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b) Imperatividade: A norma penal é imposta a todos, independentemente de sua vontade; 
c) Generalidade: A norma penal vale para todos (“erga omnes”);; 
d) Impessoalidade: A norma penal é abstrata, sendo elaborada para punir acontecimentos futuros e 
não para punir pessoa determinada. 
 
3.3. Classificação das normas penais: 
 
3.3.1. Normas penais incriminadoras. São as normas para as quais são reservadas as funções de 
definir as infrações penais, proibindo ou impondo condutas, sob ameaça de pena. São normas penais 
em sentido estrito, proibitivas ou mandamentais. 
Preceitos da norma penal incriminadora: 
 
a) Preceito primário (preceptum juris): É encarregado de fazer a descrição detalhada e perfeita da 
conduta que se procura proibir ou impor (art. 155 do CP: subtrair para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel). 
b) Preceito secundário (sanctio juris): Encarregado de individualizar a pena, estipulando-a em 
abstrato (art. 155 do CP: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa) 
 
3.3.2. Normas penais não incriminadoras. São as normas penais para as quais foram atribuídas as 
finalidades de tornar lícitas determinadas condutas; afastar a culpabilidade do agente; esclarecer 
determinados conceitos; e fornecer princípios gerais pra a aplicação da lei penal, subdivididas em: 
 
a) Permissivas justificantes, quando tem por finalidade afastar a ilicitude da conduta do agente (arts. 
23, 24 e 25 do CP) 
b) Permissivas exculpantes, quando se destinam a eliminar a culpabilidade, isentando o agente de 
pena (ex., art. 26, caput, e 28 parágrafo 1°, do CP) 
c) Explicativas, são aquelas que visam esclarecer ou explicar conceitos (arts. 327, e 150, parágrafo 
4°, do CP) 
d) Complementares, são as que fornecem princípios gerais para a aplicação da lei penal (art. 59 do 
CP) 
 
3.3.3. Norma penal em branco ou primariamente remetidas 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
 
a) Conceito. São aquelas que, embora completo o preceito secundário, a descrição da conduta é vaga, 
incompleta, necessitando, pois, de complementação de outra disposição legal ou regulamentar (lei, 
decreto, regulamento, portaria, etc), Segundo Assis Toledo, “são aquelas que estabelecem a 
cominação penal de forma completa, mas remetem a complementação da descrição da conduta 
proibida para outras normas legais, regulamentares ou administrativas.” 
 
b) Classificação: 
 
Normas penais em branco em sentido amplo ou homogêneas: Quando o complemento é oriundo 
da mesma fonte legislativa que editou a norma que necessita deste complemento (art. 297 a 302, 304, 
CP). A norma complementar é também lei, assim como a norma penal em branco. Ambas têm origem 
no Congresso Nacional. As normas penais em Branco homogênas, por sua vez podem ser assim 
classificadas: 
 
- Homo ou univitelina: quando o complemeno está dentro da mesma lei. Art. 312 e 327 
do CP 
- Hétero ou bivitelinas: quando o complemento advém de outra lei. Ex. Art. 236 do CP e 
CC 
 
Normas penais em branco em sentido estrito ou heterogêneas: Quando o complemento provém 
de fonte formal diversa (vg art. 32 da Lei n. 9.605/98). Neste caso, a norma complementar, 
integradora da norma penal em branco, é ato do poder público, mas não tem a mesma origem da lei, 
pois constitui, em regra, ato da autoridade administrativa. 
 
Observação 1. Há distinção entre norma penal em branco e tipos abertos. Em ambas as hipóteses a 
descrição é vaga. Nos tipos abertos, porém, a complementação é realizada pela jurisprudência e pela 
doutrina, por não conterem a determinação dos elementos do dever jurídico cuja violação significa 
realização do tipo, tal como ocorre nos crimes culposos e nos crimes omissivos impróprios. Já em 
relação à norma penal em branco, o complemento decorre sempre de ato do poder público. 
 
Observação 2. Há divergência doutrinária quanto à ofensa ao princípio da legalidade pelas normas 
penais em branco em sentido estrito, prevalecendo entendimento no sentido de que não há tal 
incompatibilidade, uma vez que o próprio legislador permitiu tal construção legal. 
 
3.3.4. Normas penais incompletas ou imperfeitas são aquelas que para saber a sanção imposta pela 
transgressão de seu preceito primário o legislador nos remete a outro texto de lei. Pela leitura do tipo 
penal incriminador, verifica-se o conteúdo da proibição ou do mandamento, mas para se saber a 
conseqüência jurídica é preciso se deslocar a outro tipo penal. (art. 304 do CP) 
Observação: anomia ocorre quando para determinada conduta não existe nenhuma norma legal que a 
proíba, ou quando exista tal norma a sociedade não lhes dá o devido valor, desrespeitando-a; 
antinomia éa situação que se verifica entre duas normas incompatíveis, pertencentes ao mesmo 
ordenamento jurídico e tendo o mesmo âmbito de validade. 
 
4. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEI PENAL 
 
Interpretar é buscar o efetivo alcance da norma. É procurar descobrir aquilo que ela tem a nos dizer 
com maior precisão possível. Como toda norma jurídica, a norma penal não pode prescindir do 
 
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processo exegético, tendente a explicar-lhe o verdadeiro sentido, o justo pensamento, a real vontade, 
a exata razão finalística, quase nunca devidamente expressos com todas as letras. 
 
4.1. Espécies de interpretação. 
 
a) Quanto ao sujeito que interpreta a lei: 
 
Autêntica – É dada pela própria lei, a qual, em um dos seus dispositivos, esclarece determinado 
assunto. Subdivide-se em contextual, que é realizada no mesmo momento em que é editado o 
diploma legal que se procura interpretar (ex. artigo 327 do CP) e posterior, quando a interpretação é 
realizada pela lei depois da edição de um diploma legal anterior; 
Doutrinária – É feita pelos estudiosos, professores e autores de obras de direito, através de seus 
livros, artigos, conferências, palestras etc. É conhecida como communis opinio doctorum. Não é de 
obediência obrigatória. 
Judicial – É feita pelos tribunais e juízes em seus julgamentos, realizada intra-autos, ou seja, sempre 
no bojo dos processos, nunca fora deles. Não vincula a decisão dos demais juízes e tribunais, devendo-
se levar em consideração que a o artigo 103-A, acrescido pela EC n. 45 de 2004, concedeu efeito 
vinculante às súmulas editadas pelo Supremo Tribunal Federal, quando editadas com esta finalidade. 
 
b) Quanto ao modo: 
 
Gramatical – Leva em conta o sentido literal das palavras contidas na lei. Ex. o significado da 
expressão alguém no crime de homicídio – art. 121 do CP; 
Teleológica – Busca descobrir o seu significado através de uma análise acerca dos fins a que ela se 
destina. A interpretação lógica ou teleológica consiste na indagação da vontade ou intenção realmente 
objetivada na lei e para cuja revelação é, muitas vezes, insuficiente a interpretação gramatical. Ex. 
art. 59 do CP; 
Histórica – avalia os debates que envolveram sua aprovação e os motivos que levaram à apresentação 
do projeto de lei; 
Sistemática – Busca o significado da norma através de sua integração com os demais dispositivos de 
uma mesma lei e com o sistema jurídico como um todo. Nesta interpretação o intérprete deve levar 
em consideração o dispositivo legal no qual está contido, e não de forma isolada. Interpreta-se com 
os olhos voltados para o todo, e não somente parte

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