Psicologia do Adoslecente A construção historica da adolescencia
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Psicologia do Adoslecente A construção historica da adolescencia


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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS
FAULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS
PSICOLOGIA DO ADOLESCENTE: RESUMO- A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA ADOLESCÊNCIA
Me Maria Carolina Albuquerque Botaro
FERNANDÓPOLIS
2019
TAISA JAQUELINE GOMES
O trabalho do autor é trazer uma reflexão sobre os vários processos e descobertas que a adolescência e a puberdade passaram no decorrer da história.
(...)ao contrário dos demais seres da natureza o homem é capaz de se produzir a si mesmo como sujeito.
É necessário reconhecer os hábitos que serão produzidos a partir dessas mudanças psicossomáticas na adolescência a partir da inclusão do indivíduo na puberdade para estudar os conceitos de representação que evocam uma multiplicidade de significados na história da humanidade. 
Adoto o termo adolescente segundo a Organização Mundial de Saúde, que estabelece a adolescência entre os 10 e os 19 anos de idade, por contemplar os aspectos biossomáticos da adolescência fundamentais na pesquisa que será desenvolvida através do diálogo entre a psicologia e os Estudos Culturais. 
Considero insatisfatória a faixa etária entre 12 a 18 delimitada no ECA, por considerar que essa demarcação etária é fruto de uma ação legalista do Direito que identifica o fim da adolescência com a maioridade civil no Brasil e incompleta pois subtrai os dois primeiros anos da fase inicial da adolescência onde se iniciam as transformações corporais e as alterações psíquicas como frutos do início da puberdade e os dois anos finais, caracterizados pela inserção do adolescente no mundo adulto. 
Embora o conceito/condição adolescência como uma fase distinta e intermediária entre a infância e a idade adulta seja algo contemporâneo ao século XX ocidental, o advento da puberdade como fenômeno fisiológico desencadeador das mudanças físicas e comportamentais que indicavam a entrada da criança no mundo dos adultos era o acontecimento mais relevante e esperado nas culturas antigas. 
Segundo Erikson, o desenvolvimento humano inicia-se no biológico e evolui através do individual e do social, ou seja, existe um gatilho fisiológico que desencadeia as transformações biopsicossociais que são produzidas ao longo da vida do indivíduo, transformando-o em sujeito. 
Puberdade é um elemento fundamental para compreender a construção histórica e social da adolescência por possibilitar a inserção do indivíduo no mundo do adulto como um rito de passagem orgânico e natural, mas ao mesmo tempo uma construção social e histórica capaz de fixar limites e manter a ordem social e simbólica. 
A partir da leitura e interpretação das marcas, signos e impressões que as diversas culturas fazem nesses fenômenos de transformações resultantes do processo de maturação sexual do ser humano, denominada puberdade, é que podemos identificar e analisar o sujeito no seu momento de formação e de identificação da identidade. 
As transformações pubertárias são resignificadas no contexto histórico em que o indivíduo está inserido, embora ela ocorra como fenômeno biológico de maneira semelhante em todos os indivíduos da espécie humana independente do seu contexto histórico \u2013 social. 
Adolescência e a puberdade se relacionam na ordem orgânica e psicológica, mas a sexualidade pode ser antecipada ou sublimada temporariamente tanto por elementos construídos culturalmente quanto pela significação que o indivíduo atribui ao seu próprio corpo e à sua alma. 
Na Antiguidade, a sabedoria era sinônima de bagagem de conhecimento teórico, mas o conjunto de experiências práticas vividas e adquiridas ao longo da vida, refletidas no valor humano que o indivíduo pudesse administrar na sua vida e para com aqueles com quem ele tivesse contato, era algo considerado algo ausente nos moços. 
A troca das vestes de criança para as de um adulto era marcada por ritual de passagem que variava tanto em costumes quanto em faixa etária, mas que era sempre pontuado pelos sinais visíveis da entrada do sujeito na puberdade, ou seja, os caracteres sexuais secundários como o aparecimento de pelos nas axilas, na genitália, na face dos meninos e o amadurecimento dos órgãos sexuais. 
Na Idade Média era comum enviar as crianças após o desmame, que ocorria entre os seis aos oito anos de idade para passarem por igual período que hoje denominaríamos de adolescência na casa de algum artífice ou profissional a fim de aprenderem boas maneiras. 
O objetivo era funcional, prepará-los para assumir a função inerente à sua respectiva classe social e o cerimonial, por mais simples que fosse, vinha carregado de significação de valores importantes socialmente que o validava moralmente para aquela comunidade. 
É necessário fugir das generalizações sobre o conceito/ condição adolescência por serem fruto de um ponto de vista errôneo baseado na cultura do senso comum, que visualiza o adolescente pelo simples aspecto fisiológico com capacidade adquirida de procriar. 
Autores como Muuss (1976), Sprinthal e Collins (1994) e Ferreira (1995), referem que, Hall postulava que na adolescência o indivíduo passava por um novo nascimento, marcado por mudanças significativas, que culminavam numa nova personalidade, diferente da personalidade da infância. 
Ele foi o primeiro a ressaltar o desligamento psicológico do adolescente em relação aos pais como uma experiência de luto, porém fundamental para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade, pois o vir a ser adulto seria o fruto desse desligamento: Na puberdade, quando o instinto sexual faz as suas primeiras exigências, o antigo objeto familiar incestuoso é retomado de novo e carregado de libido (\u2026). 
Essa é uma visão de transitoriedade que alimenta a teoria da adolescência tardia ou prolongada na geração \u201ccanguru\u201d, que reluta em sair da casa dos pais o que retorna para ela, privando-se da liberdade plena de adulto em troca da segurança emocional, econômica e patrimonial. 
Erikson institucionalizou a adolescência, dando continuidade a um processo de naturalização e universalização, definindo-a como uma fase especial no desenvolvimento humano onde o adolescente acobertado pelo conceito de moratória viveria como um estrangeiro, um forasteiro, alguém de passagem que assumiria e descartaria múltiplos papéis até formar a sua própria identidade. 
O período de transição nas capacidades cognitivas, emocionais e sociais do cérebro que permite que o indivíduo se torne um membro adulto da sociedade, aonde o cérebro se torna capaz de lidar com as competências reprodutivas adquiridas na puberdade e suas consequências. 
O gatilho para disparar esse processo no cérebro seria, na opinião de Houzel, o aumento dos níveis de leptina produzido pelo tecido adiposo, ou seja, o aumento nos índices de massa corporal ligado à quantidade de gordura corporal do indivíduo. 
Alguns estudos vêm rejeitando o conceito negativo e pré-estabelecido de adolescência oferecido pela psicologia clássica, como a psicologias positiva que busca investigar aspectos saudáveis nessa fase como a resiliência, ou seja, a capacidade de superação e adaptação às adversidades, mas ainda sob uma visão naturalizante das capacidades humanas. 
Para a sociologia funcional, a adolescência inicia com os fatores fisiológicos da puberdade e as transformações psicossociais que eles ocasionam no indivíduo e termina quando o sujeito é capaz de realizar cinco tarefas: concluir os estudos, ter sustento próprio, sair da tutela dos pais, casar e ter filhos. 
Uma fase de ajustamento que exigem do adolescente um espaço/tempo para que ele possa fazer uma mediação entre a ação provocada pelas mudanças fisiológicas e as influências da estrutura social em que está inserido, como o ajuste corporal promovido pelo crescimento puberal e a identificação de pares.