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Biografia de Paulo Freire
 
Paulo Freire (1921-1997) foi um educador brasileiro, criador do método inovador no ensino da alfabetização, para adultos, trabalhando com palavras geradas a partir da realidade dos alunos. Seu método foi levado para diversos países.
Paulo Freire nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Filho de Joaquim Temístocles Freire, capitão da Polícia Militar e de Edeltrudes Neves Freire morou na cidade do Recife até 1931, quando foi morar no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes, onde permaneceu durante dez anos.
Iniciou o curso ginasial no Colégio 14 de julho, no centro do Recife. Com 13 anos perdeu seu pai e coube a sua mãe a responsabilidade de sustentar todos os 4 filhos. Sem condições de continuar pagando a escola, sua mãe pediu ajuda ao diretor de Colégio Oswaldo Cruz, que lhe concedeu matrícula gratuita e o transformou em auxiliar de disciplina, e posteriormente em professor de língua portuguesa.
Em 1943 ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Em 1944 se casou com Elza Maria Costa de Oliveira, professora primária, com quem teve cinco filhos. Depois de formado continuou como professor de português no Colégio Oswaldo Cruz e de Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco.
Em 1947, Paulo Freire foi nomeado diretor do setor de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria. Em 1955, junto com outros educadores fundou, no Recife, o Instituto Capibaribe, uma escola inovadora que atraiu muitos intelectuais da época, e que continua em atividades até hoje.
Preocupado com o grande número de adultos analfabetos na área rural dos estados nordestinos, que formavam um grande número de excluídos, Paulo Freire desenvolveu um método de alfabetização baseado no vocabulário do cotidiano e da realidade dos alunos.
As palavras eram discutidas e colocadas no contexto social do indivíduo. Por exemplo: o agricultor aprendia as palavras, cana, enxada, terra, colheita, fogo etc. e os alunos eram levados a pensar nas questões sociais relacionadas ao seu trabalho. A partir das palavras base, ia se construindo novas palavras e ampliando o vocabulário.
A iniciativa do educador foi aplicada pela primeira vez, em 1962, na cidade de Angicos no sertão do Rio Grande do Norte, quando foram alfabetizados 300 trabalhadores da agricultura. O projeto ficou conhecido como “Quarenta horas de Angicos”. Os fazendeiros da região chamavam o processo educativo de “praga comunista”.
Com o golpe militar de 1964, Paulo Freire foi acusado de agitador e levado para a prisão onde passou 70 dias, e em seguida se exilou no Chile. Durante cinco anos desenvolveu trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária.
Em 1969, Paulo Freire lecionou na Universidade de Harvard. Durante dez anos, foi consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Viajou por vários países do Terceiro Mundo dando consultoria educacional.
Em 1980, com a anistia, Paulo Freire retornou ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo. Foi professor da UNICAMP e da PUC. Foi Secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Luísa Erundina. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, conhecida como Nita Freire, uma ex-aluna do Colégio Oswaldo Cruz.
Por seu trabalho na área educacional, Paulo Freire foi reconhecido mundialmente. É o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades, são 41, ao todo, entre elas, Harvard, Cambridge e Oxford.
Paulo Freire faleceu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997.
Obras de Paulo Freire
Educação Como Prática da Liberdade (1967)
Pedagogia do Oprimido (1968)
Cartas à Guiné-Bissau (1975)
Educação e Mudança (1981)
Prática e Educação (1985)
Por Uma Pedagogia da Pergunta (1985)
Pedagogia da Esperança (1992)
Professora Sim, Tia Não: Carta a Quem Ousa Ensinar (1993)
À Sombra Desta Mangueira (1995)
Pedagogia da Autonomia (1997)
O MÉTODO PAULO FREIRE
 	O método Paulo Freire estimula a alfabetização dos adultos por meio de debates envolvendo o cotidiano dos alunos e assim surgindo as palavras geradoras. Os princípios deste método são: Não existe educação neutra; O conhecimento trazido pelo educando deve ser levado em consideração; Propõe que os sujeitos envolvidos no processo educativo percebam a educação na possibilidade de transformação da sociedade; O Aluno é mediado pelo professor e pela sociedade; A transformação da sociedade só é possível por meio da Educação. 
	Este método possui três etapas que são: A investigação, que começa quando o aluno e o professor buscam informações por meio do universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive, as palavras e os temas centrais de sua biografia; A tematização que ocorre quando eles codificam e decodificam esses temas, buscando o seu significado social, tomando assim consciência do mundo vivido; Problematização é quando o aluno e o professor buscam superar uma primeira visão mágica do mundo, partindo para a transformação do contexto vivido. 
	As fases de aplicação do método Paulo Freire se dividem em cinco fases. Na primeira fase ocorre um levantamento do universo vocabular do grupo; Na segunda fase acontece a escolha das palavras selecionadas, seguindo os critérios de riqueza fonética, dificuldades fonéticas - numa sequência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático da palavra na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade; A terceira fase é a criação de situações existenciais características do grupo; A Quarta fase é a criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem no entanto seguir uma prescrição rígida; A Quinta fase é a criação de fichas de palavras para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras.
O método Paulo Freire nasceu em 1962 quando Freire era diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife onde formou um grupo para testar o método na cidade de Angicos, Rio Grande do Norte, onde alfabetizou 300 cortadores de cana em apenas 45 dias. Este foi o acontecimento mais marcante de Paulo Freire no campo da pedagogia, tendo por metodologia a escolha de “palavras geradoras”, comuns no vocabulário local como, por exemplo, cimento, tijolo, vassoura, enxada, terra, colheita, entre outras. O método usava essas palavras e, a partir da decodificação fonética dessas palavras, iam se construindo e associando novas palavras, aumentando assim o repertório dos alunos.
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
Nas palavras de Paulo Freire, o tema central do livro Pedagogia da Autonomia é “a questão da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos”. Neste sentido, alguns saberes, pontuados por Freire, são fundamentais ao professor com vistas a possibilitar uma prática pedagógica que proporcione aos alunos uma formação crítica e autônoma.
CAPÍTULO 1 - PRÁTICA DOCENTE: PRIMEIRA REFLEXÃO
Neste capítulo, Paulo Freire inicia sua fala chamando a atenção para a urgente necessidade de que o docente exerça a reflexão crítica de sua prática. Ele reafirma que os saberes que pontua em todo o livro são fundamentais a esta prática educativa-crítica e que por isto devem fazer parte da formação docente, pois desta forma, o futuro professor já toma consciência de um saber fundamental, a de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção e que neste processo, quem ensina aprende e quem aprender ensina, em outras palavras, não há docência sem discência.
	Assim, quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, mais se constrói e desenvolve o que ele chamou de “curiosidade epistemológica”.
	Após esta primeira fala, Paulo Freire nos leva a conhecer nove dos saberes fundamentais a prática docente: rigorosidade metódica, pesquisa, respeito

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