Módulo de Direito Processual Civil_Reclamação Constitucional Reexame Necessário Teoria Geral dos Recursos_Daniel Assumpção_Aula 16
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MÓDULO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PROFESSOR: Daniel Assumpção
MATÉRIA: Reclamação Constitucional. Reexame Necessário. Teoria Geral dos Recursos
Leis e artigos importantes:
\u2022 Novo CPC;
\u2022 CPC/1973
Palavras-chave: RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL/ REEXAME NECESSÁRIA/ TEORIA
GERAL DOS RECURSOS
TEMA: Reclamação Constitucional. Reexame Necessário. Teoria Geral dos Recursos
PROFESSOR: Daniel Assumpção
XLVI. Reclamação Constitucional \u2013 art. 988 ao art. 993 do NCPC.
A reclamação constitucional sofreu uma mudança durante o seu período de
vacância por uma lei promulgada.
a. Cabimento \u2013 art. 988 do NCPC
Com relação com os dois primeiros incisos deste artigo, o novo CPC não trouxe
diretamente grandes novidades, pois, indiretamente, outro dispositivo vai gerar alguma
novidade.
Os incisos I e II trazem as hipóteses de cabimento que encontra-se prevista na
Constituição. No primeiro inciso traz a reclamação constitucional como forma de preservação
da competência do tribunal. Enquanto que no inciso II traz a reclamação como forma de
garantir a autoridade das decisões do tribunal.
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Observação: Na Constituição Federal essas hipóteses encontram-se restritas aos
Tribunais Superiores, STF e STJ. Assim, quando se lê o art. 988, §1º se percebe a
novidade: indicação que essas hipóteses de cabimento pode gerar reclamação
constitucional no tribunal, ou seja, o Novo CPC regulamenta de forma expressa a
possibilidade de reclamação constitucional para o TJ ou TRF.
O inciso III, que trata de reclamação constitucional pra garantir a
observância de Súmula Vinculante e também para garantir a decisão do STF em
controle concentrado de constitucionalidade, mudou na vacância do Novo CPC. Não há
dúvida que essa previsão, corroborada pelo art. 927, inciso I do NCPC, é mais um
argumento que se possa utilizar na consagração em lei da teoria da eficácia
transcendente dos motivos determinantes do controle concentrado.
O inciso IV também foi objeto de mudança. Neste, o cabimento é para
garantir a observância de precedente que tenha sido criado no IRDR ou no Incidente de
Assunção de Competência.
Também seria cabível reclamação constitucional para preservar a
observância daqueles precedentes de RE e Resp repetitivo.
Observação: No art. 988, §5º, inciso V \u2192 ao tratar de uma inadmissibilidade da
reclamação, acaba, em via reversa, falando da admissibilidade, pois para usar a
reclamação para garantir precedente em RE ou RESP repetitivo ou precedente formado
em julgamento de repercussão geral pelo STF necessário se faz que se esgote as
vias ordinárias recursais. No final das contas cabe reclamação constitucional para
esses casos desde que se esgote as vias ordinárias recursais. 
Observação II: Art. 988, §5º, inciso II \u2192 não cabe reclamação constitucional contra
decisão transitada em julgada. Corre-se o risco enorme de não recorrer do acórdão e
transitar em julgado, prejudicando o julgamento da reclamação constitucional, haja vista
que considera que perderia o objeto da lide. Desta forma, busca-se que a reclamação
constitucional não seja um sucedâneo da ação rescisória.
b. Procedimento \u2013 art. 989 ao art. 993 do NCPC
O art. 989, inciso I do NCPC trata do pedido de informações no prazo de
10 dias. Assim, a reclamação constitucional sempre vai impugnar um ato ou uma
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omissão judicial de modo que este ato ou omissão judicial, sempre, virá de algum juízo.
Esse juízo, que usurpa competência, por exemplo, prestará as informações em 10 dias.
Essa reclamação constitucional vai afetar as partes. Por isso, o inciso III do
referido artigo prevê a citação do beneficiário da decisão impugnada. E esse sim terá um
prazo de 15 dias para contestar. Sendo este o réu.
