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apostila OAB

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pela impossibilidade de graduação dentro do próprio tipo, cabe ao juiz, 
dentro de uma acurada técnica de hermenêutica, afastar do alcance do Direito Penal as condutas que 
violem bens dessa natureza. 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
Desta forma, para que possamos saber qual é, de fato, a integridade corporal a ser protegida pelo 
artigo 129 do CP, devemos nos recorrer a um estudo aprofundado da tipicidade penal. Por primeiro 
devemos indagar: a tutela penal prevista no artigo 129, parágrafo 6°, do CP, abrage a conduta do 
agente que, negligentemente, ao dar ré em seu veículo automotor para sair de casa, causa pequeno 
arranhão de 2 cm em um pedestre que transitava pela calçada? (exemplo trazido por Rogério Greco). 
Segundo este autor, a primeira pergunta que nos deve vir à mente é a seguinte: será que o condutor 
do veículo ofendeu culposamente a integridade física daquele pedestre, devendo, portando, responder 
pelo fato praticado nos termos do artigo 303 do Código de Trânsito Brasileiro, que prevê 
expressamente tal infração penal? Obviamente que não, o que torna o fato atípico, por ausência de 
tipicidade material (matéria a ser analisada mais detalhadamente em capítulo próprio). 
 
O princípio da insignificância encontra na doutrina moderna a seguinte classificação: 
 
- Insignificância própria: torna o fato atípico por ausência de tipicidade material. Para 
que seja reconhecido a insignifiância prória é necessário que a conduta do agente seja 
pouco reprovável perante a sociedade (ausência de reiteraçãou, ou seja, que o fato seja 
isolado. Ex. um único furto) e que a lesão ao bem jurídico também seja mínima (Ex. 
subtração de um frasco de shampoo no valor de 5 reais de uma grande rede de 
supermercado). Para o reconhecimento, portanto, é indispensável a presença dos 
requisitos. 
- Insgnificância imprópria: nesta hipótese o fato praticado pelo agente é crime, ou seja, 
típico, ilícito e culpável. Entretanto a pena se apresenta desnecessária em razão de vários 
fatores legais ou supra legais. Ex. escusa absolutória prevista no artigo 181 do CP. Nesta 
hipótese, quando o ascendente subtrai do ascentente, sem violência ou grave ameaça, em 
que pese o crie existir, o legislador, por questão de política criminal, deixa de aplicar a 
pena. 
 
Requisitos para o reconhecimento do princípio da insignificância na visão do STF: 
 
d) Princípio da fragmentariedade 
 
O caráter fragmentário do Direito Penal significa que uma vez escolhidos os bens jurídicos 
fundamentais tuteláveis por este ramo do ordenamento jurídico, eles passarão a fazer parte de uma 
pequena parcela que é protegida pelo Direito Penal. É uma conseqüência lógica da adoção do 
princípio da intervenção mínima. 
 
5.2. Princípio da individualização da pena. 
 
Art. 5°, XLVI, da Constituição Federal cuida do referido princípio, assim 
preconizando: 
“a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
Privação ou restrição de liberdade; Perda de bens; 
Multa; 
Prestação de social alternativa; Suspensão ou interdição de direitos.” 
 
Desta forma, podemos concluir que a individualização da pena ocorre em dois momentos, a saber: 
 
 
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a) Quando o legislador, para a conduta punível, escolhe a pena necessária e suficiente pra reprovação 
e prevenção da infração penal em abstrato, cominando pena mínima e máxima em seu preceito 
secundário, que variam de acordo com a importância do bem a ser tutelado. É o momento político de 
individualização da pena. 
 
Ex. Art. 121. Matar alguém. 
Pena – reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos. 
 
b) Quando feito pelo julgador e leva em consideração o fato concreto, obedecendo-se ao critério 
trifásico do artigo 68 do CP. 
 
5.3. Princípio da proporcionalidade 
 
Da mesma forma que o princípio da individualização da pena, o princípio da proporcionalidade é 
dirigido tanto ao legislador quando ao juiz. Segundo este princípio, a pena aplicável ao cidadão deve 
ser, essencial, pública, pronta, necessária, suficiente, a menor das penas aplicáveis nas circunstâncias 
referidas, proporcional ao delito e determinada por lei. 
Ao legislador cabe procurar alcançar a proporcionalidade em abstrato, cominando penas semelhantes 
a fatos semelhantes e penas distintas a fatos igualmente distintos em gravidade. Ao julgador cabe 
velar pela proporcionalidade em concreto, nos moldes do artigo 68 do CP. Assim, por exemplo, se 
depois de analisar, isoladamente, as circunstâncias judiciais, o juiz concluir que todas são favoráveis 
ao agente, jamais poderá determinar a pena-base na quantidade máxima cominada ao delito por ele 
cometido, o que levaria, ao final de todas as três fases, a aplicar uma pena desproporcional ao fato 
praticado. 
 
5.4. Princípio da responsabilidade pessoal 
 
Previsto no inc. XLV do artigo 5°, da Constituição Federal, nos seguintes termos: 
“Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de 
Reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, 
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do 
patrimônio transferido.” 
 
Em virtude de tal princípio, também conhecido como princípio da pessoalidade ou da 
intranscendência da pena, somente o condenado é que terá de se submeter a sanção que lhe foi imposta. 
Isto significa que em matéria penal, somente ele, e mais ninguém, poderá responder pela infração 
penal praticada. Qualquer que seja a natureza da penalidade aplicada (privativa de liberdade, restritiva 
de direitos ou multa) somente o condenado é que poderá cumpri-la. 
O princípio da personalidade da pena, entretanto, possui exceções. A primeira de ordem legal 
constitucional, quando permite que a pena de perda de valores ou bens possa ser executada contra os 
herdeiros do sentenciado, até o montante do patrimônio transferido. E a segunda de ordem prática, 
quando não impedem que uma terceira pessoa efetue o pagamento das penas consideradas pecuniárias 
impostas ao condenado (multa e prestação pecuniária estrictu sensu). 
 
5.5. Princípio da Limitação das Penas 
 
É a própria Constituição Federal que, visando impedir qualquer tentativa de retrocesso quanto à 
cominação das penas levadas a efeito pelo legislador e para atender a um dos fundamentos de nosso 
 
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Estado Democrático de Direito, previsto no inc. III, do artigo 1° (dignidade da pessoa humana), que 
preceitua no inc. XLVII do art. 5°: 
 
“Não haverá penas: 
De morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; 
De caráter perpétuo; 
De trabalhos forçados; 
De banimento; 
Cruéis.” 
 
5.6. Princípio de humanidade 
 
Com base neste prinçipio a Constituição Federal afasta, expressamente, qualquer pena ou método que 
possa infligir padecimento físico ou moral ao ser humano. São vedadas as galés, banimentos, torturas 
e outras penas desta espécie. A constituição Federal garante aos presos o respeito à integridade física 
e moral (art. 5o, XLIX), condições para que as presidiárias possam permanecer com seus filhos 
durante o período de amamentação (L), além

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