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Odontologia Hospitalar - Resumo

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ODONTOLOGIA HOSPITALAR 
O que é? 
A Odontologia hospitalar pode ser compreendida por cuidados das alterações bucais que 
exigem intervenções multidisciplinares nos atendimentos de alta complexidade, visando o 
atendimento integral e melhora no quadro sistêmico do paciente hospitalizado (ARANEGA, 
2012). 
 
Código de ética 
O artigo 18 do Código de Ética Odontológico (cap.IX), que trata da Odontologia hospitalar, 
compete ao cirurgião-dentista internar e assistir pacientes em hospitais públicos e privados, 
com e sem caráter lantrópico, respeitadas as normas técnico-administrativas das instituições. 
No artigo 19, dispõe-se que as atividades odontológicas exercidas em hospitais obedecerão às 
normas do Conselho Federal e o artigo 20 estabelece constituir infração ética, mesmo em 
ambiente hospitalar, executar intervenção cirúrgica fora do âmbito da Odontologia (GODOI, 
2009). 
 
Como surgiu? 
A partir da metade do século XIX começou o desenvolvimento da Odontologia Hospitalar na 
América, com empenho dos Drs. Simon Hullihen e James Garrestson. Foi necessário um 
grande esforço para que a Odontologia Hospitalar fosse reconhecida. Posteriormente, a 
Odontologia Hospitalar teve apoio da Associação Dental Americana e o respeito da 
comunidade médica. 
No Brasil, a Odontologia Hospitalar foi legitimada em 2004 com a criação da Associação 
Brasileira de Odontologia Hospitalar (ABRAOH). Em 2008, foi decretada a Lei nº 2776/2008 
e apresentada à Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro, que obriga a presença do dentista 
nas equipes multiprofissionais hospitalares e nas UTIs (ARANEGA, 2012). 
 
Como funciona a prática da odontologia hospitalar? 
No ambiente hospitalar, o paciente internado deve ser monitorado e os cirurgiões-dentistas 
têm o papel fundamental na avaliação da saúde oral. A presença da placa bacteriana na boca 
pode influenciar as terapêuticas médicas, por isso devemos tratar o indivíduo como um todo, 
não somente focar a região da cavidade bucal, pois a mesma abriga microorganismos que 
 
com facilidade ganham a corrente circulatória expondo ao paciente o risco de infecção 
(RABELO, QUEIROZ, SANTOS, 2010; ARANEGA, 2012). 
Quando há a necessidade da realização de um procedimento odontológico em ambiente 
hospitalar, as responsabilidades devem ser compartilhadas entre as equipes médica e 
odontológica. Em casos de intervenções cirúrgicas, há a necessidade de uma avaliação 
pré-operatória adequada do paciente, a qual deve ser realizada pelo médico clínico ou pelo 
especialista, cabendo ao médico anestesista a responsabilidade por todo o procedimento 
anestésico (GODOI, 2009; GAETTI-JARDIM, 2013). 
O cirurgião-dentista preparado para a realização de procedimentos em nível hospitalar como 
internações, solicitações e interpretação de exames complementares e controle de infecções 
auxilia de forma direta na diminuição de custos e na média de permanência do paciente no 
hospital. O conhecimento e a busca por um objetivo comum entre os membros da equipe 
multidisciplinar permitem o crescimento de todos os prossionais envolvidos no processo e o 
desenvolvimento da ciência da saúde como um todo (GODOI, 2009; GAETTI-JARDIM, 
2013). 
 
Indicações e vantagens do atendimento em odontologia hospitalar 
O atendimento hospitalar é indicado para pacientes com doenças sistêmicas congênitas: 
deciência mental ou comprometimentos neuromotores com envolvimento sistêmico, 
diabetes, displasias sanguíneas, síndromes e outras; adquiridas: HIV, tuberculose, hepatite, 
sílis, neoplasias e outras; traumáticas: traumatismo bucomaxilofacial e cirurgia ortognática 
(ROCHA, FERREIRA, 2014). 
A realização dos procedimentos em que o cirurgião-dentista atua em ambiente hospitalar 
pode apresentar as seguintes vantagens: atendimento com maior segurança de pacientes com 
risco cirúrgico; solicitação de exames específicos mais detalhados; facilidade para o paciente 
com impossibilidade de frequentar o consultório odontológico; oferecimento de 
acompanhamento clínico tratamento especíco; relacionamento integrado entre equipe, 
paciente instituição (ROCHA, FERREIRA, 2014). 
 
Pacientes de risco 
Condições que o paciente enfrenta, como diabetes, hipofosfatasia, imunodeficiências, 
distúrbios renais e câncer podem colocá-lo em alto risco de doenças bucais, como a doença 
 
periodontal, cáries, necrose pulpar, lesões em mucosa, dentes fraturados ou infeccionados, 
entre outros. Além disso, pacientes com deficiências físicas e/ou mentais apresentam maior 
risco de doenças bucais, causado por medicações, dieta e obstáculos físicos, comportamentais 
e educacionais, que impedem a implementação de um programa eficiente de higiene bucal 
(GODOI, 2009; GAETTI-JARDIM, 2013). 
Um ponto relevante no que diz respeito à ligação direta da saúde bucal com a saúde geral é a 
incidência de periodontite, que aumenta significantemente o risco de várias patologias, como 
aterosclerose, infarto cardíaco, derrame cerebral e complicações do diabetes. Na gestante, a 
presença de periodontite aumenta o risco de o feto nascer com baixo peso (GODOI, 2009; 
GAETTI-JARDIM, 2013). 
 
Quais dificuldades o cirurgião-dentista enfrenta? 
Devido ao preconceito referente à prática odontológica no ambiente hospitalar, ocorre uma 
dificuldade ao atendimento integral do paciente. Isso faz com que os cirurgiões-dentistas 
exerçam seus trabalhos apenas em consultórios e postos de saúde pública, com exceção dos 
casos de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial ou procedimentos que demandam 
anestesia geral (GODOI, 2009). 
A cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial tem atuado para a construção idealista da 
odontologia hospitalar, cuidando de pacientes acidentados no trânsito ou em quedas, dos 
feridos com arma de fogo e dos pacientes vítimas de espancamentos, em síntese, do trauma 
facial. Portanto esta é uma das especialidades da Odontologia mais estabelecidas dentro dos 
hospitais, apesar de que algumas barreiras ainda terão de ser enfrentadas (GODOI, 2009; 
GAETTI-JARDIM, 2013). 
Apesar disso, outros procedimentos odontológicos devem ser realizados em hospitais, pois 
pacientes portadores de afecções sistêmicas que estão internados, na maioria das vezes 
encontram-se dependentes de cuidados em relação à higienização bucal adequada. Muitos dos 
profissionais da saúde não sabem ou não possuem informações quanto à pertinência da 
atuação do cirurgião-dentista no hospital. Na maioria dos casos infelizmente estes 
profissionais não sabem o porquê o cirurgião-dentista está em um hospital (RABELO, 
QUEIROZ, SANTOS, 2010). 
 
Conclusão 
 
A odontologia vem ganhando destaque no ambiente hospitalar, superando as barreiras e 
preconceitos advindos da cultura hospitalar estabelecida entre a população direta ou 
indiretamente envolvida com o serviço. Para a realização dos procedimentos odontológicos 
nessa área é necessário que haja uma interação entre as equipes 
médica-enfermagem-odontologia