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Insert picture(s) here EXPRESSÃO GRÁFICA IV CONCRETO – CONCEPÇÃO ESTRUTURAL Prof. Carlos Roberto da Silva 2018-01 EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 2 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO “Estrutura de uma edificação é um conjunto de elementos - lajes, vigas, pilares etc. - interligados entre si com a função de suportar as cargas atuantes em sua superfície e contorno e transportá-las até a fundação, que as descarregará no terreno.” O QUE É ESTRUTURA EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 3 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 1- CONCEITO DE CONCEPÇÃO DA ESTRUTURA A concepção da estrutura de um edifício consiste no estabelecimento de um arranjo adequado dos vários elementos estruturais do edifício (Figura 1), de modo a assegurar que o mesmo possa atender às finalidades para as quais foi projetado. Em virtude da complexidade das construções, uma estrutura requer o emprego de diferentes tipos de peças estruturais adequadamente combinadas para a formação do conjunto resistente. Um arranjo estrutural adequado consiste em atender, simultaneamente, os aspectos de segurança, economia (custo), durabilidade e os aspectos relativos ao projeto arqui- tetônico (estética e funcionalidade). Em particular, a estrutura deve garantir a segurança contra os estados limites, nos quais a construção deixa de cumprir suas finalidades. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 4 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Figura 1 - Perspectiva de parte de edifício: principais elementos estruturais. Fonte: Alva. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 5 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 2- O PROJETO ARQUITETÔNICO E A CONCEPÇÃO ESTRUTURAL A concepção estrutural deve levar em conta a finalidade da edificação e atender, tanto quanto possível, as condições impostas pela arquitetura. O projeto arquitetônico representa, de fato, a base para a elaboração do projeto estrutural e influencia diretamente na escolha da forma da estrutura de um edifício. Usualmente, edifícios residenciais são constituídos pelos seguintes pavimentos: • Subsolo: destinado à área de garagem; • Pavimento Térreo: destinado à recepção, salas de estar, de jogos, de festas, piscinas e área para recreação; • Pavimento-tipo: destinado aos apartamentos. Composto de vários andares. • Ático: pavimento menor e mais recuado que os demais, no topo dos edifícios, destinado a abrigar máquinas, reservatórios, depósitos, etc.; • Cobertura: via de regra, requerem um projeto estrutural compatível e específico. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 6 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Figura 2 - Edifício residencial de múltiplos pavimentos. Fonte: Alva. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 7 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO O projeto estrutural deve estar em harmonia com os demais projetos, tais como: insta- lações elétricas, hidráulicas, telefonia, segurança, som, TV, ar condicionado, rede lógica etc. Ou seja, deve existir a compatibilização do projeto estrutural com os demais projetos, de modo a permitir a coexistência, com qualidade, de todos os sistemas. Surge, assim, a solução BIM. Figura 3 - Viga incompatível com o vão da porta. Figura 4 - Parede incompatível com as prumadas de tubulações. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 8 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO BIM (Building Information Modeling) Modelagem de Informação da Construção Na solução BIM as várias áreas técnicas envolvidas no projeto fazem anteprojetos que, posteriormente, são analisados em conjunto para que sejam estudadas as compati- bilizações necessárias. Esta solução objetiva a integração das informações de todos os projetos (Arquitetônico, Estrutural, Instalações Prediais), Orçamento, Planejamento e também, a Construção, Operação e Manutenção do Edifício. Essa integração resulta na melhoria da qualidade, pois evita revisões devidas a erros e problemas de interferência entre os vários elementos. Permite o gerenciamento dos desenhos e consulta “on-line” de qualquer elemento do projeto. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 9 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Figura 5 – Sobreposição de projetos e disciplinas técnicas. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 10 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Figura 6 – BIM e a integração de informações. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 11 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Neste sentido pode-se citar, por exemplo, o cuidado que se deve ter com a localização de vigas nas regiões de banheiros e área de serviço, onde o engenheiro responsável pelo projeto hidráulico, provavelmente, procura localizar pontos para passagem de dutos de esgoto e instalações de água fria e quente. As áreas destinadas a garagens, na maioria dos casos localizadas no subsolo, deter- minam posições de pilares compatíveis com áreas de manobras e de estacionamentos. Figuras 7a e 7b – Garagem e posição dos pilares. Fonte: Alva. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 12 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Há casos de as posições dos pilares dos subsolos não serem compatíveis com a distri- buição de pilares estudada para o pavimento-tipo. Nessa situação é usual projetar-se uma estrutura de transição, responsável por transferir as ações dos pilares posicio- nados com base no projeto arquitetônico do andar tipo para pilares posicionados segundo a compatibilidade arquitetônica do andar térreo e do subsolo. (cy) Figura 8 – Viga de transição. Fonte: Alva. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 13 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Porém, as estruturas de transição, na grande maioria das vezes, são caras e de grande responsabilidade estrutural. Deve-se, o quanto possível, procurar compatibi- lizar o posicionamento dos pilares nos diversos pisos, mantendo a continuidade verti- cal dos mesmos até a fundação, de modo a evitar a utilização de vigas de transição. Normalmente a área destinada à escada e aos elevadores são comuns em todos os andares e, nesta área, ficam a casa de máquinas e os reservatórios elevados. Pode-se, aí, lançar os pilares. Para melhorar a resistência do edifício às ações hori- zontais (vento, desaprumo, contenções), são dispos- tos planos constituídos por pórticos (vigas e pilares conectados rigidamente), bem como pilares-parede. Figura 9 – Caixa de escada. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 14 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Figura 10 – Planta de formas de edifício com sistema estrutural constituído por pórticos associados a pilares-parede. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 15 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 3- ELEMENTOS BÁSICOS DE ESTRUTURAS Na concepção estrutural, é importante considerar o comportamento primário dos elementos estruturais, que podem ser resumidos em: • Laje: Elemento plano bidimensional, apoiado em vigas ou em balanço, constituindo os pisos dos compartimentos. Recebe as cargas (ações gravitacionais) do piso, transferindo-as para as vigas de apoio. É submetida predominantemente à flexão. • Viga: Elemento linear sujeito predominantemente à flexão, apoiado em pilares e, geralmente, embutida nas paredes. Transfere para os pilares o peso da parede apoiada diretamente sobre ela e as reações das lajes. • Pilar: Elemento linear sujeito predominantemente à flexo-compressão, cuja função principal é receber as ações atuantes nos diversos níveis e conduzi-las até as fundações, bem como garantir a estabilidade globalda estrutura (pórticos). EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 16 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 4- ELEMENTOS ESTRUTURAIS DE FUNDAÇÕES As ações atuantes na edificação devem ser transmitidas à camada resistente do solo por meio dos elementos estruturais de fundação. Existem dois grupos principais: • Fundações superficiais (ou diretas, ou rasas): Constituídas essencialmente pelas sapatas e radiers. São empregadas quando o terreno apresenta um solo superficial com resistência relativamente elevada e baixa compressibilidade. Nestes tipos de fundações, as ações são transmitidas ao solo predominantemente pela base. • Fundações profundas: Os tipos mais comuns são as estacas e os tubulões. As fundações profundas são utilizadas quando não é viável economicamente o emprego de fundações superficiais. Em uma fundação profunda, a carga pode ser transmitida predominantemente pela base, por atrito lateral ou ainda por ambos. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 17 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO Figura 11 – Elementos estruturais de fundações. Fonte: Alva. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 18 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 5- DIRETRIZES BÁSICAS PARA A CONCEPÇÃO ESTRUTURAL DE EDIFÍCIOS O lançamento dos elementos estruturais é realizado sobre o projeto arquitetônico. Alguns aspectos importantes a considerar: • Estética: nos edifícios correntes a estrutura normalmente é revestida. Deve-se procurar, então, embutir as vigas e os pilares nas alvenarias, na medida do possível. • Economia (minimizar custos): uniformização da estrutura (menor número de fôrmas / maior repetitividade); compatibilidade entre vãos, função do tipo materiais e método empregados (protensão etc); trajetória de cargas a menor possível até a fundação (caminho mais curto); • Funcionalidade: por exemplo, posicionamento dos pilares na garagem proporcionando o número máximo de vagas; • Resistência às ações horizontais: estabelecer um sistema estrutural adequado para resistir às