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Elementos estruturais do texto

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ser monitorado por novos radares.
A ausência do que faz com que o verbo passar (passará) não seja ligado 
a nenhum termo. O resultado é incompletude e confusão – afinal, não está 
claro o que “passará a ser monitorado por novos radares”. Seria o trânsito ou 
o crescimento desenfreado?
O problema do período incompleto
Quem já não escreveu um período incompleto? Observemos dois exem-
plos de ocorrências bastante comuns na língua portuguesa: 
O livro X, que comprei na semana passada. 
Nesse exemplo, o período simplesmente não tem um fim. Duas formas de 
arrumar essa construção facilmente são:
Comprei o livro X, na semana passada.
Ou:
O livro X, que comprei na semana passada, não custou caro.
Solucionar o problema não é difícil, mas saber por que o problema acon-
teceu é fundamental e aí vai o recado: cuidado com o uso do que. Esse pro-
nome relativo sempre insere no período uma informação complementar, 
mas o que de fato importa é não se esquecer de terminar ou completar a 
informação principal ou básica.
Para entender a função das informações básica e complementar no perí-
odo, observemos o esquema abaixo:
O Livro X que comprei na semana passada não custou caro.
Parte 1 da 
informação 
básica
Informação complementar
Parte 2 da 
informação 
básica
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Vejam que, somando as partes 1 e 2 da informação básica do período, 
temos uma ideia completa, formada por sujeito e predicado: 
O livro x não custou caro.
Sujeito Predicado
Se destacarmos do período apenas a informação complementar, teremos
…que comprei na semana passada…
Mas o que foi comprado? Faltam dados importantes nesse tipo de infor-
mação, mas a conclusão é simples: a informação complementar não é com-
pleta e não tem autonomia no período. 
Relatores
Relatores equivalem ao que muitos livros e gramáticas de língua portu-
guesa denominam conectivos e são as palavras encarregadas de, como o 
nome já diz, estabelecer relações entre os períodos ou entre suas partes. 
Essas relações podem ser de soma, contradição etc. Os tipos de relatores são 
bastante numerosos. Vejamos alguns exemplos.
Amanhã tenho um compromisso, mas darei um jeito de ir à reunião.
O mas estabelece uma relação de contrariedade entre as partes do perí-
odo porque o fato de já existir um compromisso teria como consequência a 
ausência na reunião. No entanto, isso não ocorre e o termo responsável por 
isso é o mas, que é uma conjunção adversativa.
Disse que não iria à reunião. Além disso, telefonou ao chefe comunicando 
que faltaria ao trabalho no dia seguinte. 
No exemplo acima, o relator além disso liga um período ao outro e ressal-
ta a ideia de soma (ausência na reunião + ausência no emprego).
A função de relator pode ser desempenhada por palavras ou locuções 
conjuntivas, assim como por pronomes ou substantivos, como nos exemplos 
abaixo.
A Lua, que é o satélite natural da Terra, tem quatro fases.
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O que é um pronome relativo, que dá nova informação sobre a Lua e ao mesmo 
tempo evita a repetição da palavra a que se refere (Lua). Sendo assim, podemos 
dizer que o período acima é o resultado da união de duas informações:
A Lua é o satélite natural da Terra + A Lua tem quatro fases.
A mesma função desempenhada pelo que pode ser desempenhada por um 
substantivo sinônimo da palavra sobre a qual temos duas informações a dar:
A professora de Educação Física só tem aulas às quartas. A docente dá aulas 
às turmas de primeiro ano.
Outra opção de relator bastante comum é o uso de pronomes pessoais:
A professora de Educação Física só tem aulas às quartas. Ela dá aulas às 
turmas de primeiro ano.
Vejamos, agora, alguns modos de transformar os dois períodos em um só, 
evitando repetições e organizando as informações logicamente:
A professora de Educação Física só tem aulas às quartas e dá aulas às turmas 
de primeiro ano. 
(O e simplesmente une as duas informações sobre a professora.)
A professora de Educação Física só tem aulas às quartas, nas turmas de pri-
meiro ano. 
(Aqui, em vez de relatores, são usadas a pontuação e a abreviação da se-
gunda informação.)
A professora de Educação Física, que só tem aulas às quartas, dá aulas às 
turmas de primeiro ano. 
(O pronome relativo que é usado para transformar um dos períodos em 
informação complementar.)
Relatores internos e externos
É importante perceber que, na fala e na escrita, podem ser usados relato-
res externos, ou seja, elementos que não fazem referência a palavras men-
cionadas anteriormente. Nesse caso, a elucidação do termo usado como re-
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lator pode depender do ambiente que cerca os falantes, em uma situação 
de diálogo, por exemplo, ou do conhecimento prévio. Exemplos do uso de 
relatores externos na fala:
O que será que é aquilo ali?
Olha só a roupa dela!
E daí, conseguiu resolver aquela questão?
Para entender o uso dos relatores sem um antecedente expresso, façamos 
algumas suposições sobre os exemplos apresentados:
Os interlocutores veem um objeto que gera curiosidade, porque eles �
não sabem do que se trata, por isso o emprego de aquilo ali.
Os falantes podem estar, por exemplo, em um ônibus, e veem uma �
mulher na rua que lhes chama atenção pela roupa que usa, daí o em-
prego do relator dela.
Provavelmente, os falantes são amigos e já tinham conversado, anterior- �
mente, sobre aquela questão, que pode ser o pagamento de uma dívida, 
a ameaça de reprovação no colégio, uma briga com a namorada etc.
Pensando, agora, no uso dos relatores internos, é indispensável que eles 
se relacionem a um antecedente e que, como o nome já diz, que os antece-
dentes sejam apresentados antes dos relatores. Em uma escrita formal, que 
não pressupõe muita intimidade entre o escritor e o leitor do texto, não é 
adequado começar com a utilização de relatores sem antecedentes. Para en-
tender melhor a necessidade de obedecer à ordem antecedente + relator, 
vamos comparar as ocorrências abaixo:
A diretora dessa escola é muito rígida.
(Dessa escola? De qual escola?)
A escola X fica no bairro onde moro. A diretora dessa escola é muito rígida. 
(Dessa escola = Da escola X)
A primeira opção deixa uma lacuna que não pode ser preenchida sim-
plesmente porque o nome da escola não foi apresentado antes do uso do 
relator dessa.
Já a opção dois está correta, porque apresenta, em dois períodos diferentes, 
duas informações sobre a escola: uma sobre a localização e outra sobre a dire-
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tora. Neste caso, o relator dessa cumpre duas funções: a de evitar a repetição 
do nome da escola e a de estabelecer uma relação lógica entre os períodos.
Texto complementar
Leia o texto abaixo observando o uso de relatores, a formação dos perío-
dos e a divisão do texto em parágrafos. Boa leitura!
Aula de redação
(GOMES, 2000, p. 74-77)
Dia desses meu filho João Marcelo veio com jeito de quem acabou de 
pensar no assunto, colocou a mão no meu ombro e pediu:
– Me ajuda a fazer uma redação?
Fiquei espantado. Primeiro, ele não é de pedir ajuda, cuidando de seus as-
suntos de escola com total independência – de resto, não admite que nin-
guém meta neles o nariz (o que inclui o meu nariz e o da mãe dele). Segundo, 
escreve com facilidade, por que estaria me fazendo aquele
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