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Teorias-da-Aprendizagem-Valeria-Bessa

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a um grupo de conceitos previamente aprendidos, modificando-os. 
Assim, a questão não se coloca apenas na fixação de novos conhecimentos a 
conhecimentos anteriores, mas na maneira como essa fixação ocorre, a saber, por 
intermédio de interações adaptativas (acomodações), que alteram o conhecimento 
anterior em função de uma pressão organizativa dos esquemas cognitivos. 
Assim, um grupo de conceitos/conhecimentos já aprendidos atua como 
âncora, integrando o novo conhecimento aos anteriores e o modificando. Tal idéia 
se apresenta no interior de uma das mais importantes formulações de Ausubel 
sobre o processo de aprender: o conceito de ancoragem.
A ancoragem é o processo responsável por ligar os conhecimentos já 
adquiridos aos novos conhecimentos, colocando-os em interação. Desse modo, 
segundo Ausubel, quando um novo conhecimento é ancorado, atrelado a outros 
já formulados, há uma maior probabilidade de esse conhecimento não se perder, 
levando à ocorrência de uma aprendizagem mais significativa.
Isso significa dizer, por exemplo, que quando fazemos relação entre o que 
estamos estudando com outros conhecimentos que já possuímos (que podem 
ser de ordem teórica ou prática), a relação entre eles produz um conhecimento 
ampliado, modificado, que não é mais o anterior em si, nem o novo conhecimento 
isolado, mas sim um novo conhecimento oriundo de interações entre diferentes 
elementos cognitivos.
Desse modo, uma vez ligados, ou melhor, ancorados, tais conhecimentos 
tendem a não se perder dentro do conjunto de outros tantos conhecimentos que 
possuímos, caracterizando o que Ausubel chama de aprendizagem significativa.
A aprendizagem significativa
A aprendizagem significativa pode ser entendida como um processo que 
envolve sucessivas ancoragens por meio da ligação do novo conhecimento ao 
conhecimento subsunçor1. O contrário da aprendizagem significativa seria, para 
Ausubel, a aprendizagem mecânica, que ocorre por meio de pouca ou nenhuma 
interação entre os conceitos/conhecimentos anteriores (subsunçores) e os novos 
conceitos/conhecimentos.
No ambiente escolar estamos acostumados a chamar a aprendizagem mecânica 
de “decoreba”. Segundo Ausubel, a “decoreba” não descarta a possibilidade de uma 
relação com a aprendizagem significativa, mas esta última fica menos favorecida 
quanto menos nos colocarmos de forma ativa no processo de aprender.
1Conhecimento subsunçor: conhecimento anterior que 
é acionado para agir no agencia-
mento de novas aprendizagens.
Ausubel e a aprendizagem significativa
135
Dessa forma, a aprendizagem significativa é um conceito central na teoria 
de Ausubel e, como tal, é em torno desse conceito que ele formula várias outras 
noções sobre o processo de aprender. 
O primeiro conceito a ser compreendido é o de elementos subsunçores, que 
nada mais são que elementos facilitadores do processo de aprender. Tais elementos 
são representados pelos conhecimentos prévios e por conceitos anteriores já 
formulados pelo aprendiz. Além disso, podemos também considerar como elementos 
subsunçores aqueles utilizados pelo professor para auxiliar na organização 
do conhecimento a ser construído pelo aluno. Nesse sentido, os materiais, as 
explanações introdutórias e toda a gama de atividades voltadas para a construção 
de uma idéia inicial sobre algum conteúdo podem ser consideradas um elemento 
subsunçor, contanto que atue, de fato, como facilitador da aprendizagem.
Assim, podemos dizer que a aprendizagem significativa só ocorre diante de 
condições específicas voltadas para o ato de aprender. A essas condições Ausubel 
chamou de condições de ocorrência da aprendizagem que dizem respeito ao 
conhecimento a ser transmitido e a disposição do aluno para o ato de aprender.