ações horizontais atuantes na estrutura (vento, desaprumo do edifício, efeitos sísmicos etc). Núcleo estrutural rígido (pilares-paredes) ou sistema de pórticos (planos ou espaciais). EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 19 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 6- LANÇAMENTO DA ESTRUTURA Lançar a estrutura de um edifício em concreto é basicamente escolher o posiciona- mento adequado para pilares, vigas e lajes, bem como determinar as dimensões iniciais (pré-dimensionamento) de tais elementos estruturais. A escolha da estrutura de um edifício de andares múltiplos começa pelo pavimento tipo, fixando-se a posição de vigas e pilares, levando sempre em consideração a posição da caixa d'água, a qual coincide, em boa parte dos casos, com a caixa de escadas. Normalmente, a primeira tarefa da concepção estrutural é o lançamento dos pilares do andar-tipo, verificando suas possíveis interferências no térreo e também nos subsolos, com as vagas de garagem e circulação de veículos. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 20 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 7- RECOMENDAÇÕES PARA O LANÇAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS Estas recomendações são aplicáveis a edifícios comerciais/residenciais em concreto armado com concepção estrutural usual (laje, viga e pilar), com pequenas sobrecargas de utilização: 1) Posicionar os pilares, de preferência, nos cantos das edificações e nos encontros das vigas. Procurar distanciar os pilares entre 2,5 e 6 m. 2) Escolher regiões não muito nobres no pavimento tipo da edificação para o posicionamento dos pilares (cantos dos armários embutidos, atrás das portas, etc.) evitando que os mesmos fiquem aparentes em salas e dormitórios. 3) Verificar se as posições lançadas no pavimento tipo são aceitáveis ao térreo e nas garagens (subsolos). É primordial, nesta etapa, o entendimento entre calculistas e arquitetos na busca da melhor posição estrutural para os pilares. 4) Procurar posicionar as vigas de tal forma que as mesmas formem pórticos com os pilares, a fim de enrijecer a estrutura frente às ações horizontais (vento) (cy) EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 21 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO 4) Procurar posicionar as vigas de tal forma que as mesmas formem pórticos com os pilares, a fim de enrijecer a estrutura frente às ações horizontais (cy). 5) Procurar lançar vigas onde existam paredes, evitando que as mesmas fiquem aparentes, contribuindo para o aspecto estético. Entretanto, não é obrigatório lançar vigas sob todas as paredes. Eventualmente, uma parede poderá apoiar-se direta- mente na laje, devendo-se fazer as devidas verificações para esta carga adicional. 6) Para as lajes maciças, pode-se adotar, em geral: a) 2 a 5 m para o menor vão de lajes armadas em uma direção; b) 3 a 6 m para o maior vão de lajes armadas em duas direções. 7) Lajes maciças de vãos muito pequenos resultam em grande quantidade de vigas, elevando o custo com as fôrmas. Lajes com vãos muito grandes podem requerer espessuras/armadura elevadas e podem estar sujeitas a deformações excessivas. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 22 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO IMPORTANTE: Na fase de lançamento da estrutura é importante também levar em consideração a interferência do projeto estrutural com os demais projetos (eletricidade, climatização, acústica, incêndio, hidrossanitário, rede lógica etc) - BIM Viga incompatível com o vão da porta. Parede incompatível com as prumadas de tubulações. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 23 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO BIM (Building Information Modeling) Modelagem de Informação da Construção Objetiva a integração das informações de todos os projetos (Arquitetônico, Estrutural, Instalações Prediais), Orçamento, Planejamento e também, a Construção, Operação e Manutenção do Edifício. Essa integração resulta na melhoria da qualidade, pois evita revisões devidas a erros e problemas de interferência entre os vários elementos. Permite o gerenciamento dos desenhos e consulta “on-line” de qualquer elemento do projeto. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 24 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO BIM (Building Information Modeling) EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 25 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO BIM (Building Information Modeling) EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 26 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO EXERCÍCIO 1: Fazer o lançamento estrutural da planta baixa, para um edifício em dois pavimentos. EXPRESSÃO GRÁFICA IV – Prof. Carlos Roberto 27 CONCEPÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIOS EM CONCRETO EXERCÍCIO 2: Fazer o lançamento estrutural da planta baixa, para um edifício em dois pavimentos.