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Atenção Saúde Neonatal

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sala de parto6-8
Adrenalina 
endovenosa
Adrenalina 
endotraqueal Expansores de volume
Diluição
1:10.000 
1mL adrenalina 1:1.000 
em 9mL de SF 0,9%
1:10.000 
1mL adrenalina 1:1.000 
em 9mL de SF 0,9%
SF 0,9% 
Ringer lactato 
Sangue Total
Preparo 1mL 5mL 2 seringas de 20mL
Dose 0,1 – 0,3mL/kg 0,5 – 1,0mL/kg 10mL/kg EV
Peso ao nascer
1kg 0,1 – 0,3mL 0,5 – 1,0mL 10mL
2kg 0,2 – 0,6mL 1,0 – 2,0mL 20mL
3kg 0,3 – 0,9mL 1,5 – 3,0mL 30mL
4kg 0,4 – 1,2mL 2,0 – 4,0mL 40mL
Velocidade e 
Precauções
Infundir rápido na veia 
umbilical e, a seguir, 
infundir 0,5 – 1,0mL 
de SF 0,9%.
Infundir diretamente na 
cânula traqueal e 
ventilar a seguir. 
USO ÚNICO
Infundir o expansor 
de volume na veia 
umbilical lentamente, 
em 5 a 10 minutos
A via preferencial para a infusão de medicações na sala de parto é a endovenosa, sendo a 
veia umbilical de acesso fácil e rápido. O cateter venoso umbilical deve ser inserido apenas 
1 – 2cm após o ânulo, mantendo-o periférico de modo a evitar a sua localização em nível 
hepático. A administração de medicações por via traqueal só pode ser usada para a adre-
nalina, uma única vez, sabendo-se que a absorção por via pulmonar é lenta e imprevisível. 
A adrenalina está indicada quando a ventilação adequada e a massagem cardíaca efetiva 
não elevaram a FC acima de 60bpm. Recomenda-se sua administração por via endovenosa 
na dose de 0,01 – 0,03mg/kg. Enquanto o acesso venoso está sendo obtido, pode-se admi-
nistrar uma única dose de adrenalina (0,05 – 0,1mg/kg) por via traqueal, mas, a segurança 
e a eficácia dessa prática não foram estudadas. Lembrar que doses elevadas de adrenalina 
(>0,1 mg/kg) não devem ser empregadas, pois levam à hipertensão arterial grave, diminui-
ção da função miocárdica e piora do quadro neurológico. A adrenalina deve ser sempre 
usada na diluição de 1:10.000. Quando não há reversão da bradicardia com o uso de adre-
nalina, pode-se repeti-la a cada 3 – 5 minutos (sempre por via endovenosa) e considerar uso 
de expansores de volume caso o RN esteja pálido ou existam evidências.
Os expansores de volume podem ser necessários para reanimar o RN com hipovolemia. A 
suspeita é feita se houver perda de sangue ou se existirem sinais de choque hipovolêmico, 
como palidez, má perfusão e pulsos débeis, e não houver resposta adequada da FC às 
outras medidas de reanimação. Com o uso do expansor, espera-se o aumento da pressão 
arterial e a melhora dos pulsos e da palidez. Se não houver resposta, deve-se verificar a po-
sição da cânula traqueal, o uso do oxigênio a 100%, a técnica da ventilação e da massagem 
e a permeabilidade da via de acesso vascular.
Atenção à Saúde do Recém-Nascido
Guia para os Profissionais de Saúde
46
Ministério da saúde
Vale lembrar que apenas um RN em cada mil requer procedimentos avançados de reani-
mação (intubação, massagem e medicações), quando a ventilação com pressão positiva é 
aplicada de maneira rápida e efetiva no RN que tem dificuldades na transição da vida intra 
para a extrauterina.
2.6 Assistência ao RN com anomalias congênitas
Além dos procedimentos já citados, existem algumas doenças, em especial as anomalias 
congênitas, em que outros procedimentos precisam ser instituídos logo após o nascimento. 
Portanto, o conhecimento da suspeita da doença antes do nascimento pode orientar na 
reanimação e na necessidade desses procedimentos.
Em RN com suspeita de atresia de esôfago, insere-se uma sonda gástrica número oito ou 
mais no coto proximal, mantendo-se a sonda conectada a um sistema de aspiração contí-
nua para evitar a aspiração pulmonar da saliva.
