Externalidades Falhas e Fracassos de Mercado
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Externalidades Falhas e Fracassos de Mercado


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Externalidades \u2013 Falhas e Fracassos de Mercado
FSMA \u2013 Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora
Disciplina: Economia do Meio Ambiente
Professora: Larissa de Paula
Aluna: Júlia Marques
INTRODUÇÃO
Os problemas ambientais estão de modo direto ligados ao funcionamento dos mercados, consequentemente as decisões tomadas pelos consumidores e empresas afetam a quantidade e a qualidade dos recursos naturais. 
De acordo com o fluxo circular, os mercados livres fornecem as mercadorias e os serviços desejados, resolvem problemas de escassez e excesso e eliminam a ineficiência por meio de mecanismos de formação de preços, sem a intervenção do governo. Este é um resultado notável, considerando que consumidores e produtores não são motivados por objetivos filantrópicos, ao contrário, são estimulados por seu próprio interesse. Quando se considera o fluxo circular em um contexto mais amplo de modelo de balanço de materiais, podemos observar como a atividade econômica gera resíduos que podem danificar os recursos naturais. Podemos afirmar que a poluição é uma falha de mercado que distorce o modelo clássico de mercado.
Economistas moldam problemas ambientais como falhas de mercado utilizando tanto a teoria dos bens públicos como a teoria das externalidades. Cada uma delas é diferenciada pelo modo como o mercado é definido. Se o mercado for definido como \u201cqualidade ambiental\u201d a fonte de falha do mercado é o fato de a qualidade ambiental constituir um bem público; se o mercado for definido como o bem cuja produção ou o consumo gera prejuízo ambiental, a falha de mercado será em função de uma externalidade. 
EXTERNALIDADES POSITIVAS E NEGATIVAS
Em geral, considera-se falhas ou imperfeições de mercado as situações onde os mercados não funcionam conforme as previsões do chamado modelo ideal de mercado competitivo. O problema das externalidades ocorre quando os agentes econômicos interagem no mercado, gerando, sem intencionalidade, malefícios ou benefícios para indivíduos alheios ao processo.
As externalidades podem ser definidas como custos ou benefícios que se transferem de determinadas unidades do sistema econômico para outras, ou para a comunidade como um todo, fora do mercado. Trata-se de um custo, benefício ou maleficio, arcado ou recuperado pela unidade que o gerou, recaindo indiretamente sobre terceiros que podem vir a serem identificados ou não. Ou seja, é um efeito de propagação associado a produção ou consumo que se estende a um terceiro, fora do mercado. 
As vezes a teoria microeconômica falha, fazendo com que o preço deixe de capturar todos os benefícios e custos de uma transação de mercado, quando essas falhas de mercado ocorrem, terceiros são afetados pela produção ou pelo consumo de um bem. Essa influência de terceiros é denominada de externalidade. 
As externalidades podem ser positivas ou negativas. Se o efeito externo gerar custos a um terceiro, será uma externalidade negativa; se o efeito externo gerar benefícios a um terceiro, será uma externalidade positiva. 
Um exemplo de externalidade negativa, podemos atribuir ao lançamento de efluentes onde os custos desses lançamentos são arcados pela fábrica, mas pela indústria pesqueira e pela população localizada á jusante do rio. O recurso ambiental apresentado pela água é utilizado pela fábrica como um bem livre, sem a característica da escassez. No entanto, a disponibilidade de água no planeta não é mais vista como ilimitada, além disso, a preservação desses recursos dentro de um padrão de qualidade adequada exige custos, sendo necessário então a imputação dos custos do tratamento dos efluentes á unidade geradora. Ou se uma família comprar uma antena parabólica de má aparência e instalá-la na área de frente a sua casa, está ação incorrerá em custos aos vizinhos na forma de desvalorização dos valores de propriedade, caracterizando uma externalidade negativa não refletida no preço da antena parabólica. 
