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Teorias-da-Aprendizagem-Valeria-Bessa

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que o professor constrói a sua avaliação diagnóstica.
Para que haja uma boa interação é preciso que o professor fale com 
simplicidade sobre temas complexos, tenha um bom plano de aula e saiba o nível de 
conhecimento dos alunos, explicando o que espera do aluno em relação à matéria, 
procurando falar de forma correta para que não prejudique a aprendizagem.
Aspectos socioemocionais
São vínculos afetivos entre professor, o aluno e a disciplina. Deve-se 
diferenciar a afetividade que o professor precisa ter, do amor pelas crianças, da 
relação maternal ou de qualquer tipo de relação familiar. É preciso que combine 
respeito com severidade. 
Autoridade e autonomia devem estar unidas, se complementarem. O 
professor representa a sociedade, intermedia indivíduo e sociedade. O aluno vem 
com sua individualidade e liberdade. 
De acordo com Libâneo (1994, p. 251), a liberdade é o fundamento da 
autoridade e a responsabilidade é a síntese da autoridade e da liberdade. Muitas 
vezes, em nome da autoridade, o professor se torna arrogante, humilha os alunos 
e essa atitude não contribui para o crescimento deles.
A disciplina na classe
O professor enfrenta uma grande dificuldade no que se refere à disciplina. É 
preciso saber lidar com o autoritarismo sobre a questão da indisciplina, empregando 
com segurança todo conhecimento profissional sem deixar de fora o lado afetivo, 
orientando o aluno em sua caminhada. Conteúdos significativos e envolventes e 
métodos adequados farão da aula um momento muito mais agradável e prazeroso 
e com isso espera-se que a indisciplina seja menor.
Outro fator importante é deixar o aluno participar das atividades, ajudar o 
professor nas tarefas. Essa ajuda precisa ser dada de forma organizada e controlada 
para estimular o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno e mostrar que ele 
pode vencer barreiras.
A teoria de Henri Wallon
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Apesar de todo empenho dos professores com elogios e incentivos, existem 
aqueles alunos que não conseguem “gostar” da tarefa de estudar e o professor 
acaba tendo que se “impor” de alguma forma e mostrar que é preciso estudar, que 
eles têm obrigações que precisam ser cumpridas e respeitadas, o que deve ser feito 
de forma adequada e coerente, uma vez que a autoridade e a afetividade devem 
caminhar juntas.
 Escreva, individualmente, relatos sobre sua experiência educativa, como aluno, lembrando 
de fatos nos quais a afetividade, positiva ou negativa, exerceu influência sobre o processo de 
aprendizagem. Se desejar, construa um quadro com fotos que resgate a época relatada.
Para saber um pouco mais sobre a teoria de Wallon, sugiro a leitura do livro de Henri Wallon 
intitulado As origens do pensamento na criança (São Paulo: Manole, 1988).
A teoria de Henri Wallon: 
emoção, movimento e cognição
O movimento, a princípio, desencadeia e conduz o pensamento.
Heloisa Dantas
O papel do movimento na aprendizagem
A Psicomotricidade tem como objetivo desenvolver o aspecto comunicativo do corpo, o que equivale a dar ao indivíduo a possibilidade de dominar seu corpo, de economizar sua energia, de pensar seus gestos a fim de 
aumentar-lhes a eficácia e a estética, de completar e aperfeiçoar seu equilíbrio. 
A prática psicomotora na Educação é uma atividade de caráter essencialmente 
educativo e preventivo. Esta se utiliza do movimento corporal e de atividades 
lúdicas para estimular o desenvolvimento psicomotor, promover a integração 
dos aspectos motores, cognitivos e socioafetivos, além de preparar as crianças 
para aprendizagens futuras, favorecendo consideravelmente a alfabetização e 
prevenindo distúrbios de aprendizagem.
Assim, a prática psicomotora na Educação vai acompanhar o desenvolvimento 
da criança, criando condições favoráveis para que o mesmo ocorra de forma 
harmoniosa. Tal trabalho tem caráter profilático, pois permite prevenir inadapta-
ções e/ou defasagens psicomotoras que podem ser difíceis de corrigir depois de 
estruturadas. 
