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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP – UNIDADE JUNDIAÍ 
CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO
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O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNA
Jundiaí - SP
2018
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O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNA
Resenha apresentada para a disciplina Linguagem e Comunicação Jurídica, no curso de Direito, da Universidade Paulista – Unidade de Jundiaí.
Prof. Fulano de tal
Jundiaí - SP
2018
RESENHA
FULLER, Lon L.: “O CASO DOS EXPLORADORES DE CAVERNAS”. Trad. bras. de Plauto Faraco de Azevedo. Porto Alegre: Fabris, 1976. 
   A obra O caso dos exploradores de Cavernas foi idealizada por Lon L. Fuller (1902-1978), eminente jurista norte-americano, que se dedicou à Economia e ao Direito. Trata-se de uma obra lançada em 1949, que versa sobre uma situação fictícia ocorrida no ano 4300 sob os auspícios da Suprema Corte de Newgarth, envolvendo quatro acusados. Nesse livro, durante uma das expedições do grupo em uma caverna, houve um deslizamento de terra, que fez com que grandes pedras caíssem e bloqueassem a única entrada do local, prendendo os exploradores lá dentro.
Quando os homens não retornaram da expedição, os responsáveis legais foram acionados e um grupo de resgate foi enviado à caverna. Máquinas e funcionários mais especializados foram necessários para ajudar o tal grupo de resgate, requisitando, assim, muito financiamento. Para dificultar mais ainda a situação, novos desmoronamentos ocorriam durante esse processo, fato que acarretou na morte de dez trabalhadores. Apenas após trinta e dois dias é que o resgate de fato ocorreu.
Já no vigésimo dia de isolamento dos exploradores, conseguiram manter contato com o resgate através de um rádio, questionaram em quanto tempo demoraria o sucesso do socorro e explicaram as condições que se encontravam. Os engenheiros informaram que ainda seria preciso dez dias para tirá-los da caverna e o presidente da comissão afirmou que, diante a escassa situação alimentar dos exploradores, havia pouca probabilidade de sobrevivência até o tempo dado para a concretização do resgate.
Whetmore, ciente da infeliz situação que se encontravam, sugere para os companheiros que um deles se sacrifique para servir de alimento para os outros, possibilitando a sobrevivência da maioria. Whetmore procura contato novamente com o presidente da comissão o questionando se há possibilidade de sobrevivência caso um deles sirva de alimento aos outros, este responde afirmativamente, mesmo a contragosto. Whetmore sugere como método de escolha do sacrificado a sorte. Nenhum médico, juiz ou outra qualquer autoridade pública e religiosa dispôs de responder a favor ou contra a sua o método por ele escolhido.
Por algum momento Whetmore se arrependeu de sua própria sugestão, os exploradores discutem e acabam procedendo com o combinado. Desta forma, entrando todos em consenso, a sorte foi lançada pelos dados. Chegando a partida de Whetmore, um explorador joga em seu lugar, levando ao questionamento se seria válido ou não o sacrifício de Whetmore. Este, entretanto, concorda e, no vigésimo terceiro dia de isolamento, foi morto, possibilitando a subsistência de seus companheiros.
Após o resgate, os exploradores restantes foram hospitalizados e devidamente tratados. Depois, foram todos indiciados pelo assassinato de Roger Whetmore e condenados à forca pelo Tribunal de Primeira Instância do condado de Stowfield. Os réus, então, mandaram em conjunto um comunicado para o chefe do Executivo, requisitando a comutação da pena para prisão de seis meses. E assim também o fez o juiz que presidiu o julgamento. Os acusados apelaram à Segunda Instância alegando vício, exibindo argumentos e fatos necessários para a apreciação perante este Tribunal, composto por cinco juízes. Mesmo com um veredicto especial, acabaram condenados à pena de morte. Porém, tanto o júri como o próprio juiz fizeram petições ao chefe do Poder Executivo solicitando que a sentença fosse alterada para seis meses de prisão.
Os Pareceres: Para Truepenny inicia seu posicionamento narrando a história supracitada e seu julgamento é bem direto. Ele defende que a decisão do Tribunal de Primeira Instância foi exacerbada, considerando que o caso era algo extraordinário. Contudo, ao mesmo tempo, foi criteriosa e justa. Na concepção do presidente, a justiça seria alcançada se os réus fossem inocentados. Entretanto, isso seria ir contra a lei de homicídio do estatuto, a qual alega que “qualquer um que, de própria vontade, retira a vida de outrem, deverá ser punido com a morte.” Considerando que Truepenny é positivista, contrariar a lei seria inadmissível. Portanto, o presidente do Tribunal de Segunda Instância acredita que os réus são culpados e aconselha os seus colegas a manterem a decisão do Tribunal de Primeira Instância. Porém, como ele considerava que isso não seria perfeitamente adequado ao caso, o juiz pensa que o chefe do Executivo pode conceder clemência aos réus, sendo essa a melhor opção, uma vez que seria o único dispositivo legal que possibilitaria a inocência dos réus sem a infração da lei e sem que esta seja enfraquecida ou debilitada.
Já para Foster, ao defender que não existe uma dependência do Executivo ao julgar o caso, discorda de Truepenny. Ele afirma que a lei deve ser cumprida, contudo essa situação não se aplica à jurisdição da “Lei Positiva” e sim da “Lei Natural”. Essa última aborda a questão do estado de natureza humana, o qual um Estado assegurando necessidades básicas da população é inexistente e a coexistência humana é impossibilitada. Isto é, o estatuto vigente perde sua validade por falta de eficácia ao se deparar com um evento desse tipo. Logo, tal caso não pode ser julgado de acordo com as leis externas à caverna, ou seja, não pode ser julgado pela Lei Positiva. Quando dentro da caverna, os réus estavam sob a Lei Natural, a qual defende que os atos devem ser justificados em prol da sobrevivência. Outro ponto destacado pelo Foster foi o fato que trabalhadores morreram tentando resgatar os réus. A partir dessa questão, ele indaga: se foi adequado causar a morte de dez trabalhadores para salvar cinco exploradores, porque seria equivocado sacrificar uma em prol de outras quatro? Consequentemente, Foster inocenta os réus. 
Chegando as devidas conclusões sobre o caso dos exploradores, A Suprema Corte ficou dividida em relação aos seus votos e, diante disso, ela optou por manter a decisão do Tribunal de Primeira Instância, ou seja, de manter a condenação dos réus ao enforcamento. Uma abordagem interessante nesse livro de Lon Fuller é a do debate entre o Direito Positivo e o Natural, estipulado pelos próprios juízes. É um caso proveitoso de ser estudado por apresentar dificuldades de decisão, muitas vezes advindas de divergências interpretativas sobre o determinado caso. 
Diante de todo o contexto, fica claro o real e verdadeiro estado de necessidade desses exploradores, onde deveria haver a absolvição dos réus.
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