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Livro- Texto - Unidade II fund

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a recreação pode ser exercida em águas fortemente 
ácidas, já que nossa pele não sofre influências negativas, principalmente pelo fato de que o próprio suor 
humano já é ácido. Cuidados devem ser tomados apenas com as mucosas e com a abertura dos olhos 
dentro da água. Deve‑se ressaltar que a água de chuva, em condições de equilíbrio químico, apresenta, 
naturalmente, um pH ácido (em torno de 5,6). No entanto, o fenômeno da acidificação de corpos d’água 
pode levar à obtenção de teores fortemente ácidos, da ordem de 3 a 4 unidades de pH. É conveniente 
recordar que o pH é expresso em escala logarítmica, o que vale dizer que uma água com pH 3 é dez vezes 
mais ácida que outra com pH 4.
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Unidade II
Estudos desenvolvidos no Canadá mediante análise de organismos fossilizados no sedimento de 
lagos, revelam que muitos corpos d’água já eram ácidos há centenas de anos, portanto, sem sofrer 
nenhuma influência de poluentes industriais.
Essa conclusão baseia‑se na prevalência de determinados grupos de algas no sedimento, as quais 
possuem uma carapaça de sílica e são habitantes típicas de ambientes aquáticos ácidos.
ALTERAÇÕES HIDROLÓGICAS
Este último fenômeno poluidor é caracterizado fundamentalmente pela retirada de água de rios, 
em geral para fins de irrigação, provocando prejuízos à utilização da água na região de jusante. Existem 
exemplos de rios que sofrem uma redução tão grande de vazão que chegam praticamente a secar 
durante a maior parte do ano. Essas alterações hidrológicas, além de afetar gravemente o aspecto da 
quantidade de água, também apresentam influências negativas sobre a qualidade, em decorrência do 
aumento das concentrações, graças à diminuição da capacidade diluidora.
O exemplo de alteração hidrológica mais conhecido internacionalmente é o do Lago Aral, situado nas 
atuais repúblicas do Uzbequistão e Cazaquistão (Ásia Central), às vezes também chamado Mar de Aral 
em virtude de sua grande extensão e à característica salina de suas águas. Esse lago vem gradativamente 
sofrendo uma forte redução na área de seu espelho d‘água, em função da intensa retirada de água de 
seus dois rios formadores (Rios Amu e Syr) para irrigação de culturas de algodão.
Atualmente existem embarcações encalhadas a 120 km do início do atual lago, evidenciando a 
gravidade e a intensidade dessa alteração hidrológica.
REFERÊNCIAS
Texto produzido tendo como base a coleção institucional do Ministério da Saúde. Pode ser acessado 
na íntegra na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs. Brasil. Ministério 
da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo 
humano/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 
212 p. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) ISBN 85‑334‑1240‑1
3 POLUIÇÃO DOS SOLOS
O solo é a camada mais superficial da crosta terrestre, compreendendo uma interface entre 
a atmosfera, hidrosfera e geosfera. É um recurso vital e possui propriedades químicas, físicas e 
biológicas distintas, constituído por minerais de diferentes tamanhos, matéria orgânica, água, ar e 
organismos vivos 1.
Qualquer alteração indesejável destas propriedades do solo que possa afetar prejudicialmente a vida 
do homem e de todos os outros organismos vivos é considerada poluição 1.
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FUNDAMENTOS DE SAÚDE COLETIVA
A poluição do solo pode ocorrer através de diversas vias. A poluição através de resíduos líquidos 
e sólidos despejados deliberadamente nos solos por residências e indústrias é uma das formas mais 
visíveis da contaminação do solo 2.
Os resíduos provenientes de atividades de minérios podem contaminar os solos com metais pesados, 
cianeto, asbestos, metano, amoníaco, sulfito de hidrogênio, entre outros 2.
A poluição dos solos por atividades industriais também pode ocorrer acidentalmente, por exemplo, 
através de derrames acidentais a partir das instalações industriais 2.
