Sangramento Uterino Anormal
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Sangramento Uterino Anormal


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Ginecologia Thomás R. Campos | Medicina \u2013 UFOB 
 
SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL 
 
 
O padrão normal de sangramento uterino, chamado de ciclo eumenorreico é: 
 
 Duração do ciclo = 22 a 35 dias 
 Duração do fluxo = 5 a 7 dias 
 Volume = 30-80 mL 
 
Tudo que foge desse padrão eumenorreico é chamado de sangramento uterino anormal. 
É uma situação que também abrange casos da obstetrícia, como a gravidez ectópica, então é 
um tema que não é só da ginecologia, mas também abrange algumas comorbidades obstétricas. 
 
CAUSAS DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL 
 
1. Disfuncionais 
Significa que é uma disfunção, principalmente a nível hormonal, no eixo Hipotálamo-Hipofisário-Ovariano. O GnRH liberado 
no hipotálamo de modo pulsátil e cíclico, estimula a hipófise a produzir FSH e LH, que por sua vez agem nos ovários. 
\u2013 Anovulatórios: extremos da idade (perimenarca ou perimenopausa), endocrinopatias (ex.: 
hipotireoidismo), fármacos (ex.: antidepressivos usados a longo prazo podem causar 
hiperprolactinemia). 
\u2013 Ovulatórios: hipertireoidismo, hiperprolactinemia, hiperaldosteronismo 
2. Lesões orgânicas 
\u2013 Associados à gravidez: abortamento, mola hidatiforme, gravidez ectópica 
\u2013 Lesões anatômicas no útero: mioma, CA de endométrio, hipertrofia de miométrio, 
adenomiose (o tecido endometrial invade o miométrio), hematometria (sangue na cavidade 
uterina), atrofia endometrial, pólipo endometrial, pólipo endocervical, malformações 
mullerianas, malformações arteriovenosas. 
\u2013 Lesões anatômicas não-uterinas: neoplasia de ovário produtora de hormônio, salpingite, 
cervicite, CA de colon. 
3. Anormalidades sistêmicas 
\u2013 Administração exógena de hormônios: esteroides sexuais (ex.: pílula do dia seguinte, 
progestágeno isolado), corticoides. 
\u2013 Coagulopatias (ex.: Doença de Von Willebrand, hemofilias, terapia anticoagulante). 
\u2013 Insuficiência Hepática: pois os hormônios são metabolizados no fígado, portanto uma 
insuficiência hepática pode causar hiperestrogenismo. 
\u2013 IRC: porque dificulta a eliminação dos hormônios e seus metabólitos. 
\u2013 Endocrinopatias: hipertireoidismo, hipotireoidismo, DM, obesidade (o tecido adiposo tem 
aromatase, que converte testosterona em estrógeno, causando hiperestrogenismo), SOP 
(pois cursa com anovulação crônica e aumento dos níveis estrogênicos sem oposição da 
progesterona). 
 
TERMOS EMPREGADOS PARA DEFINIR O SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL: 
 
Alterações na DURAÇÃO DO CICLO 
\u25aa Eumenorreia (22-35 dias) 
\u25aa Polimenorreia (< 22 dias) 
\u25aa Opsomenorreia (35-45 dias) 
\u25aa Espaniomenorreia (45-90 dias) 
\u25aa Amenorreia (> 90 dias) 
 
Alterações na DURAÇÃO DO FLUXO 
\u25aa Hipomenorreia (< 03 dias) 
\u25aa Hipermenorreia (> 07 dias) 
 
Alterações no VOLUME DO FLUXO 
\u25aa Oligomenorreia (< 30 mL) 
\u25aa Menorragia (>80 mL) 
Metrorragia / Spotting ou sangramento de 
escape é um leve sangramento que ocorre 
fora da época do fluxo menstrual. 
É subjetivo de avaliar, por isso existem 
critérios para avaliar o quanto esse 
sangramento está interferindo na paciente: 
 
\u25aa Hb < 12g/dL 
\u25aa Presença de coágulos 
\u25aa Troca de absorventes com intervalos 
menores que 03h 
Ginecologia Thomás R. Campos | Medicina \u2013 UFOB 
 
INCIDÊNCIA 
 
Existem causas mais frequentes de acordo com a faixa etária da paciente: 
 
 
*Em vermelho, as causas mais comuns 
 
Destaque do Peres = a principal causa de sangramento na pós-menopausa é a atrofia endometrial! 
 