Nos RNs com defeitos de fechamento da parede abdominal – onfalocele e gastrosquise – 
ou com hérnia diafragmática, recomenda-se o início da ventilação com balão e cânula tra-
queal, para evitar distensão gástrica e das alças intestinais. Deve-se manter a sonda gástrica 
aberta para descomprimir o estômago e as alças intestinais. Em geral, não há necessidade 
de aspiração contínua na sonda gástrica. Nos casos de onfalocele e gastrosquise, deve-se 
proteger o conteúdo herniado com compressa estéril e envolvê-lo com plástico poroso 
para evitar rotura, contaminação e perda de líquido e calor. 
Ao nascerem, as crianças com defeito de fechamento do tubo neural – meningomielocele 
e meningocele – devem ser colocadas em decúbito lateral e manipuladas com extremo 
cuidado. O saco herniário deve ser examinado de forma asséptica. As características da 
membrana que recobre a lesão, a existência de rotura da membrana com saída de líquido 
cefalorraquidiano, sinais de infecção ou presença de hemorragia devem ser verificados. 
Sempre proteger a lesão de pressão externa. Recobri-la com compressa estéril e colocar 
plástico poroso para evitar rotura, contaminação, perda de líquido e de calor.
Na presença de hidropsia, devido ao risco de insuficiência respiratória grave decorrente do 
derrame pleural e da ascite, deve-se estar preparado para realizar toracocentese e/ou para-
centese abdominal e aspirar o líquido das cavidades, para melhorar a expansibilidade torácica 
(para mais detalhes da técnica, ver capítulo 10 – volume 2 desta obra). Em RN com hidropsia 
secundária à aloimunização Rh, devido à intensa anemia, é recomendável a expansão de vo-
lume com sangue total tipo O, Rh negativo, pois comumente esses neonatos não respondem 
à reanimação enquanto o hematócrito não estiver no mínimo entre 30% e 35%.
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Guia para os Profissionais de Saúde
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Cuidados na Hora do Nascimento 2 Capítulo
Em todas essas condições, os RNs devem ser encaminhados à UTI em incubadora própria 
para transporte neonatal. 
2.7 Aspectos éticos da assistência ao RN na sala de parto
As questões relativas às orientações para não iniciar a reanimação neonatal e/ou interromper 
as manobras são bastante controversas e dependem do contexto nacional, social, cultural e 
religioso, no qual os conceitos de moral e ética são discutidos. Assim, não é possível generali-
zar recomendações, mas também não é possível evitar a discussão do assunto, uma vez que 
a reanimação neonatal é um dos temas inerentes às questões relativas ao “início da vida”. 8
O primeiro aspecto ético controverso refere-se à decisão de não iniciar a reanimação na 
sala de parto relacionada à viabilidade fetal. Apesar de não existir consenso em relação ao 
“quão pequeno é o pequeno”, as recomendações atuais assumem que neonatos abaixo de 
22 a 23 semanas de idade gestacional não apresentam viabilidade para a vida extrauterina. 
Porém, na prática, a idade gestacional não é conhecida de maneira precisa em uma parcela 
significativa dos casos. Técnicas usadas para determinar a idade gestacional podem variar 
de 1 a 2 semanas e o sinal clínico das pálpebras fundidas pode estar presente em cerca 
de 20% dos nascidos vivos com idade gestacional entre 24 e 27 semanas,34 dificultando a 
tomada de decisões na sala de parto. Parece então prudente recomendar que a reanimação 
seja instituída se o diagnóstico da idade gestacional não estiver previamente estabelecido.
A conduta de “esperar e ver” para então iniciar a reanimação deve ser 
abandonada, pois retardar o início dos procedimentos pode resultar em 
lesões do RN pelo estresse ao frio, hipoglicemia, hipotensão e hipoxemia, 
aumentando ainda mais sua morbidade e mortalidade.
A decisão de reanimar ou não um RN deve ser tomada caso a caso, sempre tentando esta-
belecer uma adequada comunicação entre os pais e a equipe de saúde. 
Outro aspecto ético controverso que deve ser considerado refere-se à duração dos procedi-
mentos de reanimação na sala de parto, ou seja, o momento adequado para se interromper 
a reanimação neonatal. Séries de casos relatados na literatura indicam que a reanimação 
superior a 10 minutos em RN sem atividade cardíaca pode não ser justificada no momento 
presente,