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Achados_de_imagem_mamografia

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TEXTO 10 
ACHADOS DE IMAGEM NO EXAME DE MAMOGRAFIA 
 
 
NEYSA APARECIDA TINOCO REGATTIERI1 
 
 
Diferentes alterações no tecido mamário podem produzir achados de imagem 
semelhantes, porém, em alguns casos, esses achados refletem as mudanças 
histológicas que caracterizam as alterações encontradas1. 
 
O Colégio Americano de Radiologia (American College of Radiology - ACR), em 
conjunto com várias instituições, desenvolveu um descritor denominado Sistema 
de Laudos e Registro de Dados de Imagem da Mama – BI-RADS® (Breast 
Imaging Report and Data System). O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) 
publicou sua primeira edição em 2004 baseada na quarta edição americana, 
publicada em 2003. Esse descritor é uma ferramenta de garantia de qualidade. 
Visa à padronização dos relatórios médicos de exames mamográficos, o 
balizamento na interpretação das imagens e a facilitação no monitoramento dos 
resultados2. 
 
O BI-RADS® é dividido em seis seções. Apenas a primeira seção, referente ao 
Léxico de Imagens da Mama, será aqui abordado, uma vez que interfere 
diretamente no trabalho do Técnico em Radiologia: o câncer mamário pode 
apresentar vários padrões de imagem, dentre eles nódulos, microcalcificações e 
assimetrias, que, muitas vezes, necessitarão de incidências adicionais para 
melhor caracterização. Esses termos são definidos pelo BI-RADS®. 
 
Ao se realizar o exame radiográfico das mamas, deve-se observar a composição 
predominante do tecido mamário. O padrão mamário pode variar de mamas 
predominantemente constituídas por gordura até mamas onde há mais de 75% de 
 
1Médica Radiologista. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia. Doutora em Ciências, área de concentração 
Anatomia Morfofuncional pela Universidade de São Paulo. Mestre em Medicina, área de concentração Radiologia pela 
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná do curso Superior de 
Tecnologia em Radiologia. 
 
 
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tecido glandular compondo-as (mamas extremamente densas)1,2,3. A composição 
do tecido mamário é fator decisivo na seleção dos parâmetros técnicos utilizados 
para a exposição. Também interferem na sensibilidade diagnóstica do exame3. 
 
Quando são observadas alterações, estas devem ser estudadas visando sua 
classificação, para que condutas apropriadas sejam adotadas1, 3. 
 
1. LÉXICO DO BI-RADS® 
 
1.1 Nódulo 
 
O nódulo é descrito como uma lesão que ocupa um lugar no espaço e que, por 
convenção, mede até 3 cm. Quando maior do que 3 cm é chamado de massa. É 
visto em mais de uma incidência diferente - caso contrário, é denominado 
assimetria. Ao ser descrito, um nódulo deve ser caracterizado quanto ao seu 
tamanho, formato, margem e densidade, em relação ao tecido mamário 
circundante. Caso haja calcificações de permeio, essas devem ser 
caracterizadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 1 – Nódulo com forma arredondada 
 
.FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
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Figura 2 – Nódulo com forma elíptica ou ovóide. 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
Figura 3 – Nódulo com forma lobulada 
 
.FONTE: HC USP RIBEIRÃO PRETO 
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. 
Figura 4 – Nódulo com formato irregular 
 
FONTE: HC USP Ribeirão Preto 
 
1.1.1 Margem 
 
Modifica a forma do nódulo. 
 
A Figura 5 mostra nódulo com margem circunscrita, em que mais de 75% desta 
são bem definidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 5 – Nódulo com margem circunscrita 
 
.FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
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A figura 6 demonstra um nódulo com margens microlobuladas, sendo observadas 
pequenas ondulações que as caracterizam. 
 
 Figura 6 – Nódulo com margem microlobulada 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
A figura 7 demonstra nódulo com margem obscurecida. Parte da lesão é 
sobreposta por tecido circundante, impedindo sua caracterização. 
 
 
 
 
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Figura 7 – Nódulo com margem obscurecida 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
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A figura 8 demonstra nódulo com margem indistinta. Nesse caso, existe a 
possibilidade de que o tecido circundante esteja infiltrado pela lesão. 
 
Figura 8 – Nódulo com margem indistinta 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
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A figura 9 mostra um exemplo de nódulo com margem espiculada. Esta é 
caracterizada por linhas irradiadas da margem do nódulo. 
 
 Figura 9 – Nódulo com margem espiculada 
 
 FONTE: HC USP RIBEIRÃO PRETO 
 
 
1.1.2 Densidade 
 
Define a atenuação dos raios X pela lesão. Essa comparação deve ser realizada 
com uma amostra de tecido de volume igual ao da lesão. A maioria dos cânceres 
que se apresentam sob a forma de nódulos possui densidade igual ou superior à 
mostra de tecido mamário. 
 
A figura 10 mostra um nódulo com alta densidade em relação ao tecido mamário 
circundante. 
 
 
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Figura 10 - Nódulo com alta densidade. 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A figura 11 mostra um nódulo isodenso, quando comparado com o tecido 
mamário circundante. 
 
Figura 11 – Nódulo isodenso 
 
.FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A figura 12 mostra exemplo de um nódulo de baixa densidade, quando 
comparado com o tecido mamário circundante. 
 
Figura 12 - Nódulo de baixa densidade, sem conteúdo gorduroso. 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A figura 13 mostra um nódulo radiotransparente. Há conteúdo gorduroso nesse 
nódulo. 
Figura 13 - Nódulo radiotransparente 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2.2 Calcificações 
 
As calcificações são avaliadas quanto à morfologia e distribuição. 
 
2.2.1 Quanto à forma podem ser: 
 
a) Calcificaçoes tipicamente benignas 
 
• Calcificações de Pele – possuem centro radiotransparente. 
Localizadas, geralmente, em regiões como a prega 
inframamária, a região paraesternal, a axila e a aréola (Figura 
14). 
 
Figura 14 - Calcificações benignas da pele. 
 
FONTE: HC USP RIBEIRÃO PRETO 
 
 
 
 
 
 
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• Calcificações Vasculares – são calcificações lineares 
associadas a estruturas tubulares (Figura 15). 
 
Figura 15 - Calcificações vasculares. 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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• Calcificações Grosseiras – são calcificações maiores que 2 a 3 mm. 
Podem ocorrer em fibroadenomas em involução (Figura 16). 
 
 
Figura 16 - Calcificações grosseiras em forma de pipoca. 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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• Calcificações Semelhantes a Bastonetes – são associadas à ectasia 
ductal. Podem ser lineares, sólidas ou descontínuas. Seguem distribuição 
ductal e irradiam para a papila. Geralmente são bilaterais. Podem ser 
observadas em mulheres acima de 60 anos como consequência de doença 
secretória (Figura 17). 
 
Figura 17 - Calcificações semelhantes a bastonetes. 
 
FONTE: CLINICA ImaX DIGITAL 
 
 
 
 
 
19 
 
 
• Calcificações Redondas – podem ser consideradas benignas quando 
dispersas (Figura