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cometida com a mesma finalidade prática relativa àquele 
crime. Assim, pode-se falar em consunção nas seguintes hipóteses: 
 
a) Quando um crime é meio necessário ou normal fase de preparação ou de execução de outro crime 
(crime tentado, em relação ao crime consumado, lesões corporais em relação ao crime de homicídio) 
b) Nos casos de antefato e pós-fato impuníveis (Súmula 17 do Superior Tribunal de Justiça: “Quando 
o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”.) 
 
Outros exemplos deste princípio: 
1. O crime de dano absorve o de perigo (crime progressivo). 
2. O crime de “seqüestro” é absorvido pela “redução de alguém a situação análoga à de escravo” 
(crime progressivo). 
“A” arromba uma casa desabitada; lá penetra e leva consigo móveis de alto valor; A responderá 
apenas por “furto qualificado” e não também pelo crime de “dano” nem o de “violação de domicílio” 
(crime progressivo). 
O agente inicialmente quer apenas lesionar a vítima e, durante a execução do crime de “lesões 
corporais”, altera o seu dolo e resolve matá-la, responderá apenas pelo “homicídio doloso” 
(progressão criminosa em sentido estrito). 
Subtrair uma folha de cheque em branco para preenchê-lo e, com ele, cometer um “estelionato” 
(progressão criminosa - “antefactum” impunível). 
O sujeito subtrai uma bicicleta e depois a destrói; ; a prática posterior de crime de “dano” fica 
absorvida pelo crime de “furto” (progressão criminosa - “postfactum” impunível). 
O crime de “latrocínio” que surge da fusão dos crimes de “roubo” e “homicídio”;; o crime de 
“extorsão mediante seqüestro”, que aparece com a fusão dos crimes de “seqüestro” e “extorsão”;; o 
crime de “lesão corporal seguida de morte”, conseqüência da junção dos crimes de “lesões corporais” 
e “homicídio culposo” (crimes complexos). 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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15.5. Princípio da alternatividade. Só há punição do agente, nos crimes de ação múltipla, por uma 
das condutas ali previstas, mesmo que tenha praticado duas ou mais. 
 
16. TEORIA DO DELITO 
 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a 
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado 
não teria ocorrido. 
Superveniência de causa independente 
§ 1o - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação 
quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam- se 
a quem os praticou. 
Relevância da omissão 
§ 2o - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para 
evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
 
16.1. Conceito de crime ou delito. 
 
A primeira informação relevante a ser repassada é a que no Brasll adotamos um conceito bi-partido 
para as infrações penais, ou seja, crime e delito são sinônimos, representando uma das espécies de 
infração penal, ao passo que a contravenção, também conhecida como "crime anão representa a outra 
espécie de infração penal. Em países como a França, esta classificação é tripartida, de modo que 
crimes, delitos e contravenções representam infrações penais distintas, sendo o crime a mais grave e 
a contravenção penal e manos grave. 
No Brasil, o artigo 1 do Lei de Introdução ao código penal faz distinção entre crimes e contravenção 
ao afirmar que os crimes serão cominadas penas de reclusão e detenção e à contravenção pena de 
prisão simples. Passemos, pois, pois aos conceitos de crime mais aceitos pela nassa doutrina: 
 
a) Conceito formal de crime. Sob o aspecto formal, crime é toda conduta que atenta, colide 
frontalmente com a lei penal editada pelo Estado. É a simples contradição do fato com a norma. 
 
b) Conceito material de crime. Sob o ponto de vista material é toda conduta humana que viola os 
bens jurídicos mais relevantes para a sociedade. É a analise voltada para a efetiva lesão ao bem 
jurídico tutelado pelo Estado, com a análise da conduta e sua consequente danosidade social. 
 
c) Conceito analítico ou estratificado de delito. É o conceito que analisa as características ou 
elementos que compõem o delito. Sob o ponto de vista analítico a corrente doutrinária dominante, 
incluindo-se ai Hans Welzel, tem o crime como fato típico, ilícito e culpável, entretanto, alguns 
autores, à exemplo de Damásio retiram do conceito analítico de crime a culpabilidade e outros, como 
Basileu Garcia, além da culpabilidade, acrescentam ao conceito de delito a punibilidade. É certo que 
a culpabilidade, desde a escola clássica, jamais deixou de compor o delito, e por este motivo o 
conceito analítico de delito composto pelo fato típico, ilícito e culpável é o mais aceito na doutrina 
contemporânea. Desta forma, assim se apresenta o delito sob este prisma: O fato deve ser típico 
(conduta / resultado / nexo causal / tipicidade) e antijurídico (contrário ao direito); para a aplicação 
 
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da pena é necessário que o fato, além de típico e antijurídico, seja também culpável, ou seja, 
reprovável (culpabilidade - imputabilidade / exigibilidade de conduta diversa / potencial consciência 
da ilicitude). 
17. FATO TÍPICO 
 
Fato típico, ou ação típica, ou conduta típica, segundo uma visão finalista, é composto dos seguintes 
elementos: 
a) Conduta: É o comportamento humano (há divergência doutrinária), voluntário e consciente 
(doloso ou culposo) dirigido a uma finalidade. 
b) Resultado: É a conseqüência da conduta humana, ou seja, aquilo produzido por uma conduta 
dolosa ou culposa do homem. 
c) Nexo causal ou nexo de causalidade: É a relação de causa e efeito existente entre a conduta do 
agente e o resultado dela decorrente. 
d) Tipicidade (formal e conglobante) 
 
Preferimos a terminolia fato típico, uma vez que o fato típico é mas abrangente, visto que é formado, 
de tipicidade, nexo causal e resultado e não só pela contuta (ação ou omissão) e muito menos somente 
pela ação que nada mais é que uma das espécies de contuda. 
 
Por outro lado, quanto falamos em fato típico, temos que a formatação de seus elementos depende de 
como se classifica o delito. Tratando-se de um crime material (de resultado), temos que o fato típico, 
obrigatoriamente será composto pelos elementos acima, entretanto, quanto tratamos de um crime 
formal ou de mera conduta, por serem crimes sem resultados, devemos excluir dos elementos do 
crime, além do resultado o nexo causal. Assim, o fato típico seria composta apenas pela conduta e 
pela tipicidade. 
 
Obs.: Entre os elementos constitutivos do fato típico Damásio inclui a imputação objetiva. 
 
17.1. DA CONDUTA 
 
A conduta, sob o ponto de vista jurídico penal, é sinônimo de comportamemento humano, que pode 
ser positivo ou negativo, isto é, ação ou omissão. Neste sentido, deve ser concebida como um ato de 
vontade, um querer interno, sempre destinado a uma finalidade e sempre revestida de comportamento 
anímico, deve, portanto, sempre ser dolosa ou culposa. Caso contrário não terá qualquer relevância 
para o direito penal. 
 
17.2. Condutas dolosas e culposas 
 
a) Conduta dolosa.

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