histologia vegetal
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histologia vegetal


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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS 
Licenciatura em Ciências Exatas 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução à Biologia Vegetal 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Carlos - 2002 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. Células e tecidos vegetais __________________________________________ 1 
1.1 Sistema de Tecido Fundamental _________________________________________ 3 
a) Parênquima ________________________________________________________________ 3 
b) Colênquima ________________________________________________________________ 6 
c) Esclerênquima ______________________________________________________________ 6 
1.2 Sistema de Tecido Vascular _____________________________________________ 9 
a) Xilema ____________________________________________________________________ 9 
b) Floema ____________________________________________________________________ 9 
1.3 Sistema de Tecido de Revestimento _____________________________________ 11 
a) Epiderme _________________________________________________________________ 11 
b) Periderme _________________________________________________________________ 13 
2. Estrutura primária e desenvolvimento ________________________________16 
2.1 Raiz _______________________________________________________________ 16 
a) Epiderme _________________________________________________________________ 17 
b) Córtex ___________________________________________________________________ 18 
c) O cilindro central ou vascular _________________________________________________ 19 
2.2 Caule e folhas _______________________________________________________ 22 
2.2.1 O CAULE ______________________________________________________________ 22 
-Caules modificados e modificações caulinares ____________________________________ 28 
2.2.2 A FOLHA ______________________________________________________________ 31 
3 Crescimento secundário____________________________________________35 
3.1 Câmbio vascular _____________________________________________________ 36 
3.2 Efeito da formação do xilema e floema 2ários sobre o corpo 1ário _______________ 36 
3.3 Periderme e súber __________________________________________________________ 37 
3.6 Lenho ou xilema secundário _________________________________________________ 40 
4. A flor __________________________________________________________43 
4.1 Estrutura ___________________________________________________________ 43 
4.1.1 Sépalas e pétalas _________________________________________________________ 43 
4.1.2 Androceu (conjunto de estames) _____________________________________________ 45 
4.1.3 Gineceu (conjunto de carpelos) ______________________________________________ 46 
5 O fruto _________________________________________________________47 
5.1 Histologia da parede do fruto __________________________________________ 47 
5.1.1 Parede dos frutos secos ____________________________________________________ 47 
5.1.2 Parede dos frutos carnosos _________________________________________________ 48 
5.2 A evolução do fruto __________________________________________________ 48 
5.3 A dispersão dos frutos ________________________________________________ 53 
 
 
 
 
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1. Células e tecidos vegetais 
 
As células do embrião são indiferenciadas (meristemáticas) e com potencial para se 
dividir em diferentes células e tecidos até a formação de um indivíduo adulto e completo. 
Como as plantas adultas possuem crescimento contínuo, a formação de novas células, 
tecidos e órgãos vê-se restrita, quase que totalmente, a certos locais do vegetal chamados de 
meristemas. Os meristemas são, portanto tecidos semelhantes aos embrionários, devido à 
capacidade de divisão, alongamento e diferenciação celular, estando relacionados com o 
crescimento e desenvolvimento do vegetal. 
 Nas plantas adultas, após as divisões das células meristemáticas para formar tecidos 
jovens, estas subseqüentemente aumentam de tamanho, sendo estes dois processos os 
responsáveis pelo crescimento de regiões particulares da raiz, caule e folhas. Assim, o 
crescimento do corpo vegetal envolve tanto a divisão celular quanto o aumento em tamanho 
das células. 
 Além do crescimento, ocorre também o desenvolvimento da planta que consiste no 
surgimento de diferentes tipos celulares e dos diversos tecidos diferenciados que compõe os 
órgãos da planta. No corpo da planta, os tipos de células e tecidos encontrados, junto com 
seus padrões básicos de disposição na planta, determinando sua forma particular, são 
também estabelecidos pela atividade precoce do meristema. Essa aquisição de uma forma 
particular é conhecida como MORFOGÊNESE (morfe = forma e genere = criar) e está 
relacionada ao processo de diferenciação celular. 
 A diferenciação, processo pelo qual as células se diferenciam entre si e das células 
meristemáticas originárias (fig. 1.1), começa quando a célula ainda está aumentando. 
Dependendo do local em que as células formadas pelo meristema estejam, elas poderão, por 
exemplo, se diferenciar em células de sustentação, condutoras ou revestimento. Na 
maturidade, quando a diferenciação já está completa, algumas células ficam vivas, ao 
passo que outras mortas. 
 As células indiferenciadas dos tecidos meristemáticos são pequenas, isodiamétricas, 
de parede fina, com núcleo central e volumoso em relação ao citoplasma e normalmente 
sem vacúolos ou com vários pequenos vacúolos dispersos pelo citoplasma. Nos meristemas 
existem certas células que se autoperpetuam, denominadas iniciais, e suas células-filhas, 
derivadas. É importante observar que as células derivadas se dividem comumente uma ou 
mais vezes antes de começarem a se diferenciar em tipos celulares específicos. Por isso, o 
meristema é geralmente considerado como consistindo de células iniciais e de suas 
derivadas imediatas. 
Existem dois tipos principais de meristemas, os apicais e os laterais. Os apicais 
estão envolvidos com o crescimento longitudinal da planta e ocorrem nos ápices de caules e 
raízes. Esse tipo de crescimento é chamado de crescimento primário e é responsável pela 
formação dos tecidos primários. 
Os meristemas laterais (câmbio vascular e câmbio da casca) são responsáveis pelo 
crescimento em espessura (crescimento secundário), formando os tecidos secundários da 
planta. O câmbio vascular origina os tecidos condutores secundários e o câmbio da casca 
produz os tecidos de revestimento secundários. 
A divisão celular não se encontra limitada aos meristemas apicais e laterais. Por 
exemplo, a protoderme, o procâmbio e o meristema fundamental, que são até certo 
 
 
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ponto, tecidos diferenciados, são denominados meristemas primários, porque: 1) originam 
os tecidos primários e; 2) muitas de suas células se dividem várias vezes antes de 
começarem a se diferenciar em tipos celulares específicos. 
Figura 1.1: Esquema ilustrativo de alguns tipos celulares que podem se originar um único tipo de 
célula meristemática no procâmbio ou no câmbio vascular (Segundo Raven, 76). 
 
Os sistemas de tecidos 
 
 Os tecidos podem ser definidos como grupos de células estrutural e/ou 
funcionalmente distintas. Os tecidos formados por apenas um tipo celular são denominados 
tecidos simples, já os tecidos compostos por dois ou mais tipos de células são denominados 
tecidos complexos. Por exemplo: parênquima, colênquima e esclerênquima são tecidos 
simples, enquanto xilema, floema e epiderme são tecidos complexos. 
Os principais tecidos das plantas vasculares encontram-se organizados em unidades 
maiores, situados em todas as partes da planta. São em número de três e denominados 
sistemas de tecidos: 
1) O sistema de tecido fundamental, que consiste dos denominados tecidos de sustentação: 
parênquima, colênquima e esclerênquima, sendo o primeiro o mais comum. 
2) O sistema de tecido vascular, consistindo dos dois tecidos condutores,