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XVI – EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES............................................219 
 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
PARTE GERAL –Art. 1 ao 120 do CP 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1. Conceito de direito penal: É o ramo do direito público que define as infrações penais (crimes e 
contravenções penais), estabelecendo as sanções penais (penas e medidas de segurança) aplicáveis 
aos infratores. 
1.2. Direito penal objetivo: É o conjunto de normas penais editadas pelo Estado definindo crimes e 
contravenções penais, isto é, impondo ou proibindo determinadas condutas sob ameaça de sanção ou 
medida de segurança, bem todas as outras que cuidem de questões de natureza penal, v.g., excluindo 
o crime, isentando de pena, explicando determinados tipos penais. 
1.3. Direito penal subjetivo: É o direito de punir que surge para o Estado com a prática de uma 
infração penal. É a possibilidade que tem o Estado de criar e fazer cumprir suas normas, executando 
as decisões condenatórias proferidas pelo Poder Judiciário. É o próprio jus puniendi, que se classifica 
em positivo, compreendido como o poder que tem o Estado de criar tipos penais e executar suas 
decisões condenatórias e negativo consubstanciado na faculdade que tem este mesmo Estado de 
derrogar preceitos penais e também restringir o alcance das figuras delitivas. 
1.4. Legislação penal brasileira: Código Penal e leis especiais (ex.: LCP, Abuso de Autoridade, Lei 
de Tóxicos, Sonegação Fiscal, Porte de Arma, Crimes de Trânsito etc.). 
1.5. Finalidade do direito penal: É a “tutela jurídica”, ou seja, a proteção aos bens jurídicos. Nas 
precisas lições de Nilo Batista, “a missão do direito penal é a proteção de bens jurídicos, através da 
cominação, aplicação e execução da pena.”1. A pena é simplesmente o instrumento de coerção de 
que se vale a lei penal para a proteção destes bens, valores e interesses que são considerados os mais 
significativos para a sociedade. 
 
2. FONTES DO DIREITO PENAL 
 
2.1 Conceito. Fonte, no seu sentido mais amplo, quer dizer o lugar de procedência, de onde se origina 
alguma coisa. Fontes no direito como sistema são todas as formas pelas quais são criadas, modificadas 
ou extintas as normas de um determinado ordenamento jurídico. Nos dizeres de Carlos Fontán 
Balestra, podemos falar “em fontes do direito, atribuindo-se à palavra uma dupla significação: 
primeiramente, devemos entender por fonte o sujeito que dita ou do qual emana as normas jurídica; 
em segundo lugar, o modo ou meio pelo qual se manifesta a vontade jurídica, quer dizer, a forma 
como o Direito Objetivo se cristaliza na vida social. Esse duplo significado dá lugar à distinção entre 
fontes de produção e fontes de cognição ou conhecimento.”2. Assim, as fontes do direito penal, 
seguindo esta orientação, divididas em: 
 
a) Fontes de produção ou materiais. Sempre o Estado, através da união federal que tem competência 
privativa pra legislar em matéria penal (art. 22, I, CF). 
b) Fontes de conhecimento ou formais, subdivididas em diretas e indiretas. 
 
Fonte direta do direito penal é somente a lei. Para sabermos se determinada conduta praticada por 
alguém é proibida pelo direito penal, devemos recorrer exclusivamente à lei, pois que somente a ela 
cabe a tarefa, em obediência ao princípio da legalidade, de proibir comportamentos sob ameaça de 
pena. 
 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
Fontes mediatas ou indiretas do direto penal são os costumes e os princípios gerais do direito. 
Nos dizeres de Mirabete, “o costume é uma regra de conduta praticada de modo geral, constante e 
uniforme, com a consciência de sua obrigatoriedade.”3 Têm como finalidade auxiliar o intérprete a 
traduzir conceitos, tais como o repouso noturno, honra etc., para um perfeito enquadramento do fato 
ao tipo penal. Princípios gerais do direito são os que se fundam em premissas éticas extraídas do 
material legislativo e que serão analisados mais detidamente, em capítulo próprio - ex. princípio da 
insignificância. 
 
Fontes do direito penal na visão do STF: 
Segundo oritentação do STF, as fontes do direito penal possuem uma uma diversa da 
apresentada pela doutrina tradicional até o momento, tratando como fontes diretas de 
conhecimentos outros institutos que não só a lei. Assim, de acordo com a suprema corte, 
poderímas classificar as fontes do direito penal nos seguintes termos: 
 
1 - Imediata: 
a) Direito incriminador: lei, ato administrativos complementares na normas penais em branco 
(portaria do m. saúde). 
b) Direito não incriminador: constituição, tratados internacionais, lei e jurisprudência (súmula 
vinculante). 
 
2 - Mediata: 
a) costumes 
b) princípios gerais de direito. 
 
Por sua vez os costumes são assim classificados? 
 
a) Contra legem - Inaplicabilidade da norma jurídica pelo desuso, pela inobservância constante e 
uniforme da lei (jogo do bicho). Inaceitável, porquanto não pode revogar a lei (art. 2o, §1o, LICC – 
Decreto-lei no 4.657/42). 
b) Secundum legem - Orienta a aplicação da lei penal, sempre de acordo com o caso concreto. 
c) Praeter legem – Objetiva preencher as lacunas e especifica o conteúdo da norma (vg honra, 
dignidade, decoro – art. 140). 
 
Obs.1: Através do costume não se pode criar delitos nem cominar penas – princípio da reserva legal 
( art. 5o, inc. XXXIX, CF ). Isto porque o artigo 2°, caput, da Lei de Introdução ao Código Civil, de 
forma clara e precisa determina: “não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que 
outra a modifique ou revogue.” Ex. em que pese ser corriqueiro em nossa sociedade a pratica do 
chamado Jogo do Bicho, não há possibilidade de se deixar de aplicar a lei de contravenções penais a 
esta prática sob o argumento que é conduta costumeira praticada de forma reiterada pela sociedade. 
 
Obs. 2: Alguns autores, a exemplo de Luiz Régis Prado, acrescentam como fontes formais mediatas 
do direito penal a doutrina e a jurisprudência. 
 
3. DA NORMA PENAL 
 
3.1. Introdução. 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
De acordo com o princípio da reserva legal, corolário do princípio da legalidade, em matéria penal, 
pelo fato de lidarmos com o direito de liberdade do cidadão, pode-se tudo aquilo que não esteja 
expressamente proibido em lei, uma vez que, segundo o inciso XXXIX, do artigo 5°, da Constituição 
Federal, e o artigo 1° do Código Penal, não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem 
prévia cominação legal. 
Isso quer significar que, embora a conduta do agente possa até ser reprovável socialmente, se não 
houver um tipo penal incriminador proibindo-a, ele poderá praticá-la sem que lhe seja aplicada 
qualquer sanção de caráter penal. A lei, portanto, é a bandeira maior do Direito Penal. Sem ela, 
proibindo ou impondo condutas, tudo é permitido. 
A proibição e o mandamento, que vêm inseridos na lei, são reconhecidos como normas penais, 
espécies do gênero norma jurídica que são aquelas cuja execução é garantida por uma sanção externa 
e institucionalizada. 
 
3.2. Características: 
 
a) Exclusividade: Somente a norma penal define crimes e comina penas (princípio da legalidade);

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