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Apostila Higiene do Trabalho

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Texto da disciplina: 
Higiene do Trabalho 
 
Lucio Villarinho Rosa 
prof.villarinho@hotmail.com 
 
Ismar Pinto Alves 
ismar@cnen.gov.br 
 
MÁRCIO JORGE GOMES VICENTE 
marcio.vicente@estacio.br 
 
 
1. SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO 
 
1.1 CONCEITUAÇÕES INICIAIS 
 
Saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não 
somente a ausência de enfermidades. 
 
No sentido de garantir o referido conceito o Governo Federal através do 
Ministério da Saúde desenvolve a Política Nacional de Saúde do Trabalhador que 
visa à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, mediante a 
execução de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde. 
 
Podemos definir Segurança do trabalho como sendo um conjunto de 
metodologias cuja finalidade é a prevenção de acidentes e de doenças do 
trabalho pela minimização ou até eliminação dos riscos associados aos processos 
produtivos. 
 
A segurança não deve ser tratada como uma atividade à parte, já que faz 
parte de toda atividade. 
 
 
 
 
Podemos ainda afirmar que a segurança do trabalho é uma estrutura 
desenvolvida pelos empregados, empresas e Governo, objetivando garantir a 
integridade física e mental de todos. 
 
 
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, Capítulo II, dispondo 
sobre os direitos sociais, estabelece: 
 
 “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros 
que visem à melhoria de sua condição social - Item XII: Redução dos riscos 
inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança”. 
 
1.1. 1 CRONOLOGIA 
 
A evolução das questões relacionadas à segurança do trabalho está 
intimamente relacionada aos riscos enfrentados pelos trabalhadores que por sua 
vez são incorporados ao ambiente laboral via tecnologia empregada. Por 
exemplo, vamos analisar os riscos ao trabalhador em três distintas fases da 
história: 
 
 Homem Primitivo: riscos associados ao ato de caçar ou de pescar. 
 
 Pré – Revolução Industrial: riscos associados ao trabalho no campo 
e na manipulação de metais e das primeiras ferramentas utilizadas pelos 
artesões. 
 
 Pós – Revolução Industrial: neste caso os riscos estão associados 
ao manuseio e controle de máquinas de alta tecnologia, de substâncias 
perigosas, bem como de substâncias radioativas. 
 
 
 
 
Na cronologia a seguir apresentada é possível traçar um paralelo entre a 
evolução tecnológica e seus correspondentes riscos, com as ações promovidas 
pela sociedade no sentido de estabelecer as salvaguardas para a conservação da 
saúde e da segurança dos trabalhadores: 
 
No Mundo: 
 
1700 - Itália 
 
Bernardino Ramazzini publica estudo intitulado “De Morbis Artificum 
Diatriba” (A Doença dos Trabalhadores). 
 
Estudo pioneiro das doenças associadas ao trabalho envolvendo mais de 
50 Profissões. 
 
 1802 - Reino Unido 
 
“Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes” 
 
Limita a Jornada em 12 horas por dia; Exigência de lavagem de paredes 
das fábricas periodicamente; Exigência da ventilação nos ambientes laborais. 
 
 1830 - Reino Unido 
 
Instalado o primeiro serviço médico industrial somente para a medicina 
curativa. 
 
 1833 - Reino Unido 
 
 “Factory Act” 
É estabelecida a obrigatoriedade de prover máquinas com proteção e 
comunicar acidentes do trabalho. 
 
 
 
 
 1867 - França 
 
Instalada a 1ª Associação para Prevenção de Acidentes por iniciativa de 
Engels Dolfus. 
 
 1877 - Estados Unidos 
 
Promulgada a Lei sobre a necessária proteção de correias de transmissão 
em máquinas. 
 
 1913 - Estados Unidos 
 
Instalado o “ National Safety Council” 
 
No Brasil: 
 
1919 
 
Promulgada a Lei 3.724 - 1ª Lei sobre os acidentes de trabalho que 
estabelece uma série de procedimentos prevencionistas ligados ao setor 
ferroviário. 
 
1941 
 
Ano de fundação da ABPA - Associação Brasileira para Prevenção de 
Acidentes. 
 
1943 
 
 
 
 
Aprovação do Decreto-lei nº 5.452 que trata da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), sendo o Capítulo V dedicado à Segurança e Medicina do 
Trabalho. 
 
 
1972 
 
A Portaria 3237, de julho/72, tornou obrigatória a existência de Serviços 
de Higiene, Segurança e Medicina do Trabalho nas empresas, de acordo com o 
tipo de atividade desenvolvida, do grau de risco e do número de empregados da 
empresa. 
 
1977 
 
Alteração do Capítulo V do Título II da CLT relativo à Segurança e 
Medicina do Trabalho, que vai proporcionar o estabelecimento de novas normas 
regulamentadoras de segurança do trabalho. 
 
1978 
 
A Portaria 3.214 estabelece o necessário atendimento pelas empresas e 
empregados das “Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho - NR” 
 
1.1.2 NOÇÕES PRELIMINARES DAS RELAÇÕES JURÍDICAS DO 
TRABALHO 
 
São as seguintes as principais atribuições dos órgãos do Poder Público nas 
questões relativas à relação capital-trabalho: 
 
Ministério do Trabalho e Emprego – responsável pelo estabelecimento de 
políticas e diretrizes nacionais para a geração de emprego e renda; pela 
aplicação de sanções previstas nas normas legais, bem como pela assessoria 
 
 
 
direta ao Presidente da República para a solução de questões de conflito de 
interesses. 
 
Instituto Nacional do Seguro Social – responsável pela fiscalização da 
legislação previdenciária, notadamente no tocante ao recolhimento de 
contribuições previdenciárias; pelo pagamento de benefícios sociais decorrentes 
de acidentes de trabalho, bem como pela viabilização da aposentadoria especial. 
 
Ministério Público do Trabalho – responsável pela defesa da ordem 
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais individuais indisponíveis 
especificamente no tocante às relações trabalhistas, promovendo, quando 
necessário, o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do meio 
ambiente do trabalho. 
 
Ministério Público Estadual – por ser o detentor do monopólio da ação 
penal pública é o responsável pela viabilização de o empregador vir a ser 
responsabilizado criminalmente pela ocorrência de acidente do trabalho. 
 
Justiça do Trabalho – responsável pela solução dos conflitos decorrentes 
da relação de trabalho, especialmente entre empregado e empregador. Cabe 
destacar que com o advento da Emenda Constitucional número 45, de 
08/12/2004, a Justiça do Trabalho teve a sua competência material ampliada 
para a totalidade dos litígios oriundos da relação de trabalho e não mais apenas 
à relação de emprego. 
 
Certamente a norma jurídica de maior relevância para a segurança e a 
saúde no trabalho é a LEI Nº 6514, de 22 de dezembro de 1977, que altera os 
art. 154 a 201 da Consolidação das Leis do Trabalho, os quais compõem o 
Capítulo V, relativo à Segurança e Medicina do Trabalho. 
 
De acordo com o caput do art. 200 desse diploma legal o Ministério do 
Trabalho e do Emprego editou a Portaria 3214, de 08/06/1978, estabelecendo as 
 
 
 
28 primeiras normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho 
urbano. 
 
1.2 RISCOS AMBIENTAIS 
 
Consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos 
existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, 
concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos 
à saúde do trabalhador. Cabe destacar que os riscos ergonômicos e de acidentes 
são tratados em separado