A maior fonte de poluição do solo são as atividades agrícolas, através da aplicação de pesticidas 
e fertilizantes. Os pesticidas são aplicados geralmente por aspersão sobre as culturas, enquanto os 
fertilizantes também podem ser aplicados por aspersão ou ainda injetados diretamente no solo. Os 
pesticidas podem trazer compostos orgânicos e metais pesados como o mercúrio e o cobre em sua 
composição. Os fertilizantes trazem nutrientes como o nitrogênio (N), o fósforo (P) e o potássio (K), 
porém, também contêm metais pesados como o cádmio (Cd) nos fertilizantes fosfatados, entre outros. 
A aplicação excessiva de fertilizantes, tanto os orgânicos como os inorgânicos, provoca o acúmulo de 
nutrientes no solo, o que pode levar à lixiviação dos nutrientes para águas subterrâneas 2, 3. A tabela 1 
cita os principais contaminantes agrícolas e seus efeitos para a saúde humana.
Além dessas contaminações, o solo pode também ser afetado por poluentes provindos da atmosfera, 
como a deposição de compostos acidificantes originários de estações de produção de energia, fábricas 
de compostos químicos e do tráfego de automóveis. Combustíveis com base no petróleo ainda afetam 
os solos com a deposição de benzeno e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) 2.
O movimento de águas subterrâneas contaminadas também pode ser uma fonte de contaminação 
de determinados solos. Agentes patogênicos (bactérias, vírus, parasitas), constituem também uma fonte 
de contaminação 2.
Tabela 1 – Principais fontes poluidoras agrícolas e efeitos à saúde humana
Fonte poluidora Produto químico Efeitos
Inseticidas DDTBHC Câncer, danos ao fígado e a embriões
Inseticidas Clordano
Câncer, doenças do fígado e do sangue, efeitos neurológicos 
cardiovasculares, respiratórios, gástricos e renais severos, problemas 
endócrinos e reprodutivos
Inseticidas Toxafeno
Exposição a elevadas concentrações está associada a disfunções 
renais, hepáticas, nervosas, debilidade do sistema imunológico, 
diminuição da esperança de vida, disfunção hormonal, diminuição 
da fertilidade e alterações comportamentais
Fungicidas Hexaclorbenzeno Pode prejudicar o fígado, tireoide e rins, sistemas endócrino, imunológico, reprodutivo e nervoso e câncer
Inseticidas Heptacloro Disfunção reprodutiva e endócrina e câncer de bexiga
Pesticidas Bário (Ba) Aumento transitório da pressão sanguínea e efeitos tóxicos sobre o coração, vasos e nervos
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Unidade II
Pesticidas Cádmio (Cd) Pressão alta, problemas renais, aterosclerose, inibição no crescimento, doenças crônicas em idosos e câncer
Fungicidas e 
pesticidas Cobre (Cu)
Irritação e corrosão da mucosa, problemas hepáticos e renais, 
irritação do sistema nervoso central seguido de depressão
Fonte: http://ambiente.hsw.uol.com.br/contaminacao‑dos‑solos2.htm
A contaminação dos solos pode causar problemas de saúde pública, prejudicar sistemas ecológicos, 
animais e vegetais e interferir nas utilidades legítimas do ambiente 1.
Em conclusão, o solo é um recurso finito, limitado e não renovável. As atividades degradantes 
humanas são maiores em relação à sua taxa de formação e regeneração, que é extremamente lenta. 
Assim, é necessário identificar as fontes poluidoras e exercer uma gestão mitigadora a fim de solucionar 
a poluição do solo ou ao menos reduzi‑la o máximo possível 1.
REFERÊNCIAS
1. DINIZ, A. & FRAGA, H. Poluição de solos: riscos e consequências. Disponível em: <http://www3.
uma.pt/Unidades/Biologia/docs_cad_
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