Como externalidade positiva, podemos exemplificar práticas como a manutenção de uma área florestal, que regula o regime de chuvas e a qualidade do solo das propriedades vizinhas. Ou se uma empresa conduzir uma pesquisa que desenvolve um processo de produção, haverá um benefício para toda a indústria, uma externalidade positiva e não considerada na decisão de investimento na pesquisa. 
Comum aos exemplos de externalidades é o efeito de propagação que ocorre fora da transição do mercado. Este efeito não é capturado pelo preço do bem que esta sendo negociado. Se o preço não refletir todos os benefícios e custos decorrentes da produção e do consumo, não será confiável como mecanismo de sinalização, e o mercado falhará.
RELAÇÃO ENTE BENS PÚBLICOS E EXTERNALIDADES
As externalidades ambientais são aquelas que afetam o ar, a água ou a terra, todos os quais possuem características de bens públicos. O que isso implica é que, embora os bens públicos e as externalidades não constituam o mesmo conceito, estão intimamente relacionados. De fato, se a externalidade afetar um amplo segmento da sociedade e seus efeitos forem não- rivais onde a característica de benefícios indivisíveis no consumo, de tal forma que o consumo de outra pessoa não impede de outra e se for não-excludentes que é uma característica que toma impossível impedir que outros compartilhem os benefícios do consumo, a própria externalidade será um bem público, pois tecnicamente, se a externalidade proporcionar benefícios a uma grande proporção da sociedade, será um bem público. No entanto, se os efeitos externos forem sentidos por um grupo de indivíduos ou empresas definindo de modo mais restrito, tais efeitos serão mais apropriadamente equacionados como uma externalidade.
ANÁLISE DO PROBLEMA 
As forças naturais de mercado motivam as empresas a satisfazerem seus próprios interesses, não os da sociedade. Os custos da poluição da água são externos ás negociações de mercado e, consequentemente, não são incorporados nas decisões privadas nos mercados. Os economistas querem identificar e contabilizar esses custos externos, mas aplicar um valor em dólares ás externalidades negativas é difícil. 
As refinarias de petróleo são motivadas pelo ganho privado, não pelo ganho social. Embora essas empresas possam estar conscientes dos danos ambientais vinculados à sua produção, não existe incentivo para que elas absorvam tais custos. Se assim o fizessem, afetariam diretamente os seus lucros. Seria como se as empresas oferecessem para pagar os custos externos em defesa da sociedade. Entretanto, não existe incentivo de mercado para que uma empresa racional incorra em custos maiores do que o necessário, mesmo se for para o bem social. 
Porém esta afirmação não deve impedir esforços para resolver os problemas dos danos ambientais. Os modelos de falha de mercado nos dão uma melhor compreensão do motivo pelo qual observamos danos cada vez maiores no meio ambiente físico quando a produção industrial tem sido intensificada por todo o mundo. Não é fácil encontrar soluções políticas apropriadas, mas o processo é facilitado pela compreensão de como e por que os mercados falham. Nesse ponto, se considerarmos o problema dos bens públicos, bem como o modelo da externalidade que examinamos, um elemento comum e importante nos leva até a fonte de virtualmente todos os problemas ambientais: a ausência de direitos de propriedade.
Os direitos de propriedade são um conjunto de reivindicações válidas sobre um bem ou recurso que permite seu uso e transferência de propriedade por meio do ato de venda. Esses direitos são geralmente limitados pela lei e/ou pelas convenções sociais. 
No contexto dos bens públicos ambientais, não está claro quem é \u201cproprietário\u201d dos direitos sobre os recursos hídricos, ou quem é \u201cproprietário\u201d dos direitos do ar. Por exemplo, os nadadores possuem o direito à água limpa ou as refinarias detêm o direito de polui-la? Os indivíduos possuem direito de respirar limpo, ou as empresas poluidoras possuem direito de contaminá-los? Pelo fato de as respostas a essas perguntas não serem