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Elucidar as fisiopatologias pelos diferentes animais peçonhentos acometidos na Bahia
Os animais peçonhentos são aqueles que têm glândulas de veneno e também têm o hábito de se comunicar com ferrões, dentes ocos ou aguilhões – locais por onde o veneno sai ativamente; isto é, esses animais têm uma habilidade de inocular seu veneno em outro animal. Os animais que produzem peçonha são chamados de peçonhentos porque empregam seu veneno de forma ativa para caçar ou defender. No entanto, os animais venenosos produzem venenos que são empregados de forma passiva para defesa. Os animais venenosos produzem veneno, porém, não têm um aparelho inoculador como aguilhões, dentes e ferrões.
Os animais peçonhentos que estão presentes tanto em ambientes rurais como em ambientes urbanos são responsáveis por gerarem inúmeros acidentes, em diversas regiões do Brasil.
Os acidentes com esses animais estão aumentando a cada ano que passa. São exemplos de animais peçonhentos aranhas, cobras, lacraias, escorpiões, taturanas, formigas, vespas, abelhas e marimbondos. Exemplo de serpentes: cascavel, jararaca, coral, surucucu e outras.
Embora exista uma diferença de conceito, biologicamente falando, os termos referentes a animal peçonhento e a animal venenoso são abordados como sinônimos.
ESCORPIÃO
O escorpião é um artrópode quelicerado, pertencente ao Filo Arthropoda, classe Arachnida (por terem oito pernas) e ordem Scorpiones. Em certas regiões do Brasil, também é chamado de lacrau. A fauna escorpiônica brasileira é representada por cinco famílias: Bothriuridae, Chactidae, Liochelidae e Buthidae. Esta última representa 60% do total, incluindo as espécies de interesse em saúde pública.
O corpo do escorpião é dividido em: 
▶ Carapaça (prossoma), onde estão inseridos um par de quelíceras (utilizadas para triturar alimento), um par de pedipalpos (pinças ou mãos) e quatro pares de pernas; 
▶ Abdômen (opistossoma), formado por: • tronco (mesossoma) onde, na face ventral, se encontram o opérculo genital e os apêndices sensoriais em forma de pentes que permitem a captação de estímulos mecânicos e químicos do meio, além de espiráculos que são aberturas externas dos pulmões; • cauda (metassoma) que possui na extremidade um artículo chamado telson que termina em um ferrão usado para inocular sua peçonha; o telson contém um par de glândulas produtoras de veneno que desembocam em dois orifícios situados de cada lado da ponta do ferrão
As principais espécies capazes de causar acidentes graves são: 
Tityus serrulatus: Conhecido como escorpião amarelo, é a principal espécie que causa acidentes graves, com registro de óbitos, principalmente em crianças. 
▶ Principais características: possui as pernas e cauda amarelo-clara, e o tronco escuro. A denominação da espécie é devida à presença de uma serrilha nos 3º e 4º anéis da cauda. Mede até 7 cm de comprimento. Sua reprodução é partenogenética, na qual cada mãe tem aproximadamente dois partos com, em média, 20 filhotes cada, por ano, chegando a 160 filhotes durante a vida.
▶ Distribuição geográfica: antes restrita a Minas Gerais, devido à sua boa adaptação a ambientes urbanos e sua rápida e grande proliferação, hoje tem sua distribuição ampliada para Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Pernambuco, Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e, mais recentemente, alguns registros foram relatados para Santa Catarina.
▶ O veneno da espécie Tityus serrulatus atua sobre o sistema nervoso periférico, ocasionando sintomas de dor muito intensa, com pontadas intermitentes e ainda acontecem aceleração da pulsação e abaixamento da temperatura do corpo. O sinal da picada do escorpião geralmente não é perceptível, mas, a dor é forte e imediata.
Tityus bahiensis. Conhecido por escorpião marrom ou preto. 