 
FISIOPATOLOGIA 
 
O útero é irrigado pela Artéria Uterina (ramo da A. Ilíaca Interna) que se ramifica para formar as 
artérias arqueadas \u2192 artérias radiais \u2192 artérias basais e espiraladas. 
 
 
O sangramento uterino ocorre quando as artérias espiraladas e 
basais são expostas. Isso vale tanto para a menstruação 
normal quanto num sangramento uterino anormal. 
 
 
 
 
 
 
 
Ginecologia Thomás R. Campos | Medicina \u2013 UFOB 
 
SINTOMAS 
 
\u25aa Menorragia: aumento do volume menstrual. 
\u25aa Metrorragia: sangramento intermenstrual. 
\u25aa Sinisuorragia: sangramento pós-coito \u2192 investigar Cervicite (Chlamydia), Pólipo cervical ou 
Neoplasia Intraepitelial Cervical. 
Sinusiorragia é muito importante! Tem que investigar lesões pré-cancerígenas ou DST. 
\u25aa Dismenorreia: dor pélvica, que ocorre durante o período menstrual. Aqui não é qualquer 
cólica menstrual, chama-se dismenorreia aquela dor incapacitante. 
 
DIAGNÓSTICO 
 
\u25aa Exame físico, para localizar o sangramento 
\u25aa Avaliação laboratorial, incluindo o BHCG (principalmente em pacientes na idade reprodutiva) 
e testes hematológicos. 
\u25aa Exame a fresco de secreção vaginal, para investigar Tricomonas 
\u25aa Culturas cervicais ou PCR, na investigação de Chlamydia ou Gonococo 
\u25aa Biópsia de endométrio, para investigar CA de endométrio. 
\u25aa USG endovaginal, para verificar se há espessamento ou atrofia endometrial com 
necessidade ou não de biópsia (espessura endometrial normal é de 04mm e ecotextura) 
USG endovaginal é o exame mais importante de RASTREIO de CA de endométrio 
\u25aa Histerossonografia ou USG com infusão salina, para investigar lesões focais (como pólipos 
endometriais) 
\u25aa USG-TV com Doppler, para verificar pedículo vascular do pólipo. 
\u25aa Histeroscopia, é o padrão-ouro para DIAGNÓSTICO de CA de endométrio. 
 
SANGRAMENTO UTERINO DISFUNCIONAL 
 
É um diagnóstico de exclusão, quando uma causa orgânica não é encontrada. 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
1. Anovulatório (déficit de progesterona) 
2. Ovulatório 
 
TRATAMENTO: 
\u25aa AINEs \u2192 inibe as prostaglandinas 
\u25aa ACO combinados 
\u25aa Estrógeno 
\u25aa Agonista do GnRH 
\u25aa SIU-LNG 
\u25aa Androgênios (danazol e gestrinona) \u2192 atrofia endometrial 
Os vasos que sangram são da camada funcional e parte da camada basal. Quando você causa 
atrofia do endométrio, não expõe muito esses vasos. 
\u25aa Ác. Tranexâmico (Transamin) \u2192 causa redução da plasmina 
\u25aa Reposição de Fe++ \u2192 importante no paciente que está com anemia 
\u25aa Embolização das artérias uterinas \u2192 basicamente o objetivo é causar uma isquemia. 
É usado para pacientes com miomas que não tem prole constituída e não quer fazer 
histerectomia. 
\u25aa Curetagem uterina 
\u25aa Ablação de endométrio, com histeroscopia, é feita ressecção das camadas funcional e 
basal do endométrio 
\u25aa Histerectomia, em último caso, quando os demais tratamentos falharam.