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devem 
encontrar fundamento no tipo penal, devem nele ser fundamentadas. 
c) Função selecionadora de condutas. Só ao tipo penal compete selecionar condutas puníveis e 
impor a respectiva sanção pela sua desobediência. 
d) Função indiciária da ilicitude. No sentido de que, em sendo típico o fato, é presumível que 
também será ele ilícito. 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
 
18. CRIMES DOLOSOS 
 
Art. 18 - Diz-se o crime: 
Crime doloso 
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; Crime 
culposo 
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência 
ou imperícia. 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato 
previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. 
 
18.1. Conceito de Dolo. É à vontade e a consciência dirigidas a realizar a conduta prevista no tipo 
penal incriminador, formado por um momento intelectivo – consciência e conhecimento do que se 
quer – e por um momento volitivo – manifestado pela decisão a respeito de querer realizá-lo. 
(elementos do dolo). 
 
18.2. Dolo no Código Penal. Dispõe o artigo 18 do Código Penal: Salvo os casos expressos em lei, 
ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando praticado dolosamente. 
Portanto a regra é que o crime só seja punível a título de dolo, direto ou eventual, à exceção que seja 
punível a título de culpa. 
 
18.3. Teorias sobre o dolo. 
a) Teoria da Vontade. Segundo esta teoria, dolo seria tão-somente a vontade livre e consciente de 
querer praticar a infração penal, isto é, de querer levar à efeito a conduta prevista no tipo penal. Há 
dolo quando se pratica a ação consciente e voluntariamente. 
b) Teoria da representação. Há dolo toda vez que o agente tiver tão somente a previsão do resultado 
como possível e, ainda assim, decidir pela continuidade de sua conduta. Esta teoria não distingue dolo 
eventual de culpa consciente. 
c) Teoria do assentimento (consentimento). Há dolo quando o agente consente em causar o 
resultado mesmo que não o queira. O agente não quer o resultado, mas assume o risco de sua produção. 
d) Teoria da probabilidade. Esta teoria trabalha com dados estatísticos, no sentido de se o 
comportamento do agente, estatisticamente, possuir grande probabilidade de causar o resultado, 
estaríamos diante do dolo eventual. Peca esta teoria por ausência de aferição do elemento volitivo do 
dolo. 
 
Obs. 1: O Código Penal adotou a teoria da vontade quanto ao dolo direto e a teoria do assentimento 
quanto ao dolo eventual. 
 
Obs. 2: O dolo abrange não só o objetivo do agente, como também os meios empregados e as 
conseqüências secundárias. O dolo deve alcançar, em regra, todos os elementos da figura típica 
(descritivos, normativos, subjetivos), bem como as circunstâncias agravantes, as causas de aumento 
de pena e as qualificadoras, qualquer desconhecimento por parte do agente de qualquer destas 
circunstâncias, leva ao erro de tipo. 
 
18.4. Espécies de dolo 
 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
a) Dolo direto. Quando o agente que, efetivamente, cometer a infração penal, como preceitua a 
primeira 
parte do art. 18, I do CP. Segundo Cezar Roberto Bitencourt, subdivide-se em: 
Dolo direto de 1o grau. Tem por conteúdo o fim proposto e os meios escolhidos pelo autor, que pode 
ser entendido como pretensão dirigida ao fim ou ao resultado típico, ou como pretensão de realizar a 
ação ou o resultado típico. Exemplo: o agente atira com o único propósito de matar, e mata. 
Dolo direto de 2o grau. Compreende os efeitos colaterais, representados como necessário pelo 
agente para a prática da conduta criminosa. O desejo imediato do agente não é o fato típico em si, 
mas este se antepõe de tal forma como inevitável; exemplo: Ex. alguém, com a finalidade de matar 
um chefe de governo estrangeiro, coloca uma bomba no avião em que este viajava, certo de que a 
tripulação morrerá (o homicídio decorre de dolo direto de 2o grau). O dolo é de primeiro grau em 
relação ao chefe de governo estrangeiro e de segundo grau em relação à tripulação. 
b) Dolo indireto. Ocorre quando a vontade do sujeito não se dirige a certo e determinado resultado. 
Divide-se em alternativo, na hipótese em que a vontade é dirigida a um ou outro resultado, e em 
eventual, quando o agente assume o risco de produzir o resultado. 
c) Dolo genérico. É a vontade de realizar fato descrito na norma penal incriminadora. Ex. no 
homicídio é a vontade de matar. 
d) Dolo específico. É o fim especial ou a tendência pela qual o agente quis praticar a conduta descrita 
pelo tipo penal. (ex. pra si ou para outrem, no crime de furto), isto é, é a vontade de praticar um fato 
e produzir um fim especial. A pergunta que se deve fazer é: para quem se furtou? Resposta: para si 
ou para outrem. 
e) Dolo geral (hipótese de erro sucessivo). Ocorre quando o agente, com a intenção de praticar 
determinado crime, realiza certa conduta capaz de produzir o resultado, e, logo depois, na crença de 
que o evento já se produziu, empreende nova ação que realmente causa o resultado. Ex. o agente que, 
após efetuar vários golpes de faca contra a vítima, na crença de tê-la matado, a atira ao rio, matando-
a por afogamento. Responde por homicídio. 
f) Dolo normativo (dolus malus). É o dolo que, segundo a teoria neoclássica, está localizado na 
culpabilidade ao lado da imputabilidade e da exigibilidade de conduta diversa. Neste tipo de dolo 
haveria um elemento normativo, carregado de consciência da ilicitude, que pode ser real (teoria 
extrema do dolo) ou potencial (teoria limitada do dolo). 
 
Obs.: Diferença entre dolo e consciência da ilicitude. O dolo não necessita do conhecimento da 
ilicitude, pois, segundo a teoria final da ação integra o tipo e o potencial consciência da ilicitude é 
elemento constitutivo normativo da culpabilidade. A inexistência de dolo importa em atipicidade do 
fato, já a ausência de consciência da ilicitude, exclui o crime por ausência de seu terceiro elemento 
que é a culpabilidade. O fato continua típico, mas não há crime por ausência de culpabilidade. 
Exemplos: estrangeiro que faz uso de entorpecente no Brasil na crença de que não há proibição para 
tanto, já que em seu país é permitido. 
 
19. CRIME CULPOSO 
 
19.1. Conceito de culpa. É a conduta humana (ou não) voluntária (ação ou omissão) que produz 
resultado antijurídico não querido, mas previsível, e excepcionalmente previsto, que podia, com a 
devida atenção, ser evitado. Portanto, para a caracterização do fato típico culposo é preciso a 
conjugação de vários elementos, a saber: 
 
a) Conduta humana voluntária comissiva ou omissiva; 
b) Inobservância do cuidado objetivo, manifestada através da imprudência, negligência ou imperícia; 
 
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c) Resultado lesivo não querido, tampouco assumido, pelo agente; 
d) Nexo de causalidade entre a conduta do agente que deixa de observar o seu dever de cuidado e o 
resultado lesivo dela advindo; 
e) Previsibilidade objetiva que é a possibilidade de ser antevisto o resultado, nas condições em que o 
sujeito se encontrava;

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