Introdução a sistematica classificação dos seres vivos e principais grupos
5 pág.

Introdução a sistematica classificação dos seres vivos e principais grupos


DisciplinaBotânica4.195 materiais25.395 seguidores
Pré-visualização2 páginas
1. Introdução à Sistemática: classificação dos seres vivos e principais grupos
Faz parte da natureza humana a busca pela organização e consequente classificação, o ser humano classifica as coisas porque isso as torna mais fáceis de serem entendidas. As ciências que tratam esse aspecto é a sistemática e taxonomia. O estudo da sistemática e taxonomia da diversidade biológica envolve diferentes abordagens, enquanto a sistemática aborda a diversidade e relações de parentesco entre os organismos, a taxonomia aborda normas de nomenclatura e de classificação dos organismos.
As regras de nomenclatura científica são atribuídas a Carl Linnaeus e seus precursores. Entre as regras está o fato que todo nome científico deve ser escrito em latim ou ser latinizado. O nome deve ser grifado ou impresso em itálico. Toda espécie recebe dois nomes (nomenclatura binominal): o primeiro refere-se ao gênero e o segundo, à espécie. O gênero deve ser escrito com inicial maiúscula. A espécie deve ser escrita com inicial minúscula. Quando ocorrer subespécie (variedade), a nomenclatura passa a ser trinominal.
Um táxon (táxon em Latim) é um grupo formado por grupamentos de organismos como, por exemplo: Reino Plantae, Filo Lycopodiophyta, Família Lycopodiaceae, Gênero Lycopodium. Os sistemas de classificação devem conter as categorias taxonômicas organizadas hierarquicamente dentro das quais diferentes grupos de organismos devem ser situados.
Algumas regras básicas devem ser observadas para o uso correto da Nomenclatura Botânica para que haja a universalização dos nomes dados aos diferentes táxons. Os nomes científicos de plantas seguem o \u201cCódigo Internacional de Nomenclatura Botânica\u201d que é atualizado durante os Congressos Internacionais de Botânica.
Os termos classificação e identificação também geram confusão e devem ser bem compreendidos. A classificação de um organismo consiste em enquadrá-lo em táxons apropriados, o que é necessário no caso do descobrimento de espécies novas ou de modificações na classificação já existente. A identificação de um organismo consiste em verificar em que táxons o organismo está classificado, ou seja, deve ser um organismo já descrito anteriormente. A unidade de classificação é representada pela espécie, definida como um conjunto de indivíduos semelhantes entre si, capazes de cruzar e produzir descendentes férteis. A palavra táxon tem como plural táxons (taxa em Latim).
O ICBN (Código Internacional de Nomenclatura Botânica) atual reconhece sete grande categorias (Reino, Filo ou Divisão, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie), mas permite a inserção de categorias intermediárias, adicionando o prefixo \u201csub\u201d.
Gêneros semelhantes formam um grupo maior: a família. As famílias formam a ordem. As ordens formam a classe. As classes forma o filo Os filos, finalmente formam o reino. ?As seguintes terminações dos nomes designam as categorias taxonômicas:
Reino,com a terminação ae (Plantae)
Filo ou Divisão - com a terminação phyta
Classe - com a terminação opsida
Ordem - o nome deriva do nome de uma das principais famílias, com adição da terminação ales.
Família - nome derivado de um gênero vivo ou extinto com a terminação aceae.
Tribo - a mesma raiz com a terminação eae.
Gênero e Espécie não apresentam sufixos de terminação.
Inicialmente, todos os seres vivos eram classificados como plantas ou animais, mas, após a invenção do microscópio, descobriu-se um mundo de criaturas unicelulares, muitas vezes difíceis de serem classificadas dentro desses dois grandes grupos. Foi criada uma terceira categoria de seres vivos, os protistas, para acomodar esses microorganismos. Cientistas do século IXX já tinham a percepção da importância de considerações evolutivas no estudo dos seres vivos. A árvore filogenética de Haeckel (1866), demonstra essa preocupação em relacionar os diferentes grupos de seres vivos.
