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apostila OAB

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penal = tipicidade formal + tipicidade conglobante: 
 
a) Tipicidade formal ou legal. É a adequação perfeita da conduta do agente ao modelo 
Abstrato previsto na lei penal (tipo); 
 
b) Tipicidade Conglobante. Subdivide-se em: 
 
Tipicidade material. A conduta, além de sua adequação formal, deve ser materialmente lesiva a bens 
jurídicos relevantes para a sociedade. Os comportamentos normalmente permitidos são 
materialmente atípicos. A ausência de tipicidade material leva à atipicidade da conduta. Não se 
confunde com causas de justificação. Exemplo comparativo: lesões corporais decorrentes de legítima 
defesa e de ponta-pé em jogo de futebol. A tipicidade material pode ser excluída com base nos 
princípios da adequação social da conduta (há divergência doutrinária) e o da insignificância penal, 
já estudados acima; 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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Antinormatividade. Significa que o fato para ser típico, além de ser formal e materialmente típico 
não pode ser imposto ou fomentado pelo Estado, isto é, não pode estar determinado ou permitido por 
outro ramo do sistema jurídico. Isto quer significar que o sistema jurídico, perfeito como deve ser, 
não pode possuir normas antagônicas, uma permitindo e outra proibindo determinadas condutas. 
 
Ex. No caso de guerra declarada, a execução da pena de morte pelo carrasco não deve ser analisada 
sob o enfoque da excludente da ilicitude, estrito cumprimento do dever legal, e sim dentro do âmbito 
da própria tipicidade, uma vez que ao carrasco está determinado pelo Estado o comportamento de 
retirar a vida do condenado. Seria ilógico que o seu comportamento fosse considerado típico. 
Devemos concluir que a proibição de matar, nos casos em que a lei prevê, não se dirige ao carrasco. 
Portanto sua conduta não seria antinormativa, contrária à norma, sim de acordo, imposta pela norma. 
O conceito de antinormatividade, esvazia um pouco as causas de justificação, especificamente de 
estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito. 
Portando, para concluirmos pela tipicidade, necessário é que, além da tipicidade formal, esteja 
presente também a tipicidade conglobante. Só assim o fato poderá ser considerado penalmente típico. 
 
17.5.4. Juízo de adequação típica. O juízo de adequação típica é realizado de duas maneiras, a saber: 
 
a) Adequação típica de subordinação imediata ou direta, que ocorrerá quando houver perfeita 
adequação entre a conduta do agente e o tipo penal incriminador. No homicídio, por exemplo, haverá 
essa adequação quando houver a morte da vítima. 
 
b) Adequação típica de subordinação mediata ou indireta, que ocorrerá quando o comportamento 
do agente não se adeqüe de forma direta ao tipo penal, necessitando de uma complementação para 
que este juízo de adequação se complete. É o caso, por exemplo, da tentativa de homicídio, em que é 
necessária a norma de extensão prevista no art. 14, II do CP para a adequação do comportamento do 
agente ao tipo penal do artigo 121. 
 
17.5.5. Tipo total de injusto. Contém todos os elementos do tipo legal mais a nota da ilicitude, ou o 
fato é típico e ilícito, ou será um indiferente penal. (Assis Toledo). 
 
17.5.6. Injusto penal (injusto típico). Quando, após a análise do fato típico, reconhece-se que ele 
também é ilícito. Injusto penal é, portanto, o fato típico revestido de ilicitude (fato típico + ilícito). 
 
17.5.7. Tipo básico. É a forma mais simples da descrição da conduta (ex. matar alguém – art. 121); 
 
17.5.8. Tipo derivado. São os tipos que, em razão do acréscimo de determinadas circunstâncias em 
relação ao tipo básico, podem diminuir ou aumentar a pena. (homicídio qualificado, art. 121, 
parágrafo 2°, do C). 
 
17.5.9. Tipo complexo. É o que possui elementos de natureza objetiva e subjetiva. 
Elementares. São dados essenciais à figura típica, sem os quais ocorre uma atipicidade absoluta ou 
uma atipicidade relativa. Atipicidade absoluta ocorre por faltar uma elementar indispensável ao tipo 
e o fato praticado pelo agente se torna um indiferente penal. Por exemplo: se alguém subtrai o próprio 
relógio o fato não constitui crime, por faltar a elementar alheia. Atipicidade relativa ocorre pela 
ausência de uma elementar, desclassificando o delito para outra figura típica. Por exemplo: o 
funcionário público, que não se valendo da facilidade que o cargo lhe proporciona, subtrai um 
 
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computador da repartição, o fato que, a princípio é peculato, pela ausência da elementar facilidade do 
cargo, transforma-se em furto (art. 155). 
 
17.5.10. Tipo fechado. Conduta proibida descrita integralmente pela lei (vg matar alguém). 
 
17.5.11. Tipo aberto. É aquele que necessita de complementação de uma norma de caráter geral, que 
se encontra fora do tipo (vg art. 129, §6°, c/c art. 18, II). 
17.5.12. Elementares que integram o tipo penal. 
 
a) Elementos objetivos. São os que têm a finalidade de descrever a ação, o objeto da ação e, em 
sendo o caso, o resultado, as circunstâncias externas do fato e a pessoa do autor e da vítima. Podem 
ser divididos em descritivos e normativos. 
 Elementos descritivos. São aqueles que têm a finalidade de traduzir o tipo penal, isto é, de 
evidenciar aquilo que pode, com simplicidade, ser percebido pelo infrator. 
 Elementos normativos. São aqueles traduzidos e criados por uma norma ou que, para sua 
efetiva compreensão, necessitam de uma valoração por parte do intérprete, através de uma 
valoração ética e jurídica. Geralmente estão inseridos no texto legal através das seguintes 
expressões: injustamente, sem justa causa, sem autorização, coisa alheia, dignidade, decoro, 
etc. 
b) Elementos subjetivos. São os elementos integrantes do tipo penal que não são visíveis ao 
intérprete e que fazem parte do elemento anímico do agente. Elementos subjetivos do tipo são o dolo 
e a culpa, e, para alguns autores o elemento subjetivo do injusto ou dolo específico, também 
conhecido com o fim especial de agir. 
 
17.5.13. Elementos específicos do tipo penal. 
 
a) Núcleo. É o verbo que descreve a conduta proibida pela lei penal. Tem a finalidade de evidenciar 
a ação que se procura evitar ou impor. Há tipos penais que são uni - nucleares (matar alguém – art. 
121) e há tipos que são pluri-nucleares (art. 28 da lei n. 11.340/2006). 
b) Sujeito ativo. É aquele que pode praticar a conduta descrita no tipo. 
c) Sujeito passivo. Pode ser formal ou material. Formal será sempre o Estado, que sofre toda vez que 
suas leis são desobedecidas. Material é o titular do bem ou interesse jurídico tutelado sobre o qual 
recai a conduta criminosa, que, em alguns casos, poderá ser também o Estado. 
d) Objeto material. É a pessoa ou coisa contra a qual recai a conduta criminosa do agente. Ex. no 
furto, o objeto material do delito será a coisa alheia móvel subtraída pelo agente; no homicídio, será 
o corpo humano, etc. 
 
17.5.14. Funções do tipo penal. 
 
a) Garantidora. Exerce o tipo penal função garantidora no sentido de que o agente só pode ser 
penalmente responsabilizado se cometer uma das condutas proibidas ou deixar de praticar uma 
daquelas impostas pela lei. É função garantista do princípio da reserva legal; 
b) Função fundamentadora. No sentido que todas as decisões proferidas pelo Estado-Juiz

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