As atividades propostas vêm favorecer o desenvolvimento psicomotor e 
permitir às crianças expressarem seus sentimentos, idéias e emoções por meio 
do lúdico. O trabalho, sendo realizado em grupo, favorece a socialização, as 
trocas afetivas e a construção da personalidade pelo descobrimento da própria 
individualidade. O espaço oferecido à comunicação e expressão corporal favorece 
o elo entre o somático, o psíquico e o emocional.
A noção espacial, por sua vez, será construída paralelamente ao desenvol-
vimento de suas possibilidades de locomoção. No exercício de deslocamento, a 
criança vai poder vivenciar o espaço da relação com o outro e assim conhecer 
seus limites. 
A educação psicomotora é uma forma de atuação que objetiva facilitar a 
aprendizagem, adaptar e situar a criança em relação a seu meio, socializando-a. No 
processo educativo, vai valorizar o exercício da liberdade e da criatividade num con-
texto onde existe o eu e o outro e, por isso, a solidariedade e a responsabilidade.
Teorias da Aprendizagem
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As atividades com músicas, por exemplo, são fundamentais na aprendizagem 
e no desenvolvimento não só psicomotor, mas também no esquema corporal e no 
desenvolvimento mental.
A importância do 
desenvolvimento do esquema corporal
Falemos agora também sobre o esquema corporal e como pode ser trabalhado 
com o auxílio da música. O esquema corporal é a organização das sensações do 
próprio corpo em relação aos dados do mundo exterior. Implica na percepção e 
controle do corpo e na independência dos diversos segmentos do corpo entre si e 
em relação ao tronco.
Assim, podemos definir o esquema corporal como o conjunto de imagens 
formadas por uma pessoa sobre sua unidade corporal a partir de experiências 
perceptivas. Tais percepções são por nós aproveitadas na organização dos nossos 
movimentos posturais. 
O trabalho com o corpo é fundamental por ser ele o primeiro veículo de relação 
com o mundo. É por meio dele que a criança entra em contato com o mundo, descobre 
e estabelece relações consigo, com o outro e com tudo que está à sua volta.
As brincadeiras com o corpo permitem à criança explorar as suas possibilidades 
e fazem parte das suas atividades espontâneas. Por meio dessas brincadeiras, a 
criança adquire confiança necessária em si mesma, descobrindo suas potencialidades 
e limites. A educação do esquema corporal deve evoluir do global (a unidade do 
corpo), da ação (a própria atividade), para a reflexão (a compreensão e controle do 
movimento em determinada atividade).
O professor deve observar e estimular os momentos da brincadeira de cada 
criança, individualmente ou em grupo, favorecendo a realização de movimentos 
que incluem força muscular, destreza, agilidade e flexibilidade. Deve aproveitar 
esses momentos para que a criança reconheça, nomeie e localize as partes do corpo 
em si e no outro, ao mesmo tempo em que atende à necessidade de movimento da 
criança de correr, saltar, entre outros.
As atividades que envolvem todo o corpo desenvolvem as noções de espaço 
e posição: dentro/fora; em cima/embaixo; para frente/para trás; entre outros. Isto 
favorece a aquisição de noções matemáticas e a descoberta do mundo à sua volta.
Deste modo, a criança utiliza-se dos seus sentidos para construir a percepção 
de seu próprio corpo, percepções estas que envolvem as noções que vão sendo 
construídas paralelamente sobre espaço e tempo num ambiente determinado. Com 
isso, a referência da criança na sua relação com o ambiente na qual está inserida e 
com as outras pessoas ao seu redor é o seu próprio corpo.
A imagem corporal assim constituída sofre alterações ao longo da vida de 
cada indivíduo, evoluindo em favor das novas adaptações que vão sendo exigidas 
A teoria de Henri Wallon: emoção, movimento e cognição
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pelo meio. Podemos dizer, assim, que existe mobilidade na imagem corporal 
construída