Além deste beneficiário que é citado, o art. 990 do NCPC permite que
qualquer interessado se manifeste contra o pedido do reclamante, ou seja, este artigo
fala da impugnação do pedido.
Tudo leva crer que o qualquer interessado seja jurídico. O Daniel
Assumpção diz, em sua opinião, que seria uma intervenção de terceiro atípica, embora
não venha tipificada no próprio Código de Processo Civil.
O art. 991 do NCPC que trata da participação do Ministério Público, o qual
fala por último, no prazo de 5 dias, salvo se não for o reclamante. 
Observação: O MP pode ser o reclamado (réu), o beneficiário da decisão judicial,
portanto, não sendo viável que após o prazo de contestar seja o MP intimado para se
manifestar novamente.
Após a oitiva do MP ter-se-á o julgamento da reclamação, o qual é tratado
no art. 992 do NCPC. E essa decisão pode ser monocrática ou colegiada, sendo que
decidindo monocraticamente será cabível Agravo Interno no prazo de 15 dias.
XLVII. Reexame necessário \u2013 art. 496 do NCPC
A primeira novidade do Reexame Necessário vem no art. 496, §1º, pois
nele está previsto que caso não haja apelação haverá o reexame necessário.
Durante a vigência do CPC de 1973 dizia-se que mesma com a apelação
haveria reexame necessário. Isso é importante, pois essa apelação pode ser uma
apelação parcial, bem como a apelação seja inadmitida.
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Agora, havendo uma apelação, não haverá o reexame necessário.
A interpretação possível para manter tudo como está é que a previsão é
apenas temporal, ou seja, haverá o exame necessário após o momento da apelação.
Porém, pode ser que mantenha as coisas como estão, ou seja, mesmo que se tenha a
apelação, haverá reexame necessário.
A grande novidade, certamente, com relação ao exame necessário
encontrar-se-á no art. 496 em seus parágrafos 3º e 4º, pois esses são os dispositivos
que tratam da \u201cnão aplicação do reexame necessário ao caso concreto\u201d. Então, terá
uma sentença que gera sucumbência da Fazenda Pública, que é a condição primeira
para pensar em reexame necessário, mas não haverá reexame nesses casos. 
Vale ressaltar que não cabe reexame necessário da sentença proferida
nos Juizados Especiais Federais ou nos Juizados Especiais da Fazenda Pública.
A primeira hipótese é aquela que leva em conta o valor da condenação ou
o proveito econômico envolvido na causa. No CPC/1973 era até sessenta salários
mínimos o teto da Fazenda Pública para a não ocorrência do reexame necessário
quando não houvesse recurso. Assim, qualquer condenação ou proveito econômico não
obtido pela Fazenda Pública, se esta não apelasse, ocorreria o trânsito em julgado da
sentença. 
No Novo CPC estabeceu três tetos. Sendo até 1.000 salários mínimos,
até 500 salários mínimos e até 100 salários mínimos para a dispensa do reexame
necessário, variando apenas a pessoa jurídica de direito pública. Ou seja, se a
pessoa jurídica for a União ou Autarquia/Fundação Federal o valor de dispensa do
reexame necessário é até 1.000 salários mínimos. Se for o Estado/Autarquia e
Fundação Estatal/Município que seja capital do Estado ou Autarquia e Fundação
Municipal o valor da dispensa do reexame necessário é de até 500 salários
mínimos. Mas se for todos os demais municípios com suas respectivas autarquias
ou fundações o valor da dispensa é de até 100 salários mínimos.
Essa distinção não é perfeita, pois tem Municípios que não são capitais,
mas que são economicamente mais poderosos que muito Estados da Federação. Ainda
temos essa realidade econômica.
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A Súmula 490 do STJ, mais do que nunca, está em vigência, o qual
estabelece que \u201cA dispensa de reexame necessário, quando o valor da condenação ou
do direito controvertido for inferior a sessenta salários mínimos, não se aplica a
sentenças