▶ Principais características: tem o tronco escuro, pernas e palpos com manchas escuras e cauda marrom-avermelhado. Não possui serrilha na cauda, e o adulto mede cerca de 7 cm. O macho é diferenciado por possuir pedipalpos volumosos com um vão arredondado entre os dedos utilizado para conter a fêmea durante a “dança nupcial” que culmina com a liberação de espermatóforo no solo e a fecundação da fêmea. Cada fêmea tem aproximadamente dois partos com 20 filhotes em média cada, por ano, chegando a 160 filhotes durante a vida. 
▶ Distribuição geográfica: é a espécie que causa mais acidentes em São Paulo, sendo encontrado ainda em Minas Gerais, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul.
Tityus stigmurus 
▶ Principais características: o escorpião amarelo do Nordeste, assemelha-se ao T. serrulatus nos hábitos e na coloração, porém apresenta uma faixa escura longitudinal na parte dorsal do seu mesossoma, seguido de uma mancha triangular no prossoma. Também possui serrilha, porém, menos acentuada, nos 3o e 4º anéis da cauda. 
▶ Distribuição geográfica: é a espécie que causa mais acidentes no Nordeste, presente em Pernambuco, Bahia, Ceará, Piauí, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe.
O que ocorre quando alguém é picado por um escorpião? 
Estudos bioquímicos experimentais demonstraram que a inoculação do veneno bruto ou de algumas frações purificadas ocasiona dor local e efeitos complexos nos canais de sódio, produzindo despolarização das terminações nervosas pós-ganglionares, com liberação de catecolaminas e acetilcolina. Estes mediadores determinam o aparecimento de manifestações orgânicas decorrentes da predominância dos efeitos simpáticos ou parassimpáticos. 
Quadro clínico local 
Caracteriza-se por dor de intensidade variável, com sinais inflamatórios pouco evidentes, sendo incomum a visualização da marca do ferrão. De evolução benigna na maioria dos casos, tem duração de algumas horas e não requer soroterapia. Representa a grande parte dos acidentes escorpiônicos, principalmente em adultos.
Quadro clínico sistêmico 
Por outro lado, é o desbalanço entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático o responsável pelas formas graves do escorpionismo que se manifestam inicialmente com sudorese profusa, agitação psicomotora, hipertensão e taquicardia. Podem se seguir alternadamente com manifestações de excitação vagal ou colinérgica, nos quais sonolência, náuseas e vômitos constituem sinais premonitórios de evolução para gravidade e consequente indicação de soroterapia.
Os óbitos, quando ocorrem, têm rápida evolução e estão associados à hipotensão ou choque, disfunção e lesão cardíaca, bem como edema pulmonar agudo.
O ferrão do escorpião apresenta-se preso à parte posterior do último segmento e compõe a parte de uma base bulbar e uma ponta curva aguda que injeta o veneno. Ele é produzido por um par de glândulas ovais, cada uma envolta por uma capa de fibras musculares lisas na sua base. Pela contração forte do envoltório muscular, o veneno na forma líquida é eliminado das glândulas a um ducto comum esclerotizado que o conduz ao exterior. O escorpião eleva o pós-abdome sobre o corpo, dobrando-o para frente, usando um movimento de punhalada ao executar a picada. 
Os acidentes com escorpião acontecem mais à noite, pois, durante o dia, ficam escondidos em lugares escuros. As picadas são geralmente acidentais e acontecem quando as pessoas movem os materiais onde os escorpiões estão abrigados. Esse aracnídeo fica quieto no abrigo, parecendo estar morto, e é confundido com o ambiente. É importante não mexer com o escorpião mesmo que ele pareça morto, pois, a sua picada é muito dolorosa. As crianças sofrem maior risco de envenenamento grave do que os adultos, em virtude do seu pequeno tamanho. Os maiores casos de óbitos por picadas de escorpião acontecem em crianças pequenas. É importante ressaltar que certas pessoas são alérgicas ao veneno dos escorpiões, por isso, nessas pessoas, as consequências são mais graves, podendo levar à morte rapidamente, especialmente devido à alergia do que pela toxicidade do veneno.