A partir da visão clássica de Haeckel foi desenvolvido o esquema dos cinco reinos de Whittaker (1969), modelo que foi dominante até o a década de 1980. Monera (procariontes) - algas azuis. Protista (eucariontes unicelulares) - algas e fungos unicelulares. Plantae (eucariontes multicelulares autótrofos fotossintetizantes) - algas, briófitas, pteridófitas e plantas com sementes. Fungi (eucariontes multicelulares com nutrição heterótrofa absortiva) - fungos verdadeiros. Animalia (eucariontes multicelulares com nutrição heterótrofa ingestiva) \u2013 vertebrados e invertebrados.
Na década de 1970 houve um avanço metodológico de enorme impacto na biologia. Esse avanço foi a possibilidade de seqüenciamento de DNA. Em 1983, Woese utilizou o seqüenciamento de um gene universal (que codifica para o RNA da subunidade pequena do ribossomo) para construir uma árvore filogenética universal. Essa árvore, hoje amplamente aceita, divide os seres vivos em três grandes grupos, os eucariontes (Eucaria), as eubactérias (Bacteria) e as arqueobactérias (Archaea), sendo os dois últimos procariontes. A hipótese de Woese de classificação dos seres vivos em três domínios primários, baseia diversos estudos que têm sido realizados tentando verificar a relação entre esses domínios. Vários estudos têm postulado que as arqueobactérias e os eucariontes tiveram um ancestral comum sendo evolutivamente mais próximos do que ambos são das eubactérias. Entretanto, é possível que este cenário venha a se alterar com o aumento de sequências de DNA para um maior número de organismos.
Algumas classificações tem o foco nos eucariontes, como a proposta que tem sido bem aceita, propondo sete grandes grupos para classificar os eucariotos, entre eles está: Opistocontes, Amebozoa, Rhizaria, Archaeplastida, Alveolados, Extramenópilas e Discristados, além de outro grupo dentro de Excavados. Essa é a proposta aceita pela literatura atual de botânica e será aceito nos materiais que tratam o estudo da botânica de Criptógamas.
Tradicionalmente usamos o termo criptógamas (do grego cripto = oculto e gamos = união sexuada) de forma genérica para englobar algas, fungos, briófitas e pteridófitas. O termo foi utilizado inicialmente por Linaeu no século XVIII, para designar os vegetais cuja a frutificação não se distingue a olho nu. Embora perdure seu emprego para definir aqueles grupos, ele não é mais utilizado em sistemas de classificação atuais, pois engloba organismos bastante diversos e que não apresentam maiores afinidades filogenéticas. Em outras palavras, o termo não tem nenhum significado taxonômico. A diversidade de organismos estudados dentro de criptógamas é evidenciada, por exemplo, no sistema de classificação aceito, que evidencia o estudo de diversos grupos distintos sem grau de parentesco.
Diante dos comentários anteriores, em botânica de criptógamas abordaremos o estudo dos seres inclusos nos domínios procarióticos e eucarióticos. Entre os procarióticos abordaremos as cianobactérias, conhecidas como algas azuis. No domínio dos seres eucarióticos que incluem vários grupos, abordaremos os fungos verdadeiros (Reino Fungi), as algas consideradas protistas fotossintetizantes (Reino Protista), também as algas correlacionadas com as plantas (algas vermelhas algas verdes). Do Reino Plantae também serão abordadas as plantas terrestres avasculares conhecidas como briófitas e as plantas vasculares sem sementes conhecidas como pteridófitas, sendo que as classificações aqui adotadas tiveram base e foram adaptadas das propostas de Raven (2014).
Referências
Baldauf, S.L. 2003. The Deep Roots of Eukaryotes. Science 300: 1703-1706.
Judd, W.S.; Campbell, C.S.; Kellog, E.A., Stevens, P.F., Donoghue, M.J. 2009. Sistemática Vegetal \u2013 Um enfoque filogenético. 3ª ed. Editora Artmed, Porto Alegre.
Leedale, G.F. 1974. How many are the kingdoms of organisms? Taxon 23: 261-270.
Margulis, L. & Schwartz, K.V. 2001. Cinco reinos: um guia ilustrado dos filos da vida na Terra. 3a ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Oliveira, E.C. 2003. Introdução à biologia vegetal. 2a ed. EDUSP, São Paulo.
Raven, P.H.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2014. Biologia Vegetal.