Instituto Federal do 
Paraná. 
 
 
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• Funções secundárias: conter e proteger as vísceras pélvicas e as vísceras 
abdominais inferiores; proporcionar sustentação para as vísceras abdomino- 
pélvicas e para o útero grávido; proporcionar fixação para uma série de 
estruturas como corpos eréteis (corpos cavernosos e o corpo esponjoso), 
músculos e membranas entre outros. 
 
Figura 1. Pelve óssea 
O termo pelve é usado para nomear o anel ósseo formado pelos dois ossos do 
quadril lateralmente (Figura 1), sacro e cóccix posteriormente, e delimitada na 
porção anterior pela sínfise púbica e na inferior pelo diafragma pélvico, constituindo 
assim o cíngulo do membro inferior. Faz parte da região inferior do abdome, sendo 
dividida em pelve óssea e visceral. 
As vísceras pélvicas compreendem a bexiga, porções terminal dos ureteres, órgãos 
genitais, tanto masculino quanto feminino, reto, assim como também contêm vasos 
sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. 
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Portanto, a pelve, além de promover a união entre a coluna vertebral e os membros 
inferiores, tem fundamental importância na sustentação do tronco e proteção dos 
órgãos que se situam nessa região. Na mulher, fornece proteção ao feto em 
desenvolvimento. 
 
QUADRIL 
 
Como a maioria dos outros ossos do membro inferior, o quadril, também 
denominado osso pélvico ou osso ilíaco, é um osso par, articulando-se entre si 
anteriormente pela sínfise púbica e posteriormente os dois se articulam com o sacro 
em sua porção lateral e, ainda, inferiormente cada osso do quadril se articula com o 
fêmur correspondente. 
No feto, o osso do quadril é constituído por três partes, o ísquio, o púbis e o ílio. Até 
a puberdade, essas três peças ósseas que formam o osso do quadril permanecem 
unidas umas às outras por cartilagem; a partir desse período, ocorre a ossificação 
da cartilagem e o osso do quadril passa a ser único, embora as peças ósseas que o 
constituem originalmente conservem as suas denominações. 
O ponto de encontro desses três ossos faz-se ao nível do acetábulo, região na qual 
mais se faz sentir o peso suportado pelo quadril, que é a fossa articular que recebe a 
cabeça do fêmur. Portanto, é neste ponto que ocorre a ligação entre o esqueleto 
apendicular do membro inferior e o cíngulo do membro inferior. 
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Figura 2. Acetábulo 
O osso do quadril é caracterizado como osso plano e irregular, apresentando 
comprimento e largura equivalentes e predominando sobre a espessura. Suas 
funções incluem as de movimento, participando das articulações com o sacro e o 
fêmur, de defesa, protegendo os órgãos pélvicos, e de sustentação, pois transmite 
aos membros inferiores o peso de todos os segmentos do corpo situados acima 
dele. 
No osso do quadril, visto lateralmente na posição vertical, é facilmente identificada 
uma profunda cavidade: o acetábulo e, logo abaixo, se encontra o forame obturado. 
Este é um grande orifício oval ou triangular, fechado por uma membrana, a 
membrana obturadora, com uma pequena passagem para os vasos e o nervo 
obturatório. A presença desse forame minimiza a massa óssea (peso), enquanto seu 
fechamento pela membrana oferece extensa área superficial em ambos os lados 
para fixação muscular. 
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O acetábulo (Figura 2) apresenta uma superfície lisa, em forma de ferradura, 
justaposta ao contorno, de concavidade voltada para baixo, que é a face 
hemiesférica, única cavidade realmente articular na qual o fêmur desliza, e a área 
situada entre os ramos da ferradura, mais rebaixada, quadrilátera e áspera, não 
articular, que é a fossa do acetábulo. Essa cavidade é interrompida inferiormente por 
uma incisura, à incisura acetabular. 
Como já foram referidas, as três peças esqueléticas que formam o osso do quadril 
(Figura 3) estão unidas, no adulto, no nível do acetábulo, de modo que o ílio forma 
sua porção posterossuperior; o ramo superior do púbis o constitui medialmente e o 
corpo do ísquio a sua porção inferior e lateral. 
O ílio compõe a maior parte do osso do quadril, possuindo partes mediais mais 
espessas para sustentação de peso, o corpo, e partes posterolaterais finas, as asas, 
sendo que a divisão é indicada na face interna pela linha arqueada. Anteriormente, o 
ílio possui espinhas ilíacas anterossuperiores e anteroinferiores que fornecem 
fixação para ligamentos e tendões dos músculos do membro inferior. A crista ilíaca, 
uma margem superior curva longa e espessa da asa do ílio, estende-se da espinha 
ilíaca anterossuperior até a espinha ilíaca posterossuperior. A crista é um local 
importante para fixação de músculos como o tensor da fáscia lata e o transverso do 
abdome. Uma proeminência no lábio externo da crista, a tuberosidade ilíaca, 
encontra-se a aproximadamente cinco a seis cm posterior à espinha ilíaca 
anterossuperior. A espinha ilíaca posterossuperior marca a extremidade superior da 
incisura isquiática maior. 
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Figura 3. Osso do quadril direito (vista póstero-medial) 
Toda a porção do ílio situada superiormente ao acetábulo, na face lateral do osso do 
quadril (Figura 4), constitui a face glútea da asa do ílio, pois possui três linhas curvas 
e ásperas, as linhas glúteas posterior, anterior e inferior que demarcam as fixações 
proximais dos três músculos glúteos. Na sua face medial, cada asa possui uma 
depressão grande e lisa, a fossa ilíaca, local de inserção do músculo ilíaco. 
Posteriormente, a superfície medial do osso ilíaco contém uma área articular rugosa, 
auriforme, denominada face auricular, e uma tuberosidade ilíaca ainda mais rugosa, 
superior a ela, para articulação sinovial e sindesmótica com as superfícies 
recíprocas do sacro na articulação sacroilíaca. 
 A borda posteroinferior do osso do quadril é formada pelo ísquio. A parte superior 
do corpo deste osso funde-se com o púbis e o ílio. Os ramos do ísquio unem-se ao 
ramo inferior do púbis para formar o ramo isquiopúbico, que constitui o limite 
inferomedial do forame obturado. Na margem dorsal do ísquio há uma eminência 
triangular e pontiaguda, denominado incisura isquiática maior. A espinha isquiática 
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separa a incisura isquiática maior da incisura isquiática menor. A incisura isquiática 
menor situa-se superior a essa espinha, na qual há inserção do ligamento 
sacroespinhal, formando um forame; este é o local de passagem ao músculo 
piriforme, vasos e nervos glúteos, passando na margem superior desse músculo; e 
inferiormente têm-se nervos isquiático