Sobre o conhecimento a ser transmitido, Ausubel nos diz que um 
conhecimento para ser compreendido por um aluno deve ser relacionável com 
outros conhecimentos e incorporável ao conjunto de esquemas cognitivos (modos 
de aprender) de cada aluno. Isso significa dizer que o conteúdo deve se relacionar 
com os interesses dos alunos, ou seja, fazer sentido, para que o aluno continue 
estimulado para a aprendizagem.
Já a disposição do aluno para aprender nos aponta para o fato de que, para 
haver aprendizagem é necessário, antes, que exista um esforço por parte do 
aprendiz; é preciso que o aprendiz queira realizar a ligação entre a nova informação 
e os conceitos já existentes em sua mente. Tal esforço, segundo Ausubel, deve 
ser espontâneo para que a aprendizagem não acabe se transformando em um ato 
mecânico de “decoreba”.
Mas, qual a evidência de existência de uma aprendizagem significativa? 
Segundo Moreira (1983, p. 65), tais evidências são difíceis de serem percebidas 
ou observadas, uma vez que os alunos podem simular a aprendizagem por meio 
de memorizações. Desse modo, para obter evidências sobre uma aprendizagem 
significativa, Moreira (1983, p. 65) recomenda o trabalho de avaliação voltado 
para mapearmos os conceitos já adquiridos pelos alunos, o que poderia ser feito 
com questionários ou atividades do tipo “desafio”.
Tal preocupação com as evidências de aprendizagem se devem também 
em parte pelo fato de Ausubel considerar que a aprendizagem significativa pode 
ocorrer de três formas distintas: por meio da aprendizagem representacional 
(de tipo mais básico em que o aprendiz liga os símbolos a seus significados, 
atribuindo significado ao símbolo); por meio da aprendizagem de conceitos, ligada 
à representação de conceitos amplos (genéricos), classificados em categorias pelo 
aprendiz. Nesse tipo de aprendizagem, o aprendiz já é capaz de fazer abstrações 
a partir do símbolo, ou seja, já é capaz de representar o símbolo, descolando-o do 
seu real significado, utilizando-o para outros fins; e a aprendizagem proposicional, 
Teorias da Aprendizagem
136
relativa à aprendizagem dos significados das idéias a partir de proposições. Segundo 
Ausubel, as proposições são combinações de conceitos, ou seja, um conjunto de 
idéias do qual se pode extrair o significado de vários conteúdos.
Além de classificar a aprendizagem significativa em três tipos, Ausubel 
também se preocupa em classificar as aprendizagens significativas por força de 
atração organizativa, ou seja, procurando demonstrar se a pressão para a ocorrência 
da aprendizagem partiu dos conhecimentos anteriores já existentes na estrutura 
cognitiva do aprendiz, se partiu dos novos conhecimentos ou se partiu de ambos. 
Desse modo, Ausubel nos diz que as aprendizagens significativas também podem 
ser subordinadas, superordenadas e combinatórias.
Na aprendizagem significativa subordinada, o novo conhecimento encontra-se 
subordinado ao conhecimento anterior, ou seja, depende do conhecimento prévio 
para poder se ancorar (fixar).
Na aprendizagem significativa superordenada, é o novo material já assimilado 
que, por meio de acomodações na estrutura cognitiva, passa a ser responsável por 
se ligar aos conhecimentos prévios, assimilando-os.
Já na aprendizagem significativa combinatória a nova informação, por meio 
de pressões recíprocas entre os conhecimentos anteriores e os novos conhecimentos, 
torna-se potencialmente significativa, não necessitando impor uma subordinação 
ou superordenação dos conhecimentos.
Além dos conceitos já apresentados até aqui, Ausubel também desenvolveu 
mais dois: o de diferenciação progressiva e o de reconciliação integrativa.
A diferenciação progressiva diz respeito à modificação do conceito subsunçor 
(conhecimento prévio)
através da elaboração hierárquica de proposições e conceitos na estrutura cognitiva, de 
modo que as idéias mais inclusivas a serem aprendidas sejam apresentadas primeiro. E 
então, diferenciada em termos de detalhes e especificidade. (MOREIRA, 1983, p. 69).
Já a reconciliação integrativa é definida como um processo que reorganiza 
a estrutura